quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanço de 2009; Um bom 2010

2009, DE A a Z

Pedro Fonseca em 29/12/09

Este é o meu último artigo de 2009. Aqui fica, por isso, o meu balanço do ano de A a Z.

A – Apito Dourado. A Justiça portuguesa no banco dos réus; B – Benfica. Uma segunda metade do ano à dimensão do clube; C – Campeão. Aquilo que queremos atingir em 2010; D – Défice. O do Estado é preocupante, o do Benfica não; E – Estádio. Uns às moscas, como Alvalade, outros, como a Luz, a bater recordes de assistência; F – Família. Direcção, Administração, Equipa Técnica, Jogadores, Adeptos, Casas do Benfica – uma família benfiquista unida; G – Golos. Goleadas, a imagem de marca a fazer recordar os tempos de Eusébio; H – Homenagem. A Robert Enke, paz à sua alma; I – Idiotas. Todos os comentadores e escrevinhadores que disseram que mal chegasse o Inverno o Benfica cairia. Viu-se!; J – Jorge e Jesus. Jorge Jesus. Mais que o novo Mourinho, o novo Eriksson; L – Luís Filipe Vieira. O Benfica tem um líder; M – Mantorras. Que possa aparecer, de novo, em 2010; N – Nuno Gomes. Um verdadeiro capitão; O – Operário. Foi Javi Garcia, uma das melhores contratações dos últimos 10 anos; P – Pablo Aimar. Rui Costa disse-o em privado e está a confirmar-se, Aimar é para 4 anos, não para 4 meses; Q – Queda. Do Papa ; R – Rui Costa. Depois do tirocínio, um director desportivo de classe mundial; S – Saviola. Um “coelho” de se tirar a cartola; T – Tacuara. Um goleador à moda antiga, não é senhor Quique Flores? U – Ultras. Há-os mais nos bastidores e nos túneis do futebol português que nas bancadas ; V – Vitórias. Muitas em 2009, muitas mais em 2010; X – Empate. Vale 1 ponto, mas são precisos 4; Z – Zandinga. Morreu há alguns anos, mas ainda há quem goste de bruxarias.

Post-Scriptum: publicado no blogue "Novo Benfica"

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Túneis

Mais de 20 anos depois, os túneis voltaram a marcar o quotidiano do futebol português. Na década de 80, o fcporto fez do túnel das Antas um dos símbolos mais paradigmáticos do seu domínio dos bastidores do futebol em Portugal.

Ficaram célebres as versões de vários intervenientes, jogadores, dirigentes, árbitros, sobre aquilo que se passava desde a saída do relvado até aos balneários, no intervalo ou no final dos jogos. Alturas houve que até no início se começava a desenrolar o processo.

Há 20 anos, não existiam ainda as “mangas”, uma espécie de “túnel” de lona que foi concebido para proteger os árbitros do público, no intervalo e nos finais dos jogos. Os jogadores e os árbitros entravam directamente nos esconsos corredores das Antas e passavam uma via sacra até chegarem ao balneário.

Como disse, o fcporto consolidou muita da sua hegemonia mantendo sempre uma pressão e tensão constantes nesses metros de corredor – o “túnel”. Com o advento de alguma modernidade, os túneis começaram a ter câmaras de filmar. O que serviu para inibir condutas de outros tempos.

No ano passado, as estratégias sempre diligente e inteligentemente montadas na zona da Avenida Fernão Magalhães, no Porto, quiseram criar factos futebolísticos à volta da presença de Rui Costa perto dos túneis. A estratégia visava penalizar o Benfica, como aconteceu com os castigos a Rui Costa e a jogadores, como Nuno Gomes, no final de um célebre Benfica – Nacional.

Recentemente, o Benfica viu-se envolvido noutra história de “túneis”, em Braga, cujas imagens, ao contrário do que se fez crer, não incriminam nenhum jogador do Benfica, ficando assim confirmado que a expulsão de Cardozo foi injustificada.

