terça-feira, 20 de setembro de 2011

Emerson, uma "vitória" de Jesus

O jogo contra a Académica deve ter encerrado de vez a celeuma em torno da titularidade de Emerson em detrimento de Capdevila, curriculado com os títulos de campeão do Mundo e da Europa ao serviço da Selecção espanhola, La Roja.

Jesus provou, uma vez mais, que é homem de personalidade forte, não sucumbe a pressões venham elas de onde vierem. O espanhol é um nome conhecido e reconhecido em todo o Mundo, mas para Jesus valores mais altos se levantam.

Ao conferir a Emerson a titularidade e dando provas de que os nomes, por mais dourados que sejam, não são um critério para a escolha dos mais capazes de entrar na equipa do Benfica, Jesus sabia o que fazia.

Ganhou um lateral-esquerdo que promete fazer furor e, quem sabe, fazer esquecer Fábio Coentrão. Contra a Académica, Emerson demonstrou merecer a confiança de Jesus e percebeu-se que está ali um jogador a crescer a olhos vistos.

Capdevila é um jogador muito experimentado, profissional de corpo inteiro, mas vai ter de fazer pela vida. Para já, Emerson agarrou o lugar, mas o espanhol não se deve dar por vencido. Quem ganha com esta competição é o Benfica, numa posição que se temia fragilizada com a saída de Coentrão.

Jesus, mais uma vez, soube gerir um balneário e mostrou, neste como em outros casos, que na área técnica quem manda é ele.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

3 coisas sobre o Benfica - MU

O Benfica pode estar a um curto passo de voltar a ser campeão europeu. Eu sei que o futebol é feito de muitos imponderáveis e de factores aleatórios e é isso que dá magia a este jogo. Mas há alturas em que pensar atingir, de novo, o topo do futebol europeu não passa de miragem fantasmagórica – como aconteceu o ano passado com Jesus a prometer o céu e a terra -, e outras em que sonhar é bom e há razões para isso.

Esta é uma dessas alturas. Não estou a dizer que a conquista de novo título europeu se vai concretizar este ano ou no próximo. Apenas afirmo, com base naquilo que vi ontem à noite na Luz, contra o Manchester United, que o Benfica tem condições para a curto prazo poder ambicionar lutar de igual por igual por essa conquista máxima.

Para isso, é incontornável que 3 factores se conjuguem nos próximos anos. 1 – Luís Filipe Vieira interiorize a necessidade de continuar à frente do Benfica na próxima década; 2 – Jorge Jesus manter-se pelo mesmo número de anos à frente da equipa de futebol (eu sei que não somos ingleses, somos latinos, e isso faz toda a diferença); 3 – A equipa de futebol garantir um núcleo duro de jogadores de excepção por um período entre 3 a 5 anos (outra condição difícil mas não impossível).

Claro que há outros factores a ter em conta. E talvez o principal resida na resolução do processo sobre as verbas a receber pela transmissão dos jogos. Essa é uma “jogada” que está toda focalizada na capacidade negocial de Vieira. E do seu sucesso muito dependerá o sucesso desportivo futuro do Benfica ao mais alto nível.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

João Santos: uma saída previsível



João Santos já não é treinador principal da equipa de juniores do Benfica. A decisão, comunicada hoje oficialmente, era previsível: com seis jornadas realizadas, o Benfica é oitavo da tabela classificativa da zona sul com 6 pontos, equivalentes a uma vitória, três empates e duas derrotas. Na história dos encarnados não há registo de um começo de temporada assim: exageradamente mau para ser verdade.

Contudo, o inicio de época deprimente dos encarnados é apenas o fim da estrada. No ano passado, a equipa do Benfica esteve longe de ser uma ameaça a F.C.Porto e Sporting nas contas do título, e viu-se mesmo ultrapassado pelo Sporting de Braga no final.

