quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Diz-me com quem andas


Tenho estima por Rui Moreira, mas fiquei estupefacto ao vê-lo junto da maralha que se manifestou à porta da Liga, a favor da verdade desportiva (?). Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... Rui Moreira já quis ser várias coisas: presidente da Câmara do Porto, da Câmara de Matosinhos, presidente do fc porto. Esta sua faceta de populista só o diminui.
A indefinição sobre o que quer ser tem levado a que muitas vezes dispare em todas as direcções sem acertar em nenhum alvo. Homem culto e inteligente, é público que Rui Moreira foi perseguido por apaniguados do fc porto devido aos seus comentários "independentes" no programa desportivo Trio d´Ataque. O portista Rui Moreira saía frequentemente fora da linha fundamentalista que se mantém no poder no dragão há mais de 20 anos, e isso o estado-maior não podia permitir.
Rui Moreira sabe bem o que passou por esses actos de rebeldia. E isso paga-se caro. Não o levo a mal por agora ter uma postura mais de acordo com a linha que impera na cúpula do dragão. Já não percebo é que se disponha a dar a cara por gente sem nível, sem formação e sem princípios, em nome de causas que nada o dignificam. Questiono-me, por fim, sobre o que tem a ganhar?, quando o que prevejo é que não ganhe o apoio da ralé e, pelo contrário, que muitos que o respeitavam fiquem desiludidos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Javi é Javi

Se os holofotes têm estado frequentemente dirigidos a Saviola, Di Maria, Aimar e Cardozo, há um jogador no Benfica que me preenche todas as medidas, não só pelo que joga mas pelo que diz. Chama-se Javi Garcia.
O espanhol, ex-Real Madrid, é muito mais que o equilíbrio da equipa; é muito mais que um barómetro; é muito mais que o pêndulo. Javi Garcia é, a meu ver, o único insubstituível. Sempre jogando nos limites, sempre suando a camisola como se fosse o último jogo da sua vida.
Javi é um jogador à Benfica, como poucos o foram nestes últimos anos. Para além disso, é de uma humildade tocante. Sabe que não é o artista, sabe que não é o génio, sabe que não é o tecnicista, sabe que não é o goleador.
E sabendo tudo isso, apaga-se em favor do colectivo, deixa os holofotes para os outros, sem uma mágoa, sem um reparo, sem amargura. Pelo contrário, ele sabe que muitos dos êxitos passam por ele, pelo seu desempenho, e entrega à luta sem igual.
Mais do que isso. É vê-lo, muitas vezes, no final dos jogos, despir a camisola para a entregar aos adeptos, molhada de suor, como se estivesse na Luz há muitos anos. Mas mais, quando fala, Javi fala como se vivesse uma paixão, um amor ardente, na Luz, pelo Benfica.
Em Berlim, foi infeliz ao obter um auto-golo. Ontem, a sorte que protege os audazes, fez com que obtivesse um dos golos com que o Benfica goleou o Hertha de Berlim (4-0), na segunda mão dos 16 avos da Liga Europa, corrigindo o 1-1 da primeira mão e passando aos oitavos de final, onde vai encontrar o Marselha.
No final da época é crível que, pós Mundial, chovam propostas chorudas para muitos jogadores do Benfica. Mas, por favor, não deixem sair Javi Garcia. Foto: Naco Doce (Reuters)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Domingos não olhou para o chão

Domingos Paciência treinou a União de Leiria na época 2006/2007. Ficou célebre pelos bons e pelos maus motivos o jogo entre a União de Leiria e o fc porto. O jogo terminou surpreendentemente com a vitória da União, que lutava desesperadamente para fugir à despromoção. O fc porto tinha um percalço com que não contava.
No banco de suplentes Domingos não queria acreditar no que via. As imagens não correram mundo, mas deviam. O treinador da equipa que estava a ganhar baixava os olhos para não ter de ver o que se estava a passar no relvado.
A sua equipa derrotava o clube onde tinha passado toda a vida desportiva e que lhe tinha permitido iniciar a carreira de treinador pela União de Leiria, do amigo João Bartolomeu. Essas imagens vão perseguir sempre Domingos.
Ontem, no dragão, o agora treinador do Sp. Braga, com uma carreira brilhante na Liga, viu a sua equipa ser, pela primeira vez, goleada por 5-1, e ter sofrido mais de 50% dos golos averbados nas 19 jornadas anteriores.
O que fez Domingos? Olhou para o chão?. Não, de olhos fixos no relvado, deixava perceber um levezinho sorriso entre os lábios e lançou um suspiro. De alívio?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Venha o Marselha