No final do Benfica – fcporto, os portistas regressam às acções nos túneis. Hulk e Sapunaru foram expulsos por alegadas agressões a pessoal de segurança do estádio. Estamos à espera das imagens. E o que mais surpreende é como jogadores profissionais têm atitudes como as dos jogadores do fcporto sabendo que estão a ser filmados.

Hoje, os túneis já não são espaços de conquista e consolidação de poder, utilizados para influenciar os jogos de futebol. Com as “mangas” e as câmaras de filmar, já nada pode ser escondido, como o foi durante 20 anos no “túnel” das Antas.

É por isso que mesmo que mesmo que o fcporto tenha saudades desses tempos e perceba que o domínio do futebol português lhe escapa como areia entre os dedos, nada voltará a ser como dantes. A Luz venceu a escuridão.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sem comentários

Benfica - 1; fcporto - 0 (14ª jornada da Liga). Pontapés de canto: Benfica - 11; fcporto - 6; Remates: Benfica - 14; fcporto - 3; Remates perigosos: Benfica - 7; fcporto - 2. Sem comentários.

Post-Scriptum: Já agora, sugiro uma vista de olhos ao que escrevi no "Novo Benfica". Obrigado e um Feliz Natal a todos e um Ano 2010 cheio de êxitos para o nosso Benfica.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Os "mind games" de Jorge Jesus

Os nomes de Ramires e de Pablo Aimar na convocatória elaborada por Jorge Jesus para o jogo de hoje contra o fcporto, na Luz, eleva a sofisticação dos “mind games” do treinador do Benfica a um patamar nunca antes atingido por José Mourinho, o pioneiro desta forma de baralhar os adversários, fase preliminar do percurso até à vitória.

Das duas uma: ou Jorge Jesus está um ás na utilização dos “mind games”, já não baseados em afirmações que confundam o adversário mas em atitudes que escondam o jogo, ou o “bluff” é apenas uma forma de esperar até ao limite pela disponibilidade dos jogadores.

Certo é que Jesualdo tem também muito que pensar. Um Benfica com ou sem Ramires e Pablo Aimar?

Será que o departamento médico do Benfica passou a praticar padrões de excelência, ou Jorge Jesus está numa de utilizar todos os meios para atingir os seus fins? Falta pouco tempo para se saber.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Façam o favor de ser felizes!

Benfica – 2; AEK – 1 (fase de grupos da Liga Europa). A segunda linha deu uma prova insofismável de talento, determinação, garra e profissionalismo. Os segundos planos do Benfica, como Roderick ou Carlos Martins, disseram bem alto que estão à altura da responsabilidade de disputar o jogo de domingo, contra o fcporto, na Luz.

Se o jogo contra o AEK, uma das melhores e mais históricas equipas gregas, já não contava para a classificação do grupo na Liga Europa, com o Benfica e o Everton já apurados para os 16 avos de final, a partida ganhou, em virtude das circunstâncias ocorridas em Olhão, uma importância inusitada.

Jorge Jesus já tinha muito que pensar para escalar um onze com reais possibilidades de ganhar o jogo, como se exige sempre ao Benfica, sem colocar mais em causa o jogo de domingo, e à última hora sofreu mais um percalço com a lesão de Sidnei.

Num mar de contrariedades, Jesus fez apelo à capacidade de superação dos jogadores do Benfica. A sua voz fez-se ouvir no balneário e a motivação dos jogadores menos utilizados foi evidente.

Foi um Benfica igual a si próprio, quase que nem sentindo as ausências (claro, menos criatividade, menos classe, mas a mesma intensidade e tenacidade), com Roderick, Carlos Martins e Weldon em grande plano.

Acima de todos, no entanto, esse novo “enfant terrible” do futebol português chamado Di Maria. Que água na boca não deixou aos benfiquistas para domingo, não se desse o caso de por uma daquelas coisas que não se percebem ter sido expulso em Olhão e não poder deleitar a Catedral da Luz.