Foi uma equipa de 2010 construída em cima do joelho, com algum talento mas sem organização, como aí ficou patente. Alguns pontos salientes: um meio – campo lento com Francisco Júnior a disfarçar o eclipse inexplicável de Ruben Pinto, e a falta de confirmação de Cafú (longe dos tempos onde brilhava no Vitória de Guimarães) e de Paulo Teles. Na ala, um dos mais promissores produtos da escola encarnada, Diego Lopes, que evoluiu ao longo dos anos a jogar a 10; Ivan Cavaleiro a extremo, com produtividade razoável, mas longe dos tempos em que era o goleador sub-17 do Restelo; na frente a presença constante de Rodrigo Cabeça e Jean Silva como homens mais avançados, isto quando foi o português Diogo Caramelo a dar crédito ao ataque, já na parte final da temporada. Também ao promissor médio Alípio Brandão, contratado ao Real Madrid, nunca se percebeu muito bem a sua condição de suplente, pois quando foi chamado aos jogos importantes agitou as hostes, com rendimento e criatividade num meio-campo desnorteado.

Só mesmo Luís Martins, vice-campeão do mundo de sub-20, soube ser um jogador com rendimento à altura dos pergaminhos do clube. De facto o jovem lateral – esquerdo foi dos poucos motivos que a equipa do Benfica teve para sorrir no ano transacto: lateral raçudo, dinâmico, com boa presença ofensiva e forte pontapé de fora da área.

Este ano impunha-se um melhor rendimento, isto porque os sub-17, campeões na temporada passada, subiram de escalão. E com um onze rotinado e quase automático: Bruno Varela; David Carvalho, João Nunes, Fábio Cardoso e João Cancelo; João Teixeira, Guilherme Matos(que saiu mas entrou André Gome, ex- Boavista e internacional sub-18, jogador de qualidade indiscutível) e Diego Lopes; Sancidino Silva, Hélder Costa e Alseny Bah. Se juntarmos a estes nomes o central Tiago Duque(ex- Sporting), o lateral esquerdo Daniel Martins, o criativo Marcelo Lopes, e os repetentes Miguel Herlein e Ivan Cavaleiro, não se encontram motivos para este começo de temporada tão negro. Era só “carregar no play”. Nada disso aconteceu: uma derrota comprometedora em Setúbal e empates inexplicáveis frente a Louletano e Portimonense causaram um espanto no seio da estrutura encarnada, que nem a injustiça da derrota frente ao Sporting atenuou.

É, de facto, um final de novela esperado. Ao leme, agora, João Tralhão, adjunto de João Santos, de Diamantino e de João Alves. É sobre este último que ainda se depara um fantasma na Luz: foi o melhor treinador do Benfica nos últimos cinco anos. Em 2008/09, sob o comando do actual treinador do Servette, o Benfica construiu uma equipa coesa e madura, muito superior a Sporting e F.C.Porto na altura. E a mesma geração deu frutos, este ano na selecção de sub-20. É bom relembrarmos o “onze base”: Pedro Miranda; Abel Pereira, João Pereira, Roderick Miranda e Mário Rui; Danilo Pereira, Leandro Pimenta, Domingos Silvério e Lassana Camará; Ishmael Yartey e Nélson Oliveira.

Nessa equipa, a existência de vários jogadores de primeiro ano foi bem trabalhada, num cenário muito parecido ao que acontece este ano. Será esse o caminho: aproveitar o andamento dos sub-18 para construir uma geração que domine durante duas temporadas.

O cenário, apesar de nada condizente com os pergaminhos do clube, não é dramático. O Benfica conseguirá apurar-se para a fase final, e depois focar atenção nos rivais directos Porto e Sporting. Aí, duas faces distintas: um Porto menos forte mas com um excelente treinador, Rui Gomes, capaz de disfarçar as debilidades da equipa; e um Sporting com o melhor plantel deste ano sob o comando de Ricardo Sá Pinto, para já uma incógnita sobre aquilo que poderá render como treinador.


