terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Gaitán, um certeiro acto de gestão

Para quem não está apenas focado na espuma dos dias, ou seja, nos golos, nas bolas na trave, nos penáltis, pode ter passado despercebidas algumas das mensagens produzidas nos últimos tempos pelo Presidente do Benfica.

Afinal, o que disse Luís Filipe Vieira? Que 2012 era um ano-chave para o futuro do Benfica; que o clube tinha de apostar na prata da casa face à crise; que a hora é de contenção, embora continue a ser de ambição.

Hoje, a noticiada eventual transferência de Gaitán no fim da época para o Manchester United por números inimagináveis face à crise que assola a Europa (35 milhões de euros), confirma a clarividência de uma liderança que veio reerguer o Benfica das cinzas e projectá-lo, de novo, a caminho da glória interna e externa.

A caminho dos 10 anos à frente do Benfica, Vieira marcou já com a sua liderança a História do Benfica. Errou às vezes na forma e no “timing”, mas quase sempre acertou no conteúdo das mensagens.

O Benfica é, talvez, hoje um dos clubes mais preparados para enfrentar a crise económica e financeira. O FC Porto vive dias amargos com a falta de pagamento de salários às modalidades; o Sporting embrulha a sua fragilidade financeira em episódicos resultados positivos.

Pelo contrário, o Benfica apresenta uma situação controlada, um serviço da dívida aquém das suas capacidades de endividamento e activos que garantem uma manobra de gestão que não está dependente da aleatoriedade dos resultados.

Para quem se lembra do Benfica em 2003, só pode ver em Luís Filipe Vieira – e na sua equipa, como Domingos Soares Oliveira ou Mário Dias, entre outros – o(s) homem(ns) certo(s) na altura e no lugar certo.

Gaitán é apenas mais um momento num percurso marcado por uma gestão quase irrepreensível. Que não apenas recuperou o clube como colocou a equipa de futebol (e das modalidades)no lugar que historicamente é o seu.

No próximo ano, Luís Filipe Vieira vai iniciar um 4º mandato à frente do Benfica. Na sua cabeça muito ainda há para fazer, na vertente estrutural, organizacional e desportiva. A partir daqui, os benfiquistas podem ter a certeza que o céu é o limite.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

É só fazer as contas...


Com a vitória ontem no Funchal perante o Marítimo, o Benfica já defrontou as 4 equipas que se posicionam nas 5 primeiras posições da Liga principal, a saber: FC Porto, Sporting, Braga e Marítimo.

Face a estes 4 adversários, o Benfica averbou 2 vitórias (Sporting e Marítimo) e 2 empates (FC Porto e Sp. Braga). Mais: 3 destes jogos foram realizados em casa do adversário (FC Porto, Sp. Braga e Marítimo).

Ou seja, com as equipas que ocupam, quase a terminar a 1ª volta, as primeiras posições da Liga, o Benfica conquistou 8 pontos (e perdeu 4). Esta não é uma contabilidade (ou uma análise) despicienda.

O FC Porto, por exemplo, só jogou com Benfica e Braga – os dois jogos em casa e 5 pontos. Falta-lhe o Marítimo este fim-de-semana, que vai receber em casa e bastante debilitado com as ausências por castigo de Olberdam, Roberto Sousa e Rafael Miranda (os 3 do meio-campo); falta-lhe o Sporting, que vai defrontar em Alvalade a abrir o ano de 2012.

E o Sporting, vejam bem!, tão incensado, ainda só defrontou Benfica (fora) e Marítimo (casa), tendo perdido os 2 jogos – ou seja, zero pontos. Até ao fim da primeira volta, o Sporting vai receber o FC Porto e vai, na última jornada, ao terreno do Braga.

Mas ainda podemos fazer mais uma reflexão. O Benfica, na 2ª volta, recebe em casa FC Porto, Braga e Marítimo, o que é sempre mais favorável. O FC Porto, por sua parte, tem de ir à Luz, à Madeira e a Braga. O Sporting, cujo calendário agora é que vai apertar (nos únicos grandes momentos falhou – Benfica e Marítimo), vai ter de ir ao Dragão (e claro ainda tem de receber FC Porto e ir a Braga, nesta 1ª volta) e à Madeira.

As contas, como diz o outro, só se fazem no fim. Mas que o Benfica já passou com boa safra pelos campos mais difíceis, lá isso é verdade. Os outros ainda têm que fazer pela vida. Se calhar, os 30 pontos que o Benfica já conquistou, são capazes de valer bem mais…não são?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pirómanos, calimeros e pré-históricos

Com o “fogo” apagado, é tempo de reflectir sobre duas ou três coisinhas a mais sobre o derby. A primeira tem a ver com o comportamento recorrente dos jogadores do Sporting: desde o início do campeonato que qualquer decisão punitiva ao Sporting, justa ou injustamente, é recebida com um grande indignação dentro e fora das 4 linhas.

Os jogadores verdes amontoam-se à volta do árbitro a reclamar qualquer decisão por mais inócua que seja. Parece-me que tal atitude, alimentada pela reacção dos adeptos leoninos na bancada, é treinada no seio do balneário. O Sporting faz assim jus ao epíteto de “calimero” do futebol português. Tenho dúvidas da eficácia de tal estratagema.

A segunda coisinha tem a ver com os dirigentes do Sporting. Quando as coisas não correm como eles querem, atropelam-se no final do jogo para dar voz à sua indignação junto da comunicação social: é vê-los, um a um, a reclamar os 15 segundos de fama.

No final do jogo da Luz: Carlos Freitas e Paulo Pereira Cristóvão e, por comunicado, Godinho Lopes. Em jornadas passadas foi possível ver-se e ouvir-se Luís Duque, que, curiosamente, agora remeteu-se ao silêncio e mostra-se desaparecido em combate. Ele lá saberá as razões… É tão ridículo este folclore que não sei se é cómico se é trágico… para o Sporting.

Terceira e última coisinha. O Sporting, mais uma vez, confirmou que não aprende com os erros. As suas cúpulas são de um amadorismo total. Começaram por criar o “caso” dos bilhetes; avançaram para o “caso” da caixa de segurança; terminaram com o “caso” das “condições pré-históricas”. Conclusão: pré-históricos são os dirigentes do Sporting; pré-históricos são os adeptos do Sporting. Uma lição para o futuro: os maus pirómanos ateiam o fogo mas são eles que ficam queimados.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O que não foi dito sobre o MU-Benfica


Já passaram quase 48 horas sobre o empate que o Benfica conseguiu em Manchester, contra o United, apurando-se assim para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Teorias tácticas à parte, aliás já muito dissecadas nos jornais, por estes dias, vamos ao que, julgo, verdadeiramente interessa.
1. O que representa para o futuro imediato e o futuro a mais longo prazo do Benfica este resultado e esta exibição?
R: Representa, desde logo, o regresso às grandes noites europeias aliado a um resultado que o Benfica nunca tinha conseguido em Manchester, contra o United. Podem-me falar da última vitória em Anfield Road, contra o Liverpool; podem-me falar da vitória (mas na Luz) contra este mesmo Manchester (o famoso golo do Beto), mas este resultado e esta exibição, contra um Manchester que ao contrário do que quiseram fazer crer não está em crise (longe disso), que é o vice-campeão europeu, que está na luta pelo título contra um City que investiu centenas de milhões, e que precisava de ganhar o jogo para ser apurado, vale bem uma missa. Uma missa por um clube que há 10 anos estava falido e praticamente liquidado e que 10 anos depois pode voltar a sonhar com a glória europeia.
2. E agora, o que se segue?
R: O que se segue é o Sporting e depois o Galati para a Champions e com o primeiro lugar do grupo no horizonte (o que evitaria os tubarões). O que se pode e deve seguir é a garantia de uma época em grande, onde o objectivo tem de ser o triplete (Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga); a Champions é um sonho bonito e, por isso, deixem-nos sonhar.
3. O comportamento dos adeptos em Old Trafford foi assim tão exuberante que fez o Presidente do Benfica vir a público agradecer-lhes?
R: Foi. Foi um comportamento único, para mais num estádio inglês, onde os adeptos não costumam deixar os seus créditos por vozes alheias. Os adeptos do Benfica em Manchester mostraram porque é que somos o maior clube do Mundo. E deu uma força negocial acrescida a Luís Filipe Vieira para defender a meta de 40 milhões de euros/ano em direitos televisivos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um "choque" anunciado