Sorte para o fcporto, azar para o Benfica, azar para os benfiquistas, azar para o espectáculo. Quem o substituir irá certamente fazer esquecer Di Maria, porque, ficou provado contra o AEK, o Benfica possui um plantel que garante qualidade, competitividade, solidariedade, mesmo com tantas contrariedades.

Os jogadores disseram a Jesus que pode contar com eles. E disseram bem alto que jogue quem jogar, o fcporto vai confrontar-se com uma equipa de raça, de classe, de talento puro. A vitória, ontem, face ao AEK fez, de novo, subir os índices de confiança, dentro e fora do relvado. Que ninguém duvide: domingo, vamos estar todos com a equipa. Para ganhar! Foto: Reuters/José Manuel Ribeiro

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Plano B

PLANO B

Pedro Fonseca em 14/12/09 | comentar | 9 comentários

in "Novo Benfica"

Olhão foi o costume. Já se previa. Em Braga foi igual. A estratégia tem anos e só os ingénuos é que caem. Jorge Jesus é tudo menos um ingénuo. Porquê, então, ter caído na esparrela? Os próximos tempos vão responder.

Percebeu, porém, que estava tudo preparado para mais uma cena no túnel e tomou precauções, impedindo os jogadores do Benfica de entrarem ao mesmo tempo que os jogadores do clube-satélite do fcporto. Chama-se Olhanense, como anos atrás se chamava Leça.

A história sempre se repete. Uma vezes em farsa, outras em comédia. A nota positiva do que aconteceu em Olhão é que agora Jorge Jesus já tem um Plano B. Obrigatoriamente. E se todos já conheciam a forma de jogar do Benfica, agora ninguém sabe que táctica vai JJ utilizar para o jogo de domingo na Luz.
Nem ninguém sabe que jogadores vai escalar para substituir Di Maria, Coentrão, Ramires, talvez Aimar. Jesualdo vai ter uma surpresa, oh se vai! Até lá pode ser que o CD da Liga se entretenha a investigar os insultos que Bruno Alves dirigiu ao fiscal de linha do jogo de Guimarães.
Não foi em nenhum túnel mais ou menos obscuro. Foi à vista de toda a gente e captados pelas câmeras da Sport TV. Como veêm, é muito fácil apanhar prevaricadores. As provas estão todas disponíveis, basta usá-las e julgar quem pisou o risco.
Post Scriptum: Lamento mas não vou especular sobre o Plano B de Jesus para domingo. Não dou armas ao adversário.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Olhão=Braga: será que não percebem?

Olhanense - 2; Benfica - 2 (13ª Jornada da Liga Sagres). Previsível, muito previsível. Quem anda nisto há anos, a ver a vergonha em que está transformado o futebol português, não ficou nada surpreendido com o que se passou, ontem, em Olhão. Só não vê quem não quer ou quem é cego.
O clube-satélite do fcporto tinha a lição bem estudada, antes do jogo na Luz contra o mesmo fcporto. A agressividade tornada violência gratuita para inibir os jogadores do Benfica dos comandados de Jorge Costa, onde estão uma meia-dúzia de emprestados do dragão, vem nos livros e nos compêndios há muito escritos no tempo do túnel das antas.
A somar a isto, estava bem de ver que tinha de arranjar confusões, zaragatas, escaramuças, como em Braga, lembram-se? E o resultado, para além dos 2 pontos perdidos, são mais 3 jogadores impedidos.
A culpa é toda do "sistema"? Não. A culpa também cabe ao Benfica por ainda não ter descoberto um antídoto eficaz contra estas jogadas de bastidores. E a culpa também é de alguns que não conseguem ter o necessário controlo emocional, como Di Maria.
Agora, no próximo domingo, só há um objectivo: ganhar. A minha proposta é esta: para o lugar de Di Maria, entra Urreta; para o lugar de Coentrão, entra Weldon; para o lugar de Ramires, entra Carlos Martins. E ainda há Nuno Gomes e Felipe Menezes.
Desta maneira, seria: Quim; Maxi, Luisão, David Luiz e César Peixoto (também pode jogar mais adiantado, entrando Shaffer para lateral-esquerdo); Javi Garcia, Carlos Martins, Aimar e Urreta; Saviola e Cardozo. Foto: Reuters/José Manuel Ribeiro (Portugal/Sport Soccer)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Batota

