quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O TÍTULO EM 2009: BOM ANO PARA TODOS


O "O INFERNO DA LUZ" DESEJA A TODOS UM FELIZ ANO NOVO/2009. E A TODOS OS BENFIQUISTAS UM 2009 COM O TÍTULO DE CAMPEÃO. SIM, O TÍTULO!!!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Uma no cravo, outra na ferradura

Bem sei que em tempo de férias natalícias, as notícias são raras. O problema agrava-se nos jornais desportivos. Ora, jornal desportivo que se preze sem notícias do Benfica é igual a monte de papéis sem valor, desprezado nas prateleiras dos quiosques. Esse perigo, nenhum dos nossos diários da bola quer correr.
Até aqui, tudo bem. O que já não é normal (ou será? é inventarem-se notícias para vender papel nestas alturas de míngua de fontes. Das duas uma, ou a invenção é gratituita, estilo “atirar o barro à parede”, ou as fontes consultadas são tudo menos idóneas.
Ontem, o Record noticiava que Suazo não iria disputar o jogo com o FC Porto, no Dragão, a 8 de Fevereiro. Segundo o jornal, o jogador hondurenho será convocado para o jogo da sua selecção contra a Costa Rica, a 11 de Fevereiro. Ora, ainda segundo o mesmo jornal, como os regulamentos da FIFA obrigam o clube a disponibilizar os jogadores 5 dias antes da partida, Suazo estaria assim fora do clássico.
Hoje, a “A Bola” dá uma versão diferente. Afinal, Suazo joga no Dragão. O hondurenho apenas tem de estar disponível para o jogo da selecção 48 horas antes, o que lhe permite jogar contra o FC Porto.
Outro exemplo. Diz a “A Bola”, em notícia de capa: “Quique Flores quer um novo médio-centro”. Diz o “O Jogo”: “Águias não vão reforçar-se”. Para mentira, mas é verdade. E a questão mantém-se: quem está a mentir? quem está a falar verdade?.
Tudo isto parece de somenos, mas não é. E uma coisa é certa: se os leitores são prejudicados, o Benfica também o é…
Já agora, o “O INFERNO DA LUZ”, que também tem as suas fontes, arrisca dizer: Suazo joga contra o FC Porto; o Benfica está no mercado para tentar retocar o plantel.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Luís Garcia por Di Maria


A poucos dias de abrir o “mercado de Inverno”, o Benfica está nas bocas do Mundo. Como sempre, aliás. Do que vamos tratar não é sobre o castigo a Nuno Gomes, nem sobre a fraudulenta arbitragem protagonizada por Pedro Henriques, mas sim das mexidas que se adivinham no plantel do Benfica.
O “mercado de Inverno” promete. Rui Costa já afirmou que não pretende nenhuma “revolução”, mas acertos e retoques são quase obrigatórios. Desde logo, a questão dos laterais. Para atacar o que resta de primeira volta e toda a segunda, o Benfica precisa de reforços para as laterais, direita e esquerda.
O mercado brasileiro deve ser o escolhido, e a abertura para ceder Léo ao Fluminense ou ao Santos deve ter como contrapartida a contratação de um lateral-esquerdo, jovem e de provas dadas, para fazer companhia e concorrência a Jorge Ribeiro.
Depois, a ala direita. Só Maxi é curto. Também é preciso reforçar esta posição, sob pena de bater o infortúnio à porta e termos que remendar esta posição em altura crítica do campeonato. É melhor prevenir que remediar.
Quique já disse que não precisa de mais nenhum guarda-redes. E é verdade, não precisa. Com Moreira, Quim e Moretto, a posição está assegurada, … para a competição interna.
Passemos ao meio-campo. Aqui, era importante descobrir alguém que pudesse “fazer” de Pablo Aimar. Mais um nº 10 era preciso. Claro que um jogador com estas características não se encontra facilmente, não deve estar livre e o seu preço é sempre proibitivo. Três razões para parecer quase impossível contratar alguém que “pense” o jogo quando Aimar estiver indisponível. Carlos Martins é um jogador com outras características e também tem estado fisicamente inferiorizado.
Impossível? Talvez, se o nosso director desportivo não se chamasse Rui Costa. Assim, tudo é possível.
Mas a grande “troca” deste mercado de Inverno no Benfica deve ser a de Di Maria por Luís Garcia. O “delantero” do Espanhol de Barcelona está, de novo, no mercado. O clube espanhol está no 18º lugar da Liga espanhola, nos lugares de descida, e precisa de encaixar dinheiro.
É certo que Luís Garcia, que esteve nos planos do Benfica no início da temporada, é o melhor marcador da equipa, com 3 golos, mas não quererá cair na segunda divisão e tudo está a tentar para ser libertado.
O sucesso desta operação não pode ser separado do que suceder a Di Maria. O extremo argentino, jogador de selecção, é pretendido pelo Real Madrid, embora não possa ser utilizado na “Champions”.
Os “merengues” estão na disposição de pagar por ele 21 milhões de euros, dos quais 90% para o Benfica e 10% para a Gestifute, de Jorge Mendes. Com esta verba, o Benfica estava em condições de dispor de 9 milhões de euros para ir buscar Luís Garcia, um dos “pedidos” de Quique Flores.
Certo, certo é que Rui Costa vai ter um mês de Janeiro muito agitado, mesmo sem nenhuma "revolução" em curso, como todos desejamos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A revolta do Rui é a NOSSA revolta

Rui Costa deu voz à indignação dos benfiquistas. Fez bem. “Há limites para tudo”, disse a “A Bola”. Ninguém quer que o nosso director desportivo se torne um dirigente “arruaceiro”, como o próprio disse que não o será, em entrevista à Benfica TV.
Mas os benfiquistas também não querem que o silêncio sobre os prejuízos que a equipa sofre em campo por decisões erradas da arbitragem sejam entendidos como um sinal de que “quem cala consente”.
Não, definitivamente não. Desde o início da época que o Benfica tem sido perseguido pelas arbitragens. Não devemos ter medo das palavras. Em Vila do Conde, na 1ª jornada, foi escamoteado um penálti sobre Aimar, e desde aí tem sido um fartar vilanagem.
Rui Costa conhece bem os bastidores do futebol português. Sabe que, ao contrário de outros países e de outros campeonatos, em Portugal é importante não ficar encolhido quando as malfeitorias do “sistema” nos tocam à porta.
Habituados a ser subservientes ao poder, os “homens do apito” não percebem posturas mais civilizadas e mais cordatas. Rui Costa é um homem do futebol mundial. Trata por tu os grandes nomes dos relvados e dos gabinetes presidenciais.
Mas tem de perceber que Itália não é Portugal. Aqui, a civilização ainda tarda a chegar ao futebol português. Rui Costa quer mudar mentalidades. Ainda bem. O Benfica quer mudar mentalidades, quer um futebol mais transparente, mais sério, mais civilizado.
Isso não quer dizer que não perceba as regras do jogo. Em Portugal, as regras do jogo ainda são aquelas que vigoram há muitos anos, como se viu no final do jogo entre o FC Porto e o Marítimo. O túnel das Antas só mudou de nome, agora é túnel do Dragão, mas os métodos são os mesmos.
O Benfica tem de dizer presente nesta “guerra”. Queremos ser diferentes, mas não queremos passar por burros, nem coitadinhos. Enquanto o futebol português não for uma casa de gente séria, Rui Costa tem de dar a cara em defesa de um clube e de um grupo de trabalho que exige a denúncia de todas as malfeitorias, como a que se consumou na Luz, contra o Nacional.
Não calaremos a indignação e a revolta. As tréguas acabaram. Exigimos arbitragens justas, sérias, idóneas. Rui Costa foi a voz da indignação e da revolta dos benfiquistas. Gostamos de o ouvir. Que a voz nunca lhe doa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Roubo na Catedral

Benfica - 0; Nacional - 0 - Em tempos idos, José Maria Pedroto chamava-lhes “roubos de Igreja”, expressão que ficou célebre, embora tenha servido mais para anatemizar o Benfica perante os adeptos portistas e começar a construir o “sistema” do que para manifestar legítima indignação perante qualquer erro arbitral.
Depois do que vi ontem à noite na Luz, lembrei-me da frase de Pedroto para, glosando-a, dizer que o que o árbitro Pedro Henriques fez ao anular um golo limpo ao Benfica não foi um “roubo de Igreja”, mas sim um “roubo na Catedral”.
Já nos descontos, com muita gente dentro da área, a bola andou ali aos trambolhões até tabelar no corpo de Miguel Vítor estendido no chão (penálti) e ressaltar para o pé de Cardozo, cujo pontapé fulminante levou a bola como uma bala para dentro da baliza do Nacional da Madeira. Golo limpo, golo anulado. Vá lá saber-se porquê…
Acreditar que um erro deste tamanho resulta de incompetência, de lapso involuntário, de falha humana por defeito de visão ou por qualquer outra lacuna, técnica ou física, é acreditar no Pai Natal.
Pedro Henriques tem boa imagem junto da opinião pública, e boa imprensa. Já o apelidaram de o árbitro mais “inglês” de Portugal, em virtude do critério amplo que utiliza ao ajuizar os lances. A carreira de militar deu-lhe a áurea de incorruptível e de não pressionável.
Tudo isto é verdade, mas ontem Pedro Henriques manchou a sua folha para sempre. Quero acreditar que ficou perturbado por isso e mesmo desnorteado. Sentiu o erro tremendo que tinha acabado de cometer.
Só isso explica que, segundo relatos públicos, tenha expulso Nuno Gomes depois do jogo acabar, por alegadas palavras menos próprias do avançado do Benfica. Pedro Henriques, nesse gesto, demonstrou a sua baixeza e a sua falta de carácter.
Nuno Gomes tem vindo a passar momentos difíceis na sua vida familiar, por causa da doença de seu pai. Apesar isso, não pediu dispensa para não jogar. Ontem, mesmo afectado, ajudou o Benfica, com a sua determinação, a sua coragem, o seu carácter. Tudo aquilo que Pedro Henriques não tem.
O que escrevi não invalida que o Benfica tenha feito uma má primeira parte. Onde foi notória a falta de um 10, dada a ausência de Aimar (no banco) e de Carlos Martins (lesionado). A segunda parte foi algo melhor, mas mesmo assim longe do que o Benfica pode e deve fazer.
Quique diz que não acredita no mercado de Inverno, mas vai ser preciso retocar o plantel, sem fazer “revoluções”, como muito bem disse Rui Costa. Fugiram dois pontos, mas vamos em primeiro. E candeia que vai à frente, alumia duas vezes. Foto: José Manuel Ribeiro (Reuters)
Ficha do jogo
12ª Jornada
Benfica - 0; Nacional da Madeira - 0
Estádio da Luz (Lisboa)
Árbitro: Pedro Henriques (Lisboa)
Benfica: Moreira; Maxi, Luisão, Sidnei e Jorge Ribeiro; Yebda, Katouranis, Ruben Amorim e Di Maria; Suazo e Cardozo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Bom Natal: a prenda chega em Maio

