quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O divã de alvalade

sporting - 1; Benfica - 4 (meias finais da Taça da Liga). O divã de alvalade serviu às mil maravilhas para recuperar animicamente os infelizes do Bonfim: David Luiz e Cardozo. A goleada podia ter sido mais expressiva, não se desse o caso de Di Maria estar exagerar nos seus slalons individuais. Muitos deles excepcionais, garantes de um espectáculo de qualidade superior, mas muitas vezes ineficazes.
Di Maria está a precisar de um divã e cabe a Jorge Jesus exercer uma das suas qualidades: um competente psicólogo. O extremo argentino vai ficar de fora do jogo com o Belenenses, pelo que entrará Fábio Coentrão. Pode ser que o tempo de descanso lhe refresque as ideias.
Por isso, foram 4, mas podia ser o dobro. Como os benfiquistas podiam ser o dobro daqueles que ocuparam todo um topo de alvalade. Mais de 6 mil, mas que podiam ter sido mais de 12 mil e assim ocupar as cadeiras vazias deixadas pelos sportinguistas desde o início do jogo, ou desde a meia-hora, quando Ramires fez o 0-2.
O resto foi uma gestão coerente de jogo jogado e de banco. Entrando de início com Éder Luis e Kardec, Jesus fez a gestão do plantel que se impunha e, na melhor oportunidade fez 3 substituições de uma assentada, entrando o trio maravilha: Cardozo, Aimar e Saviola – e a música passou a ser outra.
O sporting pode assim dar-se por satisfeito. Eu sei que o divã de alvalade não chega para joão pereira, mas a sua ficha médica indiciava que era um paciente de risco. Teve uma recaída grave e pode já não vir a ser consultado na áfrica do sul.
Enfim, Bettencourt tem muitos medicamentos para prescrever. A ressaca vai ser dura, mas nada que o tempo não cure. 4-1 é um resultado giro, mas a nossa alegria é comedida, bem sabemos que a compaixão é uma virtude e nunca gostamos de calcar quem está no chão. Afinal, joão pereira há só um. Foto: Francisco Seco (AP/Photo)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

De boa cepa

Em dia de derby, mais que falar em problemas e polémicas, vou privilegiar uma história de vida, contada, ontem, no DN, página 13, na primeira pessoa por um idoso de 88 anos da Régua.
Chama-se José Alves, este duriense de cepa recta e de antes quebrar que torcer. Estava, na sua provecta idade, com graves problemas de visão e foi operado no Centro Hospitalar de Trás-Os-Montes e Alto Douro, uma unidade hospitalar que em 9 meses operou aos olhos 3.700 pacientes, acabando assim com a lista de espera – um sucesso no interior do país.
Estava eu a contar que o senhor José Alves foi operado, em 10 minutos e sem anestesia, como reza a notícia, com enorme sucesso. Após lhe terem retirado os pensos dos olhos, exclamou: "Já vejo! Agora posso ver melhor os meus netos e o Benfica”.
O nosso abraço ao senhor José Alves. Que dure muitos e muitos anos, para ver o nosso Benfica muitas vezes campeão!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Estás perdoado Tacuara!

V. Setúbal - 1; Benfica - 1 (18ª Jornada da Liga Sagres). Caro Óscar Cardozo, eu imagino como ainda te deves sentir depois de teres falhado a grande penalidade no Bonfim, que daria a vitória ao nosso Benfica sobre o V. Setúbal.
Escrevo-te só agora porque tal como tu, eu e milhões de benfiquistas passamos mal aquela noite e hoje ainda dói um bocado recordar os 2 pontos perdidos.
Eu sei que o Setúbal e todas as outras equipas fazem o jogo da vida contra nós, triplicam de motivação e determinação e não foi por acaso que Manuel Fernandes lhes chamou heróis.
Apesar de não termos feito um grande jogo, podíamos e devíamos ter ganho. Quero mandar daqui um grande abraço ao David Luiz. A infelicidade dele também nos dá um grande nó na garganta.
Mas, Tacuara, quero que saibas que hoje estive no balneário da Luz e tirei uma fotografia junto ao teu cacifo. Estás perdoado. Todos os benfiquistas te perdoam porque tu foste mais uma vez gigante, na humildade de juntar as mãos pedindo desculpa aos adeptos. Estás desculpa. Força campeão! Foto: Francisco Seco (AP/Photo)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A teoria da conspiração

As estratégias da política servem para o futebol. A dramatização parece que resolveu assentar de estaca neste pobre país. O objectivo é claro: criar cortina de fumo. Deixemos a política, vamos ao mais importante.

Mário Crespo disse que este era “o país do palhaço”. Discordo. Este é o país dos palhaços. Custa ver um clube com a história do SC de Braga ser manietado e telecomandado à distância de 50 quilómetros mais para o litoral.