A semana futebolística foi marcada não pela liga dos campeões; não pelo futuro Benfica – fcporto; não pelo regresso do sporting às vitórias, mas pelas declarações de Carlão e de André Santos.
Perguntam vocês: quem são o Carlão e o André Santos? São jogadores da União de Leiria. E, perguntam vocês de novo, o que é que eles disseram? Que estavam a ser assediados pelo sporting e que, no futuro, talvez rumassem a alvalade.
Agora, pergunto eu: sabem vocês com que clube joga a União de Leiria no próximo sábado? Voilá, com o sporting. É por isso que o futebol português é tão giro. Tão giro que, hoje, no Diário de Notícias, o jornalista Bruno Pires escreve o seguinte: “Não sei (nem me interessa) quem era o assistente que acompanhou o ataque do V. Guimarães na segunda parte do jogo com o fcporto. Esse senhor foi insultado duas vezes por Bruno Alves (malditos microfones da Sport TV) e nada fez. Sujeitou-se. A falta de civismo do atleta casa bem com o défice de coragem do assistente”.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fim da rua

O jornalista da TSF, de que não memorizei o nome, estava eufórico com a vitória do fcporto frente ao Atlético de Madrid. E não se cansou de repetir, em altos berros, que se tratava de uma vitória sobre um adversário da Liga espanhola, que tinha na equipa Fórlan, Aguero, Maxi Rodriguez, entre outros.
Costa Monteiro, o comentador de serviço, ia deitando ,como podia, água na fervura. Que era certo ,mas que a defesa era fraquinha; que o Atlético estava em crise e que o fcporto já não ganhava em Espanha há mais de 4 anos.
Mas, na gaveta, ficou por dizer uma coisa tão simples como esta: o Atlético de Madrid é uma ficção de equipa, na qual só Simão se salva. As "vedetas" entram em campo para passear e a defesa é digna de passar nos "malucos do riso". Para além disso, o Atlético de Madrid está nos últimos lugares da tabela.
Não ouvi tanta euforia quando o Benfica esmagou o Everton, da fantástica Liga Inglesa. Sempre foram 7-0, contra os 5-0 do fcporto. Não fazia nada mal à TSF, uma rádio de qualidade e de referência, pedir a alguns dos seus profissionais mais contenção. É que tempo dos patriotismos bacocos já lá vai, mesmo estando em causa uma disputa com "nuestros hermanos".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Regresso às goleadas

Benfica - 4; Académica - 0 (12ª Jornada). Longe de casa vi o nosso Benfica regressar às goleadas que têm marcada esta época. Quatro a zero à Académica, que nas duas últimas épocas tinha saído da Luz com vitórias, é facto de registo. Como de registo é o novo "hat-trick" de Óscar "Tacuara" Cardozo, que o coloca na liderança da Bola de Prata e, quem sabe, pode projectá-lo para a melhor marca do ano em golos marcados na Europa, atingindo assim a Bota de Ouro.
Aos pés de Jesus caiu o braço direito de Mourinho. André Vilas Boas, que disse não ao sporting, e é tido como o sucessor de Jesualdo no dragão, recebeu uma lição de táctica do "mestre" da mesma. Neste festival de futebol, num relvado pesado e sob uma chuva inclemente, duas últimas palavras para Saviola e David Luiz.
O atacante argentino voltou a mostrar a sua magia; o defesa brasileiro, com o amarelo que viu, fica em risco de exclusão para o jogo de dia 20 com o fcporto, na Luz. Muita atenção contra a Olhanense, David Luiz! Foto: AP/Photo (Armando França)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

