Uma vitória esmagadora, com cerca de 92% dos votos, deu ontem à noite a Luís Filipe Vieira a mais saborosa de todas as vitórias eleitorais. Não tanto pelo expressivo resultado, não tanto por terem sido antecedidas de pouco dignificantes processos com base em alçapões jurídicos, não tanto pelo facto de agora no seu terceiro mandato entrar incontornavelmente para a História do Sport Lisboa e Benfica. Mas sim, e principalmente, pelo facto de um número surpreendente de benfiquistas, quase 21 mil, ter votado numas eleições de vencedor anunciado e antecipado. Era, aliás, este o principal adversário de Vieira – a eventual fraca mobilização dos benfiquistas. O Presidente do Benfica percebeu o perigo de isso acontecer e escolheu as palavras certas, a mensagem certa para encerrar a sua campanha em Évora: “Venham todos votar”. E milhares corresponderam ao apelo.
Atingindo quase a maior votação de sempre (pouco mais de 21 mil sócios, no despique épico entre Manuel Vilarinho e João Vale e Azevedo), Luís Filipe Vieira alcança um lugar só reservado a poucos eleitos. É assim um líder reforçado e relegitimado que vai entrar no seu terceiro mandato. Um mandato que Vieira fez questão de sublinhar ser o da aposta nos êxitos desportivos. Se, como todos esperamos, isso acontecer de uma maneira consistente, então Luís Filipe Vieira entrará directamente para a galeria dos maiores e podem começar já a escolher o espaço nas paredes do átrio principal do Estádio da Luz para colocar a sua fotografia, ao lado de Borges Coutinho e de Joaquim Ferreira Bogalho. No seu discurso de vitória, num pavilhão da Luz eufórico, Vieira foi um verdadeiro líder da Nação Benfiquista. Registo duas passagens que me parecem ser significativas e importantes. O Benfica é dos sócios, não se cansou de repetir; e que a partir de agora é o Presidente de todos os benfiquistas, de quem nele votou e quem nele não votou. Não esperava outra coisa do seu discurso. Luís Filipe Vieira é um como nós. E é um como nós que eu quero na Presidência do meu clube. Ontem os benfiquistas votaram em consciência para um futuro de sucesso. Tenho orgulho em ser benfiquista. Viva o Benfica! Foto in www.abola.pt
Sou sócio do Sport Lisboa e Benfica há 61 anos . A este Clube dediquei muito da minha vida e em defesa do seu futuro disponibilizei muito do meu património.
Honro-me do meu passado, como homem e como benfiquista.
Nunca usei o Benfica em meu benefício. Nunca me aproveitei das muitas funções que ao seu serviço exerci. Sempre e sempre o fiz com entrega total, com espírito de missão e serviço e por amor ao Benfica.
Por isso, as acusações e/ou insinuações que me têm sido dirigidas constituem uma indignidade que não posso deixar de denunciar e que integralmente repudio.
Sou Presidente da Assembleia Geral do Benfica.
Tenho consciência perfeita das minhas obrigações. Como Presidente da Assembleia Geral sou o garante do cumprimento da Lei e dos Estatutos.
Em obediência a este dever tenho exercido este cargo. E em obediência a este dever convoquei o acto eleitoral e pratiquei todos os actos que estatutária e legalmente me estão cometidos com vista à sua realização, salvaguardando a isenção e independência que de mim se espera e se exige.
Por isso, foi com insuperável paciência que ontem e hoje ouvi as intermináveis intervenções, comentários e pronunciamentos sobre o acto eleitoral convocado para amanhã, sobre a sua legalidade ou ilegalidade, sobre a sua realização ou suspensão, sobre a sua exequibilidade ou inexequibilidade.
E permitam-me que expresse a minha surpresa profunda. Não me recordo, em toda a minha vida de benfiquista, de assistir a uma campanha de desinformação desta dimensão.
Assisti – e muito o lamento – a pessoas responsáveis tecerem observações sobre o que não conhecem, a apreciar e valorar condutas sobre factos que ignoram. Como assisti a pessoas com responsabilidades deontológicas de diversas ordem e natureza a omitirem factos essenciais e a, conscientemente, faltarem à verdade.
Por isso, entendo chegada a hora de prestar aos Benfiquistas todos os esclarecimentos que lhe são devidos.
Fá-lo-ei ponto por ponto, de forma clara e peremptória:
1.Sobre a existência de despacho judicial que ordene a suspensão do acto eleitoral
Não existe qualquer despacho dessa natureza. O que existe é, tão só, uma Nota de Citação recebida por mim, na qualidade de Presidente da Assembleia Geral, elaborada e entregue por uma Solicitadora de Execução que, alegadamente em cumprimento de um despacho de um Juiz, cita o Sport Lisboa e Benfica de que contra ele foi interposta uma providência cautelar requerendo a suspensão do acto de admissão da Lista A e dando o prazo de 10 dias para o Benfica oferecer a sua oposição.
Esta Nota de Citação, aliás, ao contrário do que a lei determina, não vem acompanhada do despacho a que diz reportar-se.
2.Sobre o significado da Nota de Citação
Pretende-se fazer crer que o Juiz apreciou o mérito da providência e a despachou favoravelmente.
Completamente falso. O único acto processual que pode ter sido praticado nos autos é a ordem de citação do requerido para deduzir oposição no prazo legal. Nada mais do que isto.
3.Sobre a pretensa suspensão do acto eleitoral ordenada pelo Juiz
Igual e grosseiramente falso. O requerente da providência cautelar não pediu a suspensão do acto eleitoral, mas, apenas, a suspensão da admissão da lista A. Não poderia, pois, o Juiz conhecer além do que lhe foi pedido, sob pena de excesso de pronúncia – e de consequente nulidade – mesmo em fase de apreciação de mérito, o que como se explicou, não é o caso.
4.Sobre a pretensa aplicabilidade do art. 397, n.º 3 do Código de Processo Civil
Falso também. A previsão do referido preceito reporta-se ao conceito de “deliberações sociais”, sendo estas, nos termos dos artigos 177º e 178º do Código Civil somente as deliberações das Assembleias Gerais e não de quaisquer outros órgãos sociais.
Neste sentido e abundantemente se tem pronunciado o Supremo Tribunal de Justiça.
Invocam-se, pela sua exemplaridade e clareza, os seguintes Acórdãos:
Acórdão de 17.10.89 – Afirma expressamente que, apesar de uma associação (como é o caso de um Clube) ser constituída por diversos órgãos, “apenas a assembleia-geral emite resoluções caracterizadoras de deliberações sociais para todos os órgãos.” E prossegue: “(…) só as resoluções da assembleia geral constituem actos de manifestação de vontade da pessoa colectiva (…), só aquelas resoluções – e não as decisões de nenhum dos seus outros órgãos – podem ser judicialmente suspensas ou impugnadas”.
Acórdão de 26.11.87 – “Só as deliberações da assembleia-geral de uma associação podem ser impugnadas e não as de outros órgãos das associações ou sociedades.”
Ou seja, a deliberação da Mesa da Assembleia Geral, enquanto órgão estatutário, de admissão da lista A não é legalmente passível nem de suspensão, nem de impugnação por não constituir uma deliberação da Assembleia-Geral.
É, pois, totalmente falso que seja ao caso aplicável o art. 397º, n.º 3 do Código de Processo Civil, como imprópria e indevidamente foi afirmado.
5.Sobre a inegibilidade de alguns candidatos da Lista A
É ainda falso que exista a invocada inegibilidade dos sócios que integram a lista A e que pertenceram aos demissionários órgãos sociais.
A participação disciplinar apresentada pelo sócio Bruno Carvalho contra estes sócios foi indeferida liminarmente por manifesta falta de fundamento, nos termos do despacho por mim lavrado e notificado ao participante. O participante poderia recorrer para a Assembleia-Geral e, caso esta confirmasse a decisão do Presidente da Assembleia-Geral, recorrer desta deliberação para os tribunais comuns. Porém, nada disto fez o candidato participante. Assim sendo, nenhum processo disciplinar existe contra qualquer dos candidatos integrantes da lista A, razão pela qual, verificada a conformidade estatutária quanto aos demais requisitos, foi a mesma admitida.
Acresce que as razões invocadas pelo candidato Bruno Carvalho para a rejeição da Lista A nunca poderiam ser apreciadas pelo Presidente ou pela Mesa da Assembleia-Geral, uma vez que tratando-se de matéria disciplinar, padecem, nesta matéria, de incompetência absoluta.
Importa ainda referir que a isenção da Mesa da Assembleia-Geral e do seu Presidente neste processo eleitoral tem sido escrupulosa.
Foi assim que se admitiu a candidatura da Lista B, uma vez que, apesar de dúvidas suscitadas, se considerou que os Estatutos lhe atribuem capacidade eleitoral passiva. E foi também no apelo ao princípio da participação que molda o direito associativo num Estado de Direito democrático que se suportou a respectiva admissão.
Benfiquistas,
As questões em causa são, como viram, simples e claras.
As eleições são o momento chave da vida de um Clube. Querem-se participadas, ordeiras e no escrupuloso respeito da democracia.
Querem-se disputadas. Mas, seguramente, não se querem objecto de manobras e esquemas pouco claros com vista a sonegar aos sócios a possibilidade de fazerem livremente as suas opções, convertendo um resultado que se pretende verdadeiro em vitória de secretaria.
Há comportamentos pré-eleitorais muito pouco claros.
Não se percebe como se questiona a realização do acto eleitoral e nele se participa como candidato.
Não se percebe como se designam delegados e representantes para as reuniões de preparação do processo de votação e para fiscalização das mesas de voto e a dois dias das eleições se pretende a eliminação administrativa do adversário eleitoral.
Não se percebe como se garante em entrevistas à comunicação social que não se proporá providência cautelar quando esta já teria sido proposta no tribunal.
Não se percebe que se diga que se pretende unir a família benfiquista e se coloque injustificadamente o Benfica em Tribunal, criando uma operação mediática que denigre a imagem do Clube como não há memória desde os funestos tempos da infausta Presidência de Vale e Azevedo.
Enquanto Presidente da Assembleia-Geral sinto-me obrigado a ficar por aqui.
Benfiquistas,
Não existindo quaisquer impedimentos de natureza legal, judicial ou estatutária para a realização do acto eleitoral, o mesmo realizar-se-á amanhã, nos precisos termos da convocatória publicada.
Apelo ao civismo de todos. Sei que esta situação é extremamente difícil e tenho recebido muitas mensagens de revolta e indignação a cujos remetentes peço que, uma vez mais, demonstrem a grandeza do Benfica através de um comportamento exemplar de respeito e de civilidade.
Apelo, finalmente, à participação maciça nestas eleições.
Em democracia a grande arma é o voto. É o voto que premeia e é o voto que pune.
Uma participação eleitoral forte será a grande, a maior, resposta à intoxicação de certa comunicação social e a defesa da grandeza e da democraticidade do BENFICA!
Uma palavra final. Que fique bem claro que qualquer manobra, artifício ou intervenção que coloque em causa o normal decurso do acto eleitoral será perseguida pelos meios judiciários próprios, designadamente exigindo a responsabilidade disciplinar, civil, patrimonial e criminal que ao caso couberem aos seus autores.
A mensagem certa, no momento certo. No meio de uma turbulência mais artificial que real, Luís Filipe Vieira usou a expressão que só por si é todo um programa: “Venham todos votar”! É isso: “Venham todos votar”!. Todos os interesses pessoais devem sucumbir ao interesse maior, chamado Sport Lisboa e Benfica. E esse interesse maior obedece apenas a um desiderato: “Venham todos votar”! O clube da democracia antes da democracia, o clube de Cosme Damião e de Borges Coutinho, o clube de José Águas e de Eusébio, o clube do povo e para o povo, deve demonstrar amanhã que continua igual a si próprio: o Maior Clube do Mundo. Nunca como agora se revela tão importante o papel do Benfica profundo, do Benfica social, do Benfica que não é Lisboa nem Faro, nem Coimbra nem Porto. Mas é o Benfica que é vivido com igual intensidade na tasca mais insalubre da aldeia mais recôndita e no hotel de 5 estrelas da avenida mais emblemática de Lisboa. Nas Casas do Benfica de Portugal e do Mundo, nas Casas do Benfica onde amanhã se escreve mais uma página na gloriosa história de um símbolo perene e universal, está o pulsar do clube. Amanhã é lá que se joga o futuro. Porque no Benfica, o seu futuro estará sempre nas mãos dos seus legítimos proprietários: os sócios. Viva o Benfica!