Gil Nunes
Ex- Membro do Departamento de Prospecção do S.L.Benfica
Colunista "Academia de Talentos"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Obrigado A-PV


António-Pedro Vasconcelos vai deixar, a partir do dia 20 deste mês, o programa de debate desportivo Trio D´Ataque, o mais visto da televisão portuguesa. É um facto triste não só para os benfiquistas como para o futebol em geral. Apesar da sua paíxão clubística, A-PV sempre procurou e, na maior parte das vezes, conseguiu colocar o debate futebolístico vários patamares acima da mediania, para não dizer da chocarreirice.
Muitos benfiquistas não gostavam do seu estilo? É verdade. Mas ninguém lhe pode alguma vez apontar falta de nível, declarações incendiárias, intrigalhadas, má-educação, moço de recados. É por isso que já neste blogue o disse: A-PV representava o Benfica com dignidade e, como benfiquista, tinha orgulho em ser por ele representado.
Tenho muita estima e admiração por A-PV. Recorro a Joaquim Letria e à sua crónica de hoje no "Correio da Manhã" para classificar A-PV: "O futebol perde um cavalheiro". Nos últimos tempos, A-PV recebeu ataques de um ex-parceiro de comentários. Nunca respondeu - talvez um dia, olhos nos olhos: os cavalheiros são assim.
O Benfica perde um comentador que orgulha, como disse, o clube e os benfiquistas. Vamos a ver quem o substitui. Esta não é uma situação menor. Mas há outra que devemos seguir com atenção: as eleições para a FPF. Quem veste a camisola do Benfica ou é apoiado pelo Benfica tem de estar à altura do papel. Não é para todos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cardozo como Néné (e outros mal e bem-amados)

Tenho uma especial predilecção pelos mal-amados. Foi assim com Néné, o homem que não sujava os calções. Foi assim com Vítor Baptista, o maior. Foi assim com Vítor Martins, o garoupa, não mal-amado mas desafortunado. É assim com Cardozo.

O paraguaio, goleador-mor das últimas épocas, é um mal-amado do Terceiro Anel, como o foram Abel Xavier, Quim, Michael Thomas ou muitos outros estrangeiros que na loucura dos anos Vale e Azevedo aterraram na Luz – todos com razões mais que suficientes para serem mal-amados.

Cardozo não. Quase a tornar-se o maior goleador estrangeiro de sempre do Benfica, julgo que ainda suplantado, mas por pouco, por Mats Magnusson (este um bem-amado, ao contrário de Michael Maniche, um injusto mal-amado), Óscar Cardozo, ou Tacuara, é já um nome incontornável na História do Benfica.

Não corre muito? Néné também não. Não luta muito? Néné também não. Marca que se farta? Néné também… sim. Cardozo esteve ausente na primeira partida do campeonato. O Benfica empatou a 2 e perdeu ingloriamente 2 pontos.

Depois, veio o Feirense e Cardozo desbloqueou o jogo, que caminhava para um escandaloso empate. Depois o Twente provou a capacidade letal de Tacuara. Mais tarde, na Madeira, contra o Nacional, um golpe de cabeça perfeito iniciou uma vitória complicada e muito importante.

Cardozo como Néné. Os golos ao ritmo dos assobios. Mas um bocadinho de gratidão e de justiça não ficavam nada mal, pois não?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nélson Oliveira e Mika no topo do mundo

Nélson Oliveira e Mika são dois jogadores com futuro assegurado no futebol português. As suas prestações no Mundial de sub-20 não deixaram margem para dúvidas, e a sua inclusão no plantel sénior vai ser gradual, mas sólida, pois a médio – prazo afiguram-se como titulares e referências do clube.

Nélson Oliveira, o melhor jogador dos sub-20, foi recentemente considerado pelo jornal italiano “Gazzetta dello Sport” como um jogador de elevadíssimo potencial, com capacidades para num futuro próximo alcançar uma dimensão semelhante à de Cristiano Ronaldo. Depois de emprestado ao Paços de Ferreira, este ano Nélson vai por certo entrar na equipa profissional muitas vezes, até se fixar como titular. Não tenho dúvidas disso.
Também Mika tem motivos para sorrir. A forma como não sofreu golos em cinco jogos da fase final do Mundial prova que está habituado a lidar com a pressão, e nem a sua juventude o deve impedir de guardar a baliza do Benfica por diversas vezes. Na Taça da Liga, ou mesmo na Taça de Portugal, o jovem internacional – talvez já um dos melhores guarda-redes nacionais – vai poder tomar o pulso a uma baliza encarnada que será sua a médio – prazo.