"O INFERNO DA LUZ" DESEJA A TODOS OS BENFIQUISTAS UM BOM E FELIZ NATAL E QUE RECEBAM NO SAPATINHO A PRENDA MAIS DESEJADA: A FAIXA DE CAMPEÃO.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Aprendam a lição

José Augusto, a velha glória, “magriço”, protagonista de páginas de ouro do futebol português, no Benfica e na Selecção, colocou o dedo na ferida, como aqui se demonstra. Premonitoriamente, quase adivinhando o descalabro, disse ontem, antes do jogo com o Metalist para a Taça UEFA, que o discurso do treinador espanhol Quique Flores, ao dizer que o objectivo era a “Champions” (o que na prática significava que bastava ser segundo no campeonato) não era representativo da história gloriosa do clube.
José Augusto sabe do que fala. Ele foi um dos elementos da mais poderosa linha avançada do futebol português de todos os tempos, e uma das linhas avançadas mais célebres do futebol mundial: Eusébio, Coluna, Simões, Torres e José Augusto. Foi protagonista de inúmeras noites europeias de glória. Bi-campeão europeu, o célebre extremo tem hoje na estrutura do Benfica um papel acrescido de importância junto das bases (isto é dos sócios e adeptos) pois foi recentemente eleito presidente da Associação das Casas do Benfica, pelo que as suas palavras merecem muita reflexão.
“Primus inter pares”, “Campeão entre campeões”, José Augusto exigiu mais ambição e dirigiu as suas palavras ao treinador espanhol. Horas depois, numa Luz vazia e fria, o Benfica escreveu uma das páginas mais negras da sua história ímpar.
Não vale a pena dizer que há que ser racional e pensar que era impossível atingir a marca de 8 – 0. José Augusto explicou que isso não é assim e em futebol tudo é possível. Mas pior é que ninguém vai apagar da história este resultado nem este desempenho, como não apagou os 7-0 de Vigo, nem as eliminações do FC Porto aos pés do Wrexham ou do Artmedia.
No final do jogo, Quique modificou o discurso. Ainda bem que o fez. A cultura de exigência, transmitida no discurso presidencial de Natal, ainda não foi totalmente absorvida, mas precisa de o ser rapidamente, antes que seja demasiado tarde.
Na tribuna, a cara de poucos amigos de Rui Costa dizia tudo. O director desportivo, depositário da alma benfiquista, que recebeu de Eusébio, José Augusto, Vítor Martins, João Alves, Diamantino e Chalana (para só falar daqueles que continuam presentes no dia-a-dia do Benfica) tem muito para falar com Quique Flores.
A poucos dias de um jogo de importância vital, contra o Nacional da Madeira, na Luz, é tempo de cerrar fileiras, de levantar a cabeça, mas também de reflectir muito. Ninguém espera outra coisa que não seja o título. Ambição nas palavras e nos actos, é o que os benfiquistas exigem. Para não ter de começar tudo de novo.

PS1Este texto ignora o resultado de ontem à noite na Luz. O futuro começa segunda-feira à noite, na Catedral.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pela boca (às vezes) morre o peixe

Myron Markevic. Quem? Pois é, o nome não diz nada a quem segue o futebol europeu. Aliás, este treinador do Metalist nem existe no “quem é quem” do futebol. Porquê então estarmos a falar desta criatura?
É que, na conferência de imprensa de ontem a projectar o jogo de hoje da Taça UEFA contra o Metalist, Myron Markevic disse que pensar que o Benfica podia ganhar por 8 – 0 (a marca mínima para aspirar a seguir em frente) era uma “piada e uma anedota”.
O senhor está no seu direito de dizer o que quiser, mas podia ser polido, diplomático e sensato, já que inteligente sabemos que não é. Não contente com isto, Markevic ainda disse que o Benfica devia ter pensado no apuramento mais cedo e não agora, no último jogo da fase de grupos.
Eu sei que cada um toma o chá que lhe dão em pequenos, mas as palavras ficam com quem as profere. É difícil e é uma missão quase impossível, mas gostaria de ver a cara e ouvir as palavras do senhor Markevic no final do jogo, se o Benfica espetasse 8 – 0 ao Metalist. Pode ser que pela boca morra o peixe...
Por outro lado, gostaria também que alguém do Benfica metesse o treinador Markevic na ordem mas às vezes parecem mais entretidos a responder a jogadores como Óscar Cardozo que apenas mostrou que é um grande profissional e que não gosta de ficar no banco. Quanto a Myron, não é difícil adivinhar que com esta postura, a sua carreira no futebol europeu não vai deixar grandes marcas positivas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cartas do Diabo (11)

Viva,

Pois é. O Benfica tem sido dominado há anos pela comunicação social e por erros de arbitragem. A teoria de que com a equipa certa, com os jogadores certos, com o treinador certo vamos lá, é uma teoria FALIDA, como tenho repetido.
O Benfica não ganha ao Leixões nos 90 minutos, nem nos 120 minutos, por várias razões. Porque o adversário joga acertado e continua em momento de grande confiança. Porque choveu em boa parte do jogo e isso torna o nosso jogo mais dificil de assentar (este aspecto piora quanto melhor for a nossa equipa e agora temos uma, talvez a melhor equipa dos últimos anos). Porque o árbitro geriu os ritmos de jogo assinalando faltas contra o Benfica que não são, e porque não assinalou algumas a favor do Benfica que eram. Porque o árbitro foi condescendente disciplinarmente com alguns jogadores do Leixões e não o foi com alguns jogadores do Benfica. Porque o árbitro não assinalou 1 penalty a favor do Benfica.
Isto é, meu caro: você e toda a nação benfiquista têm de se habituar a perder pontos com equipas que jogam bem. E aí nada a fazer só há que dar mérito ao adversário. Ganhar TODOS os jogos, meu caro, nem com o Eusébio. A questão é que hoje a comunicação social COBRA do Benfica como não cobra do Sporting e do FCPorto. O Benfica praticamente só pode ganhar a Liga. Sim. E o Sporting o que pode ganhar mais? A "Champions"? Por amor de Deus, já li hoje tanta coisa acerca disto que fico banzado. Então a época do Sporting pode ser melhor que a nossa, eles que estão 3 pontos abaixo e 4 derrotas internas a mais?
A facilidade com que a depressão chega aos benfiquistas é apenas reflexo da comunicação social que temos. Os da TVI deram-se ao desplante de nem passarem as palavras graves do treinador do Maritimo: "O Xistra pediu desculpas ao Caneira quando lhe exibiu um cartão amarelo. E o 1º golo do SCP nasceu de uma falta assinalada a favor do SCP quando era favorável ao Marítimo".
Estamos a falar do mesmo Xistra que apitou em Guimarães como se sabe, expulsando o Reyes por 2 faltas de "caca", perdoando uma patada no Suazo, uma entrada a pés juntos sobre o Aimar e um penalty sobre o Aimar.
O que fez a Direcção do Benfica ou o Rui Costa? ZEROOOOOO .... e como quem cala consente, o Olegário voltou a arbitrar o jogo com o Leixões, voltou a errar a favor do Leixões e nós é que fomos eliminados, apesar do Moretto ter feito 1 única defesa em todo o encontro.
Ou seja. Quando a gente assiste domingo a domingo ao escandaloso critério disciplinar dos árbitros, ao 7º ou 8º penalty sonegado ao Benfica em apenas 14 jogos (taça e liga), e ninguém protesta, o que quer que se faça? Há-de haver algum jogo que a equipa não consegue ser superior a tudo isso. Voltou a acontecer com o Leixões.
Mas espere lá. O Leixões não era a grande revelação do campeonato? Ah. Foi quando ganhou ao FCPorto e ao Sporting, ou seja até jogar com o Benfica, agora não é tanto. Quem faz a diferença? A comunicação social, ou não?
Há 15 anos que digo o mesmo: com esta arbitragem nem com 11 Cristianos Ronaldos ganhamos a Liga. E NINGUÉM do Benfica faz nada. Falem, porra, falar não paga imposto e o Paulo Bento fala como ninguém e quem foi ouvido na CD da Liga foi o Rui Costa por qualquer coisa que se passou com o árbitro do Setúbal (mais um roubo, expulsão perdoada a 10 minutos do final a um setubalense).
Eu acredito que você deve pensar "será que este gajo só vê árbitros"? Claro que não. Mas pergunto: onde é que você viu um jogador do FCPorto levar uma patada na cara e o adversário não ser expulso? O que aconteceu ao Sougou, da Académica, na entrada a pés juntos sobre o Fernando, do FCPorto? Porque é que Jorge de Sousa se enganou tanto contra o Setúbal e a favor do FCPorto nas faltas a meio campo (comentário de "A BOLA")? Porque razão Bruno Paixão não assinalou penalty a favor do Braga contra o Sporting após carga de Postiga sobre Meyong? Porque razão não assinalou penalty a favor do FCPorto contra o Sporting por atropelamento de Hulk por parte de Rui Patrício? Porque razão o Olegário não viu o leixonense jogar a bola com o braço no jogo da Liga e não viu o Nuno Gomes primeiro ser agarrado pela perna e depois ver a bola cortada com um braço pelo adversário? Porque razão na mesma situação o Elmano Santos marcou penalty a favor do FCPorto contra a Académica?
Há coisas que SÓ SE PASSAM COM O BENFICA. E a Direcção do Benfica não faz NADA. O ano passado foi igual. Já disse e repito: o Benfica só ficou em 4º porque o Sporting teve MAIS 7 penaltys do que nós, a quem nos foram ROUBADOS uns quantos em vários jogos (Leixões 2 vezes, Guimarães na Luz, Braga na Luz, Boavista no Bessa, etc). E agora? Estamos melhor cá dentro, em parte é verdade. Mas fizemos uma época miserável na UEFA depois do brilharete da eliminação do Nápoles.
O Benfica para ganhar com consistência tem de actuar em 3 vertentes: modelo de jogo (agora sim, está bem, nunca 2 pontas de lança enquanto jogarmos com médios alas de raiz), comunicação social e arbitragem. Enquanto o Benfica não fizer força e mostrar que sabe o que os árbitros andam a fazer e o que os jornalistas andam a escrever... Porque razão os 5 do Barcelona ao Sporting não foram 1ª página da BOLA e RECORD, mas os 5 do Olimpiacos ao Benfica já foram?
Enquanto nós não lhes mostrarmos que já não andamos a dormir, é isto que você vê e expressa: só se pensa em ganhar, entra-se em depressão por cada insucesso, saturamo-nos rapidamente de treinadores e certos jogadores, há intranquilidade que impede o sucesso, etc, etc