As estrelas foram ao jogo da moda ver de que massa são feitos os campeões. Saviola, Nuno Gomes, Sidnei, David Luiz, mais Rui Costa e Jorge Jesus, e as ex-glórias Shéu e Néné, foram ao Pavilhão da Luz ver o Benfica ser tricampeão nacional de futsal, batendo na finalissima (5º jogo) o Belenenses por 4-3, após prolongamento. Se como referem os jornais, Jesus quer que os jogadores visitem a sala de troféus para assimilarem a cultura de vitória do Sport Lisboa e Benfica, não custa acreditar que foi também o treinador principal que levou alguns dos atletas ao futsal. Ainda bem que todos estiveram lá, sob o olhar presidencial de Luís Filipe Vieira. Viram um pavilhão a vibrar como há muito não se via. Talvez desde os tempos de Carlos Lisboa, também ele ali presente, para vitoriar a fabulosa equipa de basquetebol dos anos 80 em 90. Parabéns a todos os atletas, com particular destaque para esse mágico chamado Ricardinho, e para André Lima, o campeonissimo jogador que na primeira época como treinador consegue chegar ao título. Esperamos que as estrelas do futebol de onze tenham sido contagiadas pelas vedetas do futebol de cinco. E que comecem a imaginar um Estádio da Luz com 65 mil tão eufórico como o pavilhão da Luz na noite de ontem. Viva o Benfica! Foto em www.slbenfica.pt
Depois da via espanhola, o Benfica virou-se para a via argentina. Em termos linguísticos, ficamos no castelhano. Em termos futebolísticos, espera-se, e estamos convencidos de que assim será, Saviola, Aimar e Schaffer, terão uma produção superior a Reyes e Balboa. Certo é que a via sul-americana parece que veio para ficar na Luz. A esquadra argentina lidera, com os três já referidos mais Di Maria. Depois, Falcao, colombiano mas a jogar na Argentina. Aliás, este atacante do River Plate, tem um currículo de goleador impressionante. Em 5 épocas nos “milionários” de Buenos Aires, marcou 26 golos em 72 partidas e 9 golos em 17 jogos internacionais (Copa Sul-Americana e Taça dos Libertadores). Pode ser o companheiro ideal para Cardozo, também ele um sul-americano, tal como Maxi Pereira. Ontem começou a nova temporada na Luz, com o Dia 1 de um caminho para o título. Aqui deixamos aquela que pode ser a equipa-base do futuro campeão nacional: 1 – em aberto; 2 – Maxi; 3 – Luisão; 4 – David Luiz; 5 – Schaffer; 6 – Ruben Amorim; 7 – Aimar; 8 – Ramires; 9 – Cardozo; 10 – Falcao; 11 – Saviola Claro que ainda há Reyes, Di Maria, Nuno Gomes, Sidnei e Patric (o que pode ajudar a deslocar Maxi mais para o meio do terreno). Enfim, muitas opções para uma época exigente e que se quer de sucesso. Uma coisa parece evidente – o esquadrão sul-americano domina em pleno.
Post-Scriptum: qual é a equipa, portuguesa ou não, que se pode dar ao luxo de meter dois titulares na selecção brasileira (Luisão e Ramires), tida como a melhor do Mundo, e que acaba de ganhar a Taça das Confederações?
Uma final de juniores em futebol, entre Sporting e Benfica, tem feito a abertura dos jornais televisivos. A razão não é desportiva, mas a violência que se gerou entre adeptos das duas equipas nas bancadas da Academia de Alcochete. Após a refrega, que, felizmente, não descambou em algo de muito grave, cada um dos clubes envolvidos responsabilizou o outro pelos desacatos. Eis os factos. Vamos agora fazer uma reflexão séria sobre os acontecimentos. O Sporting imputa culpas e responsabilidades a adeptos do Benfica que entraram tarde na Academia e logo criaram os desacatos. Visionando as imagens televisivas o que se vê, sem margem para quaisquer dúvidas são adeptos do Sporting, já instalados nas bancadas amovíveis, a lançarem pedras aos adeptos do Benfica que estavam a chegar ao recinto do jogo. Mas onde eu verdadeiramente quero chegar é a este ponto: como pode o organizador do jogo, o Sporting, sacudir a água do capote? Desde logo, uma questão: é admissível que o Sporting tenha marcado este jogo, cuja lotação há dias estava esgotada, para um sítio sem condições de albergar tanta gente, ao ponto de terem montado bancadas amovíveis? Estava o Sporting convencido de que nessas precárias condições de segurança tinha mais hipóteses de “pressionar” o trio de arbitragem para retirar dividendos menos lícitos? Porque é que ao contrário do que fez o Benfica, que marcou o seu jogo com o FC Porto para a Luz e não para o Seixal, o Sporting não marcou este para Alvalade? É claro que o Sporting não vai responder a estas perguntas, desde logo porque nenhum “jornalista” foi capaz de as fazer a qualquer responsável sportinguista. Mas não fica bem a um clube que acaba de eleger uma nova direcção apostar já num diferendo com o Benfica. É que também é estranho que o novel presidente leonino, José Eduardo Bettencourt, esteja já a ensaiar uma singular forma de liderança, qual seja a de mergulhar no meio dos adeptos, em fase de tumulto, certamente para melhor os conhecer e com eles melhor dialogar. Começa mal o Sporting esta nova fase da sua liderança, até porque o estilo populista não calha bem no perfil de Bettencourt. Esperamos que o novo líder leonino não se tenha sentido “apertado” depois das responsáveis e bem-educadas palavras que o Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, lhe dirigiu em recente entrevista televisiva, quando referiu não ter dúvidas de que seria um parceiro na luta pela verdade desportiva. Convinha que José Eduardo Bettencourt clarificasse a sua posição e dissesse ao que vem. Para que desfaça a má impressão destas últimas horas.
Bagão Félix, António-Pedro Vasconcelos (A-PV), Manuel Damásio e Rui Rangel têm algo em comum – em declarações recentes elogiaram a gestão de Luís Filipe Vieira no Benfica. Agora estão todos igualmente do mesmo lado, mas na crítica a Luís Filipe Vieira. O que mudou, entretanto? Tenho de Bagão Félix a imagem de um homem sério e cordato, benfiquista de alma e coração. Conheço pessoalmente A-PV, por quem tenho estima e muita consideração. Considero Manuel Damásio um dos maiores, senão o maior, erro do Benfica. Rui Rangel nada me diz, para além de saber que é colunista no “Correio da Manhã”. Confesso que não percebo o que une estes homens, para além do seu benfiquismo. Ambição de poder? Bagão já provou, e bem, o político; A-PV é amigo de Moniz; Damásio vive na ilusão do regresso; Rui Rangel terá as suas expectativas. Em artigo ontem publicado no jornal PÚBLICO, A-PV faz o panegírico de José Eduardo Moniz, que, numa atitude de honestidade intelectual, refere ser seu amigo. Porém, comete um grosseiro erro ao considerar Vieira um presidente a prazo. Porquê a prazo? A 3 de Julho, realizam-se as eleições no Sport Lisboa e Benfica. Concorrem Luís Filipe Vieira e Bruno Carvalho. O que ganhar não será nunca um presidente a prazo, na ideia de A-PV. Será sempre um presidente de mandato, que é de 3 anos. O que A-PV não diz é que JE Moniz queria, presume-se, ser “nomeado” presidente. Sem ter de passar por essa chatice dos votos. A coragem supostamente demonstrada na conferência de imprensa onde “anunciou” a sua não candidatura, faltou-lhe para avançar de peito feito. Pelo menos, de falta de coragem não se pode acusar a candidatura de Bruno Carvalho. Independentemente de outros méritos, permite o combate de ideias e projectos, essencial à democracia. E presta ao Benfica e a Luís Filipe Vieira um bom serviço. Vieira, o presidente-candidato ou candidato-presidente, tem tudo o que Moniz, Bagão, A-PV, Rangel, Damásio não têm. Tem quase uma década de bons serviços prestados ao Sport Lisboa e Benfica. Precisa, no entanto, destes pelo menos 3 anos para que a História o perpetue na galeria dos maiores, junto a Bogalho, Maurício Vieira de Brito, Borges Coutinho – as vitórias no futebol em doses consecutivas. Vieira sabe disso. A memória dos homens é muitas vezes injusta. Se não ganhar, de nada valerá recordar tudo o resto, que foi muito e que foi muito importante e que foi decisivo para a sobrevivência do clube. A partir de 3 de Julho, só resta ganhar. Vieira merece-o!
Luís Filipe Vieira desdobrou-se em entrevistas nestes últimos dias. Depois da SIC foi a vez do jornal “A Bola”. Com Moniz fora da corrida, Vieira, mesmo assim, não baixou a guarda. O director-geral da TVI foi o alvo de algumas revelações que o Presidente do Benfica achou por bem fazer. Desde já, uma conclusão a tirar é que Luís Filipe Vieira não temia José Eduardo Moniz e, pelo contrário, estava suficientemente preparado para uma campanha que tinha todos os ingredientes para ficar histórica. Do que se queixou Moniz – falta de tempo para preparar o “assalto ao poder” na Luz -, Vieira nunca se queixou. Aliás, como diz o povo, homem prevenido vale por dois. Nos últimos dias ficamos a saber que o Movimento de que Moniz era o porta-estandarte estava há muito organizado. Só assim se compreende que Moniz não tenha ficado minimamente surpreendido quando Veiga lançou o seu nome e, posteriormente, fez questão de ser filmado à saída de uma reunião com o homem-forte da TVI – um erro estratégico que pode vir a sair caro a Moniz no futuro. A estratégia estava montada. Vieira seria desgastado diariamente até Outubro. Com o clube em tal turbulência, não era crível que a equipa de futebol tivesse a tranquilidade necessária para iniciar o campeonato nas melhores condições. Nada podia falhar. Moniz seria levado ao colo, com a ajuda de alguma comunicação social, até à liderança da mais importante instituição portuguesa. Ninguém, porém, esperava o rasgo de génio de Vieira, habituado a esquivar-se das facadas nas costas, de antecipar as eleições. Ora, a conferência de imprensa de José Eduardo Moniz, onde anunciou a sua não candidatura (ninguém anuncia que não se candidata), foi menos para os benfiquistas e sim para aqueles que esperavam que a “galinha dos ovos de ouro” lhes caísse nas mãos – os grandes interesses económicos que ambicionam controlar os direitos televisivos do Benfica. O tiro saiu-lhes pela culatra. Mas Luís Filipe Vieira sabe que ainda só ganhou uma batalha, embora importante. A “guerra” ainda não acabou. O Benfica é dos benfiquistas. Agora e sempre!
O alegado campeão das "gaffes" deu um show de confiança, segurança e nervos à prova de aço. O treinador empírico e intuitivo revelou, em reportagem da Sport TV, que é um treinador organizado, metódico, estudioso, com tudo o que fez em 19 anos de profissão registado em dossiers. O básico, primário e de português pouco elaborado, foi de uma acidez elegante quando fintou a casca de banana que um jornalista lhe quis colocar ao lembrar a sua passagem pelo Sporting como jogador: "Tinha 15, 16 anos, e você só referiu um dos 19 clubes onde joguei", respondeu.
O típico homem do futebol português foi de uma sagacidade notável ao fingir que não ouviu quando lhe perguntaram se se sentia fragilizado ao ser contratado por uma direcção demissionário e prestes a ir a votos.
O "nosso" Jorge Jesus ainda teve tempo para dar uma estocada fatal em Bernd Schuster, treinador do Real Madrid quando defrontou o Belenenses de Jesus: "Com a equipa dele tinha dado 3 de avanço e acabava aos 5".
Foi este homem, cujos olhos brilharam quando falou do pai, que o Benfica foi buscar para regressar a casa: ser campeão. Eu acredito em Jesus!