Ambos os jogadores são, também, certezas da selecção nacional. Uma selecção que carece de guarda-redes e de pontas – de – lança, com o Benfica a contribuir para o preenchimento dessa carência, com um trabalho ao nível da formação que é considerado de referência. Seja como for, as jovens jóias da coroa são sempre as mais ansiadas. No entanto, a Direcção encarnada, atenta, saberá como proteger as suas pérolas. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Benfica contribui para êxito da selecção sub-20

Em jeito de caricatura, poder-se-ia dizer que a selecção nacional de sub-20 é o reflexo do país: jogo à defesa, muita contenção e, no meio da aflição, lá conseguimos marcar um golo de bola parada, ou de grande penalidade discutível. É a imagem do verdadeiro português especialista em viver na “corda – bamba”.
Mais a sério, esta selecção é um produto da visão realista do seu treinador. Ilídio Vale não construiu uma equipa de estrutura megalómana: reconheceu o sector defensivo como seu ponto forte, e fez desse atributo a principal “lança” com que vai derrotando os seus adversários. Gostando-se ou não do estilo, certo é que o técnico português nunca viveu na ilusão.
Na equipa, há muito produto das escolas de formação encarnada. Desde logo dois nomeados para o troféu de melhor jogador da competição: Danilo Pereira e Nélson Oliveira. Se o primeiro, médio-defensivo, já foi vendido ao Parma, o segundo tem presença garantida no plantel de Jorge Jesus, sendo inclusive a alternativa mais viável a Óscar Cardozo.

Em termos de rendimento, Nélson Oliveira tem, sozinho, sido um mestre na forma como lidera o processo ofensivo, lendo bem os processos de lançamento longo, e desmarcando-se com muita inteligência. Desacompanhado, tem movido montanhas, ele que conseguiu disfarçar a ausência de Saná(médio – ofensivo), por lesão, dupla que tanto êxito teve nas camadas jovens do Benfica ao longo dos anos.  As suas exibições têm, inclusive, motivado o interesse de clubes europeus, mas da Luz já veio a garantia que não vai sair esta temporada.
Em grande destaque tem estado também Mika. Apesar do estilo pouco convencional – não é o típico guarda-redes elegante – tem confirmado apetência para jogar ao mais alto nível, não acusando a pressão das grandes competições. Resta saber se é, ou não,prejudicial para o seu futuro  estar um ano sem jogar, na sombra de Artur Moraes e Eduardo. Certo é que tem maturidade suficiente para se ver como titular da selecção “A” a médio – longo prazo.

Decisão inteligente é a de manter Luís Martins no plantel sénior. De facto, o jovem lateral foi um “oásis” no meio da desordem que pautou a equipa de sub-19 da temporada passada: na Colômbia tem estado muito atento na defesa, e também astuto nas subidas pelo flanco, fazendo frente de forma destemida aos extremos que lhe apareceram pelo frente, mesmo aos argentinos, jogo onde foi dos melhores em campo.
Seja como for, o campeonato do mundo de sub-20 tem sido um bom “viveiro de talentos”. Destaque para algumas revelações, casos das sólidas selecções do Egipto ou da Coreia do Sul ou mesmo da Nigéria que, anarquia táctica à parte, tem um bom lote de jogadores. Oportunidade de negócio proveitosas não faltam. Basta estar atento
No seguimento, tomei a liberdade de construir o meu “onze ideal” do Campeonato do Mundo de Sub-20.

1-      Mika(S.L.Benfica/Portugal)

2-      Hugo Mallo(Celta de Vigo/Espanha)

3-      Nuno Reis(Cercle Brugge(emprestado pelo Sporting)/Portugal)

4-      Gonzalez Pirez(River Plate/Argentina)

5-      Lucas Tagliafico(Banfield/Argentina)

6-      Clement Grenier(Lyon, França)

7-      Oriol Romeo(Chelsea/Espanha)

8-      Luis Muriel(Udinese/Colômbia)

9-      Henrique(São Paulo / Brasil)

10-   Philippe Coutinho(Inter de Milão / Brasil)

11-   Antoine Griezmann(Real Sociedad/França)

Assinado: Gil Nunes
Ex - Membro do Departamento de Prospecção do S. L. Benfica
Colunista "Academia de Talentos"
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