quarta-feira, 11 de maio de 2011

A revolução

Pensamento do dia (de hoje): a revolução segue o seu curso e, como ensinava Mao Tsé Tung, faz-se de pequenos passos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Menos festa; mais exigência


Luís Filipe Vieira falou, como prometeu, à nação benfiquista. Uma entrevista em que se realça a forte autocrítica que o Presidente fez e onde assumiu os erros cometidos. Esta humildade, esta forte percepção que Vieira revelou de que não se podem escamotear os erros internos e esta viragem discursiva que acaba com o enfoque total e absoluto nas arbitragens mas, sem sublinhar os prejuízos que daí advieram, aponta para outros factores para justificar a péssima época.

Vieira, com esta entrevista – e ela pode ser decomposta em várias entrevistas, porque muitos assuntos foram abordados, mas vamos centrarmo-nos no futebol -, faz ele mesmo a viragem de página que o clube necessita.

O presidente do Benfica pôs, como devia, um ponto final nas querelas estéreis e menores que apenas desgastam e distraem; apelou, como devia e há muito tempo o podia ter feito, à pacificação do futebol português; mas não deixou de lançar uma palavra de esperança e de ambição.

Apostou forte em vincar as suas próprias características: genuinidade, emotividade e despojamento do poder. Reforçou, por isso, a autoridade interna e externa. Manteve Jorge Jesus, como se impunha; falou no reforço da equipa, como se impõe, também; e exigiu mais e mais, como deve tónica de um líder.

Agora, como disse Vieira, menos festa e mais trabalho e mais concentração – como aqui escrevi ontem: menos palavras e mais acção.

Um recorde inultrapassável!

Este é o fantástico Benfica de Jimmy Hagan, de 72/73: 30 jogos, 28 vitórias, 2 empates. Um registo histórico e para a História. Inultrapassável!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma crise, uma oportunidade

Uma enorme ressaca. Um enorme pesadelo. Um brutal murro no estômago. A dor de uma derrota, por mais violenta que seja, não nos pode impedir de olhar em frente, de continuar a caminhar em busca de um destino de sucesso, que nos legou Cosme Damião.

Já vivemos outras noites assim. Vimos, incrédulos, Eusébio isolado atirar para as mãos do guarda-redes um remate com selo de golo, falhando assim a 3ª vitória na Taça dos Campeões Europeus, contra o Manchester United, para depois sucumbir no prolongamento aos pés de George Best.

Vimos Costa Pereira sofrer um “frango” contra o Inter de Milão, noutra final histórica, depois de termos massacrado a equipa italiana que jogava no seu estádio, com apenas 10 jogadores por lesão do próprio Costa Pereira, numa altura em que não havia substituições.

Mais recentemente, sofremos a bom sofrer ao ver Veloso falhar o penalty que deu a vitória ao PSV noutra final da Taça dos Campeões Europeus. E podia ir por aqui fora, com mais alguns episódios que nos feriram a alma. Mas sempre soubemos ultrapassar as crises, fossem elas de que grau fossem.

Estamos a viver uma crise de contornos estranhos. Estranhos porque se segue a um ano de muita euforia com a conquista do título. Já aqui escrevi sobre o que correu mal na gestão da época. Dispenso-me de repetir, os textos aqui estão para consulta.

Agora é tempo de olhar em frente. O Presidente do Benfica disse que falava na 2ª feira aos benfiquistas. Será uma autêntica comunicação ao país. Até lá, Vieira saberá, da maneira mais difícil, que o poder é solitário e as decisões mais decisivas dos líderes têm de ser reflectidas, pensadas e concretizadas a sós.

Luís Filipe Vieira não precisa dos conselhos de ninguém. Cada um dos benfiquistas poderia elencar uma lista de coisas a mudar no interior do Benfica. E cada um dos benfiquistas acertaria numa que fosse.

Vieira sabe onde está o mal e este é o momento para o cortar pela raiz. Numa comparação talvez algo desfasada, o Benfica deve fazer já o seu trabalho de casa e não esperar pela entrada de nenhuma troika para arrumar a casa.

Como Portugal, o Benfica precisa de se reestruturar de alto a baixo. Vieira não precisa da troika para fazer isso, porque todos sabemos o que ele fez para ultrapassar os desmandos de Vale e Azevedo.