Luís Filipe Vieira acaba de protagonizar na RTPN, no programa “Trio d´Ataque”, uma entrevista histórica e para a história do Benfica e do futebol português. O Presidente do Benfica e candidato a um terceiro mandato consecutivo à frente da maior instituição portuguesa, abriu o livro e explicou porque o clube de Cosme Damião está hoje mais preparado que nunca para enfrentar os desafios futuros. Os benfiquistas têm hoje um clube com as suas infra-estruturas desportivas completamente realizadas – quem em Portugal pode assumir o mesmo? Sem nunca chamar a si todo o mérito, numa demonstração de grandeza moral, antes sublinhando os importantes papéis de Manuel Vilarinho e Mário Dias, Vieira foi categórico: “A obra está aí, ninguém a pode negar”. Rui Moreira, na sua pior prestação de sempre do programa, foi cilindrado por Luís Filipe Vieira, quando o comentador portista tentou desajeitadamente utilizar uma afirmação de Varandas Fernandes, putativo candidato, que endereçou a paternidade do estádio ao empresário Vítor Santos, o conhecido Bibi. “Se calhar está à espera que Vítor Santos lhe financie a campanha”, atirou Vieira, e Rui Moreira emudeceu. Ou melhor, acrescentou duas piadas de mau gosto, como a de dizer que o Benfica é o clube do regime só porque António-Pedro Vasconcelos disse que a pressão de um presidente do Benfica era idêntica a de um primeiro-ministro. Ao Rui Moreira cabe perguntar se o seu clube alguma vez teria a grandeza democrática para acolher na sua casa tais comentadores – um do Sporting, outro do FC Porto e um benfiquista desalinhado? Não lhe teria ficado nada mal se sublinhasse esse ponto… A-PV foi elegante como sempre. Crítico da gestão desportiva de Vieira, permitiu ao Presidente do Benfica a estocada da noite: “É uma ofensa para mim e para a minha família ligarem-me a esse clube (FC Porto)”, disse, lembrando que A-PV referiu num anterior programa não ser Vieira um indefectível benfiquista por alegadamente ser sócio do FC Porto. Vieira puxou dos seus galões de mais de 50 anos de sócio, contra os 10 de A-PV e disse que não tem nada a ver com o facto de existir uma ficha de sócio com o seu nome no dragão: “Rasgem-na, façam o que quiserem. Não sei quem paga as quotas, nem porque tal ficha existe”, sentenciou Vieira. A-PV emudeceu e mostrou-se vencido. Esta “estória” teve um definitivo ponto final. Parafraseando Manuel Vilarinho, Luís Filipe Vieira tinha acabado de golear não por 9-1, mas por 10-0. Mas a brilhante exibição não se ficou por aqui. Defendeu e apoiou Rui Costa; penalizou-se pelo despedimento de Fernando Santos; garantiu o Benfica ecléctico e auto-suficiente, demarcando-se de Manuel Vilarinho; elogiou a postura de Quique Flores; confirmou Jorge Jesus e remeteu para o treinador a responsabilidade da frase: “vamos ser campeões” – evitando a acusação de populista. Outros pontos altos tiveram a ver com José Veiga, que nunca foi a causa da antecipação das eleições. “Ele não é benfiquista, pelo que nunca poderá ser presidente do Benfica”. E colocou os pontos nos is, sobre a responsabilidade de cada um na conquista do título de 2004. “Quem contratou Simão, Petit, Nuno Gomes, Luisão”? A resposta é bem clara para os benfiquistas: Luís Filipe Vieira. E, por fim, a questão do futebol: “É muito difícil Jesus falhar”, garantiu, acrescentando que todas as decisões do futebol são partilhadas e colegiais, enfatizando o papel de Rui Costa nesta matéria. Quanto aos próximos dias, uma boa novidade: “Vamos contratar mais 2/3 jogadores para constituir uma equipa super-competitiva e destinada a alcançar o máximo”. A partir do dia 3 de Julho, o futuro é do Benfica.
Diz o povo e com razão que mais vale cair em graça do que ser engraçado. Vem isto a propósito das loas que se cantam sobre a qualidade da formação do Sporting. Ora, este ano, o Benfica tem vindo a destacar-se nos diversos escalões de jovens: juniores, juvenis e iniciados.
Nesta última categoria, agora denominada de juniores C, acabamos de nos sagrar campeões nacionais; em juvenis (juniores B) estamos em segundo lugar, a 3 pontos do fcporto, que recebemos na próxima jornada no Centro de Estágio do Seixal, com tudo em aberto; e em juniores A, levamos 3 pontos de vantagem sobre o segundo, a 3 jornadas do fim. Melhor era impossível. Agora é aproveitar esta fornada fantástica de jovens jogadores e aperfeiçoá-los até chegarem à equipa principal. Parabéns à estrutura de formação do Benfica! Foto em www.slbenfica.pt
Manuel Vilarinho podia ficar na história do Benfica como o homem que venceu Vale e Azevedo e, assim, salvou o clube de continuar a caminhar para o abismo. Ficar recordado por este momento decisivo colocaria Vilarinho num lugar especial na galeria dos presidentes.
O actual presidente da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica resolveu deitar tudo a perder com um desempenho a raiar o absurdo na última segunda-feira à noite no programa “Prolongamento” da TVI 24.
Descontado o facto de Manuel Vilarinho possuir algumas idiossincracias que não lhe permitem tal exposição, o que se passou foi mau e foi grave. O voto de censura previsto para ser apresentado em Assembleia Geral tem o meu completo apoio. Vilarinho deve pagar publicamente pelo mal que fez ao Benfica e acabou por dar dois tiros nos pés e um na cabeça.
É apenas mais um triste exemplo de dirigentes do Benfica que não souberam comportar-se à altura das suas funções. E passa a ser, a partir de agora, mais um problema para Luís Filipe Vieira resolver.
O Presidente do Benfica sabe que tem muito a perder se integrar Manuel Vilarinho nas suas listas às eleições de dia 3 de Julho. Por isso, deve começar já a pensar em alguém que tenha a dignidade suficiente para ocupar um tal cargo.
Lanço daqui uma sugestão – gostaria de ver na Presidência da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica uma personalidade como o engº Luís Mira Amaral, ex-ministro e actual presidente do Banco Internacional de Crédito de Angola, em Portugal.
3 de Julho, portanto. Mais vale cedo que tarde. As eleições no Benfica nunca foram actos meramente formais, nem obrigatórios estatutariamente, foram sempre momentos únicos de que o clube saiu mais forte e mais unido. Democrata na génese, o Benfica sempre viveu estes momentos com paixão e empenhamento. Inquinar o início de uma época desportiva que pode ser decisiva para o futuro do clube com uma campanha que sempre eleva os níveis de décibeis de ruído era uma total irresponsabilidade. Agora, o actual Presidente do Sport Lisboa e Benfica, e naturalmente recandidato, tem uma pesada obrigação: devolver a esperança aos benfiquistas. Luís Filipe Vieira sabe que os benfiquistas não têm a memória curta. A dívida de gratidão para com ele ainda não está completamente saldada. Mas também sabe que é preciso renovar, injectar sangue novo, reinventar comportamentos, acções, medidas, inovar. O Presidente do Benfica não pode ignorar que essa nova esperança que ainda pode e deve protagonizar exige as mudanças que prometeu recentemente. E não deve ignorar que aqueles que ainda recentemente foram autistas e insistiram teimosamente em manter um rumo esgotado, sofreram pesada derrota. Luís Filipe Vieira não quer ser mais um Presidente do Benfica. Tem (ainda) tudo para marcar positivamente uma época e deixar um legado respeitado e reconhecido. Mas a fronteira entre ser mais um e ficar para a História do Benfica é muito ténue e tudo se joga nos resultados desportivos. A sua inteligência, argúcia e determinação são qualidades já demonstradas. Falta ver até que ponto às vezes o poder cria autismos que não nos deixam ver a realidade e levam a situações injustas e irrecuperáveis.
Post-Scriptum: Manuel Vilarinho, presidente da Assembleia Geral do Benfica, é um grande benfiquista, a quem o clube deve muito. Mas não devia ser sujeito a situações que o expõem ao ridículo e à chacota. Infelizmente não foi esse o caso ontem à noite na TVI 24.
Campeões em basquetebol, 14 anos depois; vencedores da Taça de Portugal em futsal e na “pole position” para revalidar o título nacional; prestes a ser campeão nacional de juniores; em boa posição para fazer o mesmo em iniciados; e tudo em aberto em juvenis – o Benfica Global está pujante, vencedor e determinado em continuar a fazer do SLB o mais ecléctico, o mais popular, o mais genuíno clube português e o maior do Mundo em número de sócios.
É isto o Benfica – ganhar é o seu destino. Ganhar com coragem, determinação, ética, capacidade de luta e superação. A vitória poderia ter também ocorrido no andebol, não se desse o caso de termos disputado o jogo decisivo em condições impróprias para um desporto são e de verdade.
Nós disputamos jogos em pavilhões com condições dignas, como aconteceu no magnífico pavilhão de Ovar; já bem sabemos que outros precisam de criar as condições mais deploráveis, em “caixas de fósforos” para atingirem os seus objectivos.
Seja como for, o Benfica está aí – contra tudo e contra todos. Para ganhar e, assim, cumprir o seu destino. Foto em www.slbenfica.pt
Álvaro Magalhães foi uma glória do Sport Lisboa e Benfica. Durante 9 anos foi o nosso lateral-esquerdo, tendo feito uma das asas esquerdas mais célebres de sempre do futebol português, com Fernando Chalana. Esteve no Euro 84, em França, onde realizou, com Chalana, exibições esplendorosas, e no Mundial de 86, no México. Em ambas as competições foi sempre titular da Selecção em todos os jogos realizados. Adjunto de Camacho, na sua primeira e notável época de Benfica, onde conquistou a Taça de Portugal ao FC Porto de Mourinho, foi depois adjunto de Trapattoni, em 2004/05, no último título de campeão. Quatro vezes campeão nacional , outras quatro vencedor da Taça de Portugal e de uma Supertaça, Álvaro jogou ainda uma final da Taça dos Campeões Europeus, em 1988, contra o PSV Eindhoven e a final da Taça UEFA, contra o Anderlecht. Com a camisola do Benfica disputou 263 jogos e marcou 9 golos. Este é o nosso Álvaro e não um qualquer franco-atirador que de comum só tem o primeiro nome.
Um jantar de rotina entre os responsáveis máximos dos órgãos sociais do Benfica transformou-se em caso nacional. Segundo doutas especulações jornalísticas (ai a CMVM, ai, ai), Luís Filipe Vieira agendou o repasto com Manuel Vilarinho, presidente da Assembleia Geral, e Walter Marques, presidente do Conselho Fiscal, para os auscultar sobre uma possível antecipação das eleições, estatutariamente marcadas para Outubro.
A notícia do jantar, em hotel de Lisboa, correu célere e selectivamente, pelo que, mais do que estar a reflectir sobre o porquê do Benfica continuar a ser, infelizmente, um clube com paredes de vidro, é preciso perceber a quem interessa fomentar este tipo de espculações.
Ora, tratando-se de um encontro rotineiro entre os máximos responsáveis do Benfica, é natural que todos os assuntos sejam debatidos e discutidos. O que não é natural nem normal é que apenas jornais pertencentes a um grupo de comunicação social em "guerra aberta" com o Benfica tenham sido informados do mesmo, ao ponto de terem colocado fotógrafos à porta do hotel.
O raciocínio só pode ser um: passar a ideia de que Vieira quer eleições antecipadas, para evitar que homens como Veiga possam ter estatuto de elegível, é criar o cenário de um líder benfiquista acossado e fragilizado.
Independentemente da bondade ou não da ideia de antecipar eleições, o que a acontecer seria inédito no Benfica, a única coisa que estatutariamente está assente é que elas se realizarão em Outubro.
Seja como for, não foi Luís Filipe Vieira quem "inventou" as eleições em Outubro - foram os sócios do Benfica que assim o aprovaram estatutariamente. Querer colocar em cima do Presidente do Benfica o ónus de pretender gerir o "timing" eleitoral à medida das suas conveniências é uma forma encapotada de atirar areia para os olhos do benfiquistas.
Uma decisão deste tipo, a ocorrer, e não é crível que ocorra, passa pela decisão de Manuel Vilarinho, como Presidente da Assembleia Geral. Uma coisa é certa: quem teme agora não estar na posse de todas as premissas legais para ser eleito, devia ter pensado nisso há mais tempo. O Benfica é grande de mais para aceitar impulsos de última hora.
A CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) resolveu suspender a negociação bolsista das acções do Sport Lisboa e Benfica com base numa notícia de jornal. O caso tem a ver com a eventual contratação do treinador do Sporting de Braga, Jorge Jesus, para substituir o actual treinador espanhol do Benfica, Quique Flores.
Em todo este processo da substituição de treinador no Sport Lisboa e Benfica, este incidente com a CMVM é aquele que me suscita maior reflexão e maiores preocupações.
A era das SAD no futebol português foi-nos “vendida” como a panaceia para todos os males da gestão amadora e irresponsável dos clubes de futebol. No Benfica, o processo iniciou-se mal com a liderança de Vale e Azevedo.
Luís Filipe Vieira e Manuel Vilarinho colaram os cacos e deram um rumo ao clube. Vieira credibilizou e estabilizou e fez cotar as acções do Benfica em Bolsa. (é curioso notar que mesmo em crise desportiva, as acções do Benfica têm tido um desempenho mais coerente do que a cotação das acções do FC Porto e Sporting, sinal dessa credibilidade).
Com esta atitude, a CMVM dá um lamentável e grave tiro no pé, lançando a confusão e aleatoriedade num sistema que se deve reger pelo rigor, pela transparência e pela credibilidade.
Agora, para manter a coerência, a CMVM tem de mandar suspender as acções do FC Porto se amanhã um qualquer jornal disser que o futuro treinador do FC Porto não vai ser Jesualdo Ferreira, ou suspender as acções do Sporting se vier à estampa que Eriksson irá substituir Paulo Bento.