Cumprimentos,
Gaspar Costa
Sócio do SL Benfica

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Obsessão Benfica

Um jovem jogador do FC Porto, já imbuído do espírito da casa, afirmou hoje que “o Benfica é a nossa obsessão”. Já todos tínhamos entendido isso há muito tempo. Desde os cânticos insultuosos, jogue o FC Porto com quem jogar, ao Benfica, até às provocações baratas do “líder supremo”, no dragão a “obsessão” está identificada desde décadas.
Poderíamos estar aqui a teorizar sobre o assunto e encontraríamos em muitos compêndios de psiquiatria pistas para a doença. Cura já não há. O FC Porto é um clube regional, mas gostava de ser nacional. O destino traçou-lhe o caminho e cerceou-lhe a ambição. Os seus dirigentes foram de vistas curtas e os adeptos aceitaram a sentença. O complexo de inferioridade é que continuou a germinar dentro de portas. O jovem jogador do FC Porto, autor da frase acima citada, mais não fez do que dar voz a esse complexo.
Mas esta obsessão tem outras facetas e outros protagonistas. Também hoje se ficou a saber que a Federação tenciona modificar o regulamento da Taça de Portugal. Não deixa de ser irónico que esta intenção seja pública após a eliminação do Benfica da Taça.
Os responsáveis da Federação equacionam mesmo introduzir uma fase de grupos, a exemplo do que acontece na Taça da Liga. Sem o Benfica em prova, a preocupação dominante em sede federativa é a diminuição galopante das receitas dos jogos, sendo que 1/3 reverte para os cofres à guarda de Gilberto Madaíl.
É esta a força do Benfica. É esta força que tem de ser respeitada por todos os intervenientes do futebol português. É esta força que nos dá a confiança de que, por muito que tentem, ninguém pára o Benfica.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Uma vergonha que precisa ser denunciada

Leixões - 0; Benfica - 0 (5-4 em grandes penalidades), Taça de Portugal. O futebol português é uma vergonha. Os árbitros portugueses são uma vergonha. O que se passou mais uma vez ontem à noite em Matosinhos, no Estádio do Mar, deve obrigar o Benfica a uma posição dura.
O senhor Olegário Benquerença, que não validou um golo ao Benfica depois da bola ter entrado na baliza de Baía, fez mais uma vez a vénia ao "sistema". Para a história fica a eliminação do Benfica frente ao Leixões para a Taça de Portugal, nos penáltis, mas fica também na memória dos adeptos uma página negra do futebol português.
Três penáltis claros por assinalar na área do Leixões, sendo que o penálti sobre Nuno Gomes é algo que ultrapassa qualquer tipo de tolerância. Para além disso, e depois de 7 amarelos no Funchal, na última jornada do campeonato, o Benfica volta a ser massacrado com cartões amarelos, desta vez foram 5. Não contente com isto, o senhor Olegário deixa por mostrar o segundo amarelo ao defesa direito do Leixões, Vasco, após faltas consecutivas sobre Reyes.
Praticamente fora da UEFA e agora fora da Taça de Portugal, o Benfica tem de concentrar-se completamente na Liga, o principal objectivo da época. A equipa esteve empenhada e lutadora, mas contra 14 elementos não é fácil.
Não basta saber jogar futebol em Portugal, ainda é necessário ter uma postura fora dos relvados que imponha respeito ao "sistema". O que se viu em Matosinhos ontem à noite não pode ficar sem uma resposta. Dura e definitiva.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Quim e o futuro da época

Quim esteve nas bocas do mundo, na semana passada. O guarda-redes do Benfica culminou uma sequência menos feliz de jogos na selecção e no Benfica com uma exibição desastrosa frente ao Vitória de Setúbal na Luz.
Não foi só o resultado (2-2) a deprimir os benfiquistas. Com esse empate, o Benfica perdia uma oportunidade de ouro de ascender ao primeiro lugar do campeonato, mais de três anos depois. Para agravar a situação, o segundo golo, ao cair do pano, foi um daqueles frangos monumentais que nem o próprio Quim deve conseguir explicar.
Os dias posteriores ao jogo devem ter sido terríveis para o guarda-redes do Benfica. Fui dos que defendi, desde a primeira hora, que Moreira devia ir para a baliza, no jogo seguinte, com o Marítimo, no Funchal – um dos jogos mais complicados do campeonato.
Quique escondeu a decisão até ao último momento, e fez bem. E depois tomou a decisão mais acertada, com a escolha de Moreira, como se confirmou. Isso não quer dizer que Quim, que não ficou no banco dos suplentes, deva ser crucificado. Nem pensar.
Convém dizer que Quim nunca foi um bem-amado na Luz, mas o carácter e a personalidade do antigo guarda-redes e capitão do Sporting de Braga permitiu-lhe ascender, por mérito próprio ao lugar de nº 1 do Benfica e da Selecção.
Quim também nunca teve boa imprensa. Talvez a sua falta de carisma, a sua excessiva discrição, o seu temperamento moderado, de homem de poucas falas e muito reservado, nunca tenha ajudado a cimentar uma estreita relação com os “media”.
Seja como for, repito, Quim não deve ser crucificado, e se muitos tentam prejudicar o Benfica através da “execução pública” do nosso guarda-redes, os benfiquistas devem estar atentos e unidos na defesa de Quim.
É por isso que esteve bem Quique Flores, ao sair em defesa de Quim e ao protegê-lo da voragem daqueles que o querem já “morto e enterrado”. Estou certo que é da maneira como o treinador e o grupo de trabalho souber preservar, proteger e defender Quim, nesta fase difícil da sua carreira, que se pode jogar muito do futuro da época.
O balneário tem de estar blindado, os jogadores têm de ser solidários, o treinador não pode isolar ninguém. Só assim se cria espírito de corpo, de união e de solidariedade. É reconfortante ver que o grupo de trabalho está a seguir nesta direcção. E aqui, o papel de Rui Costa é, mais uma vez, decisivo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O lugar do Rui

A presença de Rui Costa num dos bancos junto ao relvado do Estádio dos Barreiros no Funchal, bem próximo do evoluir dos acontecimentos e dos jogadores, foi alvo das mais diversas especulações.
O que fazia ele ali? Porquê o administrador da SAD no banco? Ah, também é o director desportivo? E depois? Será que estava ilegal, como quando entrou no relvado em Guimarães e em Coimbra?
As questões, mais ou menos anedóticas, foram muitas. Todas protagonizadas por adeptos dos nossos principais adversários. E, acreditem, que acho que todas estas interrogações têm razão de ser. É sinal de que estão preocupados com o Benfica.
Eu, que me habituei a ver Rui Costa evoluir nos relvados como um génio do futebol, depois de passar a usar fato e gravata no gabinete, nos treinos, na tribuna, ou no relvado a abraçar os jogadores no final do jogo, gostei de ver Rui Costa ali.
Não porque a sua presença bem perto do treinador e dos jogadores constitua um sinal de pressão reforçada e uma injecção suplementar de responsabilização, mas porque é ali o seu lugar.
Como gostam de dizer alguns “experts” do fenómeno desportivo, um jogo de futebol é decidido nos detalhes. E o Benfica tem perdido muitos jogos e muitos campeonatos por, às vezes, não estar atento aos detalhes.
No passado, o presidente do FC Porto sentava-se no banco de suplentes. A sua presença, aliada à imagem de senhor todo-poderoso do futebol português, foi, seguramente, factor decisivo para muitas e muitas vitórias do FC Porto.
Essa função foi, posteriormente, delegada em Reinaldo Teles, o fiel escudeiro, conhecedor como ninguém dos cantos no túnel das Antas. Quantos campeonatos, quantas vitórias foram conseguidas com base nos “sinais” emitidos por Reinaldo Teles?
Hoje, no FC Porto, os tempos são outros e, a face mais visível é o facto de nem Pinto da Costa nem Reinaldo Teles já estarem sentados naquele banco, embora a sua “longa mão” ainda faça muita mossa. Mas a crise envergonhada por que passa o FC Porto também tem a ver com estas ausências.
Não quero que o Benfica copie estes maus exemplos. Longe disso. Mas os adversários e os árbitros precisam de sentir bem perto de si a face da autoridade, da credibilidade, da defesa de princípios e de valores. E, principalmente, o rosto de quem está ali para não deixar que o Benfica seja prejudicado.
Gosto de ver Rui Costa ali. De mangas arregaçadas, como quem está também lá dentro a ajudar. Quem passa toda a semana junto ao plantel, não pode depois, no dia mais importante, ficar na bancada a gesticular quando as coisas correm mal. Nem vir a correr abraçar os jogadores quando as coisas correm bem, ou insurgir-se contra os árbitros quando correm mal.
Não sei se Rui Costa vai continuar a ocupar esse lugar. Imagino que esteja a reflectir nas vantagens e nas desvantagens. Eu sei que o caso do Funchal foi especial, até por causa das especificidades do Estádio dos Barreiros e da colocação dos balneários, mas acho que Rui Costa devia estar junto ao relvado nos próximos jogos. Seja qual for a sua opção, o Benfica tem muito a ganhar estando atento a estes detalhes. Muitas vezes são eles que ganham jogos e campeonatos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A crónica

Vitória do Benfica: "Foi uma vitória fantástica de uma equipa fantástica, feita por um treinador fantástico, que escolheu um corpo técnico fantástico, que soube aproveitar as fantásticas instalações de campus do Seixal, escolhidas por um director desportivo fantástico, que foi escolhido por um Presidente fantástico, eleito por adeptos fantásticos que os têm apoiado sempre".
AJC: "Excelente jogo, mas calma. Pezinhos bem assentes no chão, muita solidariedade, humildade e sempre em apoio da equipa. Tudo isto será necessário para lutar e vencer sempre contra 14.Estes árbitros são simplesmente miseráveis, mas já sabemos isso. Temos que ser sempre muito melhores que os outros para conseguir ganhar. Não nos basta ser melhores temos que ser muito melhores. É necessário transmitir isto aos jogadores para que eles, de posse desta informação, possam dar um pouco mais de si e serem solidários.
JRAugusto: "O comentário principal que deve ser feito, até porque ganhámos, é à actuação do árbitro, filho do famoso Soares Dias. Tantos e tão injustificados e ridículos cartões amarelos aos jogadores do Benfica. Moreira. com o Benfica a ganhar 3 a 0, leva um amarelo por perder tempo!!! Ruben Amorim, leva amarelo sem tocar em ninguém. Katsouranis leva amarelo por nada, mas que o impede de jogar o próximo jogo. Afigura-se-me que a tentativa do árbitro era equilibrar o nº de jogadores depois da inevitabilidade da expulsão do Marcos. E as agressões violentas e com marcas ao Reyes e nas costas do Aimar? Nem amarelo mereceram".