Agora, é preciso, porém, ir mais fundo e mais longe. É preciso ir à chamada “estrutura” e rever procedimentos, estratégias, funções. É preciso dotar o Benfica de uma “estrutura” que se preocupe mais com o Benfica do que com os adversários; que encontre soluções para os problemas e não que crie e alimente mais os problemas; que seja solidária e eficaz; que cada um saiba as suas funções e não as extrapole para além dos limites.

Uma “estrutura” vertical e não horizontal. No cume e no vértice, Luís Filipe Vieira. Depois mais 3/4 homens de total e absoluta confiança em lugares chave – um está identificado, Domingos Soares Oliveira. Os restantes, Vieira saberá quem são.

Acima de tudo, uma preocupação: o futebol. Esta época teve um erro histórico – desgaste com guerras menores. Hoje, percebe-se melhor que gerir a comunicação em tempo de sucesso é uma coisa, em alturas de crise é outra.

Nesta área, o Benfica perdeu-se. Agora há que planear e organizar. Olhar para dentro e cerrar fileiras. Reconhecer os erros e caminhar em frente. Importante: não repetir os erros. O Benfica é um gigante e, por isso, mais difícil de gerir.

Mas tem uma massa adepta imensa e que não deixará de estar presente mesmo nos momentos mais difíceis. Depois do terramoto de Lisboa em 1755, o Marquês de Pombal disse uma frase célebre: “É tempo de enterrar os mortos e cuidar dos vivos”.

Esta época vai deixar muita gente para trás. Paciência. Há que, como em 1755, reconstruir a “cidade”. E Lisboa, depois da reconstrução, ficou uma cidade muito mais bem ordenada e muito mais bonita.

Post-Scriptum: Nesta “reconstrução” há um nome fundamental a defender, preservar e manter – Fábio Coentrão. Ele pode e deve ser o farol do Benfica do futuro.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

A eminência parda

António Garrido é das figuras mais obscuras do futebol português de há décadas. Obscuras no sentido de que nunca gostou de dar nas vistas após ter abandonado a arbitragem há quase 30 anos.

Nunca deu entrevistas, nunca fez declarações de grande fôlego, quase nunca a sua fotografia apareceu nos jornais a partir de 1982, ano em que deixou de arbitrar. Decididamente, Garrido é um homem-sombra, um homem que se mexe nos bastidores.

A grande questão é tentar saber ou perceber porque é que é assim, quando tudo tenderia para o oposto. António Garrido foi um “primus inter pares” da arbitragem nacional durante anos. Foi o “árbitro do regime”, talvez pela sua aureolada competência mas seguramente mais pela sua afamada influência.

Nos idos de 70 e 80 António Garrido era um nome consagrado, sinónimo de desempenhos a raiar a perfeição na arte do apito. Foi o 1º árbitro português a ser escolhido para uma fase final de Campeonato do Mundo, na Argentina 78, e depois foi ao Mundial de Espanha 82, e ainda esteve numa fase final do Euro 80, para além de outras presenças internacionais de relevo.

Por isso, quando deixou as chuteiras e os relvados, Garrido tinha uma enorme e invejável carteira de contactos internacionais. O fc porto, no começo da arquitectura da sua teia de controlo do futebol português, não estava distraído quando o foi buscar para colaborador de elite.

António Garrido foi muito útil ao longo do anos na estrutura do “sistema” que ajudou a granjear muitos títulos nacionais e alguns internacionais pelo fc porto. De Garrido, porém, pouco se continuou a falar. Até que se chega ao “Apito Dourado” e o nome de António Garrido surge nas escutas do mega-processo de corrupção que envolveu o futebol português.

Só quem esteve distraído todos estes anos é que se pode surpreender com esta evidência. Garrido sempre foi omnipresente nestes “esquemas” mas sempre soube dissimular muito bem a sua presença.


Entre os comensais, segundo a “MARCA”, estavam António Garrido e Reinaldo Teles e ainda Pinto da Costa. O presidente do fc porto apressou-se a desmentir que tivesse jantado com os árbitros (mas não desmentiu o jantar dos árbitros com Garrido e Reinaldo), algo que é capaz de ser verdade.
A "MARCA" dedica a este assunto honras de primeira página, arrastando assim a imagem do fc porto e, consequentemente, do futebol português, pela lama do descrédito. Depois da saga do Apito Dourado e das trapalhadas com os novos estatutos da Federação, lideradas pela AF Porto, agora isto... É por estas e outras que António Garrido é a verdadeira eminência parda do futebol português. Até quando?

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