O diferendo que discretamente apareceu nos últimos dias entre o Benfica e a Olivedesportos, a propósito de uma recusa da Sport TV de Joaquim Oliveira em ceder o sinal à Benfica TV para transmitir em diferido o jogo Naval – Benfica, era um diferendo anunciado.
Mais tarde ou mais cedo, o choque entre Luís Filipe Vieira e Joaquim Oliveira tinha de se concretizar. Ele aí está e o futuro do futebol português poderá estar dependente deste braço de ferro. Finalmente Joaquim Oliveira encontrou um oponente à altura na pessoa de Luís Filipe Vieira. O Presidente do Benfica mostra, mais uma vez, que não é necessário conflitos épicos para levar a água ao seu moinho. Vale e Azevedo tinha tentado à sua maneira espectacular e vigarista, sem o conseguir porque sem a razão do seu lado.
Vieira, pelo contrário, alia o perfil de negociador implacável com o facto de saber que tem a razão do seu lado. O Presidente do Benfica sabe que a guerra dos direitos televisivos é, talvez, a mais importante para o Benfica voltar a ser hegemónico a nível nacional e poder bater-se de igual para igual com os grandes da Europa.
Joaquim Oliveira, por seu lado, goste-se ou não se goste, defende o seu império, mas sabe que o Benfica é a galinha dos ovos de ouro do negócio televisivo do futebol. Quarenta milhões de euros/ano são o objectivo de Vieira. Um objectivo justo que defende os interesses do Benfica.
Ao provocar, voluntária ou involuntariamente, este choque, Oliveira dá o braço a torcer e percebe que o Benfica está, pela primeira vez, a jogar uma parada alta, sem temer represálias nem alinhar em jogos de bastidores.
Podem Vieira e Oliveira estar condenados a entender-se, mas uma coisa é certa: o Benfica libertou-se, finalmente, do jugo da Olivedesportos e impõe as suas condições. Não vale a pena diabolizar a Olivedesportos, o que vale a pena é sublinhar que nestas negociações é o Benfica quem dá as cartas e está por cima. Talvez Joaquim Oliveira nunca pensasse ser isso possível, mas esse é um mérito de Luís Filipe Vieira.
De maneira discreta mas consequente e eficaz, o Benfica está a criar talvez um dos mais importantes projectos das últimas décadas. O novo estádio retirou-nos de um marasmo, quando não retrocesso, que ameaçava a nossa história – ou mesmo a nossa existência; o centro de estágio consolidou o nosso regresso à liderança, embora ainda intermitente, do futebol português; as novas estruturas desportivas vincaram o nosso eclectismo e o retorno às vitórias no basquetebol, andebol, voleibol, futsal e hóquei; o museu está quase aí para perpetuar a nossa gloriosa história e a nossa grandiosidade. O que falta, então?
Falta o “alimento” diário e sustentado de uma informação para mais de 6 milhões de adeptos, simpatizantes e sócios, espalhados pelo País, de norte a sul mais ilhas, e outros mais de 6 milhões espalhados pelos quatro cantos do Mundo.
A Benfica TV arrancou com esse projecto. Foi pioneira e é hoje uma referência e uma imagem de marca do SL Benfica. Mas, na cabeça de Luís Filipe Vieira está já projectada a Rádio Benfica e um futuro jornal diário do Benfica.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Onda de solidariedade ultrapassa fronteiras


O prestigiado jornal espanhol "Marca" tem vindo a dar amplo destaque na sua capa ao drama que vive o jogador do Benfica, emprestado ao Granada da 1ª divisão espanhola, e da Selecção, Carlos Martins. É uma onda de solidariedade que já ultrapassa fronteiras. Que a equipa do Benfica entre hoje em campo, na Figueira da Foz, contra a Naval, para a Taça, com uma t-shirt de apoio ao Carlos Martins. Força Carlos! Força Gustavo!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Eduardo mãos de tesoura

Eduardo Barroso é um cirurgião reconhecido mundialmente. É, por isso, uma referência médica que deve orgulhar o País. Na sua profissão, Barroso atingiu o topo do Mundo. O problema é que o bom do Eduardo é fanático do Sporting e gosta de o mostrar. É o problema da vaidadezinha.

Mas só é problema porque Eduardo Barroso excede-se muitas vezes. Seja a falar no programa de debate sobre futebol na TVI24 – que o diga Fernando Seara -, como a escrever no jornal “A Bola”.

Isto é, Barroso é muito bom na sala de operações, mas é um desastre no palco comunicacional – do mal, o menos. Vem isto a propósito da última crónica do sportinguista publicada hoje na “A Bola”.

A fixação por atacar o Benfica tem destas coisas, Barroso fala do que não sabe. Dizer que o Benfica está a montar uma “jaula” para os adeptos do Sporting, isso, sim, é que é uma provocação.

O Benfica mais não faz do que aquilo que já é feito em muitos estádios europeus. O objectivo é dar mais segurança às pessoas que vão ao estádio e preservar o espectáculo. Ou Eduardo Barroso desconhece o que têm sido os comportamentos das claques – todas as claques?

E não será apelar mais à violência, instigando com estas palavras um comportamento menos correcto das claques do Sporting? Barroso é uma figura pública e devia ter mais cuidado com o que diz e com o que escreve. O fanatismo deve viver-se saudavelmente e não ser exposto em doses grotescas.

O problema de Barroso não acabou aqui. Na mesma crónica criticou Eusébio por o “Pantera Negra” ter afirmado ao “Expresso” que não gostava do Sporting por este ser, em Moçambique, o “clube das elites, da polícia e dos racistas”. Eusébio não pode expressar a sua opinião? E alguém duvida que em Portugal o Sporting é o clube das elites e do antigo regime?

Por último, Eduardo Barroso, que por ter mais que fazer cuida pouco do que escreve na “A Bola”, retomou uma asneira grosseira dita por Godinho Lopes: o Barcelona e o Sporting eram os únicos clubes com títulos europeus em 4 modalidades. Mentira!!!

Como bem escreve Bagão Félix também na “A Bola” de hoje, o Benfica também tem títulos europeus em 4 modalidades: futebol (taça dos campeões europeus); hóquei em patins (taça Cers); futsal (UEFA CUP) e atletismo (taça dos campeões europeus de estrada).

Aliás, Godinho Lopes está a especializar-se em disparates. O 1º foi o de que ia vestir a camisola listada ao Mantorras – viu-se!. O 2º foi agora com este erro estatístico.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Luís Martins – o lateral do futuro

É o mais recente rosto da formação encarnada. Aliás, é um produto raro: não é fácil um “sénior de primeiro ano”, que no ano passado disputava o Nacional de Juniores, conseguir actuar na Liga dos Campeões. E com bom rendimento. Falo de Luís Martins.
Não surpreende. Já aqui o disse: na equipa de sub-19 do S.L. Benfica 2010/2011, Luís Martins foi a referência. Via-se ali algo diferente dos outros, na atitude, no desempenho, no rendimento final. No entanto, o seu trajecto está ainda a começar.
Ganhou algum mediatismo com a participação no Mundial de sub-20, onde Portugal foi vice-campeão. Nunca tremeu. Nem mesmo contra a Argentina, teoricamente a equipa mais forte do torneio, Luís Martins soube fechar o flanco em conformidade e, mais do que isso, fazer valer uma das suas especialidades: a subida pelo corredor, o cruzamento bem medido, e até o remate forte.
Trata-se de um jogador em fase de lapidação, tal o seu potencial, tal a necessidade de desenvolvimento físico. Jorge Jesus vê nele um novo "Fábio Coentrão” e, de facto, as comparações são inevitáveis. É cedo, no entanto, para vermos Luís Martins como o lateral do presente. Todavia, tem a seu favor o facto de, na prática, ser menos rebelde que o caxineiro, possuindo um temperamento mais dado ao “low – profile ”e à discrição.
No último jogo particular dos encarnados, frente ao Galatasaray, outro jovem talentoso mostrou atributos: o guardião Bruno Varela. Com apenas 18 anos foi chamado para a selecção nacional de sub-21. É um guarda-redes com uma estampa física considerável, que sai bem dos postes, e mostrança segurança nas bolas rasteiras, onde teoricamente poderia ficar a desejar dada a sua altura.
E faz-lhe bem este novo ambiente: ganhou calo, robustez, experiência de balneário com os mais velhos. Isto porque, desde há muito, há quem refira que é o guardião do Benfica e da Selecção Nacional a longo prazo.

Gil Nunes
ex-olheiro do SL Benfica
colaborador do site "Notícias do Futebol"

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

2 craques e a Champions


Nélson Oliveira (2) e Rodrigo (3) somaram 5 golos nas partidas em que representaram as selecções sub-21 de Portugal e de Espanha, em jogos de qualificação para o Euro sub-21, contra equipas de Leste: Moldávia e Estónia.

O que representa para o Benfica esta avassaladora demonstração de capacidade de fazer golos de Nélson Oliveira e Rodrigo é algo que muito em breve se irá ver. Para já, o que há a realçar é que o Benfica tem nas suas fileiras dois jovens avançados, com menos de 21 anos, que são máquinas de fazer golos.