Mário: "Grande vitória. A vitória da classe, da garra, da vontade, da genialidade dos nossos jogadores. É nesta táctica que Quique deve jogar, com Aimar atrás do ponta-de-lança, com Katsouranis solto, com um trinco cá atrás a fechar e com o grande Suazo lá na frente a rasgar as defesas todas. Grande Benfica. De salientar que o Marítimo era a defesa menos batida do campeonato.Viva o Benfica".

Hugo: "A expulsão tornou fácil uma vitória que se avizinhava complicada.De qualquer forma, nada que retire brilhantismo ao resultado alcançado pelos nossos jogadores... Há que continuar na senda das vitórias...Saudações benfiquistas".

Zé Amaral: "Depois das decepções recentes (espero que tenham servido para aprender alguma coisa e não para atirar as culpas para o Quim) todos os (verdadeiros) adeptos do SLB, mais que esperar, exigiam uma vitória redentora, e ela surgiu, contundente e sem espinhas, arrancada de forma categórica num Caldeirão dos Barreiros vestido de vermelho e a rebentar pelas costuras. Bem sei que se calhar é ser muito optimista, senão mesmo sonhador, mas talvez agora os "Benfiquistas" mais incrédulos passem a acreditar nesta equipa e a apoiar como ela merece: no estádio.Finalmente Quique pôde dispor as peças certas nos lugares certos, e este SLB cheio de personalidade e "ganas" não engana, foi o que já se vira em Guimarães, a diferença é que aqui fomos nós quem jogou em superioridade numérica...Agora, mais uma vez, exigimos que a Águia volte a exibir as suas garras e a próxima paragem é Matosinhos, onde mora o adversário mais difícil desta Liga. Aguardando ansiosamente novos desenvolvimentos nos próximos capítulos".
Ficha do Jogo
11ª Jornada
Estádio dos Barreiros (Funchal)
Marítimo - 0; Benfica - 6
Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)
Benfica: Moreira; Maxi, Luisão, Sidnei e David Luiz; Katouranis, Bynia, Ruben Amorim, Reyes; Aimar e Suazo.
Golos: Reyes, Suazo (2), Luisão e Nuno Gomes (2)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Uma vitória extraordinária

Comente aqui a extraordinária vitória do Benfica sobre o Marítimo, por 6-0, no Funchal. A crónica segue dentro de momentos, abrilhantada com os vossos comentários. Viva o Benfica!
FOTO: Duarte Sá (Reuters)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

À espera de um torcicolo


Quim ou Moreira? Moreira ou Quim? A dúvida está instalada na opinião pública e entre os adeptos do Benfica. E Quique, a quem cabe a decisão final, já resolveu o dilema ou continua com dúvidas? E não há ninguém que arranje um torcicolo ao treinador espanhol do Benfica? Imaginação precisa-se.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

É tempo de dizer basta!

O sportinguista Vítor Pereira utiliza critérios muito estranhos na nomeação de árbitros para os jogos da Liga. Na próxima jornada, os 3 "grandes" são arbitrados por juízes da AF Porto (Soares Dias, Jorge Sousa e Paulo Costa). Nota zero para ele.
Vítor Pereira, o sportinguista que preside à Comissão de Arbitragem da Liga, disse há alguns dias que não podia ir ao mercado de Inverno contratar árbitros: “São estes, e não outros, com que tenho de contar”, disse, na altura, naquele que foi o maior atestado de incompetência passado aos árbitros portugueses, que me lembre.
Não caindo nos exageros hipócritas de Paulo Bento, não custa admitir que a qualidade da arbitragem portuguesa não é digna de reconhecimento. Mas, a bem da verdade, Vítor Pereira não tem ajudado nada.
Numa breve análise às nomeações feitas para os jogos dos 3 “grandes”, decorridas 10 jornadas, há um dado que ressalta: os jogos de Benfica (4), FC Porto (3, mas menos 1 jogo) e Sporting (4) foram maioritariamente arbitrados por membros da Associação de Futebol do Porto – com a curiosidade de na próxima jornada (11ª), os 3 clubes serem arbitrados por juízes da citada associação.
O problema talvez não seja geográfico, embora seja pouco crível que, num quadro de 25 árbitros, a competência para arbitrar os “grandes” recaia, quase em exclusivo, nos homens de negro oriundos da AF Porto.
O problema, se calhar, está naquilo em que tenho vindo a insistir: o “sistema”, cujos rostos Dias da Cunha identificou (Pinto da Costa e Valentim Loureiro), mantém-se na posse dos cordelinhos. Para justificar esta tese, nem sequer me dou ao trabalho de apurar de onde vêm os delegados e os observadores aos jogos.
Basta-me ler na imprensa a iniquidade dos relatórios redigidos pelos observadores sobre o desempenho dos árbitros e respectiva pontuação. Lembro-me sempre de uma expressão que sintetiza este estado de coisas: a realidade ultrapassa a ficção.
Vítor Pereira sempre pode argumentar que a AF Porto é a que tem, conjuntamente com Lisboa e Setúbal, o maior número de árbitros no quadro principal (5). Mas, que diabo!, em Vila Real, Braga, Santarém, Aveiro, Coimbra, Madeira e Portalegre, nenhum árbitro é suficientemente capaz e competente para arbitrar o Benfica? Ou seja, em 12 associações com árbitros no primeiro escalão do futebol português, apenas 1/3 disponibilizou membros para arbitrar o SLB. Curioso, não?
Depois do Rio Ave (penálti sobre Aimar não assinalado), do Leixões (penálti por assinalar por mão de leixonense na sua grande área), do V. Guimarães (expulsão injusta de Reyes e expulsões perdoadas a Andrezinho e Flávio Meireles), da Académica (Reyes massacrado por faltas sem qualquer advertência para os jogadores da Briosa), da Naval (penálti sobre Ruben Amorim não assinalado), do V. Setúbal (carga sobre Cardozo no limite da grande área não assinalada e expulsão perdoada a jogador setubalense por agressão a Reyes), é tempo de dizer basta.
Quanto ao senhor Vítor Pereira, lamentamos mas não podemos ir ao mercado de Inverno contratar outro presidente da Comissão da Arbitragem da Liga.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Natal é em Dezembro

Imaginemos que era Paulo Bento, e não Quique Flores, o protagonista da conferência de imprensa de ontem à noite, na Luz, depois do Benfica – V. Setúbal. “Mais uma vez fomos prejudicados pela arbitragem. Espero que os nossos adeptos deixem de ser simpáticos e passem a criar um mau ambiente para os árbitros”, diria Bento. “Foi um acidente de percurso”, disse Quique. Será que isto faz toda a diferença? Mais à frente o saberemos.
Para já, o que faz toda a diferença é a forma de Quim, em comparação com o ano passado. O nosso guarda-redes está a passar por uma grave crise de confiança, que teve como picos o jogo da Selecção contra o Brasil e o jogo da passada quinta-feira, na Grécia, contra o Olympiacos. Ontem, ao não agarrar uma bola fácil, permitiu o primeiro golo do Setúbal. E quanto ao golo do empate nos descontos, nem vale a pena comentar.
O que fazer? Na próxima jornada, no Funchal, contra o Marítimo – um jogo crucial -, não há que ter dúvidas: Moreira na baliza, já. Até para defender Quim e possibilitar um trabalho de reforço de confiança. Quim é um homem de forte carácter e não se vai deixar abater por isto.
Mas os lapsos de Quim não podem branquear o erro clamoroso, grave e com influência no resultado cometido pelo árbitro Vasco Santos, da AF do Porto (porquê?), que não expulsa um jogador do Setúbal (Sandro) por agressão a Reyes, deixa continuar a jogada, e depois vê o seu auxiliar anular um golo limpo a Suazo. Seria o 3 – 1 e a história completamente diferente.
Se Quique não quer ser Paulo Bento, o que se aceita, compreende e aplaude, então é importante que seja Rui Costa, o director desportivo, que já disse que é ele que tem de dar a cara por tudo o que se passa no futebol do Benfica, a marcar presença na conferência de imprensa e a dizer algumas verdades.
Aliás, Rui Costa já fez saber junto do árbitro aquilo que qualquer benfiquista pensa dele. Eu gostava que para além da troca de palavras no túnel, o nosso director desportivo desse voz à enorme revolta que germina no seio dos benfiquistas.
Para que não se tente branquear esse autêntico “roubo de igreja” cometido por Vasco Santo, na Luz, com o fraco desempenho de Quim ou de outros jogadores do Benfica. Já basta de fazer o papel de bonzinho. Espírito de Natal, sim, mas sem exagerar. Foto: Armando França (AP Photo)

10ª Jornada
Benfica – 2; V. Setúbal – 2
Estádio da Luz
Árbitro Vasco Santos (AF Porto)

Benfica: Quim; Maxi, Sidnei, Miguel Vítor e Jorge Ribeiro; Katsouranis, Carlos Martins, Ruben Amorim e Reyes; Suazo e Cardozo.

Golos: Katsouranis e Suazo

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Tinha previsto escrever um texto sobre a minha “ideia” de Benfica. O tema obrigava a algum tempo de reflexão, a que não me submeti, e a alguma investigação, que por falta de tempo negligenciei. Esta temática fica, assim, para posterior momento.
A semana, aliás, foi marcada pelo desastre de Atenas. O que, curiosamente, me fez recuar até à minha infância, ao momento onde, pela primeira vez, senti fervilhar dentro de mim a chama imensa e percebi com absoluta nitidez que só podia ser benfiquista. Foi em 1971, tinha 8 anos, e o Benfica tinha acabado de perder por 4 – 1, em Munique, contra o Bayern.
As derrotas, mesmo as mais pesadas, são muitas vezes, detonadoras de catarses necessárias. Porque será que as guardamos mais tempo no nosso subconsciente? Serão elas a verdadeira prova da nossa fé inquebrantável? Será que o orgulho ferido nos faz mais fortes, mais determinados? Será que da humilhação nasce a revolta?
Será, com certeza, tudo isto. Mas, o certo é que não sou nem mais nem menos benfiquista depois de Atenas, nem isso ocorreu depois de Vigo. As derrotas, mesmo as mais pesadas, são meros episódios de uma história gloriosa, de feitos e conquistas. Sem elas, não havia nenhum apelo: “levanta-te e caminha”. Não havia o gesto de sacudir o pó da camisola, levantar a cabeça, encher o peito de ar e lançar, de novo, o ataque.
Hoje à noite, na Luz, vamos receber os nossos heróis, de Atenas e de Nápoles, e mostrar-lhes que é nas derrotas que se veêm os campeões. Hoje à noite, na Luz, contra o Vitória de Setúbal, vamos regressar ao nosso lugar, ao primeiro lugar, certos de que é nas derrotas, mesmo as mais pesadas, que arranjamos, de novo, forças para retomar o trilho que fez a nossa história: o caminho da vitória. Somos o Primeiro.
publicado por Pedro Fonseca in blogue "Novo Benfica"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Desculpas & Prendas