E as empresas, que tipo de comportamento podem esperar agora da CMVM? Os jornais da manhã podem reservar tantas surpresas…
A RTPN / RDP – Antena 1 fez-me um simpático e honroso convite para participar no programa “Antena Aberta”. Em jeito de fórum, este programa é um estímulo à intervenção e participação dos telespectadores e dos ouvintes, possibilitando uma auscultação da opinião pública. A questão era: “Quique Flores é o treinador que convém ao Benfica para a próxima época?”. Antes de terem aberto a antena, colocaram-me a pergunta. A minha resposta foi: Não. E elenquei uma série de situações que me levam a ter esta opinião. Situações que tenho vindo a tornar públicas nos diversos espaços de opinião que frequento: aqui, neste blogue, no blogue Novo Benfica e no programa “A Bola é Redonda”, do Porto Canal. São, portanto, argumentos conhecidos. Mas, se não houvessem esses argumentos, que impõem a substituição do treinador para a próxima época, Quique está a dar aos adeptos e ao Benfica um grande argumento para o mandar embora. Este braço de ferro que o senhor Quique Flores – que agora até envia a sua advogada para falar com Rui Costa – está a manter com o Benfica é não só uma provocação barata como uma falha de carácter. Diz Quique que exige respeito e que as notícias da vinda de outro treinador o fizeram sentir-se traído. O espanhol tem memória selectiva e esquece-se das notícias que ao longo da época saíam em Espanha e que o dava como cobiçado por diversos emblemas espanhóis. Assim como se esquece de uma entrevista que deu em que abria a porta a um regresso a Espanha, ainda o campeonato não tinha chegado a meio. Os adeptos benfiquistas que participaram na Antena Aberta mostraram-se divididos. É natural e é saudável. O Benfica sempre foi um enorme clube democrática, pelo que a divergência de opiniões é algo com que convivemos bem. Convém no entanto dizer que muitas das opiniões favoráveis a Quique devem-se ao facto deste ter tido a preocupação de cuidar bem da sua imagem junto da opinião pública, muitas vezes em detrimento da solidariedade para com o clube que lhe paga. Talvez que agora, com este comportamento, tenha caído a máscara de Quique Flores junto dos adeptos do Benfica. Agora fica claro que o treinador espanhol só pensou em si. E esta de mandar a advogada falar com Rui Costa não lembra ao diabo.
Post-Scriptum: São lamentáveis as declarações de jogadores do Benfica sobre a questão do treinador. E é inacreditável que ninguém ponha cobro a isso. Toda a gente tem direito à sua opinião, mas num clube de futebol organizado e de dimensão mundial as coisas são muito claras: os dirigentes para tomar as decisões, os treinadores para treinar, os jogadores para jogar. E ponto final!
Não sei se é inédito, mas que não é vulgar não é. O presidente do Cruzeiro sentiu necessidade de escrever à torcida celeste do clube brasileiro para justificar a transferência do "volante" Ramires para o Benfica. O facto pode suscitar muitas opiniões e especulações, mas uma coisa é certa, se o homem não fosse craque de verdade, quem é que se importaria? Leia aqui a carta de Zézé Perrella e tire você as conclusões.
Benfica – 3; Belenenses – 1 (30ª e última jornada da Liga). De novo 3-1, após idêntico resultado na jornada anterior em Braga. Seis golos marcados e dois sofridos nestas duas últimas jornadas. Desta vez, na Luz, contra o Belenenses, a diferença esteve no facto da equipa ter entrado a perder, ao contrário de Braga.
A nota principal foi que os adeptos, mais uma vez, marcaram presença. Quase 31 mil na Luz, num jogo que já nada acrescentava à classificação final.
Ainda não é a altura de fazer o balanço, mas fica esta nota: o Benfica perdeu 7 pontos com as duas equipas que foram despromovidas: Belenenses e Trofense. Hoje, Quique fez regressar Maxi ao seu lugar durante toda a época (em Braga o uruguaio começou como médio defensivo), e que jogão fez!!!
A linha defensiva não teve surpresas, com Luisão no lugar de Miguel Vítor; o meio-campo viu regressar Carlos Martins, em detrimento de Ruben Amorim, castigado; e Urreta substituiu Reyes; e apareceu, de novo, Pablo Aimar, no apoio a Óscar Cardozo.
Aliás, uma das principais curiosidades deste jogo era saber se Tacuara conseguia o seu primeiro hat-trick, ascendendo assim à liderança da Bola de Prata e alimentado a esperança de poder suceder a Rui Águas como vencedor benfiquista do troféu, já lá vão 14 anos.
O que se pode dizer sobre este aspecto é que a equipa falhou rotundamente. Não por culpa de Cardozo, que ainda na primeira parte, e com o Belenenses a jogar com 11, deu o melhor seguimento a um cruzamento perfeito de Maxi Pereira. Também não foi por culpa dos alas, Urreta na direita e Di Maria na esquerda, que conjuntamente com Jorge Ribeiro, tentaram, através de centros atrás de centros, municiar, embora nem sempre da melhor maneira, Óscar Cardozo.
O problema centrou-se, mais uma vez, na lentidão com que o Benfica processou o seu jogo. Mesmo a jogar contra 10, depois da justa expulsão de Saulo por agressão a Di Maria, o Benfica foi incapaz de jogar mais rápido e fazer mais golos.
É incompreensível, nesta situação a manutenção de um duplo pivot no meio-campo (Katsouranis/Carlos Martins; Katsouranis/Fellipe Bastos). Como foi incompreensível a entrada tardia de Pedro Mantorras para o lugar de Aimar, quando há muito se percebia que o argentino estava fora do jogo, sem força física e sem força mental.
Um palavra para sublinhar mais um golão de Mantorras. Que o próximo treinador do Benfica saiba aproveitar melhor todas as potencialidades do fantástico goleador angolano, que mesmo com algumas limitações merece muito mais.
Quique despediu-se da Luz? O seu comportamento final leva a crer que sim. O treinador espanhol que, quando chegou à Luz disse que o seu modelo era Mourinho, fez questão de pedir aos adeptos que levantassem a cabeça, mimetizando a atitude do treinador português dirigindo-se aos adeptos do Chelsea, depois de uma derrota.
Caiu o pano sobre a Liga. Os próximos dias são de balanço e de reflexão. Esta época trouxe muitos ensinamentos e muitas lições. Há erros que não se podem cometer no futuro. Foto em www.slbenfica.pt
Ficha do jogo
Benfica – 3; Belenenses – 1
Estádio da Luz (Lisboa)
Árbitro: Cosme Machado (AF Braga)
Benfica: Moreira; Maxi, Sidnei, Luisão e Jorge Ribeiro; Katsouranis, Carlos Martins, Di Maria, Urreta; Aimar, Cardozo.
Muitas vezes não vemos aquilo que está mesmo debaixo do nosso nariz. Tenho vindo a defender que o Benfica, para a próxima época, deve preferencialmente reforçar-se no mercado português. Até agora isso não tem acontecido – Patric, Ramires e, talvez, Álvaro Pereira -, mas, espero, com Jorge Jesus a tendência pode inverter-se. Se estava convencido desta minha tese, mais fiquei ao assistir esta tarde à glória suprema de um pequeno clube alemão, o Wolfsburg, que se acaba de sagrar pela primeira vez na sua história campeão alemão da Bundesliga. Este improvável campeão, liderado pela antiga estrela da selecção germânica, Félix Magath, possui nas suas fileiras dois jogadores que o campeonato português conhece bem: o guarda-redes suíço Diego Benaglio e o defesa central Ricardo Costa. O primeiro, titularissimo durante toda a época, tendo feito 31 em 34 jogos, deixou há dois anos o Nacional da Madeira para regressar ao campeonato alemão, onde já tinha actuado no Estugarda. O segundo, ex-FC Porto, apesar de não ter sido muito utilizado, conseguiu marcar 3 golos, sendo um defesa. Mas no Wolfsburg o português é língua de destaque. Lembram-se de Alex? O ex-Benfica e ex-V. Guimarães, cumpriu a sua 4ª época no clube alemão, apesar de não ter sido utilizado. No plantel há mais quem fale a língua de Camões: os 4 brasileiros, entre os quais um nosso conhecido, Rodrigo Alvim, ex-defesa do Belenenses. Agora digam lá se às vezes as oportunidades não estão mesmo debaixo do nosso nariz?
O desconhecido Ramires, para o futebol português, parece ser um valor seguro no Brasil e uma estrela em ascensão. No dia em que o Cruzeiro confirma a vinda da sua maior estrela para o Benfica, o jovem atleta vê já a sua cotação mundial subir em flecha ao ser convocado por Dunga para a Selecção brasileira, vulgo a “Canarinha”.
"É felicidade em dobro. O trabalho está sendo reconhecido. A gente trabalha almejando alguma coisa na frente e hoje é um dia feliz para mim, para minha família, todos aqueles que me acompanham e gostam de mim. Estou esperando para chegar em casa e comemorar com o pessoal, eles estão ansiosos também. É isso aí, continuar trabalhando", disse à TV Cruzeiro.
Segundo o site do Cruzeiro “o fluminense Ramires Santos do Nascimento, de 22 anos, chegou ao Cruzeiro em Abril de 2007, contratado do Joinville. Em pouco mais de dois anos, disputou 105 jogos com a camisa celeste, marcou 27 golos e conquistou a torcida com um futebol dinâmico, de muito vigor físico e versatilidade que lhe permite actuar nas quatro posições do meio-campo. Pelo Cruzeiro, Ramires conquistou o bicampeonato Mineiro, em 2008 e 2009, e chegou à Selecção Brasileira. Ganhou a medalha de bronze com a equipa sub-23 nos Jogos Olímpicos de Pequim recebeu nesta quinta-feira a primeira convocação para a equipa principal, para jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 e a Copa das Confederações”.
Quem o conhece bem diz que o Benfica acaba de contratar, por 5 anos, o novo Valdo. Certo é que com Ramires e Luisão, o Benfica está no topo dos clubes que cedem jogadores à que é considerada a melhor selecção do Mundo.
Vai por aí um charivari sobre a provável mudança de treinador do Benfica. Uns afirmam que Quique Flores esgotou o prazo de validade, por erros e má fortuna; outros que a mudança de treinador nada resolve, dado que o Benfica já no passado utilizou esta estratégia sem resultado. Ambas as correntes de opinião têm razão. Parece claro que o treinador espanhol foi opção errada. Começou, aliás, por ser terceira opção, o que só por si fragiliza qualquer escolha. Porém, Quique, ex-jogador do clube do século XX e nado e criado numa das mais competitivas ligas do mundo do futebol, fez quase tudo errado. Não soube ou não quis rodear-se de quem melhor o poderia proteger; não soube ou não quis entender a fundo o futebol português; não soube ou não quis perceber a cultura de um clube mundial como o Benfica. Tenho para mim que Quique, nesta sua primeira aventura estrangeira, julgou ter chegado a um futebol de primitivos (e, nalguns casos, até tem alguma razão), onde todos, sem excepção lhe iriam prestar vassalagem. Recusou ser humilde e aconselhar-se junto de Diamantino e Chalana, preferiu o ex-Liverpool e ex-campeão europeu, Pako Ayesteran. Mandou às malvas os relatórios sobre adversários tão improváveis, no seu entender, como Trofense ou Rio Ave – que não ficam nada a dever aos Almerias e Huelvas, mas que na cabeça de Quique eram equipas “de rir” (lembram-se do acesso de riso antes do jogo com o Trofense?). Apenas a cosmopolita Lisboa lhe enchia as medidas, já que o caminho para o Seixal não era para memorizar. Criticar árbitros, assumir culpas por erros próprios, incorporar um pouco da linguagem muito própria do futebol português – isso não, isso seria descer ao nível dos bárbaros. Ou seja, Quique, independentemente do seu valor como técnico ou como pessoa, não se enquadrou numa realidade muito específica. O futebol português é aquilo que é, e enquanto assim for, as regras do jogo são claras e temos de as aceitar (não quer dizer concordar). Jorge Jesus não é nem pior técnico nem pior pessoa que Quique – algo que nem sequer posso avaliar porque por um lado não tenho conhecimentos técnicos; por outro porque não os conheço. O que sei, de ciência certa, é que Jesus é um “homem do futebol português”. É provavelmente, com Cajuda, um dos últimos moicanos. Vejam bem, foi jogador do Olhanense na última vez em que o clube esteve na 1ª Divisão, há 35 anos. O Benfica, nesta sua muito delicada fase da sua vida, precisa de um treinador com este perfil. Os defensores dos treinadores holandeses perguntem a si próprios porque é que Koeman fez figura na Liga dos Campeões e fracassou no campeonato? E Trappatoni seria campeão sem Álvaro? Fernando Santos? Um erro o seu despedimento à primeira jornada. Não se queira agora defender a estabilidade do erro, que seria a manutenção de Quique Flores. Não me agrada esta mudança anual de treinador, mas é melhor correr o risco de mudar do que insistir numa opção que já se viu errada. O Benfica português, ou “made in” Portugal, tem de ser a estratégia futura. Espero que Jorge Jesus, se se confirmar a sua vinda, faça uma aposta decidida nos jogadores portugueses, que ele tão bem conhece. E que seja feliz e nos faça felizes…
Braga – 1; Benfica – 3 (29ª jornada da Liga). Os golos que faltaram contra o V. Guimarães e contra a Académica, ambos na Luz, chegaram e sobraram agora em Braga. O problema é que nos jogos anteriores seriam golos bem mais importantes e mais decisivos.