Está aqui um filão impressionante para o Benfica. Talvez até um momento único na sua História. Uma dupla de avançados com esta margem de progressão é caso único a nível mundial.

“Deixem-me sonhar”, dizia José Torres. Julgo não se tratar de um sonho se disser que o Benfica se conseguir manter estas duas pérolas nas suas fileiras nos próximos 3 anos deu um passo decisivo para se sagrar a curto prazo Campeão Europeu.

Post-Scriptum: Godinho Lopes cometeu um erro por soberba. Dizer publicamente e, pior, durante a entrega de um prémio na presença do Presidente do Benfica, que o Sporting ia a Angola para envergar a camisola listada em Mantorras, era um risco enorme. Como se verificou, nem Mantorras apareceu na digressão do Sporting, nem o Sporting, obviamente, lhe vestiu a camisola. Pior só mesmo este facto não ter merecido uma linha nos jornais desportivos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Desculpa miúdo, estamos em Portugal

Ontem, a "A Bola" publicava uma foto de um miúdo, envergando uma camisola do Benfica, a ser impedido de entrar nas instalações de uma escola (a sua escola), em Braga. Na altura, o jogador bracarense Mossoró fazia uma visita de "charme" à referida escola e o miúdo com a camisola do Benfica estava a ser impedido de entrar nas instalações da escola (a sua escola) porque a sua presença com a camisola do Benfica vestida podia ser considerado um acto de provocação.
Isto passou-se numa escola pública, paga com o dinheiro de todos nós, contribuintes, e até agora ninguém veio a terreiro explicar este hediondo acto de segregação à boa maneira do "apartheid" sul-africano. O que diz sobre isto o ministro da Educação? E o director da escola? Claro, nada disto é importante. Importante é saber se o Alan foi ou não insultado pelo Javi.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desculpa Javi, estamos em Portugal

A Liga portuguesa pode ser uma das 5 melhores da Europa, como defende Jorge Jesus, mas está a fazer tudo para entrar mais depressa no pódio dos grandes campeonatos que se jogam neste continente.

Pode não haver tanta emoção, tanta intensidade, tanta qualidade e tanto fair-play em Portugal como em Inglaterra, mas parece que já há alguns pontos em comum. Alan acusa Javi Garcia de insultos racistas? Nada de mais. Em Inglaterra a polémica envolve Terry e Ferdinand, com a Scotland Yard a investigar.

Talvez que aqui se dispense a PJ, a PSP ou a GNR por causa dos cortes orçamentais, mas o que não se dispensa é umas boas gargalhadas sobre este assunto, não fosse dar-se o caso de isto não ter graça nenhuma. Mas estamos em Portugal, não estamos?

As luzes do super-moderno está Axa, idealizado por esse Nobel da arquitectura que se chama Souto Moura, foram abaixo 3 vezes? Nada de mais, vamos mas é investigar as acusações racistas a Javi Garcia.

Faltou água quente nos balneários de um clube que disputa uma prova europeia e foi finalista no ano passado da mesma prova? Nada de mais, vamos mas é investigar as acusações racistas a Javi Garcia.

Pedro Proença foi mais uma vez igual a si mesmo e não “viu” uma agressão de Djamal a Gaitán; não “viu” um penálti sobre Luisão (agarrado na área por um bracarense e atirado ao chão – e de que curiosamente ninguém fala); mas “viu” um penálti enganador que penalizou mais uma vez o Benfica? Nada de mais, Vítor Pereira (o dos árbitros) continua em silêncio porque o que interessa é investigar as acusações racistas de Javi Garcia. Estamos em Portugal, não estamos?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Curta é a memória

Os jornais e os jornalistas são especialistas em efemérides: hoje faz x ano(s) que…. Em 31 de Outubro, Luís Filipe Vieira cumpriu 8 anos à frente do Benfica e os jornais deram conta disso. O problema não está em se registar a efeméride, o problema está em que na voragem dos dias, nem damos conta que o tempo passou.

Oito anos parecem muito tempo, mas se formos elencar tudo o que Vieira fez neste período somos levados a questionarmo-nos: “tudo isto em 8 anos?”. É verdade. Até a nós benfiquistas nos parece tão longe e distante o dia em que Luís Filipe Vieira assumiu funções de líder do Benfica.

E no entanto vivemos 8 anos quase únicos na nossa História. Saímos de um coma que ameaçou a nossa gloriosa existência. Com a liderança de Vieira, cumprimos os compromissos que outros deixaram – uma trágica herança de dívidas, humilhações, chacota e derrota.

Limpámos o nosso vibrante nome, voltámos a ganhar credibilidade e respeito nacional e internacional. Tudo isto em 8 anos – uma tarefa hérculea, que ninguém admitia como possível. Mas a missão foi cumprida.

Já repararam que ainda não falei na obra física de 8 anos de liderança? Talvez Luís Filipe Vieira tenha a consciência de que a obra imaterial – credibilidade, respeito, dignidade -, que foi necessário recuperar, tenha sido mais complexa de erguer e tenha dado mais prazer.

É preciso lembrar sempre essa obra imaterial que foi construída ao longo destes 8 anos, porque ela não se vê a olho nu. A obra física está aí para toda a gente admirar, mas também essa é necessário lembrar e sublinhar.

A memória das pessoas é muito curta.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O menino Rodrigo

Rodrigo é o homem de quem se fala. O jovem jogador brasileiro mas com nacionalidade espanhola já tinha dado boa conta de si contra o Basileia, para a Liga dos Campeões, e contra o Portimonense, para a Taça de Portugal.

Mas os dois golos que marcou, em menos de 15 minutos, contra o Olhanense, para a 9ª jornada da Liga, fizeram voltar todos os holofotes para ele. E aqui é que reside o problema, ou melhor: aqui é que reside a obrigatoriedade de Jorge Jesus e todo o staff técnico e directivo colocarem água na fervura.

O jovem internacional espanhol pode vir a tornar-se um caso sério, mas para já é uma promessa com muito valor e com índices de progressão elevadíssimos. Torná-lo já no salvador da pátria, uma espécie de novo Eusébio em potência, é um erro grave.

O Benfica antes de Vieira foi pródigo em gerar essas expectativas, sempre que um novo e jovem jogador reluzia um pouco mais. Quem não se lembra de Akwá e de muitos outros? Mantorras poderia ter sido esse novo Eusébio, mas a história foi o que foi.

Por isso, vamos com calma e com cautela. Jorge Jesus sabe o que há-de fazer e Rodrigo sabe que para atingir o topo do mundo ainda há um longo caminho de trabalho e humildade a percorrer.

O que ninguém pode esconder é que o Benfica descobriu um diamante que está a ser pouco e pouco lapidado para ser de valor incalculável. Se não houve pressas, se Jorge Jesus tiver a paciência que sempre demonstrou para trabalhar jovens jogadores, se a Rodrigo não lhe subir a fama à cabeça, pode ser que um dia destes Jorge Jesus faça como Bella Gutmann quando chegou Eusébio e exclamou: “Este menino é ouro, é ouro”.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sinais positivos

Em paz consigo e com os outros, o Benfica vai construindo alicerces cada vez mais seguros para solidificar um ritmo ganhador cada vez mais permanente. Estabilidade é a palavra de ordem no interior do clube.

Luís Filipe Vieira sabe que os tempos são de incerteza, mas a sua estratégia garante, à partida, condições ímpares para se manter o rumo e os objectivos. O tempo não está para aventuras e Vieira sabe disso melhor que ninguém.


Uma estabilidade sempre defendida por Vieira e que agora assenta num plantel que dá todas as garantias a Jorge Jesus de êxitos em todas as frente. Na “Casa da Luz” não são precisas cimeiras ao mais alto nível a toda a hora para se resolverem os problemas. Tudo está assente em bases sólidas e credíveis.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O homem sonhou, a obra nasceu



O Estádio da Luz faz amanhã 8 anos. O número de adeptos que ali acorreram para ver os jogos, é impressionante: 9 milhões. Mas, o novo Estádio da Luz tem uma história. Uma história feita de muito trabalho, muita persistência, muito suor, muita persuasão e muito génio empreendendor.
A memória das pessoas é muitas vezes curta e, por isso, é preciso reavivar, lembrar, recordar, sublinhar muitas coisas - uma, duas, três, mil vezes. Todos os benfiquistas adoravam o antigo Estádio da Luz, mas qualquer benfiquista de boa fé percebia que se tratava de um equipamento obsoleto, desactualizado, sem as mínimas condições de conforto e de segurança.
Luís Filipe Vieira e Mário Dias perceberam que o futuro do Benfica passava pela construção de um novo Estádio. Tiveram que ouvir e ler muitos benfiquistas notáveis contra essa ideia, uns por romantismo e outros por ataque à liderança de Vieira.
Apesar de concentrado 24 horas por dia na resolução dos gigantescos problemas do Benfica herdados da gestão anterior, Luís Filipe Vieira apostou tudo na construção do novo Estádio, uma obra fantástica de arquitectura, de design, de funcionalidade e de conforto - e erguida em tempo recorde.
É com a construção do novo Estádio que começa o Benfica do futuro, mas que não esquece o passado Glorioso. Amanhã, os benfiquistas devem cantar os parabéns, sem esquecer quem foram os homens que deram asas ao sonho: Luís Filipe Vieira e Mário Dias, à frente de todos os outros.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carraça, o disciplinador

António Carraça é uma personalidade sui generis. Ex-presidente do Sindicato dos Jogadores, foi de certa maneira este seu cargo, que assumiu com protagonismo, que o catapultou para o Benfica, há uns anos atrás.