3 X Difícil

BATE Borisov - 1; Benfica - 2 (fase de grupos Liga Europa). O BATE Borisov tem um nome engraçado: Futbolniy Klub Borisov Works of Automobile and Tractor Electronic Equipment e uma história curta, pois foi fundado em 1973, mas para aqueles que se preparam para qualificar esta equipa de frágil, aconselhamos alguma ponderação.
O BATE esteve presente na anterior edição da Liga dos Campeões, onde acedeu à fase de grupos depois de eliminar o Valur, da Finlândia, o Anderlecht, da Bélgica, e o Levski de Sofia, da Bulgária.
Na fase de grupos, o BATE não fez história, mas mesmo assim empatou os dois jogos com a Juventus e apenas perdeu por 0-1, em casa, com o Real Madrid.
Como termo de comparação podemos referir que o nosso conhecido Ventspils caiu na 2ª pré-eliminatória aos pés do Brann.
O BATE tem ainda 7 internacionais da Bielorússia e é crónico campeão nacional. Foi assim um adversário difícil, num país difícil, num terreno difícil, num clima difícil.
Tudo o que se disser em contrário revela ignorância ou má fé. Foi, por isso, uma vitória do mérito, da competência, do talento e do sacríficio.
Até porque, o Benfica jogou desfalcado, sem Luisão, sem Sidnei, sem Aimar, sem Di Maria. Miguel Vítor foi seguro e consistente; Felipe Menezes esteve algo apagado até se habituar ao terreno e ao clima, pelo que na segunda parte teve momentos brilhantes; Fábio Coentrão pode muito bem ter carimbado o seu passaporte para a titularidade e para o Mundial de 2010.
Agora, que venha a Académica e os dezasseis-avos de final. Foto: REUTERS/Vasily Fedosenko (Belarus Sport Soccer).

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Algo completamente diferente

Foto: Reuters/Nacho Doce (Portugal Sport Soccer)

Ok. Eu sei que já passaram 2 dias, mas não me apeteceu escrever sobre um jogo que estava à partida sabotado. Sabotado?, perguntam vocês... Então não sabem em que país vivem? Julgam que há coincidências?

Peço para reflectirem. O sporting é um clube em morte lenta, como vaticinam ilustres sportinguistas, mas os anos em que julgou ser "grande" fez com que colocasse algumas peças em sectores-chave.

Na arbitragem, claro. De que clube é Vítor Pereira? Mas também nos mais diversos governos do país: quantos sportinguistas não detém e detiveram cargos ministeriais? E nas empresas públicas, como António Mexia, na EDP? E nas grandes empresas construtoras que dependem dos contratos do Estado? Digam-me de que clube é Jorge Coelho? E no mundo da comunicação social? De que clube é Joaquim Oliveira? E nos organismos do futebol? De que clube é Hermínio Loureiro

Isso pesa e pesa muito. Ora, num país como o nosso, onde o centralismo dita leis (e não há clube mais centralista, mais lisboeta, que o sporting), é impensável deixar cair um dos baluartes desse centralismo.

Logo, ao jeito salomónico, nomeia-se Pedro Proença, sabendo que ele é um experiente árbitro e tudo fará para que as coisas sigam o seu caminho natural. O caminho natural é não permitir que o sporting se afunde mais - o que uma derrota naturalmente acarretaria -, e dar a ideia que o clube está a recuperar.

Proença fez o seu trabalho, muito bem feito, e será beneficiado por isso. E tudo está bem quando acaba bem? Talvez, até um dia...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cuida-te Benfica, vem aí o "nosso" Proença