Ontem, em Braga, a vitória soube bem, mas soube a pouco. Nos tais jogos referidos exigia-se vitórias e golos assim, iguais, como aconteceu no estádio Axa. Quando Quique Flores afirma não encontrar explicações para a travagem da equipa no último terço de campeonato, o que podemos nós, os adeptos, dizer?
Perguntar, talvez: porque não joga sempre assim o Benfica? Será esta equipa do Benfica de apenas jogar bem quando não está pressionada? Se assim é, tal não abona a favor da sua liderança técnica.
Uma equipa de altíssima competição, como o Benfica, tem de ser capaz de se exibir ao mais alto nível quando está pressionada, não o contrário. Foi, por isso, um sentimento paradoxal aquele que me invadiu no final do jogo.
Por um lado, a alegria da vitória, folgada, num dos campos mais difíceis do campeonato; por outro, uma profunda angústia por perceber que esta equipa do Benfica podia e devia ter ido mais além.
Quique surpreendeu, mais uma vez, na arrumação táctica da equipa. Moreira surgiu na vez de Quim, sem explicação aparente, mas provou o gritante equívoco que foi a sua troca por Quim num determinado momento da época.
Depois, o mais regular da defesa, Maxi, surgiu no meio campo, junto a outro dos últimos preteridos, Katsouranis. Valha a verdade que não deu para perceber da eficácia desta “surpresa táctica”, visto que David Luiz, deslocado finalmente para o centro da defesa para colocar Jorge Ribeiro na esquerda, se lesionou muito cedo e tudo regressou à normalidade, com o regresso de Miguel Vítor ao centro e Maxi de retorno ao seu lugar. Uff!!!
Com tudo isto em poucos minutos, a equipa do Braga deve ter-se baralhado por completo, tendo os seus jogadores cometido erros capitais nos dois primeiros golos. Isto sem tirar mérito à capacidade goleadora de Cardozo. (Na verdade custa perceber como se pode preterir de um jogador com esta faculdade ao longo de quase toda uma época). E à capacidade técnica de Di Maria – outro que foi muito mal aproveitado, juntamente com Urreta, que ontem fez um grande jogo.
Mas se Quique teve estes erros (e outros) capitais para a desastrosa época do Benfica, ontem pode dizer-se que se saiu bem do duelo particular com Jorge Jesus, tido como o próximo treinador do Benfica.
Segui de muito próximo este duelo, dada a minha posição no estádio, bem perto dos bancos. O que vi foi um Quique Flores a querer “imitar” Jorge Jesus, e este bem mais contido do que o habitual (talvez a querer passar uma imagem mais de estadista, sentindo que o Benfica obriga a outro comportamento). Foto em www.slbenfica.pt
Ficha de jogo
Estádio Axa (Braga)
Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)
Benfica: Moreira; Miguel Vítor, Sidnei, David Luiz e Jorge Ribeiro; Katsouranis, Maxi, Ruben Amorim e Reyes; Di Maria e Cardozo.
Jorge Jesus é o homem certo no lugar certo. Conhece o futebol português como poucos. Subiu a pulso até atingir o topo. Não nasceu em berço de ouro, começou por baixo e foi galgando degraus não por ter “padrinhos”, não por “cunhas”, não pelos acasos do destino, não por meras circunstâncias e oportunidades, mas por trabalho, competência, esforço.
Jorge Jesus é do tempo do futebol no pelado. É do tempo do Amora, no velhinho estádio da Medideira. Não come no Gambrinus, nem fala em portunhol. Come carapaus fritos e a sua linguagem é a do futebol puro.
Nunca esteve no Benfica, mas é um treinador à Benfica. Se tudo correr bem, entrará pela porta grande na Luz. Cumprirá um sonho. Merece esse sonho. Talvez seja campeão sem ser na playstation.
Desta vez a primeira escolha tem de ser concretizada. Jesus não hostilizará Diamantino, nem Chalana, porque são “irmãos gémeos”. Conhece os jogadores como as suas mãos. Conhece bem o mercado português e isso é fundamental.
Há gente no Braga que cabia bem na Luz. João Pereira, César Peixoto, Luís Aguiar e Mateus. Se tudo correr bem, deêm-lhe um contrato de longo termo. Ele pagará a confiança com sangue, suor e lágrimas, muita rouquidão e milhares de quilómetros junto à linha.
O sobretudo à Mourinho e a pastilha elástica à Alex Ferguson são apenas adereços. O essencial está naquele seu jeito de viver cada segundo do treino e do jogo como se fosse o último. Jesus precisa do Benfica e o Benfica precisa de Jesus. Que nenhuma das partes se esqueça disso.
Joe Berardo aproveitou o momento de turbulência que se vive no interior do Benfica, em virtude dos maus resultados da equipa de futebol, para regressar à análise sobre o futuro do clube.
Disse o especulador bolsista que o Benfica “precisa de um presidente a tempo inteiro, para recuperar desta vergonha”, numa crítica explícita a Luís Filipe Vieira. Ora, o nosso Joe, que não há muito tempo insultou publicamente Rui Costa através de um dignificante “fuck him”, espalhou-se no “timing”.
Logo hoje, em que foi conhecido o encerramento da emblemática unidade hoteleira, Savoy, propriedade do empresário, e o despedimento de mais de uma centena de funcionários, “Big Joe” apresenta-se à nação benfiquista como mais um “papagaio”.
Estará “Big Joe” convencido que será ele o presidente a tempo inteiro? Entre o tempo dedicado às suas colecções de arte, à compra e venda de acções e às tricas do BCP, pode ser que lhe reste algum para perceber que está completamente fora-de-jogo.
Do que o Benfica não necessita é de alguém que encontra soluções para os problemas através dos mecanismos artificiais da engenharia financeira dos mercados de capitais. Do que o Benfica não precisa é de especialistas em “short selling” e warrants.
O Benfica precisa é mesmo de alguém da economia real.
Representação da mesa dos 7 pecados de Hyeronimus Bosch, pintor flamengo dos séculos XV e XVI
Podíamos elencar 7, 10, ou mais. Mas como 10 é um número mágico no futebol, resolvi escolher aqueles que foram, para mim, os 10 pecados mortais de Quique Flores, e que explicam a época desastrosa que realizamos.
1 - O afastamento do centro de decisão técnica de Diamantino e Chalana; 2 - A dispensa de Léo; 3 - O ostracismo a que foi votado Cardozo; 4 - Os treinos "invisíveis"; 5 - As arbitragens cirúrgicas; 6 - A indefinição dos guarda-redes; 7 - A casmurrice táctica; 8 - O desconhecimento sobre os adversários; 9 - A falta de autoridade no balneário; 10 - Um discurso demasiado agradável.
Benfica – 2; Trofense – 2 (28º Jornada). A próxima época do Benfica tem de começar hoje, 10 de Maio de 2009. A 3 dias da emblemática reunião de católicos em Fátima, para celebrar um milagre, o Benfica precisa também de preparar o seu 13 de Maio.
Quique disse que o seu sucesso é invisível, por isso, certamente não será ele a ter a desejada visão do milagre. Espera-se que o Presidente do Benfica e o Director Desportivo possam ser iluminados por uma visão divina e encontrem a Luz ao fundo do túnel.
É por isso que hoje mais que nunca é preciso um regresso a casa. Um regresso às origens. O mercado português deve ser o privilegiado para a próxima época. Espalhados por aí estão jogadores de classe, de garra, de talento, de amor à camisola.
Os problemas estão identificados. As lacunas estão identificadas. Os fracassos estão identificados. Rui Costa teve o seu ano zero. Estou certo que aprendeu muito, mais do que julgava poder aprender em tão pouco espaço de tempo.
No ano 1 da sua era, os benfiquistas esperam que a experiência deste ano sirva para corrigir os erros cometidos. Alguns saltam à vista. O treinador foi um deles, mas a escolha de alguns jogadores também deixou a desejar.
Uma coisa os responsáveis benfiquistas podem ter por adquirido: os benfiquistas nunca faltarão com o seu apoio, com a sua presença, com a sua fé. E isso não é um milagre, é uma realidade bem visível. Façam-nos felizes, sff…
Post-Scriptum: Faço minhas as palavras do presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista: este campeonato é (foi) uma mentira. A escolha de um árbitro do Porto para arbitrar o jogo entre FC Porto – Nacional é mais uma brincadeira deste nosso futebol.
Artur Soares Dias até nem é dos piores, mas é falta de senso tê-lo colocado nesta situação. Se era para “queimar” um árbitro que podia ter uma boa carreira, então está bem. Soares Dias não conseguiu libertar-se da pressão e dos condicionalismos deste jogo e foi muito caseiro.
A postura de alheamento, fraca competitividade e notória falta de vontade, demonstrada por alguns jogadores do Benfica durante o jogo com o Nacional da Madeira ficou a dever-se:
1 – Apesar do sporting ter empatado, os jogadores já tinham interiorizado que o 2º lugar era uma miragem e, por isso, entraram mais cedo de férias;
2 – Quique já não tem autoridade sobre o grupo e não lhes consegue transmitir nenhuma motivação, nem dar qualquer injecção de moral;
3 – A ausência de Rui Costa junto ao relvado foi para muitos jogadores uma desvantagem que não conseguiram ultrapassar (exemplo de Cardozo, que depois dos golos em Setúbal foi abraçar o director desportivo junto à linha).
Nacional - 3; Benfica - 1 (27ª Jornada da Liga). Já não há vontade para indignações. Já não há vontade para agitar lenços brancos. Já não há vontade para insultar ninguém, para pedir responsabilidades, para exigir pedidos de desculpa. Já não há vontade sequer para apontar o dedo a um árbitro que continua a fazer das suas, como este JS (mas somos nós que temos a culpa). Este torpor que parece instalado em milhares de benfiquistas é a pior das constatações. É um encolher de ombros, que admite como banais todas as derrotas.
Encontrar explicações para a derrota na Madeira frente ao Nacional é um exercício que obrigaria a reconhecer que aquele grupo de jogadores que envergaram a camisola do Benfica queriam mesmo ganhar. Ora, tenho dúvidas sobre essa vontade.
Afinal, é de vontade que se trata. Relativizemos as questões tácticas. Mandemos às malvas as conjecturas sobre quem deveria jogar. Do que se trata é de vontade. Vontade de ganhar. É uma questão de cabeça, de força mental.
Ficar a 2 pontos do sporting, a um passo das pré-eliminatórias da Liga dos Campeões não é suficientemente motivador para os jogadores do Benfica? A quem se pede agora responsabilidades? Isto é, se houvesse vontade de pedir responsabilidades…
O problema é conseguir responder eficazmente à pergunta: que fazer? Parece que tudo já se tentou, que todas as palavras já foram ditas, que todos os discursos já foram feitos. Na verdade, estamos em 3º lugar; no ano passado ficamos em 4º lugar. Assim NÃO…
Os que entendem que importa começar do zero estão enganados. Vamos começar do menos zero. O que nos salva é que nós somos o Benfica. Mas o tempo corre depressa e escoa-se. Como areia fina por entre os dedos.
Há quem já tenha a cabeça noutras paragens e há quem nos deveria ter posto os pés na Luz. Pedir mais é um eufemismo. Eu só quero pedir que nos devolvam o Benfica. E que não demorem muito a fazê-lo.
Post-Scriptum: Como protesto, recuso-me a escrever o nome de qualquer jogador do Benfica.
O CASTIGO A RUI COSTA É UMA VERGONHA! E ISTO...!!!???