A passagem pelo clube não correu bem e saiu tão discretamente como entrou. Não criou ondas enquanto esteve fora e manteve uma postura de respeito para com o clube, o que não é muito normal nos tempos que correm.

Fez bem e isso valeu-lhe, certamente, o regresso. Veio, pela mão de Luís Filipe Vieira, para exercer algumas das funções de Rui Costa. Claramente, o maestro não estava talhado para o cargo. A sua maneira de ser, o seu estatuto ainda recente de ex-jogador, inibiam-no de exercer a autoridade junto de muitos jogadores do plantel.

Vieira viu bem a situação e, também, decidiu bem. O Presidente do Benfica fez apelo de todas as suas características de líder: não ostracizou Rui Costa, pelo contrário, dignificou o seu currículo chamando-o para junto de si; mas precisava de alguém com outro perfil para acompanhar jogadores e equipa.

O rol de nomes que foram surgindo na imprensa, apenas serviu para alimentar especulações e encher jornais. Luís Filipe Vieira nunca esteve indeciso. Ouviu muita gente, falou com muita gente, mas, por fim, decidiu com grande maestria.

Carraça é o homem certo, no lugar certo. Conhece bem a casa porque já lá trabalhou; conhece bem a personalidade dos jogadores, porque foi presidente do sindicato; é um disciplinador nato e um trabalhador compulsivo, à imagem de Vieira.

Nas actuais funções já teve de fazer valer o seu perfil de disciplinador, com eficácia, em situações que não ultrapassaram os muros do centro de estágio do Seixal, o que também joga a seu favor.

A sua personalidade também tem servido para “aplacar” alguns excessos de Jesus, com vantagens para o treinador, para a equipa e para o clube (a excepção foi Basileia). Uma última nota positiva: António Carraça tem mantido uma postura de discrição. É positivo que continue assim.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Benfica Sempre

Duas pequenas notícias passaram hoje quase despercebidas na Imprensa: o Benfica é o 8º clube europeu com mais pontos obtidos na Liga dos Campeões (antiga Taça dos Campeões Europeus). A lista é liderada pelo Real Madrid e o FC Porto é 11º e o Sporting o 48º ; o Benfica é a 28º marca desportiva europeia mais valiosa, numa lista liderada pelo Manchester United - FC Porto e Sporting não aparecem na lista.
Estas duas pequenas notícias valem por si, mas têm o condão de fazer perceber a alguns comentadores desportivos mais distraídos ou mais ignorantes que o Benfica continua a ser a maior instituição desportiva portuguesa, o mais importante clube desportivo português, o mais renomado, reconhecido, titulado e amado. Mais alguma dúvida?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Estamos conversados?

Depois de um “satisfatório” resultado no dragão – e “satisfatório” porque ao contrário dos últimos largos anos o Benfica conseguiu sair incólume de uma arbitragem que se não foi perfeita esteve longe de influenciar o resultado como sucedeu a maioria das vezes naquele recinto – vencemos na Champions.

Dizem que o adversário era menor e que o resultado devia ter sido mais dilatado. Criticam o Benfica por algum laxismo e negligência. São os mesmos que troçaram do Trabzonsport – eliminado pelo Benfica no play-off e que agora, depois de repescado para a Champions, lidera o Grupo B, à frente do Inter de Milão. São os mesmos que troçaram do Twente, eliminado pelo Benfica no play-off e que depois de ter sido campeão nos últimos anos luta pela hegemonia do campeonato holandês, tão glorificado por cá, com os históricos Ajax, PSV e Feyennord.

Por isso, o que o Benfica ontem fez foi positivo e está de parabéns. O resultado de Old Trafford? Mais uma vez se percebe que não há jogos fáceis na Champions. O Basileia é um nome a ter em conta e o empate permite que o Benfica tenha a expectativa de ganhar o grupo – o que seria óptimo, tendo em vista o sorteio do adversário dos oitavos-de-final.

Assentada a poeira dos comentários e das declarações ridículas de Vítor Pereira, Pinto da Costa, Fucile e Hulk, duas notas sobre Jorge Sousa. 1ª – como é possível que o Benfica tenha sido penalizado com o triplo das faltas, na primeira parte do jogo do dragão?; 2ª – o único erro grave de Jorge Sousa (ou do seu fiscal de linha) foi ter feito vista grossa a um domínio de bola de Hulk, dois metros após a linha final, que permitiu jogada perigosa.

E agora, estamos conversados?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Jorge de Sousa, olé!

Seria fastidioso, quase inumano, fazer a listas dos erros e das asneiras do árbitro Jorge Sousa, do Porto, que sistematicamente prejudicam o Benfica. Seria também fastidioso recordar a lista de erros e asneiras do árbitro Jorge Sousa, do Porto, que beneficiam o FC Porto.

Lembrar que foi o árbitro que expulsou Cardozo ao intervalo num célebre Braga – Benfica, que as imagens televisivas vieram mostrar nada ter feito; ou que num também célebre Leixões - FC Porto não expulsou Bruno Alves (patada nas costas de Jorge Gonçalves) e sancionou golo em fora-de-jogo que deu a vitória ao Porto; ou que sancionou um golo irregular do Guimarães que eliminou o Benfica da Taça (ver foto), são agulhas num palheiro enorme de erros e asneiras que têm sempre o Benfica como alvo.

Convido, por isso, os meus amigos benfiquistas e leitores a lembrar aqui, nos comentários, os “roubos de igreja” cometidos por este “árbitro” contra o Benfica. Mas a cereja em cima do bolo é a escuta divulgada no âmbito do processo “Apito Dourado” onde se ouve Pinto da Costa a elogiar Jorge de Sousa.

É este mesmo “árbitro” que foi nomeado para o FC Porto – Benfica de sexta-feira. Digam lá agora se isto não é mesmo uma palhaçada?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Emerson, uma "vitória" de Jesus

O jogo contra a Académica deve ter encerrado de vez a celeuma em torno da titularidade de Emerson em detrimento de Capdevila, curriculado com os títulos de campeão do Mundo e da Europa ao serviço da Selecção espanhola, La Roja.

Jesus provou, uma vez mais, que é homem de personalidade forte, não sucumbe a pressões venham elas de onde vierem. O espanhol é um nome conhecido e reconhecido em todo o Mundo, mas para Jesus valores mais altos se levantam.

Ao conferir a Emerson a titularidade e dando provas de que os nomes, por mais dourados que sejam, não são um critério para a escolha dos mais capazes de entrar na equipa do Benfica, Jesus sabia o que fazia.

Ganhou um lateral-esquerdo que promete fazer furor e, quem sabe, fazer esquecer Fábio Coentrão. Contra a Académica, Emerson demonstrou merecer a confiança de Jesus e percebeu-se que está ali um jogador a crescer a olhos vistos.

Capdevila é um jogador muito experimentado, profissional de corpo inteiro, mas vai ter de fazer pela vida. Para já, Emerson agarrou o lugar, mas o espanhol não se deve dar por vencido. Quem ganha com esta competição é o Benfica, numa posição que se temia fragilizada com a saída de Coentrão.

Jesus, mais uma vez, soube gerir um balneário e mostrou, neste como em outros casos, que na área técnica quem manda é ele.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

3 coisas sobre o Benfica - MU

O Benfica pode estar a um curto passo de voltar a ser campeão europeu. Eu sei que o futebol é feito de muitos imponderáveis e de factores aleatórios e é isso que dá magia a este jogo. Mas há alturas em que pensar atingir, de novo, o topo do futebol europeu não passa de miragem fantasmagórica – como aconteceu o ano passado com Jesus a prometer o céu e a terra -, e outras em que sonhar é bom e há razões para isso.

Esta é uma dessas alturas. Não estou a dizer que a conquista de novo título europeu se vai concretizar este ano ou no próximo. Apenas afirmo, com base naquilo que vi ontem à noite na Luz, contra o Manchester United, que o Benfica tem condições para a curto prazo poder ambicionar lutar de igual por igual por essa conquista máxima.