Costuma dizer-se que as desculpas não se pedem, evitam-se. Mas, no caso de Quique Flores e de Rui Costa, o pedido de desculpas pela goleada (5-1) frente ao Olympiacos, para a Taça UEFA, foi mais que uma acto de contrição, uma forma de estar na vida e no futebol que deve merecer os elogios de todos.
Por mim, estão desculpados. Mas exijo uma grande alegria na segunda-feira. Contra o V. Setúbal o “fantasma” de Atenas tem de estar resolvido, longe do subconsciente dos jogadores. O que faltava era agora deitar tudo a perder só porque aconteceu uma noite má. E uma noite má todos tiveram e todos têm.
Prepare-se é já uma cartinha ao Pai Natal (Rui Costa). Eu sei que a crise aperta, que o consumo diminui a olhos vistos, que este Natal não vai ser farto nem generoso, mas é preciso colocar no sapatinho encarnado as verbas necessárias para ir ao mercado.
Ir ao mercado significa contratar jogadores. Dos bons. E o sector da equipa a necessitar de urgente remodelação é a defesa. É necessário um central da dimensão de Luisão, que dê voz de comando a uma defesa que quando não está o gigante brasileiro é ainda muito tenrinha. E, claro, atenção aos laterais: Maxi e Jorge Ribeiro (mais Léo), é pouco, muito pouco. É preciso urgentemente reforçar estes sectores, com critério, bom senso, mas com jogadores que não enganem nem venham à experiência.
Já agora, gostaria de pedir mais uma prenda. Um nº 10, que possa substituir Pablo Aimar, quando ele se encontrar, como muitas vezes acontece, inferiorizado fisicamente. Ok Pai Natal?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Esperança

Olympiacos – 5; Benfica – 1 (Taça UEFA). Quique não deitou as mãos à cabeça como Queiroz. O semblante sereno não escondeu os olhos perscrutadores, afiados como facas, lançando lume em direcção ao relvado onde os seus viviam momentos difíceis.
O general não se levantou do banco, nem se agitou como é costume acontecer nestas alturas, para disfarçar a vergonha. Há neste comportamento de Quique uma nobreza de toureiro. A altivez, a serenidade, a honra e a dignidade, mesmo ferida, obriga-o a manter a compostura.
De que vale a pena dizer que devia jogar este e não aquele. De que vale escrever que errou este, mais aquele. De que vale especular sobre se aquele devia ter entrado mais cedo, e este nem sequer se devia ter equipado.
Há naquele olhar de Quique, enquanto algo desaba à sua frente, uma centelha de luminosidade. Como se tivesse regressado à inocência perdida, numa infância atribulada. E, por isso, encontro a esperança naquele olhar, encontro um caminho e um rumo, desbravado por entre ervas daninhas e sinuosos atalhos. Ele há-de encontrar aqueles que querem ir para a selva com ele e connosco. E todos juntos, unidos, havemos de encontrar, no fundo do túnel, a Luz.
Foto: Thanassis Stravakis (AP Photo)

Acreditamos

O jogo de hoje no “Inferno do Pireu” contra o Olympiacos é uma prova de fogo para Quique Flores e sus muchachos. Está em disputa a continuação na Taça UEFA, prestígio e dinheiro. A equipa grega, que lidera o campeonato da Grécia, não é um adversário qualquer. Aliás, basta ver que o Panatinaikos, que acaba de vencer o Inter de José Mourinho, em Milão, para a Liga dos Campeões vem atrás do Olympiacos.
Não é, por isso, um jogo fácil, perante uma equipa, como a do Benfica, de Liga dos Campeões, num estádio onde sobressai o fanatismo dos adeptos gregos. A talhe de foice, deve-se dizer que o modelo da Liga dos Campeões deve ser alterado, aliás como pretende Michel Platini. Não é possível que equipas sem nenhum currículo, como o Bate Barisov, da Bielorússia, ou o Basileia, da Suiça, ou mesmo o Shaktar, da Ucrânia, possam ocupar o lugar de equipas como o Olympiacos ou o Galatasaray.
Não se está aqui a relevar o currículo em detrimento dos resultados, mas há que haver algum bom senso, sob pena de na Liga dos Campeões haver grupos bem mais fracos do que na Taça UEFA, como acontece este ano.
Regressando à Grécia, estamos em crer que o Benfica vai dar boa conta do recado, apesar de desfalcado de Luisão e de Pablo Aimar. Ao contrário do que se vem especulando na imprensa, com a colocação de David Luiz no lugar deixado vago por Luisão, acho que seria preferível apostar numa dupla de centrais com Sidnei e Katsouranis, deixando David Luiz outra vez na esquerda. Suicídio? Talvez não.
Deixo aqui a minha proposta de equipa, mas graças a Deus não sou Quique e posso dar-me a estes devaneios. Aqui vai: Quim; Maxi, Sidnei, Katsouranis e David Luiz; Yebda, Bynia, Carlos Martins e Reyes; Nuno Gomes e Suazo.
Força Benfica, vamos à vitória rapazes!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Uma "ideia" de Benfica

No passado dia 17 de Novembro, no meu habitual texto semanal no blogue “Novo Benfica”, prometi escrever aqui um post sobre uma polémica “ad hominem” que tem dominado o citado blogue. Porquê aqui, n´“O INFERNO DA LUZ”? Porque este é o meu espaço exclusivo, pelo que aqui estou livre dos condicionalismos a que me impus no “Novo Benfica”.
A polémica tem um nome: Bruno Carvalho, o ideólogo do “Novo Benfica”, a quem devo o convite honroso de colaborar naquele que é o mais lido e comentado blogue da blogosfera benfiquista, e director do Porto Canal, a quem também devo a suprema honra de comentar, todas as segundas-feiras, as incidências da jornada, no programa “A Bola É Redonda”.
Ponto prévio: este duplo convite não me impede, nunca me impediu, de formular as opiniões que já tornei públicas sobre o Bruno Carvalho, nem aquilo que vou escrever agora. Ou seja, não estou condicionado, nem sou condicionável.
O que subjaz a esta polémica tem como pano de fundo, na minha opinião, uma “ideia” de Benfica. É tema que não vou aqui aprofundar. Guardá-lo-ei para posterior momento. Para o Bruno, essa “ideia” resume-se a um facto: o Benfica é um clube de futebol, pelo que são as vitórias do futebol a sua única e exclusiva razão de ser. Eu sei que esta minha abordagem é demasiado simplista, mas, para o actual efeito, basta dizer isto.
Discordando eu desta “ideia”, reconheço contudo no seu autor uma coragem invulgar. Pelo simples facto de que o Benfica não tem ganho muita coisa nos últimos 15/20 anos, mas não só. Pelo facto principal de reduzindo o Benfica a um clube de futebol, e a um clube de futebol onde se exigem vitórias, involuntariamente, digo eu, deitar borda fora a “ideia” de um Benfica para além do futebol. Sendo assim, pergunto: onde está o Benfica?
A discussão à volta desta “ideia”, que extravasou o “Novo Benfica” e é já assunto dominante em muitos fóruns e blogues benfiquistas. Quero deixar bem claro que considero o Bruno Carvalho tão benfiquista como eu. Mas discordo da sua tese.
Embora seja uma tese que importa discutir e debater. Uma tese que é uma “ideia” de Benfica. Contudo, errada. Este não é, porém, nenhum lado da barricada. Entre os benfiquistas não há barricadas, apenas opiniões divergentes. E uma coisa é certa, na nossa barricada são bem-vindos benfiquistas como o Bruno Carvalho, corajosos e empreendedores. Sempre ficamos mais fortes.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Preparado para o safari

Vai ficar célebre a frase de Carlos Queiroz: “Já sei quem não vai para a selva comigo”. Lembrei-me logo da sua última passagem pela Selecção: “É preciso varrer toda a porcaria da Federação”. Afinal, o Professor também é especialista em “soundbytes”.
Espero que tenha aprendido a lição e agora não peque pela omissão de há 15 anos atrás. Não disse a que porcaria se estava a referir e estamos ainda sem saber qual a quantidade de porcaria que ainda lá se encontra.
Pacientemente espero a lista dos voluntários a juntarem-se na expedição de Carlos Queiroz à selva. Oh, Professor, não me desiluda… Em jeito de contribuição para o safari que se avizinha, deixo aqui um excelente companheiro de caçadas, firme e determinado em ir para a selva de peito feito. Assim o comandante Queiroz perceba a sua utilidade.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A lição de Coimbra

Académica - 0; Benfica - 2 (9ª Jornada da Liga) - A vitória do Benfica em Coimbra, um campo tradicionalmente difícil onde joga uma Académica que já não perdia em casa há mais de um ano, revelou mais uma vez a excelência do trabalho de Quique Flores.
O treinador espanhol surpreendeu outra vez na formação e na arrumação da equipa. Na prática, jogou com 3 defesas, todos eles centrais de raiz – Luisão, Sidnei, David Luiz. O que, à partida podia ser um risco demasiado face à rapidez dos atacantes da Briosa, revelou-se um esquema táctico brilhante e eficaz.
Domingos Paciência, o treinador da Académica, levou uma lição bem à maneira das realizadas na Universidade de Coimbra, ali bem perto. Na sua formação de treinador, Domingos teve do outro lado um treinador de cátedra. Esperemos que tenha aprendido bem a lição.
Com a utilização de apenas três defesas, Quique povoou e reforçou o meio-campo, com a integração de Maxi, no lugar para onde foi inicialmente contratado, o de médio direito, e com a colocação de um duplo pivot defensivo, Yebda e Bynia, deixando todo o equilíbrio deste sector a Ruben Amorim, e com Reyes, como um verdadeiro vagabundo – quase sempre no lado esquerdo mas vindo também ao meio buscar jogo.
Como consequência, o Benfica teve sempre mais bola em seu poder, com uma percentagem de posse de bola de atingiu os 60% nos primeiros 45 minutos. Tendo entrado em força e com um pressing total, o Benfica tomou conta do jogo e só não chegou ao golo mais cedo muito por culpa de alguma ineficácia de Cardozo na frente de ataque.
O golo chegou ainda antes da meia-hora, num trabalho notável de Nuno Gomes e numa desmarcação primorosa de Ruben Amorim, que iniciou a jogada e a concluiu. O ex-belenenses fez um jogo excelente e pode ter agarrado a titularidade quinta-feira, na Grécia, frente ao Olimpiacos.
Uma nota ainda para as excelentes exibições de Bynia, de Nuno Gomes e de David Luiz, regressado à competição da Liga e a lateral-esquerdo, um lugar que não é o seu mas que ocupou de maneira brilhante. E para a genialidade de Reyes, que à sua conta sofreu faltas em série. É bom que os árbitros portugueses percebam da necessidade de defender os fora-de-série. É certo que o futebol português não está habituado a ter jogadores da dimensão de Reyes, mas os árbitros têm de perceber que o público vai aos estádios para ver jogadores desta dimensão e não para os ver sistematicamente carregados em falta.
Cardozo, um dos que está prestes a ser substituído, foi mantido por Quique na segunda parte, como que adivinhando que seria o paraguaio a marcar o segundo golo de grande penalidade, ele que é um especialista na matéria. Saiu sob uma chuva de aplausos.
Uma última palavra para Domingos Paciência, um treinador que espera um dia vir a entrar outra vez no FC Porto. É preciso dizer a Domingos que um líder tem de se portar como tal. A sua reacção a um lance com Bynia é de uma estupidez confrangedora. Todos sabemos que Bynia tem sido perseguido injustamente, e o Benfica precisa de o defender, o que tem feito. Agora, Domingos tentar pressionar o árbitro contra Bynia quando os seus jogadores entravam a matar sobre Reyes, por exemplo, é algo inadmissível e que não pode passar sem censura. Domingos é um mau exemplo para os seus jogadores. Foto em www.slbenfica.pt
Ficha do jogo
9ª Jornada da Liga
Académica - 0; Benfica - 2
Estádio Cidade de Coimbra
Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa)
Benfica: Quim; Luisão, Sidnei e David Luiz; Maxi, Yebda, Bynia, Ruben Amorim e Reyes; Nuno Gomes e Cardozo.
Golos: Ruben Amorim e Cardozo

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pôxa cara...