O futebol português tem esta capacidade fantástica de nos surpreender. Quando julgávamos já tudo ter visto, desde os quinhentinhos ao apito dourado, passando pelo apito final, pelas escutas, pelos túneis e "black-outs", rameiras e guardas, creolinas e ambulâncias, brasis e chocolatinhos, brilhantina e café com leite - e mesmo um porco a andar de bicicleta - eis que sai mais um coelho da cartola: o castigo ao Rui Costa. O Rui Costa? - perguntou o meu amigo benfiquista de Moscovo. Lá tive de lhe explicar que foi porque disse umas palavras, como "vergonha", ao árbitro do Benfica - Marítimo. O frio da capital russa não lhe congelou, porém, o raciocínio. O quê? Mas o futebol português não é uma vergonha todos os dias? - disparou. Pois é, respondi-lhe, mas só alguns é que se sentem envergonhados. O presidente do Estrela da Amadora, por exemplo, não paga ordenados aos jogadores desde o início da época, achas que ele tem vergonha? Um presidente de clube de futebol recebe árbitro em casa na véspera de um jogo e os tribunais acham normal, achas que alguém perdeu a vergonha? Um treinador de um clube dito grande insulta os árbitros jornada sim - jornada não, e não vi ninguém sentir-se envergonhado. Porquê? Porque no futebol português quase todos já perderam a vergonha. Ora, o Rui Costa ao reclamar "tenham vergonha", está a pedir algo que já se perdeu há muito, logo impossível de recuperar com celeridade. E os senhores que mandam no futebol português não gostam que lhes caia a máscara. O problema agudiza-se tratando-se do Rui Costa. Com uma folha de serviços limpa, quer como jogador do Benfica, quer como jogador da Selecção, quer como dirigente, o Rui é uma espécie de "alien" do futebol português. Tivesse ele a candura de outros dirigentes como João Bartolomeu, António Salvador, Valentim Loureiro, Mesquita Machado, Pinto da Costa, João Loureiro, António Oliveira, que nunca pediram a ninguém para ter vergonha (coisa que, presume-se, eles também não têm para dar), e outra avaliação teria. Assim, os ouvidos (e os olhos) sensíveis dos insignes responsáveis da CD da Liga não aguentaram este desplante de Rui Costa. Ele que vá pedir "vergonha" para outro lado, reagiram. Para a Sibéria, por exemplo...
Não há clubes imortais, disse, recentemente, um ilustre sportinguista preocupado com o futuro do seu clube. Não há, mas devia haver, digo eu. Não me refiro, claro, ao sporting, mas a outros clubes que povoaram a minha infância e a minha adolescência e hoje são sombras do passado. A vida dos clubes é como a vida das pessoas. Com altos e baixos. Domingo, um dia após o 25 de Abril, o velho salgueiral iniciou o regresso do inferno das divisões distritais. O primeiro passo está dado. Em sentido inverso parece caminhar o histórico Barreirense, cuja existência está posta em causa. O mítico estádio D. Manuel de Mello já se foi e o clube agonia na 3ª divisão. O Salgueiros e o Barreirense são “irmãos” do meu Benfica. O primeiro sempre foi conhecido como o “Benfica do Norte” e o segundo foi o principal alfobre de talentos que depois foram ídolos na Luz, como Arsénio, José Augusto, Bento, Frederico, Carlos Manuel, Nelinho e Chalana. Clubes como o Salgueiros, o Barreirense, mas também a CUF, o Atlético, o Oriental, deviam ser imortais. Porque nos devolvem as memórias de um futebol livre, saudável, inocente, mas de raça e de talento. Um futebol mais puro. Como as gaivotas.
Benfica – 3; Marítimo – 2 (26ª Jornada da Liga Sagres). O campeonato devia ter começado agora. Finalmente Quique percebeu aquilo que todos, mais ou menos, tínhamos por adquirido: Cardozo na frente de ataque, e o Benfica com dois avançados. Vá lá, mais vale tarde que nunca. Mas ainda estou para saber se foi obrigado à utilização do paraguaio devido à lesão de Suazo ou se alguém lhe fez ver (ou descobriu por si) que Tacuara é hoje em dia uma espécie de abono de família do Benfica. Seja como for, só os burros é que não mudam. E pelo menos neste campo, Quique já mostrou que não é burro. O problema agora é outro. Como é possível que a equipa a ganhar por 3-0, frente a um dos adversários mais difícieis da Liga, adormeça a acabe o jogo com o credo na boca? Será que depois de ter conseguido arrumar a equipa , vai ser preciso uma intervenção ao nível da força mental dos jogadores? Esta foi a terceira vitória consecutiva, mas não conseguimos encurtar a diferença para os dois da frente. A quatro jornadas do fim, é preciso continuar a acreditar que tudo ainda é possível. Para já, com Cardozo de “pé quente”, é preciso estudar a melhor posição para Pablo Aimar – aquela onde o argentino renda mais e seja mais útil à equipa. Parece claro que a sua colocação nas faixas, como mais uma vez aconteceu ontem, é um erro. Na próxima jornada, contra o Nacional da Madeira, no Funchal, talvez o jogo mais problemático até ao fim da época, é preciso entrar com ganas para alcançar o topo. Nós acreditamos! Foto: José Manuel Ribeiro (Reuters)
Ficha do jogo Benfica – 3; Marítimo – 2 Estádio da Luz (Lisboa) Árbitro: Rui Costa (AF Porto)
Benfica: Quim; Maxi, Sidnei, Miguel Vítor e David Luiz; Ruben Amorim; Carlos Martins, Pablo Aimar e Reyes; Nuno Gomes e Cardozo.
Talvez contagiado pelo assinalar da data – 22 de Abril de 1982, dia da subida de Pinto da Costa ao poder no fc porto – Jesualdo Ferreira quis recuperar um dos cavalos de Tróia do líder portista contra o Sul: a mudança do local da final da Taça de Portugal.
Numa das suas mais célebres “ironias do costume”, Pinto da Costa costumava identificar o Estádio do Jamor (Estádio Nacional), como “Estádio Municipal de Oeiras”. Cada vez que pressentia um poder mais frágil a Sul, fosse nos clubes, fosse na Federação, Pinto da Costa agitava a reivindicação da mudança do palco da final da Taça.
Nem sempre foi bem sucedido, mas muitas vezes conseguiu retirar a final da Taça do seu palco mítico, o Jamor, onde se realiza a verdadeira festa do futebol. Na memória de todos deve estar ainda a célebre guerra que moveu à Federação para que a final da Taça de 1983, contra o Benfica, fosse disputada nas Antas.
Pinto da Costa venceu o braço de ferro contra o então líder federativo, mas, ironia do destino, foi o Benfica que ergueu a Taça, tendo derrotado o fc porto, nas Antas, por 1-0, com um golo de Carlos Manuel.
Lembro-me como se fosse hoje de uma das mais inspiradas afirmações do nº 6 do Benfica: “Nós jogamos nem que seja no quintal do senhor Pinto da Costa”.
Também Jesualdo queria, agora, disputar a final da Taça contra o Paços de Ferreira fora do Jamor, sugerindo que fosse num estádio do Norte. Argumentou o treinador do fc porto que tratando-se de dois clubes do Norte, e em tempo de crise, devia-se marcar o jogo para mais próximo da residência de portistas e pacenses.
Não contava Jesualdo com a reacção do presidente do Paços de Ferreira. “A festa da Taça é no Jamor e é lá que nós queremos vivê-la”, disse o líder pacense. Nem mais, a final da Taça deve ser sempre no Estádio do Jamor.
Há alturas em que mais vale estar calado, não é Jesualdo?
Vitória de Setúbal - 0; Benfica - 4 (25ª Jornada da Liga Sagres).
Os dois fortes abraços de Óscar Cardozo a Rui Costa, após os golos da autoria do avançado paraguaio do Benfica, foram a prova mais concludente do isolamento de Quique Flores. A cumplicidade entre jogador, que ignorou o treinador, e o director desportivo foi, provavelmente, a causa mais visível do enfado com que Quique abordou a “flash interview” e a conferência de imprensa que se lhe seguiu.
O azougado, irreverente, descontraído treinador que marcou os primeiros dias na Luz, deu lugar ao homem “baço”, cinzento, introspectivo, que é hoje a imagem de marca de Quique, mesmo no final de um jogo que ganha por 0-4.
Após o jogo do Bonfim, onde o Benfica goleou o Vitória de Setúbal, o que merece ser questionado é porque é que Quique demorou 9 meses a perceber que o Benfica tem de jogar com dois avançados?
Estou mesmo convencido de que se Suazo estivesse em condições de ser utilizado, o treinador espanhol continuaria a insistir na fórmula adoptada desde o início do campeonato, com o hondurenho sozinho na frente.
Para além de que nunca se percebeu o ostracismo a que foi votado Cardozo. O melhor e mais eficaz avançado do Benfica está a mostrar (se é que era preciso) o erro histórico da sua ausência no centro do ataque.
A vitória folgada perante um Vitória de Setúbal a viver tempos difíceis (é preciso não escamotear os salários em atraso) não nos pode fazer esquecer estes crassos erros técnico-tácticos. E não é só Cardozo, é também Ruben Amorim, cuja colocação na faixa direita ao longo da época foi mais um lamentável tiro no pé.
Basta ver o rendimento do jogador hoje no Bonfim, a jogar no meio do terreno. A 5 jornadas do fim, o 2º lugar é bem possível. É preciso lutar com "ganas" pelo lugar na Champions. Com 4 pontos de atraso, tudo ainda está em aberto. Desde que os árbitros não se comovam com o choradinho constante de Paulo Bento. Foto: Hugo Correia (Reuters)
Ficha do jogo
Vitória de Setúbal - 0; Benfica - 4
Estádio do Bonfim (Setúbal)
Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)
Benfica: Quim; Maxi, Sidnei, Miguel Vítor e David Luiz; Ruben Amorim, Carlos Martins, Reyes e Aimar; Nuno Gomes e Cardozo.
Uma bomba do CR 7 pôs o fc porto fora da Liga dos Campeões. Nada de extraordinário, nem de inesperado. Depois de uma semana a deitar foguetes antes da festa, os portistas acabam a eliminatória a apanhar as canas. Para a amargura ser total, o “vilão” da história foi o craque português consagrado o melhor jogador do Mundo, tão assobiado no Dragão. Os adeptos portistas desprezaram Ronaldo mas aplaudiram Andersson (outra boa exibição), numa demonstração de azedo patriotismo. Patriotismo, mas serôdio, que não faltou a alguns comentadores da nossa praça. Criticar o treino à mesma hora dos jogadores do Manchester e do trio de arbitragem está ao nível da argumentação dos advogados portistas na explicação do gesto de Jesualdo (um manguito à portuguesa, em Madrid, dirigido ao árbitro) que lhe valeu a suspensão por um jogo e a ausência do banco ontem no Dragão – o gesto era dirigido aos jogadores portistas. RIDÍCULO. O árbitro suíço do Dragão foi bem simpático para os azuis e brancos. Quatro entradas em falta, perto da área portista, sobre Ronaldo (2), Rooney e Berbatov, ficaram por assinalar. Mas, para os jogadores do Manchester, o brinde da primeira mão era já passado. Um q.b. à inglesa foi o suficiente.
Luís Filipe Vieira fez o que tinha a fazer. O que qualquer líder que se preze tem de fazer: unir. A seis jogos do final do campeonato, a 4 pontos do segundo lugar (em situação de igualdade com o Sporting, o Benfica é 2º), o tempo é de união e não de divisão; é de estabilidade e não de instabilidade; é de remar para o mesmo lado e não de cada um pedalar a sua bicicleta. A conferência de imprensa do Presidente do Benfica ganha toda a naturalidade a esta luz. A questão põe-se para o “day after”, ou seja, para o final do campeonato. Se o clube conseguir alcançar o 2º lugar, alarga-se a margem de manobra de Quique Flores e de Rui Costa; se, pelo contrário, nem este objectivo for alcançado, a história será outra. Só os que vivem obcecados com a bola que entra ou não na baliza podem estranhar o discurso de ontem do líder da Luz. Claro que todos queremos vitórias e ninguém as quer mais (até porque é ele que será julgado pelos sócios) do que Luís Filipe Vieira. A questão que se põe não é, porém, essa. A questão é: pode o Benfica hipotecar um futuro consolidado à custa de uma efémera vitória? A resposta é: não, não pode. Se quisesse ser populista, como muitas vezes é acusado, Vieira tinha uma fórmula fácil, prometendo todas as vitórias e todos os amanhãs que cantam. O pragmatismo de um homem que sabe que é mais fácil destruir que construir leva-o, às vezes, a incorrer em involuntários lapsos linguísticos, como o de dizer que “a Liga dos Campeões não conta para a estratégia futura”. O que Vieira queria dizer era que o Benfica é hoje o único clube português que se pode dar ao luxo de não hipotecar os dedos e os anéis mesmo que fique fora da “Champions”. Agora, claro que a Liga dos Campeões conta e muito. Foi por ela, mas também pelo título, que Vieira não desdenhou fazer um investimento grande na equipa de futebol. É por ela, mas também pelo título, que os adeptos suspiram. É por ela que a esperança no 2º lugar esta época não morre. Até final de Maio, o discurso tem de ser este. Aos que o acusam de se “esconder” atrás de Rui Costa, Vieira reage dando a cara e respondendo a tudo. O problema é saber se vamos ter um Maio florido… ou não!