Para isso, é incontornável que 3 factores se conjuguem nos próximos anos. 1 – Luís Filipe Vieira interiorize a necessidade de continuar à frente do Benfica na próxima década; 2 – Jorge Jesus manter-se pelo mesmo número de anos à frente da equipa de futebol (eu sei que não somos ingleses, somos latinos, e isso faz toda a diferença); 3 – A equipa de futebol garantir um núcleo duro de jogadores de excepção por um período entre 3 a 5 anos (outra condição difícil mas não impossível).

Claro que há outros factores a ter em conta. E talvez o principal resida na resolução do processo sobre as verbas a receber pela transmissão dos jogos. Essa é uma “jogada” que está toda focalizada na capacidade negocial de Vieira. E do seu sucesso muito dependerá o sucesso desportivo futuro do Benfica ao mais alto nível.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

João Santos: uma saída previsível



João Santos já não é treinador principal da equipa de juniores do Benfica. A decisão, comunicada hoje oficialmente, era previsível: com seis jornadas realizadas, o Benfica é oitavo da tabela classificativa da zona sul com 6 pontos, equivalentes a uma vitória, três empates e duas derrotas. Na história dos encarnados não há registo de um começo de temporada assim: exageradamente mau para ser verdade.

Contudo, o inicio de época deprimente dos encarnados é apenas o fim da estrada. No ano passado, a equipa do Benfica esteve longe de ser uma ameaça a F.C.Porto e Sporting nas contas do título, e viu-se mesmo ultrapassado pelo Sporting de Braga no final.

Foi uma equipa de 2010 construída em cima do joelho, com algum talento mas sem organização, como aí ficou patente. Alguns pontos salientes: um meio – campo lento com Francisco Júnior a disfarçar o eclipse inexplicável de Ruben Pinto, e a falta de confirmação de Cafú (longe dos tempos onde brilhava no Vitória de Guimarães) e de Paulo Teles. Na ala, um dos mais promissores produtos da escola encarnada, Diego Lopes, que evoluiu ao longo dos anos a jogar a 10; Ivan Cavaleiro a extremo, com produtividade razoável, mas longe dos tempos em que era o goleador sub-17 do Restelo; na frente a presença constante de Rodrigo Cabeça e Jean Silva como homens mais avançados, isto quando foi o português Diogo Caramelo a dar crédito ao ataque, já na parte final da temporada. Também ao promissor médio Alípio Brandão, contratado ao Real Madrid, nunca se percebeu muito bem a sua condição de suplente, pois quando foi chamado aos jogos importantes agitou as hostes, com rendimento e criatividade num meio-campo desnorteado.

Só mesmo Luís Martins, vice-campeão do mundo de sub-20, soube ser um jogador com rendimento à altura dos pergaminhos do clube. De facto o jovem lateral – esquerdo foi dos poucos motivos que a equipa do Benfica teve para sorrir no ano transacto: lateral raçudo, dinâmico, com boa presença ofensiva e forte pontapé de fora da área.

Este ano impunha-se um melhor rendimento, isto porque os sub-17, campeões na temporada passada, subiram de escalão. E com um onze rotinado e quase automático: Bruno Varela; David Carvalho, João Nunes, Fábio Cardoso e João Cancelo; João Teixeira, Guilherme Matos(que saiu mas entrou André Gome, ex- Boavista e internacional sub-18, jogador de qualidade indiscutível) e Diego Lopes; Sancidino Silva, Hélder Costa e Alseny Bah. Se juntarmos a estes nomes o central Tiago Duque(ex- Sporting), o lateral esquerdo Daniel Martins, o criativo Marcelo Lopes, e os repetentes Miguel Herlein e Ivan Cavaleiro, não se encontram motivos para este começo de temporada tão negro. Era só “carregar no play”. Nada disso aconteceu: uma derrota comprometedora em Setúbal e empates inexplicáveis frente a Louletano e Portimonense causaram um espanto no seio da estrutura encarnada, que nem a injustiça da derrota frente ao Sporting atenuou.

É, de facto, um final de novela esperado. Ao leme, agora, João Tralhão, adjunto de João Santos, de Diamantino e de João Alves. É sobre este último que ainda se depara um fantasma na Luz: foi o melhor treinador do Benfica nos últimos cinco anos. Em 2008/09, sob o comando do actual treinador do Servette, o Benfica construiu uma equipa coesa e madura, muito superior a Sporting e F.C.Porto na altura. E a mesma geração deu frutos, este ano na selecção de sub-20. É bom relembrarmos o “onze base”: Pedro Miranda; Abel Pereira, João Pereira, Roderick Miranda e Mário Rui; Danilo Pereira, Leandro Pimenta, Domingos Silvério e Lassana Camará; Ishmael Yartey e Nélson Oliveira.

Nessa equipa, a existência de vários jogadores de primeiro ano foi bem trabalhada, num cenário muito parecido ao que acontece este ano. Será esse o caminho: aproveitar o andamento dos sub-18 para construir uma geração que domine durante duas temporadas.

O cenário, apesar de nada condizente com os pergaminhos do clube, não é dramático. O Benfica conseguirá apurar-se para a fase final, e depois focar atenção nos rivais directos Porto e Sporting. Aí, duas faces distintas: um Porto menos forte mas com um excelente treinador, Rui Gomes, capaz de disfarçar as debilidades da equipa; e um Sporting com o melhor plantel deste ano sob o comando de Ricardo Sá Pinto, para já uma incógnita sobre aquilo que poderá render como treinador.


Gil Nunes
Ex- Membro do Departamento de Prospecção do S.L.Benfica
Colunista "Academia de Talentos"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Obrigado A-PV


António-Pedro Vasconcelos vai deixar, a partir do dia 20 deste mês, o programa de debate desportivo Trio D´Ataque, o mais visto da televisão portuguesa. É um facto triste não só para os benfiquistas como para o futebol em geral. Apesar da sua paíxão clubística, A-PV sempre procurou e, na maior parte das vezes, conseguiu colocar o debate futebolístico vários patamares acima da mediania, para não dizer da chocarreirice.
Muitos benfiquistas não gostavam do seu estilo? É verdade. Mas ninguém lhe pode alguma vez apontar falta de nível, declarações incendiárias, intrigalhadas, má-educação, moço de recados. É por isso que já neste blogue o disse: A-PV representava o Benfica com dignidade e, como benfiquista, tinha orgulho em ser por ele representado.
Tenho muita estima e admiração por A-PV. Recorro a Joaquim Letria e à sua crónica de hoje no "Correio da Manhã" para classificar A-PV: "O futebol perde um cavalheiro". Nos últimos tempos, A-PV recebeu ataques de um ex-parceiro de comentários. Nunca respondeu - talvez um dia, olhos nos olhos: os cavalheiros são assim.
O Benfica perde um comentador que orgulha, como disse, o clube e os benfiquistas. Vamos a ver quem o substitui. Esta não é uma situação menor. Mas há outra que devemos seguir com atenção: as eleições para a FPF. Quem veste a camisola do Benfica ou é apoiado pelo Benfica tem de estar à altura do papel. Não é para todos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cardozo como Néné (e outros mal e bem-amados)

Tenho uma especial predilecção pelos mal-amados. Foi assim com Néné, o homem que não sujava os calções. Foi assim com Vítor Baptista, o maior. Foi assim com Vítor Martins, o garoupa, não mal-amado mas desafortunado. É assim com Cardozo.

O paraguaio, goleador-mor das últimas épocas, é um mal-amado do Terceiro Anel, como o foram Abel Xavier, Quim, Michael Thomas ou muitos outros estrangeiros que na loucura dos anos Vale e Azevedo aterraram na Luz – todos com razões mais que suficientes para serem mal-amados.

Cardozo não. Quase a tornar-se o maior goleador estrangeiro de sempre do Benfica, julgo que ainda suplantado, mas por pouco, por Mats Magnusson (este um bem-amado, ao contrário de Michael Maniche, um injusto mal-amado), Óscar Cardozo, ou Tacuara, é já um nome incontornável na História do Benfica.

Não corre muito? Néné também não. Não luta muito? Néné também não. Marca que se farta? Néné também… sim. Cardozo esteve ausente na primeira partida do campeonato. O Benfica empatou a 2 e perdeu ingloriamente 2 pontos.

Depois, veio o Feirense e Cardozo desbloqueou o jogo, que caminhava para um escandaloso empate. Depois o Twente provou a capacidade letal de Tacuara. Mais tarde, na Madeira, contra o Nacional, um golpe de cabeça perfeito iniciou uma vitória complicada e muito importante.

Cardozo como Néné. Os golos ao ritmo dos assobios. Mas um bocadinho de gratidão e de justiça não ficavam nada mal, pois não?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nélson Oliveira e Mika no topo do mundo

Nélson Oliveira e Mika são dois jogadores com futuro assegurado no futebol português. As suas prestações no Mundial de sub-20 não deixaram margem para dúvidas, e a sua inclusão no plantel sénior vai ser gradual, mas sólida, pois a médio – prazo afiguram-se como titulares e referências do clube.