Na selva em que vivemos todos os meios são justos para se atingirem os fins. Na cabeça da liga, por mérito próprio, o SC Braga descobriu agora uma teoria da conspiração para explicar porque é que foi eliminado da Taça e passou para segundo.

A explicação não teria nada de grave e seria entendida como mero instrumento de estratégia interna, não fosse o caso dos antecedentes. E quais são os antecedentes? Desde logo, os ataques subliminares de início da época de Domingos Paciência, ex-glória do fc porto, ao seu antecessor, nem mais nem menos que Jorge Jesus, agora no Benfica.

Antes ainda, as frases incendiárias de António Salvador, presidente do SC Braga, e de Mesquita Machado, presidente da AG da Liga e da Câmara de Braga, após o célebre Benfica – SC Braga da época passada.

Frases que nunca se ouviram, nem a um nem a outro quando o SC Braga foi prejudicado em jogos contra o fc porto. Os dois, Salvador e Mesquita, regressaram ontem à boca de cena. O segundo apostando outra vez nas frases incendiárias, esquecendo-se dos cargos que ocupa, no futebol e na política. O primeiro, com uma carta aberta, de todo em todo invulgar no panorama do futebol português.

A teoria da conspiração, segundo eles, assenta no facto, único facto, do Benfica estar por detrás de toda a tramóia que dizem estar o Braga a ser alvo. Nem um nem outro desmentem as imagens do célebre túnel do estádio Axa – que como diz o acórdão da CD da Liga são “claras e inequívocas”.

Neste frémito anti-Benfica, Salvador e Mesquita, consciente ou inconscientemente, estão a esquecer que na vertigem pró-fc porto podem estar a estender a passadeira vermelha aos dragões no acesso à pré-eliminatória da liga dos campeões. É ou não uma bela teoria da conspiração?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os 4 tenores

Benfica – 3; U. Leiria – 0 (antecipação da 20ª jornada da Liga Sagres). Qual Scala de Milão!. Ópera a sério só na Catedral da Luz. Ontem, foi noite de gala. Daquela de “smoking” e vestido de noite debruado a lantejoulas. Não era para menos. Afinal, após a saga magnífica dos três tenores – José Carreras, Luciano Pavarotti e Plácido Domingos – o Benfica tem em cena, desde o início da época, os fantásticos quatro tenores – Di Maria, Pablo Aimar, Óscar Cardozo e Javier Saviola.

Querem espectáculo “vintage”, a pedir bis e a esgotar em poucas horas? Marquem já lugar para dia 13, sábado, na Luz, contra o Belenenses. Não se atrasem nem se distraiam. A procura é muita e os lugares limitados.

Ou, sabendo que os grandes artistas não se desculpam com o palco, comprem bilhete já para terça-feira, para o pobrezinho teatro de Alvalade, onde se deslocam os quatro tenores. Antes ainda, os magníficos vão dar um pequeno salto à margem sul, ali a Setúbal, onde no histórico palco do Bonfim prometem fazer vibrar a plateia.

Foto: Hugo Correia (Reuters)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Na primeira pessoa


Já tem quase uma semana, mas tratando-se de Eusébio, é sempre notícia, como dizia o saudoso jornalista Alves dos Santos. Em entrevista à revista Tabu, do Sol, numa altura em que completa 68 anos, o Pantera Negra resolve corrigir a história e contar toda a verdade, para desgosto de alguns aprendizes de revisionistas.

“(…) Marquei alguns golos pelo Sporting de Lourenço Marques, mas sem emoção. Estava desgostoso, eu não era do Sporting (…).

Mas acabou por ir para o Sporting?

Não comia e só chorava. Andava muito desgostoso porque só queria jogar no Desportivo e o treinador nem me deixava treinar (…)”.

A 17 de Dezembro de 2010 faz 50 anos que o Eusébio chegou a Lisboa. Dizem que foi raptado. Isso é verdade?

É triste. Isso é tudo mentira. O Sporting queria que eu viesse à experiência. O Sporting é que me queria raptar. O Hilário é que pode testemunhar. (…) Ainda por cima, eu não gostava do Sporting. Toda a gente sabe, em Moçambique, que eu era do Desportivo, a filial do Benfica. Sempre fui do Desportivo e do Benfica. (…)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Organização

Um administrador, com o pelouro das finanças, mostra desagrado interno pelo rumo das contas e ameaça demitir-se – a situação é relatada em meios de comunicação social hostis; um jogador é contratado, viaja desde o Brasil, chega para assinar mas afinal faltava concluir os detalhes – regressa ao Brasil; um jogador do plantel é dispensado e emprestado, na certeza daquela contratação, e logo é chamado à base porque, afinal, a contratação tida como certa falhou; o capitão de equipa, verdadeiro nº 2 na gíria do clube, pega-se à estalada com um colega no treino. Chama-se a isto Organização.
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