A nomeação de Pedro Proença para o sporting - Benfica de amanhã é mais um erro de "casting" de Vítor Pereira, mas é acima de tudo uma provocação para o Sport Lisboa e Benfica. É sabido que Proença, a quem um dia apelidei de "brilhantina man", tem um problema mal resolvido com o Benfica. Em 2003/2004, num Benfica - sporting, na Luz, resolveu inventar, aos 3 minutos, uma grande penalidade contra o Benfica, por inexistente falta na área sobre Elpídio Silva.
Mas na memória dos benfiquistas e dos adeptos de futebol em geral ainda deve estar bem fresca a invenção do penálti marcado contra o Benfica, o ano passado, por inexistente falta de Yebda sobre Lisandro Lopez. Continuo hoje convencido que se o Benfica, como tudo indicava, pois que faltavam 15 minutos para o fim do jogo e ganhávamos por 0-1, tivesse obtido os 3 pontos no dragão, ninguém nos tirava o título de campeão.
Amanhã, mesmo contra Pedro Proença, vamos ganhar e arrancar definitivamente para o título. Mas mais uma vez ficou patente a podridão do futebol português e a face visível (esta não é oculta) de um sistema moribundo mas que ainda estrebucha. Se Vítor Pereira, que no congresso dos árbitros há dias reconheceu o seu "sportinguismo", tivesse vergonha na cara já se tinha ido embora. Um dia terá de ser empurrado pela porta fora.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A cópia e o original

Quando faltam dois dias para se ficar a conhecer o árbitro do sporting-Benfica de sábado, regresso a um facto da semana passada que foi encarado pelos "media" como a coisa mais natural do Mundo: o "presidente" do sporting esteve presente, e foi orador, no congresso da APAF. APAF não quer dizer associação de profissionais da actividade financeira, quer dizer associação portuguesa dos árbitros de futebol. Estranho?

Não, para o universo desportivo português, incluindo o mediático, nada estranho, tudo normal. Que o "presidente" de um clube fale e disserte sobre árbitros e arbitragem perante o olhar embevecido dos homens do apito seria algo de surreal num país civilizado e normal. Em Portugal é normal e até elogiado.

À falta de melhor argumento, e se calhar aconselhado pela nova política de comunicação do clube, Bettencourt resolveu ir conviver com a classe que o sporting já apelidou de tudo, para quem até o seu ex-treinador chegou a pedir "ambientes hostis", e que já mereceu da agremiação do visconde um dia de luto. Para tornar a coisa ainda mais engraçada, Vítor Pereira, o "presidente" dos árbitros, afirmou alto e bom som o seu "sportinguismo".

Se não podes vencê-los, junta-te a eles, deve ter pensado o "líder" de uma agremiação que chama cretinos, anormais, terroristas aos seus associados - e, se calhar, com razão. Espera-se que este casamento de conveniência não dê para o torto no sábado.

Talvez seja a isto que Bettencourt chame "copiar" o modelo do FC Porto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um rabo para duas cadeiras

E agora algo completamente diferente! Levantemos a cabeça, fora com as depressões. Temos razões de sobra para continuar a onda de euforia. Senão, vejamos: em futsal passamos à final-four da liga dos campeões; em andebol seguimos em frente na UEFA e ganhamos para o campeonato; em basquetebol ganhamos e vamos em primeiro; em hóquei ganhamos para a Europa e para o campeonato e vamos em primeiro; em voleibol ganhamos e vamos em primeiro. Quem se compara connosco no Mundo inteiro? Ninguém. Comparado com isto, o que interessa uma taça que os nossos adversários, quando lhes interessa, dizem que é um prémio de consolação?

Há muitos anos atrás, há dezenas de anos atrás, um senhor do futebol mundial chamado Bella Gutmann, dizia que o Benfica "não tinha rabo para duas cadeiras". Gutmann foi o treinador do Benfica bi- campeão europeu. Em 61 e 62, nas duas finais ganhas ao Barcelona e ao Real Madrid, a fabulosa equipa do Benfica - uma das melhores do Mundo de sempre - não conseguiu ser campeã nacional na altura em que se sagrava bi-campeã europeia, tendo-se quedado por um 3º lugar. O que levou Guttmann a ter aquela célebre tirada.

Fora da Taça? E depois? No horizonte está o campeonato e a Liga Europa para conquistar. A camioneta ainda precisa de muitas afinações e não tem rodagem para 3 vias ao mesmo tempo. Antes do jogo com o Vitória de Guimarães estava muito preocupado com o jogo com o sporting. Agora estou menos. Foto: AP/Photo (Álvaro Isidoro)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

De regresso a casa...