Nélson Oliveira, o melhor jogador dos sub-20, foi recentemente considerado pelo jornal italiano “Gazzetta dello Sport” como um jogador de elevadíssimo potencial, com capacidades para num futuro próximo alcançar uma dimensão semelhante à de Cristiano Ronaldo. Depois de emprestado ao Paços de Ferreira, este ano Nélson vai por certo entrar na equipa profissional muitas vezes, até se fixar como titular. Não tenho dúvidas disso.
Também Mika tem motivos para sorrir. A forma como não sofreu golos em cinco jogos da fase final do Mundial prova que está habituado a lidar com a pressão, e nem a sua juventude o deve impedir de guardar a baliza do Benfica por diversas vezes. Na Taça da Liga, ou mesmo na Taça de Portugal, o jovem internacional – talvez já um dos melhores guarda-redes nacionais – vai poder tomar o pulso a uma baliza encarnada que será sua a médio – prazo.

Ambos os jogadores são, também, certezas da selecção nacional. Uma selecção que carece de guarda-redes e de pontas – de – lança, com o Benfica a contribuir para o preenchimento dessa carência, com um trabalho ao nível da formação que é considerado de referência. Seja como for, as jovens jóias da coroa são sempre as mais ansiadas. No entanto, a Direcção encarnada, atenta, saberá como proteger as suas pérolas. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Benfica contribui para êxito da selecção sub-20

Em jeito de caricatura, poder-se-ia dizer que a selecção nacional de sub-20 é o reflexo do país: jogo à defesa, muita contenção e, no meio da aflição, lá conseguimos marcar um golo de bola parada, ou de grande penalidade discutível. É a imagem do verdadeiro português especialista em viver na “corda – bamba”.
Mais a sério, esta selecção é um produto da visão realista do seu treinador. Ilídio Vale não construiu uma equipa de estrutura megalómana: reconheceu o sector defensivo como seu ponto forte, e fez desse atributo a principal “lança” com que vai derrotando os seus adversários. Gostando-se ou não do estilo, certo é que o técnico português nunca viveu na ilusão.
Na equipa, há muito produto das escolas de formação encarnada. Desde logo dois nomeados para o troféu de melhor jogador da competição: Danilo Pereira e Nélson Oliveira. Se o primeiro, médio-defensivo, já foi vendido ao Parma, o segundo tem presença garantida no plantel de Jorge Jesus, sendo inclusive a alternativa mais viável a Óscar Cardozo.

Em termos de rendimento, Nélson Oliveira tem, sozinho, sido um mestre na forma como lidera o processo ofensivo, lendo bem os processos de lançamento longo, e desmarcando-se com muita inteligência. Desacompanhado, tem movido montanhas, ele que conseguiu disfarçar a ausência de Saná(médio – ofensivo), por lesão, dupla que tanto êxito teve nas camadas jovens do Benfica ao longo dos anos.  As suas exibições têm, inclusive, motivado o interesse de clubes europeus, mas da Luz já veio a garantia que não vai sair esta temporada.
Em grande destaque tem estado também Mika. Apesar do estilo pouco convencional – não é o típico guarda-redes elegante – tem confirmado apetência para jogar ao mais alto nível, não acusando a pressão das grandes competições. Resta saber se é, ou não,prejudicial para o seu futuro  estar um ano sem jogar, na sombra de Artur Moraes e Eduardo. Certo é que tem maturidade suficiente para se ver como titular da selecção “A” a médio – longo prazo.

Decisão inteligente é a de manter Luís Martins no plantel sénior. De facto, o jovem lateral foi um “oásis” no meio da desordem que pautou a equipa de sub-19 da temporada passada: na Colômbia tem estado muito atento na defesa, e também astuto nas subidas pelo flanco, fazendo frente de forma destemida aos extremos que lhe apareceram pelo frente, mesmo aos argentinos, jogo onde foi dos melhores em campo.
Seja como for, o campeonato do mundo de sub-20 tem sido um bom “viveiro de talentos”. Destaque para algumas revelações, casos das sólidas selecções do Egipto ou da Coreia do Sul ou mesmo da Nigéria que, anarquia táctica à parte, tem um bom lote de jogadores. Oportunidade de negócio proveitosas não faltam. Basta estar atento
No seguimento, tomei a liberdade de construir o meu “onze ideal” do Campeonato do Mundo de Sub-20.

1-      Mika(S.L.Benfica/Portugal)

2-      Hugo Mallo(Celta de Vigo/Espanha)

3-      Nuno Reis(Cercle Brugge(emprestado pelo Sporting)/Portugal)

4-      Gonzalez Pirez(River Plate/Argentina)

5-      Lucas Tagliafico(Banfield/Argentina)

6-      Clement Grenier(Lyon, França)

7-      Oriol Romeo(Chelsea/Espanha)

8-      Luis Muriel(Udinese/Colômbia)

9-      Henrique(São Paulo / Brasil)

10-   Philippe Coutinho(Inter de Milão / Brasil)

11-   Antoine Griezmann(Real Sociedad/França)

Assinado: Gil Nunes
Ex - Membro do Departamento de Prospecção do S. L. Benfica
Colunista "Academia de Talentos"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O que é a CMVM papá?

A CMVM, para quem não saiba a Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, assim uma espécie de polícia da bolsa, resolveu pedir explicações ao Benfica sobre o negócio Roberto. Não satisfeita com as explicações resolveu pedir mais explicações.
Há instituições em Portugal que face à actividade de regulação que exercem deviam ter mais recato, mais rigor e mais independência. A CMVM é uma dessas instituições. Mas, também aqui, o bichinho mediático pega-se.
E no caso Roberto, a CMVM resolveu mostrar ao país que existia, não fosse dar-se o caso de algum português médio não saber o que é a CMVM. Pronto: os 15 minutos de fama já foram conseguidos - e, para isso, o Benfica é sempre o melhor pretexto.
Ok CMVM, agora passada a euforia mediática, vamos por os pés na terra. O Benfica vendeu Roberto e fez com ela uma mais-valia - um excelente negócio de Luís Filipe Vieira. O Benfica comunicou o negócio à CMVM. A CMVM, pelos vistos, não colocou nenhuma dúvida sobre o negócio. O negócio concretizou-se. O presidente do Saragoça, clube comprador, disse como foi arranjado o dinheiro para comprar o Roberto.
Com o país de boca aberta, alguns comentadores encartados e incomodados resolveram ironizar. E, zás, a CMVM fez um comunicadozinho para agradar aos irónicos.
Pronto: acabou a novela. A CMVM pode voltar ao seu recato. A vida continua. Já repararam nas vezes em que escrevi CMVM? Porra, que não se repita...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O "caso" Luisão

O "caso" Luisão merece tratamento com pinças. Acho bem que o Presidente tome em mãos este assunto e, olhos nos olhos, com o jogador, resolva o problema. Porque de um problema se trata, que ninguém tenha dúvidas.
Não interessa para o caso se Luisão está a ser ingrato; se está a ser calculista; se está a ser mercenário; se está a ser arrogante. O que interessa é que estamos a 2 dias de um jogo importantissimo e transcendente. Alimentar o "caso" Luisão é, antes da época começar a sério, transformar o balneário num barril de pólvora. Porque, também é preciso dizê-lo, Luisão é o líder daquele balneário. Com a saída de Nuno Gomes, com o terminar da carreira de Mantorras, com as transferências de Coentrão e Moreira, o Benfica da actualidade não tem referências. Luisão era a última e também a mais importante da última década.
O que podemos então esperar? De um ponto de vista sentimental e de adepto, que o Luisão fique - obviamente. Mas, de um ponto de vista racional, sabemos que no futebol o amor à camisola acabou. Logo, o que se espera é que, a sair (e nada ainda indica que seja esse o desfecho), Luisão tem de sair pela porta grande. Como um grande líder, como um grande campeão e como um grande capitão.
A história de Nuno Gomes não se pode voltar a repetir. Vieira sabe que tem nas mãos um processo delicado. Os benfiquistas sabem que podem confiar no Presidente do Benfica para que este "caso" não contamine a época, seja qual for o seu resultado. O que é preciso é bom senso e diplomacia, de todos os lados.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mika e não só

O Benfica contratou o guardião Mika à União de Leiria. Boa aposta. Trata-se de um guardião de largo futuro, de capacidade física evidente e bastante elasticidade entre os postes. Apesar de jovem, não tem problemas em sair da baliza, característica que revela uma precoce maturidade. Deu-se a conhecer há duas épocas nos juniores da União de Leiria, com exibições que despertaram a cobiça dos grandes, e a chamada à selecção nacional de sub-19, e depois sub-20.