Benfica - 0; Académica - 1 (24ª Jornada). Há pouco mais de um ano, a 10 de Março de 2008, José António Camacho demitia-se do comando técnico do Benfica, após uma segunda passagem pelo clube sem honra nem glória. A equipa, com a qual tinha ganho a Taça de Portugal, em 2004, ao FC Porto de Mourinho, que havia de se tornar poucas semanas depois campeão europeu, estava, nas suas palavras “desmotivada” e ele, Camacho, dizia-se, “incapaz de inverter a situação”.
O anúncio deu-se depois de um empate a dois golos, na Luz, contra a União de Leiria, equipa praticamente despromovida, e o Benfica caminhava no 2º lugar, tendo acabado em 4º. Faria bem Quique Flores atentar neste exemplo de Camacho.
O actual treinador espanhol do Benfica tem muitos pontos em comum com o actual treinador do Ossasuna: para além da mesma nacionalidade, foram ambos defesas do mesmo clube, o Real Madrid.
Terá Quique a mesma frontal coragem de Camacho? Terá Quique a mesma consciência de impotência perante um naufrágio a que todos os benfiquistas assistem atónitos? Terá Quique o mesmo desprendimento, direi mais, o mesmo amor ao Benfica que Camacho, que se despediu sem nada querer em troca?
Os próximos dias o dirão, mas é bom não esquecer o que disse Quique há dias: “tenho a minha independência, não se preocupem com a minha vida” – se não foi assim, foi perto. Desde quando é que Quique interiorizou que a porta de saída estava aberta de par em par?
O treinador espanho, tem feito de tudo para ser corrido por indecente e má figura. As últimas conferências de imprensa são um desafio e um desaforo. Os jogadores já perceberam o filme todo e a desmotivação é clara.
A derrota de ontem é apenas mais um episódio lamentável numa relação onde já não existe qualquer tipo de empatia. Após a deplorável exibição na Amadora, Quique deu folga no dia seguinte (segunda), e na terça o treino começou às 17 horas. É este o nível de exigência na Luz.
Muito há para dizer e descobrir sobre os treinos de Quique. Quem pode revelar o que se passa depois dos 15 minutos dedicados à comunicação social são Diamantino e Fernando Chalana, escorraçados no princípio da época, mas a quem Quique teve de recorrer para limpar um pouco a imagem junto dos sócios (as imagens televisivas que os apanharam a entrar juntos no primeiro treino pós-Amadora serviram para isso).
A questão é que Diamantino e Chalana só contam para a fotografia. Como os jogadores, não passam de elementos descartáveis, ao sabor das conveniências de mister Quique. Na Amadora, aposta-se em Yebda e Katsouranis; contra a Académica em Ruben Amorim e Carlos Martins; Sidnei não serve para a Amadora, serve para a Académica; Balboa passa de pré-dispensado a salvador de última hora (contra a Académica), mas Nuno Gomes já não serve para tentar virar o resultado. Um sem-número de opções equizofrénicas, de quem anda perdido e não sabe o que anda a fazer.
(E muito há ainda para dizer sobre a preparação física da equipa). Apesar de tudo, a hora é de serenidade. Serenidade para quem tem de decidir. A bem do Benfica e na defesa dos superiores interesses do Benfica, Quique devia fazer como Camacho. Se tal não acontecer, o melhor mesmo é levar uma guia de marcha.
Post-Scriptum: Os meus amigos benfiquistas não estranhem não falar das inúmeras oportunidades de golo desperdiçadas pelo Benfica, nem por não falar da arbitragem miserável e lamentável do árbitro, que não só anulou por fora-de-jogo inexistente um possível golo de Aimar no início do jogo, como anulou um golo válido ao mesmo Aimar e perdoou um grande penalidade à Académica por falta sobre David Luiz. A questão é que já devíamos estar preparados para isso, depois da campanha feita pelo penálti na Taça da Liga e pelos penáltis contra o Estrela da Amadora. Para contrariar esta campanha tinhamos de ser mais competentes contra a Aacdémica e não fomos.
Ficha de jogo
Benfica - 0; Académica - 1
Árbitro: Marco Ferreira (AF Funchal)
Estádio da Luz
Benfica: Quim; Maxi, Sidnei, Miguel Vítor e David Luiz; Ruben Amorim, Carlos Martins, Pablo Aimar e Reyes; Nuno Gomes e Cardozo.
Os recados não deixam dúvidas: Quique tem os dias contados. A 7 jogos do final do campeonato, é aterrador verificar que o Benfica não tem um esquema de jogo definido. Na Amadora, com dois homens na frente – caso raro ao longo da temporada – o treinador espanhol monta uma equipa sem extremos, que pudessem alargar o jogo, sujeitar os jogadores do Estrela a mais esforço físico e, principalmente, permitir que um jogo mais flanqueado e com mais cruzamentos retirasse toda a eficácia da utilização de Cardozo e Nuno Gomes.
Contudo, Quique optou por um meio-campo atípico: Yebda, Katsouranis, Ruben Amorim e Pablo Aimar. Três médios com vocação mais defensiva, ou mais táctica. Das duas uma, ou Quique está a inventar ou nem sabe contra quem vai jogar.
O que é feito de Chalana e de Diamantino? Quais as funções e tarefas que lhes são entregues? Estas duas glórias que dizem à boca pequena nos corredores da Luz que estão fartas de ver os erros e os impedem de dar um simples conselho, uma simples opinião. O que se passa na Luz?
Mais que o lugar em que a equipa vai terminar – e Deus nos livre que não seja, pelo menos, o 2º - é preciso uma revolução interna. O Benfica deve ser dos benfiquistas e não de arrivistas sem eira nem beira.
Quique, mesmo que chegue ao título (vamos acreditar no milagres! Eu ainda acredito nesse milagre!), tem poucas condições internas para continuar. Desbaratou o apoio importante de homens como Diamantino e Chalana e, estou certo, esse foi o erro histórico de que nunca recuperou.
Trapattoni foi-se embora, depois de ser campeão. Espero que o mesmo suceda com Quique – que deixe cá o título e rume a outras paragens!
O que se passou ontem em Old Trafford tem apenas um nome: profissionalismo. É isso que distingue o FC Porto do Benfica. No primeiro, jogadores, equipa técnica e dirigentes vivem 24 horas para o clube. No Benfica (e no Sporting, também), servem-se do clube, não servem o clube.
No FC Porto, os protagonistas são os jogadores. No Benfica, são meros funcionários. No FC Porto, os jogadores são pagos a peso de ouro, a tempo e horas, e portanto exige-se-lhes uma completa disponibilidade para o trabalho, 100% de empenho, total concentração no essencial – os jogos.
No Benfica, os jogadores são pagos a peso de ouro, a tempo e horas, mas o nível de exigência é muito diminuto. Passam a vida em apresentações de produtos, em visitas a escolas – de noite e de dia.
O Benfica tem jogadores e plantel para fazer o que o FC Porto fez ontem Manchester. O problema é que os jogadores do FC Porto “quiseram” ser heróis de Manchester, os jogadores do Benfica não se sabe o que querem. A isso chama-se falta de liderança.
Quique não é um líder. É um jovem turco que tem um discurso atractivo mas pouco conteúdo. No FC Porto há um plano e uma estratégia. C. Rodriguez, tanto criticado no início da época, é um jogador completamente integrado e a mostrar todo o seu talento. E é também um homem diferente, como o comprova o corte de cabelo – são ingénuos os que pensarem que isso é um pormenor irrelevante.
Mariano, apesar de ser diariamente crucificado na imprensa, não foi deixado sozinho, foi acompanhado, apoiado e estimulado – veja-se o resultado. No Benfica, os jogadores mal sabem os nomes uns dos outros – apenas estão disponíveis para o clube (quando estão) as duas horas de treino (quando são duas horas).
Chama-se a isto espírito de grupo e solidariedade de grupo. No FC Porto existe, no Benfica, nem em sonhos.
Será que isto tem de ser assim? Será que o Benfica tem de ser assim? Será que não há volta a dar a esta cultura de clube? Por mim, não me conformo. Como me dizia ontem um grande benfiquista, bem situado na superestrutura do clube, “o que mais custa é ir ao café e ao restaurante ser gozado e ouvir piadas”.
Não me conformo de não ter visto ontem o Benfica em Old Trafford. Quero ver as nossas camisolas em Anfield Road e em Camp Nou, no Santiago Bernabéu e em S. Siro, em Stamford Bridge e no Olímpico de Munique. A jogar para ganhar. É essa a nossa história e o nosso destino.
Começa a ser difícil perceber o que se passa no seio da equipa de futebol do Benfica. Hoje à noite, contra uma equipa do Estrela da Amadora que não treina há vários dias, a exibição do Benfica foi paupérrima, horrível, inqualificável.
Os adeptos não merecem tanta falta de atitude, tanta negligência, tanta apatia. No final do jogo, pergunto: quem era a equipa que passou a semana sem treinar? O Estrela não foi, com certeza.
E o que mais incomoda é saber que os jogadores do Estrela não recebem ordenado há meses, enquanto os do Benfica são pagos a peso de ouro e a tempo e horas. O treinador Quique Flores tem de explicar o que se passa. O porquê desta falta de atitude, desta falta de profissionalismo. Apetece gritar: comprem toda a equipa do Estrela da Amadora!!!
Camacho foi-se embora porque, com a franqueza que se lhe reconhece, disse ser incapaz de alterar aquele estado de coisas. Quique também parece incapaz, mas apenas diz que é incapaz de exigir mais a quem deu tudo. Como?
Face a uma exibição tão medonha, nem parece bem falar de questões tácticas. Que as houve e todas erradas. A começar pela mudança do guarda-redes. Quique parece apostado em destruir a confiança de todos os guarda-redes do Benfica.
Depois de ter retirado da baliza Quim, agora foi a vez de Moreira pagar a imprevisibilidade do treinador espanhol. Por outro lado, se havia dúvidas de que Cardozo tem de jogar sempre acompanhado na frente de ataque, elas estão dissipadas (apesar, como disse, do jogo péssimo).
A 7 jogos do fim do campeonato, o futuro não parece nada risonho. Cada jogo vai ser um “Deus nos acuda”, para tentar chegar ao 2º lugar, que pode dar entrada na Liga dos Campeões.
Mas esse pequeno prémio de consolação, se for alcançado, não pode servir de paliativo para não mudar o que está mal. E está muita coisa mal no futebol profissional do Benfica. O tempo ainda é de reflectir, mas as decisões importantes não podem demorar muito mais. foto em http://www.slbenfica.pt/
Ficha do jogo
Estrela da Amadora – 1; Benfica – 2
Estádio da Reboleira
Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)
Benfica: Quim; Maxi, David Luiz, Miguel Vítor e Jorge Ribeiro; Yebda, Katsouranis, Ruben Amorim e Pablo Aimar; Nuno Gomes e Cardozo.
A Liga entra na recta final. Hoje à noite o FC Porto disputa, em Guimarães, talvez, o seu jogo mais complicado até final do campeonato. Uma vitória portista, que não se deseja nem se prevê, pode, pois, por um ponto final nas contas do título.
Se tudo ainda está em aberto, isso não é impeditivo de se começar a fazer certos balanços. Um que se pode começar já a fazer é o do rendimento das mais sonantes aquisições dos 2 grandes: Benfica e FC Porto.
Seleccionei, por isso, no Benfica, Pablo Aimar, José António Reyes e David Suazo – três homens para a frente; no FC Porto, Hulk e Rodriguez, jogadores de ataque, e Fernando, um médio defensivo.
Centrando-me apenas no desempenho destes jogadores, de quem muito esperavam, adeptos e clubes, na Liga principal, o resultado é sintomático.
No Benfica, com Suazo perdido até final da época em virtude de operação ao menisco, os números apresentados do hondurenho são definitivos. Assim, o avançado emprestado pelo Inter de Milão realizou apenas 12 jogos, 11 dos quais como titular e 1 como suplente. Marcou 4 golos, tendo estado em campo 908 minutos.
José António Reyes, um credenciado extremo espanhol, vindo do Real Madrid, com apetência para marcar, fez até agora 19 jogos (em 22, sendo que está em dúvida para amanhã, na Amadora), 15 como titular e 4 como suplente. Marcou 3 golos e jogou 1291 minutos.
Por fim, Pablo Aimar, o herdeiro da camisola 10 de Rui Costa, esteve em 16 jogos, 14 como titular e 2 como suplente. Marcou apenas 1 golos e jogou 1199 minutos.