Há pouco mais de um mês escrevi que Simão podia regressar mais cedo do que previsto a casa, ao Estádio da Luz, como podem confirmar aqui. Hoje, a capa do Record, é esta que todos podemos ver. E esta, hein?!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Queiroz, pé quente!

Carlos Queiroz teve um "feeling" e acertou: vamos ao Mundial de 2010 na África do Sul, depois de duas vitórias sobre a Bósnia-Herzegovina, pelo mesmo resultado (1-0).
"I´ve got a feeling" foi o mote para animar a malta no balneário e resultou. Há 4 jogos atrás, apenas uma minoria de portugueses acreditava neste final. Foi mesmo uma corrida contra o tempo e decidida no "photo-finish".

O pé frio de Queiroz virou pé quente e o outrora mal-amado da Federação tornou-se, quiça, no salvador de Gilberto Madaíl, que, assim, para mal do futebol português recebe uma injecção de ânimo para pensar em voltar a recandidatar-se.
O inferno da Bósnia, em Zenica, não foi de grandes labaredas. Comparado com o da Luz, no sábado passado, foi mesmo um inferninho de trazer por casa. Estes bósnios são mais de ladrar do que de morder. A selecção bósnia, coitada, no jogo da sua vida e da vida de um país com 14 anos, foi de uma pobreza confrangedora.

No batatal de Zenica, um campo miserável e impróprio para jogos da segunda divisão em Portugal, os bósnios não tiveram uma oportunidade de golo - uma única! e chutaram duas ou três vezes á baliza - se tanto! - em 90 minutos.
A velha raposa Blazevic é mais dada a coreografias rídiculas como aquela que exibiu ao entrar em campo do que a esquemas tácticos de sucesso. Devia olhar para o exemplo da verdadeira velha raposa Trapattoni e tentar aprender, ainda, alguma coisa.

Um bravo para os rapazes de Portugal, para as dezenas de portugueses nas bancadas, para a equipa técnica e para os poucos que acreditaram. E que ninguém se venha agora por em bicos de pé. Ouviu dr. Gilberto Madaíl? Foto: Armando França (AP/Photo)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

As razões da "nega" de Villas Boas

O processo falhado da contratação de André Villas Boas, treinador da Académica, para substituir Paulo Bento no comando técnico do sporting, ainda vai fazer correr muita tinta. Não por acaso, Jorge Nuno Pinto da Costa, que tem andado muito "low profile", resolveu, a propósito deste "caso", regressar à boca de cena para desmentir uma "notícia" que dava conta do dedo do fcporto na não consumação da transferência. O presidente do fcporto não se costuma preocupar com coisas menores.
Para ajudar ao enredo (que está longe do fim), eis o que se passou: André Villas Boas, entre um grupo muito restrito de pessoas com quem se aconselhou, falou com José Mourinho, seu mestre e guru. Como a vingança se serve fria (e a "vendetta" é uma tradição italiana) Mourinho lembrou-se do tempo em que "guerras internas" em alvalade travaram a sua ida para o sporting e aconselhou Villas Boas a ficar em "su sitio".
Acresce que o jovem treinador não gostou de ter sido tratado como mercadoria de segunda pelo novo director desportivo Ricardo Sá Pinto. Segundo sabemos, Sá Pinto "não teve tempo" para uma conversa pessoal com Villas Boas e, no breve contacto telefónico que manteve com o treinador da Académica torceu o nariz aos reforços pedidos. Verdade ou ficção? Foto: jornal "A Bola"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