Aqui não houve erros. Com Artur Moraes a titular, o jovem guardião poderá aproveitar para preparar a sucessão do brasileiro a longo – prazo, num processo que se deseja semelhante ao que aconteceu, em tempos, com a dupla Enke – Moreira.

Todavia, nem sempre a relação entre Benfica e Leiria foi pautada por certezas: há duas épocas os encarnados dispensaram Carlos Daniel, que recentemente assinou contrato profissional com os leirienses. Avançado com sentido de baliza, com apenas 16 anos e idade de juvenil foi o melhor marcador da equipa júnior, com 16 golos. Foi uma decisão discutível dado o alto rendimento de um atleta internacional, numa posição do terreno – ponta – de – lança – em que o Benfica recorre muitas vezes ao estrangeiro sem êxito. Desta forma, o clube “poe-se a jeito” de levar com a “tarte de maçã” da crítica na cara.

Numa temporada em que o Benfica contratou, e bem, André Almeida – que há duas épocas brilhou no meio – campo de um Belenenses 3º classificado na zona sul – há ainda mais um ponto a reter em Leiria: Ruben Brígido: com 19 anos foi dos suplentes mais utilizados da Primeira Liga. Tem uma visão de jogo ampla que impressiona, com técnica e capacidade de fazer assistências de forma fácil. Falo nele e lembro-me de, na última jornada de 2009/10, ter assistido Cássio para um golo frente ao F.C.Porto. Com um pouco mais de consistência poderá ser, a médio/ longo- prazo, um valor seguro do futebol português.

Voltando a André Almeida, em Belém desponta outro ”André” que sempre me chamou a atenção. Lançado há duas temporadas na equipa principal – ainda com idade de júnior - André Pires é um defesa – esquerdo agressivo no 1x1, de posicionamento eficaz e sentido de recuperação no terreno. Na ocasião foi aposta de Rui Jorge, que seguramente não o vai perder de vista como seleccionador sub-21. Parece faltar-lhe alguma maturação em termos de jogo mas Jorge Jesus, especialista em trabalho de “sapa”, poderia ter uma palavra a dizer em relação a este jogador português.

Gil Nunes
Academia de Talentos
ex-olheiro do SL Benfica

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O factor C (de Coentrão)

A transferência de Fábio Coentrão para o Real Madrid não pode ser vista apenas pelo ângulo dos milhões. É claro que são muitos milhões – 30 -, mas sendo o negócio magnífico, pelo que a sua excelência vai muito para além do material e também terá influência positiva no âmbito psicológico.

Há pouco mais de 2 anos, Coentrão não passava de uma promessa do futebol português. Uma promessa que tudo indicava iria passar ao lado de uma promissora carreira, como muitos outros de gerações passadas.

A sua ida para o Benfica via Rio Ave consistiu num flop, depois emprestado ao Saragoça e mais tarde, de novo, o regresso a casa, ao Rio Ave. A carreira ia ficar por ali, o sonho morria aos poucos e o retorno à casa de partida ameaçava ser definitivo.

Acontece que Coentrão viu passar-lhe à frente o euromilhões e agarrou-o com todas as forças. Chamado por Jorge Jesus para cumprir a pré-época, viu o treinador português adaptá-lo a lateral-esquerdo, por visão de técnico e por necessidades do plantel.

Coentrão agradeceu a confiança e partiu para 2 épocas de sonho no Benfica e na Selecção. Este é um bom exemplo para outros jovens que o Benfica tem no actual plantel, com especial saliência para Miguel Vítor: o sonho está ali ao virar da esquina.

E depois, o factor Coentrão, tão é um sinal para os jogadores que podem ver em Jorge Jesus o treinador ideal para os levar a topo do Mundo. Coentrão pode ser uma baixa importante para Jesus, mas será certamente um factor psicológico e um trunfo que Jorge Jesus pode jogar no seio do balneário.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sete nomes em sub-17

Observo o Mundial de Sub-17. Apesar de tacticamente nem sempre as partidas serem bem jogadas, esta competição é um exemplo de futebol em estado puro: por muitas indicações que se dêem, a irreverência da juventude faz com que o jogo seja ofensivo. Correm-se riscos! Como qualquer jovem que ousa desafiar o perigo sem prudência.

Na “Hora H” revelam-se os mais frios. E a Alemanha sobressai. Dos jogos que vi, dois jogadores ficaram-me na retina: o médio Sven Mende (Estugarda) e o avançado de ascendência turca Samed Yesil (Bayer Lervekusen). O primeiro é um jogador de transições violentas, que geralmente pega no jogo no meio – campo defensivo e, através de passes curtos, rapidamente aparece na zona de alimentação ao ataque. Rápido na recuperação, não perde o equilíbrio, nem a zona que tem de defender. Já o segundo é um matador por excelência. Dois golos ao Equador exemplificam o seu estilo de jogo: desmarcação em espaço reduzido, e potência de remate. Chamam-lhe o segundo “Gerd Muller”!

Fantasia não falta ao Brasil. O jogador mais mediático é Lucas Piazón(São Paulo), uma das últimas loucuras de Roman Abramovich. O jovem segue para o Chelsea em 2012, quando atingir a maioridade. Quem também não deve ficar muito tempo na América do Sul é o dianteiro Adenilson(São Paulo). Capacidade explosiva, e perspicácia na fuga ao fora – de – jogo são atributos de um jogador com um bom “killer instinct”. Deste continente provém outro jogador com muito cartel: Carlos Fierro (Guadalajara) marcou 5 golos em 5 jogos e o seu faro de golo em futebol rápido é muito apreciado em Inglaterra. Arsenal e Tottenham, diz a imprensa, estão na peugada deste diamante mexicano.

Todos os jogadores mencionados actuam em selecções competitivas. No entanto, há algumas pérolas em equipas de menor nomeada. Um deles é deveras reconhecido: Soulemane Coulibaly (Siena), da Costa do Marfim, impressiona pela forma como remata com ambos os pés, ele que é rápido e astuto na hora de finalizar. Contudo, chamo a atenção para outro jogador: Makhstaliev(sem clube) foi o pêndulo da surpreendente selecção do Uzbequistão que chegou aos quartos-de-final. Joga de cabeça levantada, tem boa capacidade de passe curto e longo, e aparece frequentemente em zonas de finalização. Uma das surpresas deste campeonato, ele que está sem clube de momento.

Gil Nunes
Academia de Talentos
ex-olheiro do SL Benfica

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O que quer Coentrão?

Facto: Fábio Coentrão tem contrato com o Benfica até 2015;
Facto: Fábio Coentrão tem uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros;
Fait divers: Fábio Coentrão disse que amava o Benfica;
Fait divers: Fábio Coentrão disse que amava o Real Madrid;

Moral da história: o Fábio Coentrão pode amar quem quiser, onde quiser e as vezes que quiser. O "divórcio" tem um valor de mercado estipulado - 30 milhões -, que podem ser pagos pelo marido, pela mulher, pela amante ou pelo amigo desta - chame-se Madrid, Chelsea ou Besiktas (o que não deixava de ter a sua piada). O resto é conversa fiada.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O sinal que faltava

Se bem se recordam há alguns dias escrevi aqui sobre as próximas eleições do Sport Lisboa e Benfica, a ter lugar em Outubro de 2012, se não houver nenhuma antecipação - que, julgo, não está, de todo, posta de parte.
Disse que, depois de uma época desportiva desastrosa, Luís Filipe Vieira poderá ter em Outubro de 2012 um concorrente de peso, o que até pode ser positivo para o Presidente do Benfica. Face a esta realidade, disse na altura que existiam já movimentações nos bastidores para encontrar o rosto de uma oposição que confronte Luís Filipe Vieira nas urnas.
Ontem, a notícia de que Jaime Antunes, empresário e ex-candidato à presidência do Benfica, tinha adquirido o jornal i, veio confirmar as minhas fundadas suspeitas: a oposição no Benfica está a mexer a grande velocidade.
Luís Filipe Vieira, com uma época desportiva pela frente de resultado incerto, não pode distrair-se. Continua a merecer todo o crédito da maioria dos benfiquistas, mas como ele saberá melhor que ninguém o futebol é uma caixinha de surpresas e a gratidão uma palavra vã.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O que importa lembrar

No dia de arranque de uma temporada que se espera de sonho, mais do que falar sobre jogadores, novos e velhos; mais do que falar sobre reforços e promessas; mais do que repetir a mesma loa todos os anos: “estamos mais fortes; vamos trabalhar mais; temos tudo para ganhar” – o importante é enfatizar, mais uma vez, e todas as vezes são poucas, que toda aquela gente que hoje chegou ao Centro de Estágio do Seixal entrou no Benfica.

É isso e mais nada: todos entraram no Benfica, e isso faz toda a diferença. Daqui a pouco ou muito tempo, uns ficam e outros vão embora; uns desiludem e outros tornam-se ídolos. Mas o Benfica será sempre o Benfica.

