sexta-feira, 12 de março de 2010

Calar o Vélodrome

Benfica - 1; Marselha - 1 (Liga Europa, oitavos, 1ª mão). Olhemos para este empate com o Marselha, na Luz, como ele deve ser olhado: um resultado que deixa tudo em aberto para a 2ª mão, no Vélodrome. É pouco, é fraco. É, mas sabíamos à partida, e Jorge Jesus não se cansou de o dizer, que a eliminatória ia ser “renhida”.
O Marselha foi aquilo que se esperava. O Benfica foi menos do que se esperava. Mesmo assim podíamos ter ganho a uma equipa que está a 3 pontos da liderança do campeonato francês. Não se trata já de um campeonato qualquer. É com certeza, hoje, um dos campeonatos mais competitivos da Europa.
Basta ver o Lyon, em 4º lugar, a eliminar da Liga dos Campeões o colosso Real Madrid. O Marselha tem tudo para regressar aos lugares de destaque da Europa do futebol, onde já esteve. O Benfica também tem tudo para isso.
O jogo da 2ª mão vai ser também “renhido” e a eliminatória decidida nos detalhes. Espera-se no Vélodrome (onde Portugal já foi eliminado da final do Euro 84, pela França de Platini) um Aimar em melhores condições, um Ramires menos preso de movimentos, um Saviola à Saviola, um Cardozo mais matador.
Foi pena o golo no fim. Um golo completamente inesperado e evitável, logo após a Ramires ter enviado um balázio à barra. O futebol é assim. Mas em Marselha o Benfica vai mostrar que, como há 20 anos, vai levar de vencida o “onze” francês. A caminho de Hamburgo. Foto: Armando França (AP/Photo)

terça-feira, 9 de março de 2010

O regresso de Manuel Barbosa


Manuel Barbosa regressou do baú para onde em Portugal costumam mandar aqueles que são catalogados de trapos velhos. Em entrevista “A Bola”, o mais carismático empresário do futebol português, responsável por algumas das mais bem sucedidas contratações do Benfica dos anos 80/90 – Valdo, Mozer, Isaías, Ricardo Gomes, Aldair (ai que saudades, ai, ai!) – fala de tudo, dessasombradamente como sempre.
O pretexto foi o Benfica – Marselha que aí vem, dado que Barbosa manteve ligações muito estreitas com os dois clubes – sendo que com a ligação ao Marselha de Tapie ia deitando tudo a perder, e de alguma forma foi responsável por este ocaso prolongado de Manuel Barbosa.
Fico contente por assistir a este regresso de Manuel Barbosa. E gostei de saber que foi convidado pela Direcção do Benfica para viajar até Berlim, para assistir ao encontro com o Hertha.
Como benfiquista, sempre achei que este empresário do futebol colocava acima dos seus interesses os interesses do Benfica. Manuel Barbosa era um romântico e um homem, acredito, íntegro. Julgo que continua romântico e íntegro. Aprecio isso.
Conheci Manuel Barbosa em circunstâncias particulares. Estava em Madrid, por motivos profissionais, quando o vi entrar no hotel. Nunca com ele tinha falado. Trocamos algumas palavras e disse-me que se ia encontrar com o Presidente do Real Madrid, na altura Ramon Mendoza, para negociar a transferência de Futre para os “blancos”.
Almoçamos no dia seguinte e recordo-me que nunca parou de falar do Benfica, da situação do Benfica, do futuro do Benfica. Mais que um empresário, era um benfiquista. Manuel Barbosa regressou. Ainda bem. Foto retirada de entrevista que o empresário deu ao jornal i, em 31 de outubro do ano passado (ver e ler aqui).

segunda-feira, 8 de março de 2010

Isto é Benfica!