Um jogo friorento. Um relvado impróprio. Uma desadaptação clara às cambiantes da partida. Um apagamento de Saviola e Ramires. Um resultado que dá a passagem para os oitavos-de-final. Um guarda-redes a precisar de uma exibição em cheio (e, porque não, Moreira?). Um treinador sempre “on fire”, como se quer. Uns adeptos benfiquistas do melhor. Um Javi azarado. Um Luisão imperial. Um David Luiz a merecer uma final europeia. Um Cardozo sempre presente. Um Di Maria a fazer sonhar os argentinos. Foi assim o Hertha – 1; Benfica – 1. E agora que venha o Marselha. Foto: AP Photo / Kai-Uwe Knoth

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Um livro para Rui Moreira

Acabo de ver o programa da RTPN “Trio d ´Ataque”. Mete-me nojo como pessoas inteligentes e civilizadas como Rui Moreira, por quem tenho estima, carregue na tecla das arbitragens que prejudicam o fc porto e impute ao Benfica o benefício das mesmas.
Veio Rui Moreira com o “Caso Calabote”, livro que apresentou recentemente, e que António-Pedro Vasconcelos brilhantemente desmontou e provou à saciedade que se trata de um “caso” risível, em que na verdade foi o Benfica o prejudicado nesse campeonato da década de 50.
Quanto a Rui Moreira, faltou responder-lhe com Carlos Calheiros, Martins dos Santos, Soares Dias, Jacinto Paixão, Augusto Duarte e tutti quanti – livros que chegavam para encher a Torre do Tombo.
Espero que no próximo programa, A-PV ofereça a Rui Moreira o livro-maldito “Golpe de Estádio”, assinado por um jornalista corajoso chamado Marinho Neves, que teve de se exilar por ter chamado os bois pelos nomes.
Faltou dizer a Rui Moreira – ele não tem culpa, mas às vezes as pressões dragonianas obrigam-nos a fazer uma figura menos própria – que o processo Apito Dourado apontou o dedo acusador ao fc porto por manigâncias ao longo de anos. Onde está a autoridade moral deste clube para dizer o que quer que seja sobre arbitragens? Decoro precisa-se.
Aliás, esta telenovela só existe porque o fc porto vai em 3º lugar e provavelmente fica fora da Liga dos Campeões. O desespero que vai pelo dragão justifica tudo. Mas já não justifica que pessoas que reputo como idóneas, como Rui Moreira, se deixem embalar pela espuma dos dias.
Quanto a A-PV, envio-lhe um abraço de amizade e de estima, e de parabéns pelo excelente filme “A Bela e o Paparazzo”, sinal de que o cinema português tem futuro quando é assumido por profissionais de excepção.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Q.B.

Benfica – 1; Belenenses – 0 (19ª jornada da Liga). Q. B. (Quanto Baste). Foi isso que o Benfica fez contra o Belenenses. Gestão de esforço, utilizando uma visão mais pragmática, mais utilitária, do jogo. O Benfica das goleadas, o Benfica mais romântico, mais espectacular, mais ópera e menos operário, não esteve na Luz – uma Luz com quase 50 mil, ao sol bonito de Lisboa, fria e quente.
Não houve Saviola, mas houve Ramires; não houve Aimar, mas houve Cardozo; não houve Di Maria, mas houve Coentrão. Três operários em detrimento de três fantasias. No fim, mais 3 pontos no bornal, em velocidade supersónica rumo ao título. Foto: Francisco Seco (AP/Photo)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Beto regressa ao local do crime


Faz quase um ano que o fc porto foi a Matosinhos para defrontar o Leixões, a equipa sensação da Liga 2008/2009. O jogo era tido como fundamental para as aspirações dragonianas em atingir o título. O Leixões inspirava cuidados acrescidos, até porque tinha vencido o fc porto no dragão por 3-2 e um percalço no estádio do Mar entregava a liderança ao Benfica.
A 7 de Março de 2009, jogava-se assim a 21ª jornada da Liga, com o Benfica a 2 pontos do líder. Nos dias anteriores ao Leixões – fc porto começaram a sair notícias do interesse azul-e-branco na contratação de Beto, guarda-redes do Leixões. Os jornais mais próximos do dragão escreviam mesmo que a contratação estava fechada.
Beto estava numa grande forma e era tido como o melhor guarda-redes da Liga e com provável chamada à Selecção. O jogo, que acabou com a vitória por 4-1 do fc porto foi marcado por vários casos, que o árbitro Rui Costa, do Porto, julgou sempre a favor do fc porto – uma agressão de Bruno Alves a Jorge Gonçalves que passou impune e um penálti mal assinalado a favor do fc porto.
Mas a surpresa maior estava focalizada em Beto, cuja exibição deixou muito a desejar, com o guarda-redes leixonense a ter culpas graves em muitos dos golos do fc porto. Esta época Beto veste de azul-e-branco e pouco tem jogado. Amanhã regressa ao Estádio do Mar para ver do banco de suplentes (ou da bancada) o Leixões – fc porto. É como regressar ao local do crime.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...