Cristiano Ronaldo não ficou com saudades do jogo em terras de Vera Cruz. Nem os brasileiros ficaram com saudades do CR7. Thiago Silva, o "zagueiro" do Fluminense e da Selecção do Brasil, aqui em disputa com Ronaldo, disse que este era "maldoso". E a comunicação social brasileira, que nunca morreu de amores pelos portugueses, não poupou o jogador do Manchester United. A título de exemplo, descubra aqui o que o Globo Esporte escreveu em legenda a esta foto. Se depender dos brasileiros, a Bola de Ouro já tem dono: Káká. Foto: Agência EFE

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Káká - 6; CR7 - 2

Transformado num duelo particular, o Brasil – Portugal que decorreu no estádio Walmir Campelo Bezerra, em Gama (Brasil), na madrugada portuguesa de ontem, teve um desfecho claro: o brasileiro Káká, um dos principais pretendentes à Bola de Ouro (melhor jogador do Mundo), em 2008, goleou o “nosso” Cristiano Ronaldo, mais conhecido por CR7.
O milanista não fez a coisa por menos e contribuiu para uma derrota pesada e histórica de Portugal por 6 – 2. Quanto ao português do Manchester United, vamos a ver as consequências desta descolorida exibição, acompanhando toda a Selecção, na votação a 2 de Dezembro para a conquista da Bola de Ouro.
Mas outros factos devem ser realçados neste Brasil – 6; Portugal – 2: Luís Fabiano, dispensado pelo FC Porto há cerca de 3 anos, fez um “hat-trick”; e Luisão, titularissimo no centro da defesa do escrete (a melhor selecção do mundo), fez um jogo soberbo, sem falhas.
No dia em que Lionel Messi, o astro argentino, um dos principais candidatos ao trono de melhor do mundo, diz que Ronaldo merece a Bola de Ouro, CR7 leva um banho de bola de Káká. Ironia ou coincidência? Foto: Fernando Bizerra Jr (EFE).

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Yes Name

Estão todos à espera que fale sobre a Operação “Fair-Play”, que se abateu sobre alegados elementos dos No Name Boys? Tirem o cavalinho da chuva. Dar gás a uma miserável e vergonhosa acção mediática de dimensões invulgares e estranhas só com o objectivo de atingir o Sport Lisboa e Benfica é coisa que não faço. Não caio nessa esparrela, nem alimento manifestas acções de diversão.
Como único e exclusivo contributo para o tema, apenas sublinho, como o fiz no programa “A Bola É Redonda”, no Porto Canal, o seguinte: 1 – Os No Name Boys, como os Diabos Vermelhos, ou os Ultra Benfica, são grupos de adeptos organizados que apoiam as equipas do Sport Lisboa e Benfica, dando um colorido e uma emoção ímpares ao espectáculo; 2 – O Benfica não apoia oficial nem institucionalmente nenhum desses grupos de adeptos; 3 – O Benfica não é responsável pelo que fazem na sua vida privada as centenas de milhar de sócios e os seus milhões de adeptos; 4 – Os No Name Boys são mais de 4 mil, segundo números vindos a público, não a meia dúzia envolvida nos “casos de polícia” relatados; 5 – O Benfica não pactua nem nunca pactuou com claques que se organizam como “estados dentro do estado” ou como “guardas pretorianos” de quem quer que seja; 6 – Os grupos de sócios e adeptos organizados, auto-intitulem-se No Name Boys, Diabos Vermelhos ou Ultras Benfica são indispensáveis no apoio às equipas do Sport Lisboa e Benfica, na Luz ou fora dela, desde que cumpram, como toda a gente, aliás, as regras de um Estado de Direito democrático.

Folha limpa

Muita gente parece apostada em tentar desestabilizar o Benfica. Percebo-lhes o nervosismo. Afinal, não há memória de uma temporada onde tudo parece correr sobre rodas. Não há conflitos abertos nos jornais, seja entre jogadores e treinadores, seja entre dirigentes e ex-dirigentes, como acontece no Sporting. Nem há sinal dos conhecidos “papagaios” que gostavam de ganhar protagonismo à custa do nome do Benfica – esses, Vieira, “calou-os” faz tempo, como prometeu.
Para desespero desses arautos da desgraça, Bagão Félix sai do retiro alentejano para elogiar a liderança de Luís Filipe Vieira; Quique Flores continua a marcar pontos, ao apelar à concórdia entre treinadores e árbitros, e Rui Costa, usando uma grande selectividade comunicacional, põe o dedo na ferida e diz que falta cultura desportiva em Portugal.
Perante isto, qualquer pequeno distúrbio, num treino ou na rua, ganha foros mediáticos invulgares. O que vale é que o Benfica está bem e recomenda-se. E portanto, tentativas como a que ontem foi estrategicamente montada para atingir o clube, resvalam na carapaça da nossa indiferença e do nosso desprezo.

domingo, 16 de novembro de 2008

O exemplo que vem de cima

Benfica - 1; Estrela da Amadora - 0 (8ª Jornada da Liga). A dignidade dos jogadores do Estrela da Amadora devia servir de exemplo a muitos dirigentes do futebol português, a começar pelo presidente do clube, António Oliveira, que ontem se sentou na tribuna presidencial da Luz, sem o Presidente do Benfica ao seu lado.
Luís Filipe Vieira, recusando sentar-se ao lado do presidente do Estrela, marcou mais uma vez a diferença, para melhor, no panorama futebolístico em Portugal. Quem não cumpre os compromissos que assumiu, seja com atletas seja com quem for, instituições ou pessoas singulares, deve ser tratado como “persona non grata”. Só assim o futebol nacional pode ganhar credibilidade. Uma credibilidade que tem sido a imagem de marca de Luís Filipe Vieira à frente do Sport Lisboa e Benfica.
Não é só a pugnar pela verdade desportiva dentro dos relvados. Não é só a lutar pela transparência e pela condenação de todos os que violaram essa verdade desportiva. Com este gesto, Vieira lança mais uma mensagem a todo o futebol, mas também um alerta para as instituições que governam o país.
Não é possível continuar a pactuar com dirigentes que actuam como o presidente do Estrela da Amadora. Os jogadores do Estrela honraram a camisola e o clube, mas os sócios devem pensar bem em quem querem para estar à frente dos destinos do Estrela. Enquanto uns se sentam ao lado de assumidos corruptos e viciadores da verdade desportiva, Luís Filipe Vieira mostra que não pactua com quem não respeita os contratos que assina.
Os ordenados em atraso que marcam o dia-a-dia do Estrela da Amadora não influenciaram, felizmente, o rendimento da equipa. O jogo não foi bom. O Benfica entrou adormecido, relaxado, negligente. No Benfica não há ordenados em atraso. Pelo contrário, o clube da Luz é dos poucos que cumprem com a lei, ao contrário da esmagadora maioria, como há alguns meses alterou o presidente do sindicato dos jogadores. Entre os incumpridores, denunciados nessa altura, estava, pasme-se, o Sporting.
Mas voltemos ao jogo. Foi difícil descobrir quem estava e quem não estava com ordenados em atraso. Foi difícil descobrir quem tinha treinado toda a semana e quem tinha falhado alguns treinos.
O novo sistema, um 4-4-2, com Aimar no vértice mais adiantado do losango, não explica todo o desacerto. Passes falhados foram inúmeros. Ocasiões de golo raras. Experimentado contra o Aves, este sistema destrói a base de construção da equipa definida por Quique Flores, um 4-3-3, com alas muito rápidos, como Reyes e Di Maria.
Sejamos claros, o Benfica não pode mudar de sistema para melhor encaixar Aimar. Quique já disse que não colocava o colectivo na dependência de uma individualidade, mesmo que essa individualidade se chame Pablo Aimar. Faz bem. Mas os primeiros 45 minutos foram maus de mais.
Na segunda parte, o Benfica entrou forte, marcou e, depois, voltou a relaxar. A parte final foi algo tremida. Mas o que fica para a história são mais 3 pontos e menos uma jornada para o fim. Foto em www.slbenfica.pt

Ficha do jogo

8ª Jornada
Benfica – 1; Estrela da Amadora - 0
Estádio da Luz (Lisboa)

Benfica: Quim; Maxi, Luisão, Sidnei e Jorge Ribeiro; Yebda, Katouranis, Carlos Martins e Aimar; Nuno Gomes e Suazo.