Benfica – 3; P. Ferreira – 1 (22ª jornada da Liga). Quarenta e três mil pessoas. Domingo à noite. Jogo em canal aberto. Tempo instável a ameaçar chuva. Isto é Benfica. Um Benfica pujante dentro do relvado, excitante e eufórico fora.
A bem dizer, não se saber bem se é a equipa a puxar pelo público, se é o público a puxar pela equipa. Tem dias. O de ontem à noite foi a meias. A equipa puxou pelas bancadas e das bancadas veio o 12º jogador que nos vai levar de novo ao título.
Irmanados no mesmo sentimento e na mesma paixão. Com 3 pontos de avanço, agora é tempo de pensar no velho conhecido Marselha de tão boa memória. Saviola voltou ao golos e às exibições de gala, vai ser decisivo na quinta à noite.
Cardozo facturou de novo, já vai em 18 e promete continuar de pé quente. Di Maria, bem!, é uma gazua inesgotável de talento e génio – falta apenas limar um pequeno pormenor, o tempo ideal para meter o último passe.
Airton foi um gigante e, sob os olhos de Javi, merece aprovação e nota alta. É claro que será Javi a estar de serviço contra o Marselha. O resto foi mais do mesmo: uma intensidade alta e quase permanente. A arrumar a um canto um adversário enorme, 5º classificado, e que não perdia há 7 jogos.
Vem aí uma noite europeia. Que se espera seja das antigas. Foto: Francisco Seco/AP Photo

sexta-feira, 5 de março de 2010

Passivo virtuoso

Os mais de 300 milhões de euros que, segundo as últimas notícias, o Benfica tem de passivo parecem um grão de areia insignificante, ridículo, desprezível, quando comparado com o encaixe que o Benfica pode fazer nas vendas de Di Maria, David Luiz e Cardozo – tudo somado, fala-se em mais de 100 milhões de euros.
Ou seja, aquilo que parecia ser um assustador défice, não é mais do que um sinal cada vez mais claro de uma gestão inteligente, responsável, mas, como as geniais, ousada e no limiar do risco.
O caminho trilhado por Luís Filipe Vieira está em vias de se tornar um “case study” da gestão em clubes desportivos. Ousar arriscar, investindo não só em atletas mas no fortalecimento do Benfica Global, com a Benfica TV à cabeça, era a opção mais difícil, até do ponto de vista pessoal para o Presidente do Benfica.
Mas a outra opção, seguida pelo Sporting, por exemplo, era atentatória da história gloriosa do nosso clube. Vieira sabia e sabe que o futebol é aleatoriedade, é bola no poste e penálti mal marcado, mas teve a genialidade para equilibrar a entrada em força no mercado de jogadores com o lançamento de um projecto (Benfica TV), que lhe permite uma maior liberdade de movimentos em termos de receitas de transmissão televisiva, e a criação do “Stars Fund”.
Para colocar o passivo quase no zero (uma situação inédita ao nível dos grandes clubes mundiais), basta vender os 3 jogadores referidos e mais uns quantos, como Ramires e Luisão. Vieira não vai por aí.
Sabe que o investimento estratégico, pensado e planificado é a mola do sucesso do Benfica. Sabe que vem aí a Champions, com os seus milhões e mais os milhões das transmissões televisivas. Sabe que vêm aí as enchentes da Luz, mais os milhões de receita que isso traz em bilheteira e merchandising. Sabe isso tudo e pensou isso tudo. Há muito tempo.
Por isso, quem se alarma com o passivo do Benfica não sabe do que fala.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Divórcio consumado