E por isso, o que importa é dar a conhecer a todos as palavras de Santiago Segurola, director-adjunto da Marca, em artigo recente: “A história não esquece o Arsenal do WM, a fabulosa Hungria de Puskas, Hidegkuti e Boszik, o formidável Madrid de Di Stefano e Puskas, o grande Benfica de Eusébio e Coluna, o inolvidável Brasil do México 70, o revolucionário Ajax de Cruyff, o Milan que desenhou Sacchi para Baresi, Maldini, Rijkaard, Gullit e Van Basten, o delicioso Barça dos primeiros anos 90. Todas estas equipas reinam no futebol pelo muito que ganharam, mas sobretudo porque o fizeram com estilo e ambição. Muitos outros conquistaram títulos (…), mas os seus troféus valem menos na memória dos adeptos”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Selecção sub-20 encarnada

Ilídio Vale, seleccionador nacional de sub-20, já deu a conhecer a lista de convocados para o Mundial da Colômbia, a realizar em Julho. No lote, há a registar a presença de jogadores formados no Benfica, e mesmo de um futuro reforço: Rafael Lopes – contratado ao Varzim.

Comecemos por este último caso. O “Fellaini da Póvoa” é um avançado possante, que joga bem de costas para a baliza, com faro de golo. Este ano subiu aos seniores, e ultrapassou a dezena de golos, depois de na época transacta, nos juniores, ter mostrado sinais inequívocos de que tinha potencial. Boa contratação encarnada, a pensar o futuro. Mas não deverá ser titular na Colômbia.

O camisola “9” deverá ser Nélson Oliveira. Trata-se do jogador, juntamente com Roderick Miranda, com mais possibilidades de se afirmar na equipa sénior encarnada. Alto, robusto e móvel, é dotado de boa técnica, e faro goleador interessante como ficou provado este ano em Paços de Ferreira. Foi campeão nacional sub-17 pelo Benfica, e 2º melhor marcador da época passada em sub-19, jogando apenas em metade da época!

No miolo, a presença encarnada também é importante. Lassana Camará rumou à Suiça para representar o Servette, depois de duas épocas como titular nos sub-19. Jogador rápido, de arranques bruscos, um pouco diferente de um mais tecnicista Sérgio Oliveira(F.C.Porto), o seu rival directo nas contas do Mundial. Também no miolo, o médio de transição Danilo Pereira: jogador robusto, de grande poderio físico, viu o seu potencial reconhecido pelo Parma, que o contratou esta temporada, emprestando-o posteriormente ao Aris de Salónica, da Grécia.

Do lado esquerdo, os dois laterais são benfiquistas: Luís Martins e Mário Rui. Mais hipóteses para este último – formado no Sporting e Valência antes de rumar à Luz – que rumou a Fátima esta temporada para confirmar os seus atributos: jogador rápido, que sobe bem e recupera em conformidade. Já Luís Martins foi o melhor na atribulada época sub-19 encarnada: inteligente na cobertura do flanco, tem uma característica que o difere de Mário Rui: cruza melhor. Foi o único benfiquista que fez parte do “11 ideal” do jornal “O Jogo”.

Falta Roderick Miranda. Faz parte de uma boa geração de centrais portugueses – acompanham-nos Aníbal Capela(Braga) e Nuno Reis(Sporting), e destaca-se pela forma como marca os adversários. Dá-lhes pouco espaço de manobra. E, sendo alto, é muito difícil de ultrapassar no jogo aéreo.

Neste “ramalhete” encarnado, só falta mesmo a posição de guarda-redes. Todavia, a não representação encarnada neste sector é justa: de facto, o Benfica não tem apostado em guardiões portugueses nos sub-19 e, quando o tem feito, os mesmos não têm tido o rendimento desejado. Neste aspecto, nada a dizer às escolhas de Ilídio Vale.

No rescaldo, dois jogadores “morreram na praia”: Ruben Pinto e Evandro Brandão. O primeiro é um médio – criativo, com faro de golo, que vai ter oportunidades de se mostrar a Jorge Jesus na pré – época. Já o segundo – que se formou no Manchester United e no Benfica – renasceu em Gondomar com muitos golos. Trata-se de um jogador que se desmarca bem, sobretudo entre os centrais. A ter em linha de conta para o futuro.

Gil Nunes
Colaborador do site Academia de Talentos
ex-membro do departamento de prospecção do SL Benfica

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O teste da AG

No meio da revoada de nomes de jogadores que todos os dias inundam os jornais desportivos – nada de invulgar no Benfica, como há tempos escrevi e disse que “o Benfica tem de saber viver com isso” – uma AG rotineira transforma-se em notícia de destaque.

Tudo porque Luís Filipe Vieira terá sido contestado por alguns sócios em virtude da má época do Benfica. O problema é que nada disto me surpreende nem me causa qualquer perplexidade.

Não estive na AG, embora tivesse toda a autoridade estatutária para lá estar e usar da palavra. Talvez um dia isso aconteça, mais cedo que tarde. Vieira sabe do que a casa gasta e a pífia contestação era algo que já se previa.

Não tanto pelo desempenho da equipa de futebol, que na verdade foi miserável – mas o que passou passou e é preciso olhar o futuro. O que na verdade está por detrás desta contestação, pífia, digo eu, são as eleições no próximo ano.

Venho a escrevê-lo aqui há muito tempo. As movimentações no Benfica estão aí mas não à vista de todos. Fazem-se nos bastidores e em espaços reservados. A AG foi mais um momento para testar a força de uns e outros.

Devo dizer que esperava mais da (suposta) oposição. Aliás, Vieira fez aquilo que devia fazer - deu a cara, com coragem, sabendo que podiam surgir, como surgiram, vozes contestatárias. É a democracia no Benfica a funcionar. Enquanto outros se escondem, Vieira foi à AG sem medo, depois de uma época desastrosa.

Os próximos meses prometem ser intensos no que a contratações de jogadores diz respeito, mas também no que diz respeito às eleições do próximo ano. Ou muito me engano, ou prepara-se uma entrevista de longo fôlego a alguém que se quer posicionar para liderar o Benfica.

Luís Filipe Vieira tem ainda consigo todos os trunfos para abraçar um novo mandato à frente do Benfica, mesmo que (e longe vá o agoiro) por qualquer funesta razão a época não corra como se deseja.

Nos próximos artigos, irei dizer quais são os trunfos de Vieira, e levantar a ponta do véu sobre o que se está a preparar nos bastidores.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Benfiquislândia

Desde 2002, a Islândia apostou num trabalho de base que hoje está a obter óptimos resultados. Veja-se a conquista da qualificação para a fase final do Europeu sub-21, onde Portugal não estará presente. Os comandados de Sverisson, imagine-se, eliminaram os alemães da fase final. E recentemente foram a Inglaterra, num jogo amigável, ganhar por 2-1.

Em Portugal, olha-se com alguma desconfiança para este surto de desenvolvimento nórdico. E os clubes ditos “grandes” deveriam olhar com particular atenção. A liga islandesa não é muito competitiva, mas as suas estruturas de base estão bem preparadas. Veja-se, por exemplo, o facto de todos(sem excepção) os técnicos terem curso de treinador UEFA nível B. Ou seja, não se trabalha à toa, não se trabalha com carolice.

Mais do que uma oportunidade para disputarem campeonatos mais competitivos, a entrada na liga portuguesa de jogadores da Islândia pode ser vista como um potencial bom negócio. Veja-se o que está a acontecer com Gudmundsson (Az Alkmaar, da Holanda) disputado por clubes ingleses de topo, bem como Birkir Bjarnason (Viking, da Noruega). A entrada em Inglaterra é vista pelo jovem islandês como objectivo principal, mas os clubes de “Sua Majestade” preferem testa-los em ligas menos competitivas, a fim de aquilatar o seu potencial.

Seria de pensar uma aproximação de clubes como o Benfica a estes mercados. A liga portuguesa, não estando ao nível competitivo que a inglesa, pode representar uma estrutura competitiva mais convidativa que campeonatos da Dinamarca, Noruega ou mesmo Holanda. Depois, um problema agradável: a rentabilização do activo, ou mesmo o aproveitamento ao nível sénior, quem sabe?

Para além da aproximação à Federação Islandesa, existe o maior clube islandês – o Akranes – responsável por grande parte da formação destes jovens. Muitos deles já com carreiras firmadas em Inglaterra: são os casos de Emillson (Liverpool), Gunnarsson (Coventry) e Sightorsson (Newcastle). Circunstâncias mais do que suficientes para um olhar atento, e uma primeira tomada de pulso.


Gil Nunes

Colaborador de "O Jogo"
Colunista do site Academia de Talentos
Ex-elemento da prospecção do SL Benfica
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