Golo: Sidnei (55 minutos)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira II

José Saramago escreveu um livro intitulado “Ensaio sobre a cegueira”, que foi agora adaptado ao cinema. O livro não é sobre o futebol português. Mas podia ser. O estado de cegueira total (como o que afecta todas as personagens do livro de Saramago) é vulgar em muitos protagonistas do futebol português. Há muitos anos.
Apesar de algumas intervenções cirúrgicas, a doença do foro oftalmológico parece não ter sido totalmente debelada. Por estes dias, temos assistido a algumas recaídas, mais ou menos graves.
A última foi a de Bruno Paixão, o árbitro do Sporting – FC Porto, que já tem um longo historial de “ceguinho” com vários internamentos, mas, por, presume-se, negligência médica, tem tido sempre alta.
Hoje, pelos jornais da manhã, fomos confrontados com outro caso grave e raro de cegueira. A do observador ao referido jogo. O homem, nomeado para “tratar” do árbitro, afinal veio dizer que ele via bem e que não precisava de óculos, nem de operações às cataratas.
Dioptrias à parte, sempre podemos aconselhar o dito observador a ir ao oftalmologista e, na passada, a comprar um cão e uma bengala. O problema da cegueira no futebol é que é uma doença que tende a alastrar e a agravar-se com o passar do anos. Uns chamam a essa progressão “sistema”, outros gostam de usar mais os provérbios populares e dizer que “quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.
É o caso de Carlos Xistra, o árbitro do V. Guimarães – Benfica. Ceguinho para uns, um portento de boa visão para outros. Em Agosto último, o jornal “O Jogo” definiu assim o ADN de Carlos Xistra: “é uma dupla hélice igualzinha a todas as outras, mas pode ser representada nos compêndios de ciência com as cores verde e branca, já que toda a família deste pacato funcionário público é ou foi adepta do Sporting”.
Já vimos e lemos piores argumentos para explicar a cegueira.
O problema de Paixão, Xistra, Jorge Sousa e outros pacientes é que, como convivem muito, o mal pega-se. Pode ser que um dia alguém resolva cortar esse mal pela raiz. E lá se vai a clientela dos oftalmologistas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Momentos mágicos

Benfica – 3; D. Aves – 0 (Taça de Portugal) - O susto vindo de Penafiel esteve efeitos pedagógicos. Ontem, com o Desportivo das Aves, equipa da Liga de Honra, onde está a fazer um razoável campeonato, a apatia deu lugar à atitude. É certo que o espectáculo durou 45 minutos, mas o trabalho estava feito, a missão cumprida. O Jamor está mais perto.
Num jogo sem grande história, para a história ficam dois momentos, que mereciam mais gente nas bancadas: o passe de calcanhar fantástico de Pablo Aimar para o terceiro golo, apontado por Maxi; e o regresso, 9 meses depois da lesão, de David Luiz – um regresso que se saúda, pela classe e pela determinação do jovem central brasileiro.

domingo, 9 de novembro de 2008

Que noite!

Grant Park, Chicago, última terça-feira de madrugada: “What a night!” (Que noite!) – exclamaram muitos dos milhares de participantes na festa de celebração da vitória de Barack Obama, nas presidenciais americanas.
Restaurante “Catedral da Cerveja”, Estádio da Luz, na passada sexta-feira: “Que noite!”, exclamaram muitos dos presentes no primeiro jantar-convívio do blogue “Novo Benfica”, no final de um repasto que contou com a presença do Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, do Director Desportivo, Rui Costa, e do Assessor Jurídico da Administração da SAD, Paulo Gonçalves.
Por me parecer da mais elementar justiça, e para que fique registado para memória futura, não posso deixar de referenciar os nomes de quem teve oportunidade de marcar presença nessa reveladora noite.
O “Novo Benfica”, como era obrigatório, fez-se apresentar quase na máxima força: Bruno Carvalho, António Souza Cardoso, Armindo Monteiro, Pedro Ribeiro, e o signatário destas simples linhas.
Da blogosfera benfiquista, compareceu a “Tertúlia Benfiquista”, outro blogue de referência, qualidade e paixão, nas pessoas de Pedro F. Ferreira e de Sérgio Bordalo. A eles agradecemos a disponibilidade da presença, que muito contribuiu para a brilhante noite vivida.
Dois estimados amigos, do Sport Lisboa e Benfica, o Orlando Dias, do Gabinete da Presidência, e o Ricardo Maia, do Gabinete de Comunicação, deram-nos também o prazer da sua participação, sinal de que o Benfica olha para esta realidade com a atenção e o cuidado que ela merece.
E depois estiveram alguns sócios do Benfica, dos que mais consomem e participam em blogues. Refiro os seus nomes por ser da mais elementar justiça sublinhar quem, numa sexta-feira à noite, se prontifica a vir falar e debater o Benfica: Eduardo Botelho, Arlindo Bento, Isabel Castanheira, António Barreto e João Barreto (peço desculpa se me esqueci de algum).
Não quero nem posso esquecer a presença do meu amigo e colega de painel no programa “A Bola É Redonda”, do Porto Canal, o Raul Lopes, e o Luís, um antigo colega de faculdade que já não via há muitos anos.
Feita a chamada, passemos ao menu. Não o servido pela excelente e dedicada equipa da “Catedral da Cerveja”, mas o menu das palavras, servidas em autênticas bandejas de ouro e prata para serem degustadas com prazer pelos comensais. A cada um o seu paladar.
Seria fastidioso e despropositado falar de todas as intervenções, cujo nível e qualidade fariam inveja a qualquer sessão parlamentar – desde a acutilante e inteligente argúcia e presença de espírito do Bruno Carvalho, até à emoção à flor da pele do Pedro F. Ferreira, cujas palavras nos fazem sentir cada vez mais imbuídos de uma fé inquebrantável, ou o fino humor e a lucidez racional do António Souza Cardozo, ou a escorreiteza singela e cirúrgica do Armindo Monteiro, e a efusividade extrovertida do Pedro Ribeiro – e que não deixaram ninguém indiferente. Como foram de elevado nível as intervenções dos sócios do Benfica que atrás mencionei, sublinhando a excepcionalidade de “ser benfiquista”.
Mas agora vamos ao que mais interessa. As estrelas da noite: Luís Filipe Vieira e Rui Costa. Cada um na sua função, cada um com o seu estilo e o seu percurso de vida, garantem ao Benfica uma expressão de excelência num futebol português que ainda carece, e muito, de gente deste nível de qualificação e de gente deste carácter e hombridade.
É certo que estavam ali pessoas que são “fazedores de opinião” na blogosfera benfiquista. Vieira sabia-o. É certo que estava ali uma parte substancial dos rostos que promovem o debate de ideias sobre o Benfica na Internet, um veículo de comunicação por excelência.
A presença do Presidente do Benfica, neste encontro, enfatiza esse sinal de que o Benfica continua na vanguarda da inovação no futebol português. Sem holofotes nem circos mediáticos, Luís Filipe Vieira não utilizou palavras de circunstância na sua intervenção.
Respeitou os presentes e dignificou a função de líder do Benfica, ao fazer uma intervenção de grande brilhantismo, na forma e no conteúdo. Dada a discrição do evento, não revelarei aquilo que foi dito pelo Presidente do Benfica. Apenas registo que a sua ambição em tornar o Benfica cada vez maior e campeão está intacta, como está intacta a sua determinação em avançar com os projectos que anunciou há dias: o museu e a fundação.
Vieira sabe que há uma palavra que sintetiza todo o seu consulado à frente do Benfica: credibilidade. Disse-o, e repetiu que não assumirá qualquer compromisso que não possa cumprir. Mas também insistiu em que será intransigente na defesa dos interesses do Sport Lisboa e Benfica, e referiu a questão da Benfica TV como um instrumento decisivo ao serviço de um projecto destinado a tornar o Benfica auto-suficiente, assim como na concretização da sua ideia em devolver as tardes de futebol ao domingo ao Estádio da Luz. “O Benfica tem de receber o valor que merece pela transmissão dos seus jogos. Mas sou homem de cumprir os contratos, não de os rasgar”, disse. As últimas notícias sobre as negociações com a ZON TV Cabo vêm dar-lhe razão.
E depois há Rui Costa. Eu sei que custa a acreditar, mas o maestro esteve a conversar sobre futebol quase até às 3 da manhã. E ficava pela noite fora. O Rui falou e encantou. Quando se levantou para falar, foi como um maestro a empunhar a batuta. Falou e era o Benfica que estava ali.
O menino que disse que a Luz era a sua segunda casa. Que custasse o que custasse tinha de acabar a carreira ali. Que acreditou que ia acabar como jogador com a camisola do Benfica no Jamor.
Houve quem, em jeito de brincadeira, tivesse pedido que no último jogo do campeonato, a 5 minutos do fim, o Rui pudesse entrar em campo para ser campeão como jogador. O Rui sorriu. Falou como um adepto, com o coração, mas também com a cabeça, que sempre soube colocar ao serviço do jogo e que agora a coloca ao serviço do seu clube de sempre, como director desportivo. E, sem quebrar nenhum sigilo, anúncio à Nação benfiquista que o Rui disse só isto: “Vamos ser campeões!”.
Por fim, Paulo Gonçalves. Porquê Paulo Gonçalves? Porque, assumindo naquela reunião de benfiquistas devotos não ser benfiquista desde pequenino, demonstrou coragem, carácter e verticalidade. E essas são qualidades que o Benfica tem de exigir a cada um dos seus. “Que noite!”

Post-Scriptum: As fotos desta noite histórica serão publicadas nos próximos dias, aqui e no “Novo Benfica”.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um passo atrás

Benfica – 0; Galatasaray – 2 (2ª jornada da fase de grupos da Taça UEFA). O Benfica deu hoje à noite, na Luz, contra o Galatasaray, para a Taça UEFA, um gigantesco passo atrás no processo de construção da equipa. Não é fácil encontrar explicações para a derrota por 0 – 2. Nem culpados.
Quique bem que tinha vindo a colocar água fria na euforia, mas como o sonho comanda a vida, os benfiquistas acorreram à Luz para aplaudir a equipa. Se há culpados, eles não são seguramente os adeptos. Estes, até para espanto de muitos, aplaudiram no final a equipa, apesar do desgosto da derrota. Enquanto, mais ao lado, se queixam dos assobios vindos da bancada, na Catedral o público parece inglês. A equipa é que ainda se parece demais com a volatilidade das bolsas.
Em abono da verdade, o Galatasaray não é uma equipa qualquer. É uma equipa de Liga dos Campeões, onde marcou presença no ano anterior. Mas que diabo, na Luz, poucas equipas europeias se podem gabar de regressar a casa com uma vitória. Uma delas é o Galatasaray, mais conhecido por “Gala”, na Turquia. E, verdade se diga, ganhou com toda a justiça.
Sem pretensões de adivinhar o que se passa no seio do balneário e do grupo de trabalho, não posso deixar de levantar algumas questões: qual a influência do jogo de Guimarães, no domingo, onde jogamos 45 minutos com 10 jogadores, no rendimento físico da equipa, no jogo de hoje? É ou não essa percepção de menor frescura física que impõe a rotatividade de jogadores, sistematicamente utilizada por Quique Flores?
Se a defesa permaneceu igual, do meio-campo para a frente o treinador espanhol fez duas alterações significativas: a entrada de Di Maria, que nem suplente foi em Guimarães, e de Nuno Gomes, que não foi titular no D. Afonso Henriques.
De fora, Aimar, Carlos Martins e Cardozo. Ruben Amorim, Urreta e Makukula, sem lugar. Custa perceber como se pode jogar com dois trincos – Yebda e Katsouranis – na Luz, contra uma equipa, forte e perigosa, mas que não é da primeira linha europeia.
E depois, custa perceber como é possível que a equipa demonstre ainda uma completa desorientação táctica, com os jogadores turcos a serem donos e senhores de todos os espaços do campo. Sem conseguir fazer qualquer tipo de "pressing" (lá está a parte física), os jogadores do Benfica assistiam à troca de bola entre os turcos: um, dois, três, quatro e mais passes, sempre à-vontade.
Com o jogo empatado e depois a perder, não se percebe porque é que Quique demorou tanto tempo a meter Aimar e Cardozo, sendo que, no caso destes dois, não arriscou nada, pois saíram Reyes e Nuno Gomes, enquanto Yebda continuava a fazer disparates sobre disparates.
Quique pediu tempo e, pelo que se viu, precisa de tempo. A equipa ainda está verde. E pelo que se percebeu (os aplausos no final), os adeptos tencionam dar tempo a Quique. Ainda bem. Do que não se precisa é de uma revolução. Mas, é preciso que no mercado de inverno se vá buscar dois bons laterais. E, por favor, aumentem os níveis físicos da equipa.
Nada está perdido, mas vem aí um jogo complicado com o Olimpiakos, na Grécia. É preciso não perder, para disputar o apuramento no último jogo, na Luz, com o Metallist. O que vale é que vem aí a Taça de Portugal, contra o Aves. Mas, nunca fiando. Foto: Nacho Doce (Reuters).