Vamos ao FC Porto. Fernando, um brasileiro desconhecido, médio defensivo, fez 19 jogos, todos como titular. Zero golos marcados e 1652 minutos jogados.
Christian Rodriguez, o ex-benfiquista, fez 21 jogos (em 22), 19 dos quais a titular e 2 a suplente. Marcou 6 golos e jogou 1608 minutos.
Por fim, Hulk, o brasileiro contratado ao Verdy Kawasaky, do Japão, a estrela da companhia, fez 20 jogos, 14 como titular e 6 como suplente. Marcou 8 golos e jogou 1385 minutos.
Resumindo: as contratações mais sonantes do Benfica realizaram, até ao momento, um total de 47 jogos, marcaram 8 golos e jogaram 3.398 minutos.
As contratações mais sonantes do FC Porto tiveram o seguinte desempenho: 60 jogos, 14 golos marcados e 4.645 minutos jogados – e ainda têm nas pernas mais 24 jogos e 1.776 minutos de Liga dos Campeões.
Cabe a todos os benfiquistas reflectirem nestes números. Se isto não explica tudo, explica muita coisa.
Em 2007 o Benfica contrata Fábio Coentrão, considerado a maior estrela da Liga de Honra, representando na altura o Rio Ave. A operação, com a marca de Luís Filipe Vieira, foi um duro golpe para o Sporting, que tinha por adquirida a sua vinda para Alvalade, e para o FC Porto, que o seguia há muito, mas também clubes estrangeiros como o Manchester United, o Real Madrid e o Chelsea mostraram interesse no jogador. Era o Benfica a regressar aos bons velhos tempos da liderança do mercado nacional. Coentrão, a quem apelidavam o “Figo das Caxinas”, de onde era natural, tinha feito uma época espectacular, cujo mediatismo cresceu com o golo que eliminou o Sporting da Taça de Portugal, em Alvalade. A revista “World Soccer Magazine”, classificou-o como um dos talentos de 2007 e comparou-o a Arjen Robben, o internacional holandês, a jogar no Real Madrid. Na Luz,em 2008, Coentrão apenas fez 3 jogos e não marcou nenhum golo. Recentemente afirmou publicamente que “em Lisboa a fama subiu-lhe à cabeça”, para justificar o insucesso. Antes de ser emprestado ao Nacional da Madeira, onde fez 16 jogos e 4 golos, esteve com o pé no Feyenoord de Roterdão. Contudo, acabou no Real Saragoça, que tinha caído na Segunda Divisão espanhola. A experiência revelou-se um desastre – 1 jogo e nenhum golo. A época que está prestes a terminar foi uma espécie de regresso à casa de partida. O Benfica resolveu emprestá-lo ao Rio Ave, e Coentrão voltou a ser feliz – nas últimas jornadas, marcou um monumental golo ao FC Porto, no Dragão. No final deste jogo, Coentrão mostrou ser um homem de corpo inteiro e fez aquilo que poucos têm coragem de fazer – na flash interview afirmou que o FC Porto ganhou com ajudas da arbitragem, e foi mimoseado com insultos. Na Selecção de sub – 21, acaba de ser considerado o melhor jogador do torneio internacional da Madeira, tendo marcado o golo da final, que deu o título a Portugal. No final da época, Fábio Coentrão volta à Luz. Espero que agora lhe sejam dadas as oportunidades que lhe foram negadas. Mais experiente, mais maduro, melhor acompanhado, Coentrão pode ser o novo Chalana da próxima década. E a “jóia da coroa” do novo Benfica.
Com a Matemática a servir de 12º jogador, a Selecção Nacional está com um pé fora do Mundial de 2010, na África do Sul. Carlos Queiroz tem pela frente um naipe de jogos cruciais para que a chama da esperança não se apague de vez.
O ex-treinador-adjunto do Manchester United arrisca-se, mais uma vez, a sair da Selecção principal pela porta pequena, depois de ter batido com porta em 1994. No jogo de sábado à noite, no Dragão, Queiroz abdicou das suas ideias para tentar fumar o cachimbo da paz com os adeptos da “equipa de todos nós”, como a classificou magnificamente esse enorme jornalista chamado Ricardo Ornelas.
No Dragão, Queiroz quis apelar à empatia com o público. Assim, no onze inicial estavam os seguintes jogadores com chancela azul e branca: Bosingwa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Raul Meireles, Pepe, depois ainda fez entrar Deco, Rolando e Hugo Almeida. Ou seja, oito jogadores com raízes no Dragão.
O resultado final é desastroso. Cabe perguntar ao seleccionador se o jogo fosse na Luz, estariam escalados Nuno Gomes, Ruben Amorim, Jorge Ribeiro. Ou se fosse em Alvalade, a escolha recairia em João Moutinho, Nani, Tonel, Hélder Postiga, etc…
Isto mostra Carlos Queiroz no seu labirinto. A substituição de Tiago, que estava em grande, por Deco, foi lamentável. A entrada de Hugo Almeida colocou Portugal a jogar com menos um. A justificação de que Nuno Gomes não é titular no Benfica é falaciosa. Quantos jogadores foram chamados por Scolari não eram titulares nos seus clubes? E é sabido que Nuno Gomes tem sempre bons desempenhos na equipa nacional.
Enfim… agora é esperar por um milagre. O calendário é complicado, com três jogos fora e dois em casa. As deslocações à Dinamarca e à Hungria são de alto risco, e na Albânia o mínimo que se pode dizer é que será um jogo complicado.
O empate com a Suécia soube, assim, a pouco. E a verdade é que 12 anos depois (Mundial de 98, em França), Portugal arrisca-se a ficar de fora de um Mundial.
Bruno Pereirinha, “capitão” da Selecção Nacional de Sub – 21, uma das estrelas emergentes da alvaláxia e autor do golo do sporting na famigerada final da Taça da Liga, foi ontem o protagonista, pela negativa, do jogo entre Portugal e Cabo Verde, do 13º torneio internacional da Madeira. O jovem jogador da “cantera” leonina, chamado a marcar um penálti contra a Selecção de Cabo Verde, resolveu “inovar”. Numa atitude que responsáveis portugueses e cabo-verdianos classificaram de “falta de respeito”, deu apenas um pequeno toque na bola, numa atitude combinada com o seu colega de equipa Rui Pedro. O lance gorou-se. Mas pior do que o prejuízo desportivo, pois este lance “ainda pode sair caro a Portugal neste torneio, se se tiver em conta que o factor de desempate a seguir ao confronto directo é a diferença de golos” (in “A Bola”), o que marca este comportamento é a “falta de respeito” que o jogador mostrou pelos jovens adversários cabo-verdianos. O seu treinador, Rui Caçador, foi peremptório: “Não subscrevo e espero que não volte a acontecer. Os adversários são para respeitar”, disse, visivelmente agastado, endereçando, de imediato, um pedido de desculpas ao treinador de Cabo-Verde, Ulisses Antunes, também ele desgosto com o gesto do rapaz leonino. E Carlos Queiroz já ordenou o seu afastamento do próximo jogo da Selecção neste torneio. Descontado o facto de se tratar de Cabo-Verde, um país-irmão de língua oficial portuguesa e onde o futebol português é seguido com vivo interesse e emoção, este episódio encerra ainda outra lição/reflexão. O sporting, tão lesto a exigir um pedido de desculpas de Lucílio Batista, depois de um erro por alguns considerado grave e grosseiro, cala-se agora perante uma atitude desta gravidade de um jovem da sua escola, envergando a camisola de Portugal. Depois de João Moutinho, outro produto da academia, ter dito o que disse após a final Taça da Liga, sem ter recebido nenhuma chamada de atenção dos seus superiores hierárquicos, foi agora a vez de Pereirinha ficar impune perante os seus formadores. Bastaram poucos dias para cair a máscara aos responsáveis leoninos, sempre com a boca cheia de ética, mas cujos actos roçam a arruaça. Isto é … o sporting.
Post-Scriptum: Já passaram quatro dias, mas ainda não vi nem ouvi nenhuma indignação pelo golo do jovem Bruno “leviano” Pereirinha, na final da Taça da Liga, ter sido marcado após falta de Vuckevic sobre Maxi. E esta hein!!??
Quase 4 dias depois da final da Taça da Liga, ainda ecoam as lamúrias de quem já fez um dia de luto pela arbitragem. Esta tem sido uma época desportiva invulgar. O suposto “clube diferente” começou o campeonato a dizer ao que vinha, através do seu treinador-dirigente-presidente-roupeiro-porta-voz – “vou criticar sempre as arbitragens”, disse ele na primeira jornada, depois de ter ganho em Alvalade ao primodivisionário Trofense. E se o disse, alto e bom som, melhor o fez. Não houve, que me lembre, uma só jornada em que o “faz tudo” de alvalade não se pronunciasse sobre os árbitros. O problema, porque de um problema se trata, é que a estratégia tem resultado. Os leoninos estão em segundo lugar no campeonato, que dá acesso à liga milionária, salvadora das finanças e foram à final da Taça da Liga, depois de algumas “ajudas”. Costuma dizer-se que a “ocasião faz o ladrão” e os de alvalade não a perderam. Montaram um circo, depois da final do Algarve, para memória futura. A estratégia é clara. Os de alvalade precisam do 2º lugar como de pão para a boca. Atolados em dívidas, com o clube de pantanas (é rídiculo o autocarro que transporta a equipa principal ser emoldurado com letras garrafais publicitando o BES), a única salvação são os milhões da “Champions”. Por eles os de alvalade estão dispostos a tudo. Mas pode ser que o tiro lhes saia pela culatra.
O Benfica venceu a Taça da Liga, derrotando o Sporting nas grandes penalidades, depois de um empate de 1-1 no final dos 90 minutos. É isso, custe o que custar, doa a quem doer, que vai ficar para a história. Antes de irmos ao jogo, algumas notas prévias: 1 - Lucílio Batista é um mau árbitro, cujas actuações no passado têm um denominador comum - beneficia, geralmente, o Sporting. Como aconteceu em 2008, onde num Sporting - Marítimo apitou uma grande penalidade que não existiu a favor dos leões, que lhes permitiu alcançar o segundo lugar e a Liga dos Campeões; 2 - O Sporting é useiro e vezeiro em lançar atoardas sobre a arbitragem. No passado fez um dia de luto, agora acha que estão a mais no futebol português. Que tal se o Sporting for disputar o campeonato da Alemanha?; 3 - Paulo Bento, mais uma vez, deu um mau exemplo, com as suas atitudes. Para quando um castigo a sério ao treinador do Sporting, que depois de ter incendiado ambientes contra os árbitros, agora tem gestos que se fossem outros a protagonizá-los não passariam impunes? Enquanto uns são castigados por pisar relvados, Paulo Bento pode dizer e fazer tudo que não é castigado; 3 - O treinador do Sporting é ainda muito novo, mas já disse tais coisas sobre os árbitros que qualquer dia vai ter de engolir tudo de uma vez; 4 - Miguel Ribeiro Teles e Soares Franco são dois indigentes. O segundo vai sair de cena, o primeiro fazia bem em seguir o mesmo caminho - para tornar o ambiente mais saudável. Vamos ao jogo. Grande ambiente, grande emoção, grande espactáculo, mas o jogo foi paupérrimo. O Benfica voltou a exibir as deficiências do costume. Pouco controlo de bola, pouca circulação de bola, apenas chuto para a frente, à procura de Suazo (e como este está em quebra de rendimento, o jogo é medíocre). Quique inventou mais uma vez. Agora, foi a colocação de Aimar na esquerda e Reyes na direita. Resultado, uma equipa coxa, onde a bola passava directamente dos defesas para o único avançado, mas raramente ele chegava lá. Nuno Gomes "fez" de Aimar, mas a ideia não surtiu efeito. No meio, Ruben Amorim não conseguia pegar no jogo e Katsouranis mal se via. O único que mostrava serviço era David Luiz, que tinha de pegar na bola sozinho e levar a equipa para a frente. Mau, muito mau. A perdida de Nuno Gomes no início do jogo é típica do nosso "capitão", que não tem espírito de "matador". Quique demorou muito a mudar a equipa. Acabou por meter Di Maria para o lugar de Nuno Gomes, mas em lugar de o colocar à esquerda, manteve aí Aimar e colocou-o no apoio a Suazo. Enquanto isso, Cardozo mantinha-se no banco. Apenas a 2 minutos do fim o paraguaio foi lá para dentro, conjuntamente com Carlos Martins. O pensamento do espanhol já estava nas grandes penalidades. Aqui, uma palavra de grande agradecimento para Quim, que acabou por ser o herói do jogo ao parar três penáltis. A coisa acabou por correr bem e acabar em grande, para gáudio do "mar vermelho" que invadiu o Algarve. Os adeptos mereciam mais futebol da equipa, mas, pelo menos, a Taça é nossa! Foto: Nacho Doce (Reuters)