COIMBRA FOI UMA LIÇÃO

A Académica deu música ao sporting

Nestes últimos dias o sporting tem sido um tema apetecido de anedotas e dichotes. Poucas vezes um clube terá passado em tão pouco tempo por tão grande desvario e desnorte. Desde a inenarrável sequência de declarações de JE Bettencourt, que num clube a sério teriam levado imediatamente a eleições antecipadas, até à escolha de Carlos Carvalhal como o sucessor de Paulo Bento, o non-sense mais absurdo tem tomado conta daquela casa. Escrevo sobre o sporting num blogue do nosso Benfica porque aquilo que se está a passar em alvalade é algo que se poderia passar em qualquer outro clube. Como aqui já escrevi, os clubes não são eternos. O processo de sucessão de Paulo Bento deve ser estudado por todos aqueles candidatos, proto-candidatos ou pseudo-candidatos a líderes de qualquer coisa, porque em poucas horas Bettencourt conseguiu escrever um compêndio sobre como fazer tudo errado quando havia margem de manobra para fazer tudo certo. Bettencourt meteu o sporting noutra enorme trapalhada. Pós humilhação às mãos do Bayern, o sportinguista Eduardo Barroso disse que o sporting já não era um clube grande; há dias, na “A Bola”, Miguel Sousa Tavares escreveu que o sporting está em processo de morte lenta. Concordo com os dois. A eleição de Bettencourt foi um erro histórico, que o sporting está a pagar e vai pagar ainda mais. Qualquer manual sobre o perfil de um líder é inequívoco na avaliação do presidente do sporting: não tem características de liderança. Bettencourt, aliás, tem feito os impossíveis para confirmar esta tese. A contratação do novo treinador foi mais um processo que envergonharia qualquer clube dos distritais do futebol português. Em poucas palavras, a questão é esta: André Villas Boas, um neófito treinador, sem nome, sem currículo, sem nada, recusou abrir um braço de ferro com a Académica, histórico clube mas hoje no último lugar do campeonato, para ir treinar o sporting. Bettencourt e o Sporting levaram um rotundo não na cara de Villas Boas e da Académica. Esta é, resumidamente, a história desta falhada contratação. Seguiu-se uma segunda escolha – o desempregado Carlos Carvalhal. O ex-treinador do Marítimo, de onde foi corrido por triste e má figura, chegou a ganhar alguma aura no seio da “geração Mourinho”. Mas essa aura perdeu-a depressa por claro défice de competência e de liderança. Repito: o que se passa no sporting podia acontecer noutro clube. O Benfica já elegeu presidentes que nunca foram líderes, como Damásio, João Santos, Jorge de Brito, Manuel Vilarinho, e passou uma fase dramática na era de Vale e Azevedo. Mas, na hora da verdade, os benfiquistas souberam perceber que era preciso uma liderança forte, carismática, credível e mobilizadora, para agarrar no testemunho da fase de transição de Manuel Vilarinho. Os benfiquistas, que também já cometeram “erros históricos” mas souberam ultrapassá-los, perceberam que só um homem como Luís Filipe Vieira, cujas características de líder são inquestionáveis, estava à altura de comandar um clube da dimensão do Sport Lisboa e Benfica. O que se passa no sporting e o que se irá passar no fc porto pós-pinto da costa, é algo que não nos deve passar ao lado. Construir aquilo que se construiu depois dos anos catastróficos de Vale e Azevedo é algo de muito difícil – eu diria que, sem Vieira seria impossível. Mas destruir é fácil, muito fácil. Numa altura de euforia, os benfiquistas não se podem deixar inebriar. Ainda há muito caminho para caminhar, muito projecto para concluir, muitas vitórias e troféus para ganhar. Nada é irreversível. Olhando para o estado comatoso em que se encontra o sporting e perspectivando o caos no pós-pintismo, temos de estar eufóricos pelas nossa clarividência de termos eleito um líder para o presente e para o futuro. Um líder que soube escolher e contratar um líder para o relvado.

Post-Scriptum: O funeral de Robert Enke foi um momento único de pesar como poucas vezes vi no futebol. Em poucos anos, o Benfica vê desaparecer dois “monstros” da sua baliza: Bento e Enke. Como a grandeza também se vê na tragédia, gostava que imortalizassem na Luz a memória destes dois gigantes da nossa baliza. Como fizeram com Miki Fehér.

Obs: este post foi hoje escrito por mim no blogue "Novo Benfica", e que quero agora partilhar com os meus leitores de "O INFERNO DA LUZ".

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