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cega, surda e muda???

José Saramago, um dos nossos maiores homens das letras de sempre, numa notável entrevista dada ontem à TSF, ao também notável programa “Pessoal e Transmissível”, do jornalista Carlos Vaz Marques, dizia sobre nós, portugueses, que não somos fatalistas, mas sim um povo alheado e indiferente ao futuro (sem pretender ser rigoroso na citação, foi esta a ideia).
Tem razão José Saramago. Somos um povo que faz do “encolher de ombros” uma filosofia de vida. Isso traz vantagens, mas muitas e sérias desvantagens. A primeira e mais séria dessas desvantagens é que quando confrontados com inquéritos sobre o funcionamento das nossas principais instituições democráticas, a nossa resposta é “não funcionam”, ou “não acreditamos nelas”, mas não ficamos minimanente preocupados com essa conclusão.
Recentemente, um estudo do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo revelou que os portugueses acham que Portugal é um país “razoavelmente seguro” (44%) e “muito seguro” (11%) e a maioria acredita nas forças de segurança. Mas manifesta “pouca confiança” (58%) e “nenhuma confiança” (21%) nos tribunais. Ou seja, quase 80% dos inquiridos não acredita num dos pilares fundamentais da democracia.
Alguém achou isto grave? Alguém procurou investigar as razões deste problema, um sério problema, para melhor o combater? Não, que ideia?! Encolhemos olimpicamente os ombros.
Porque raio é que me lembrei disto no dia em que é conhecida a decisão do Supremo Tribunal Administrativo que considera ilegais as escutas como meio de prova nos processos “Apito Dourado” e “Apito Final”?

E o eleito é...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A dúvida S


Mais uma dúvida: quem foi o autor do golo 5000 do Benfica? Para "A Bola", o "Record" e "O Jogo", foi o hondurenho Suazo; para o "Jornal de Notícias" e o "Diário de Notícias" foi o brasileiro Sidnei. De uma coisa todos estão de acordo, foram dois grandes golos, numa grande vitória. Fotos de Nacho Doce (Reuters).

domingo, 2 de novembro de 2008

Sistema - 1; Benfica - 2

O "sistema" bem tentou que o Benfica não se distanciasse mais do FC Porto. Sob a batuta desse sempre disponível para as tarefas sujas, Carlos Xistra, o plano esteve quase a resultar. Valeu que agora o exército vermelho está mais unido e solidário que nunca. É caso para dizer Sistema - 1; Benfica - 2 (sem desprimor para o Vitória de Guimarães, que não tem nada a ver com estes filmes). E agora, vamos ao jogo.
Quique surpreendeu ao escolher como dupla de ataque Suazo e Aimar, dois jogadores que vinham de paragens, deixando no banco Nuno Gomes e Óscar Cardozo. Não deu para especular muito sobre este método de rotatividade do plantel desenvolvido pelo treinador espanhol.
A equipa entrou bem, desinibida, sabendo que ganhando colocava-se quatro pontos à frente do FC Porto. E não tardou que Quique recolhesse os louros desta opção. Passe mágico do mago 10 argentino, Pablo Aimar, para o supersónico Suazo fazer um slalom perfeito deixando fora da jogada dois defesas vitorianos e desferindo um potente e colocado remate, sem hipóteses para Nilson. 1 – 0.
Pareceram premonitórias as palavras de Rui Costa, ao dizer que Aimar ainda ia dar muito ao Benfica. Se desde o princípio os milhares de benfiquistas tinham silenciado o D. Afonso Henriques, o que ali não é muito vulgar, depois do golo de Suazo mais se ouviu o grito de “Glorioso SLB”.
Apanhando o Vitória de Guimarães ainda aturdido pelo golo de Suazo, a equipa do Benfica chegou ao segundo golo, aproveitando a presença na área das duas torres, Luisão e Sidnei, com este a cabecear para o golo, num golpe de cabeça em que já mostrou ser exímio. 2 – 0.
O que se previa tornar-se um jogo fácil, num campo difícil, transformou-se rapidamente num pesadelo. Não por culpa do Benfica, não por culpa do Vitória de Guimarães, mas por exclusiva culpa de um árbitro chamado Carlos Xistra, que há muito devia ter sido colocado na “jarra”, ou seja, banido do futebol.
É impossível ser exaustivo na enumeração das asneiras de Carlos Xistra. Começou logo ao não marcar uma grande penalidade sobre Aimar. Depois, ao marcar fora-de-jogo a Suazo quando este partia isolado para a baliza. Um lance mal invalidado que podia ter dado o 3º golo ao Benfica.
A partir daí, a equipa de arbitragem tudo fez para prejudicar o Benfica. Recorde-se que Carlos Xistra é o mesmo árbitro que na 1ª jornada, no Rio Ave – Benfica, não marcou uma grande penalidade sobre Nuno Gomes.
Se a expulsão de Reyes é aceitável, e só há que lamentar a ingenuidade do extremo espanhol, então que dizer da agressão de Flávio Meireles, um jogador useiro e vezeiro neste tipo de lances, a Aimar. Aliás, Cajuda, velha raposa, com medo de mais uma diatribe de Meireles, deixou-o no balneário para a segunda parte.
E a bárbara agressão de Andrezinho a Suazo? E a marcação de faltas ao contrário, sempre em prejuízo do Benfica? Um despautério o senhor Xistra, cujas arbitragens já são um compêndio de incompetência.
Com menos um, o Benfica da segunda parte foi uma equipa solidária, batalhadora, generosa, eficaz e que nunca perdeu a cabeça. Um passo de gigante dado em comparação com épocas anteriores, em que os jogos, em circunstâncias idênticas, redundavam em empate ou derrota.
45 minutos com 10, vitória sofrida, mas justa; vitória do querer e da garra; vitória da inspiração e da transpiração. Mas também vitória de Pako Ayesteran, cuja trabalho físico está a dar os frutos que todos tínhamos por certos – a equipa mesmo em inferioridade numérica esteve sempre disponível em termos de capacidade física. E uma vitória também de Quique, que montou um esquema táctico perfeito, com dois pontas muito móveis e com a cobertura de Yebda e de Katsouranis, demonstrando um conhecimento profundo do Vitória de Guimarães. Cajuda levou um banho táctico.
Agora vem aí o Galatasaray para a UEFA. E ninguém espera outra coisa que não seja uma enchente na Luz. Para ser mais uma vez o Inferno da Luz! Foto em www.slbenfica.


Ficha de jogo
7ª Jornada
V. Guimarães – 1; Benfica – 2
Estádio D. Afonso Henriques
Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)
Golos: Suazo e Sdnei

Benfica: Quim; Maxi, Luisão, Sidnei e Jorge Ribeiro; Katsouranis, Yebda , Ruben Amorim e Reyes; Pablo Aimar e David Suazo.

sábado, 1 de novembro de 2008

5 + 4

Os 5 anos de Luís Filipe Vieira à frente do Sport Lisboa e Benfica, comemorados ontem, motivaram, nos últimos dias, declarações de apoio e de enaltecimento ao trabalho desenvolvido pelo Presidente da maior instituição portuguesa. Não deixa de ser estranho este unanimismo.
Estranho porque Luís Filipe Vieira nunca foi homem, felizmente, para unanimidades ou para grandes consensos. O líder da Luz é uma daquelas personalidades que não deixa ninguém indiferente – ou se ama ou se odeia. Curiosamente, como a Pinto da Costa. Vieira nunca pretendeu ser carismático, nem diplomático, nem conveniente, nem agradar a gregos e troianos. A sua vida teria sido muito mais fácil se fosse essa a sua intenção, como foi a de muitos outros presidentes do Benfica. Mas, pelo contrário, Vieira colocou sempre à frente os superiores interesses do Benfica, em prejuízo dos seus interesses pessoais e da sua imagem.
Teria sido fácil, e a merecer o aplauso hipócrita de muitos, fechar os olhos ao “Apito Dourado” e ao “Apito Final”, mas Luís Filipe Vieira não foi por aí, não foi pelo caminho mais fácil. Mesmo com prejuízo da sua vida pessoal (e só ele sabe o que a sua família sofreu) procurou sempre lutar pela regeneração do futebol português, pela credibilidade e pela transparência.
Hoje é fácil elogiar e apoiar Luís Filipe Vieira. O futebol português vive um momento histórico e de viragem, como o atesta a entrevista de hoje, a “A Bola”, de Ricardo Costa, o presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, embora ainda muito caminho falte para andar.
É por isso que o futebol português e o Sport Lisboa e Benfica ainda precisam da liderança de Luís Filipe Vieira. É que nada do que foi conseguido se pode dar por adquirido totalmente. O “sistema” anda por aí, cambaleante e moribundo, é certo, mas à espera de algum soro milagroso. As arbitragens do passado fim-de-semana, de Paulo Batista, no FC Porto – Leixões, e de Rui Costa, no Benfica – Naval, assim como a nomeação de Carlos Xistra para o V. Guimarães – Benfica, fazem temer que se possa estar a preparar um regresso ao passado. Só com a construção de um exército de apoio a Luís Filipe Vieira (e a outros, como Dias da Cunha, que estão imbuídos do meu espírito) se pode travar essa contra-ofensiva.
Vieira, em entrevista ao site do Sport Lisboa e Benfica, abriu a porta a uma recandidatura. Se os benfiquistas assim o entenderem, e ninguém acredita noutra hipótese, completará 9 anos à frente do clube da Luz. Se estes 4 próximos anos forem repletos de títulos, como todos desejamos e como tudo indica que serão (pelo trabalho feito, pela dinâmica do futebol imposta por Rui Costa), então Luís Filipe Vieira pode garantir aquilo porque nunca lutou, um lugar na galeria dos maiores líderes do clube da Luz.
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