Está cavado o divórcio entre o público português e a Selecção. Definitivamente? Isso só Carlos Queiroz poderá responder, porque só ele tem nas mãos o poder para que tal não aconteça.
A exibição decepcionante contra a China, em Coimbra, num particular que assinalou o pontapé de partida para a campanha no Mundial da África do Sul, acabou num registo impensável há anos atrás.
Um coro de assobios à Selecção e gritos de olés em apoio da equipa chinesa tornou o ambiente insuportável para os jogadores, que saíram de cabeça baixa, e para o seleccionador, que, na conferência de imprensa, podia ter sido bem mais diplomático para quem paga o seu bilhete.
Queiroz tudo tem feito, nos últimos tempos, para estimular um clima de divórcio à volta da Selecção e vamos a ver as consequências dos assobios de ontem em Coimbra. Não é compreensível que o seleccionador convoque 8 jogadores do fc porto e do Sporting, terceiro e quarto da Liga, para um jogo em que já devia ter um grupo mais ou menos escolhido para levar à África do Sul.
Fábio Coentrão, Quim, Nuno Gomes, Carlos Martins, Hugo Viana, João Tomás – tudo nomes com quem se tem de contar, a não ser que Queiroz seja, neste momento, uma marioneta nas mãos de outros, com fins inconfessáveis. Foto: Paulo Duarte (AP/Photo)

terça-feira, 2 de março de 2010

Desculpas de mau pagador

São as desculpas de mau pagador. O fc porto nunca soube ganhar e, garantidamente, não sabe perder. Quando em 2004/05 perdeu o campeonato para o Benfica de Trapattoni, os portistas logo trataram de arranjar desculpas. Primeiro foi o caso do jogo que o Benfica disputou com o Estoril no estádio do Algarve, uma mudança ao abrigo dos regulamentos e realizada com a anuência do clube estorilista.
Como se não bastasse, o Estoril vendeu cara a derrota, por 1-2, obtida quase a cair o pano. Logo, tudo legal e límpido, não como muitas vezes aconteceu com o fc porto, no passado, com equipas subservientes ao dragão a abrirem literalmente as pernas (e com arbitragens a condizer).
Depois, ainda se lembraram de uma eventual irregularidade do Hélder. Vejam lá os moralistas do dragão, que ficaram muito incomodados quando o Benfica, no seu pleno direito e pretendendo limpar a honra do futebol português, argumentou com o processo Apito Dourado para o fc porto ser penalizado pelo afastamento da Liga dos Campeões (como devia ser, num estado de Direito), tudo inventaram para ganhar aquele campeonato na secretaria.
Agora, com o campeonato a esvair-se entre os dedos (e a Liga dos Campeões também), agarram-se como lapas à desculpa do túnel. Ora, basta verificar que nos jogos sem Hulk, o fc porto perdeu 7 pontos para o campeonato – 2 com Paços de Ferreira, 2 com Leixões e 3 com Sporting.
Com Hulk, o fc porto perdeu 13 pontos – 2 com o Paços de Ferreira (1ª jornada), 3 com o Braga (1-0), mais 2 com o Belenenses (1-1), mais 3 com o Marítimo (1-0) e mais 3 com o Benfica (1-0). Vejam lá a falta que faz o Givanildo!!!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A derrota do general Inverno

Leixões - 0; Benfica - 4 (21ª Jornada da Liga). Palavras para quê? É um treinador português, com classe, talento e génio. Jorge Jesus é o grande arquitecto da vitória do Benfica, em Matosinhos. Di Maria foi o génio que saiu da lâmpada de Jorge “Aladino” Jesus. Mas, antes, já a capacidade do mestre da táctica foi a mais-valia decisiva para levar por vencida um Leixões, em cujo campo o fc porto tinha empatado 15 dias antes.
Era um jogo de risco máximo, como tinha antecipado o treinador do Benfica. Não só pela capacidade da equipa leixonense, que no estádio do Mar é sério opositor, mas porque o mau tempo ia colocar dificuldades acrescidas. Além de que o Benfica vinha de uma jornada europeia a meio da semana.
Mesmo com o general inverno numa força pouco antes vista, o Benfica gosta de desmentir os metereologistas da desgraça, que previam a “débacle” da equipa, quando os terrenos ficassem mais pesados.
O onze do Benfica apareceu com duas grandes surpresas: o extremo Éder Luis, brasileiro contratado no mercado de inverno; e Airton, na vez de Javi, também contratado no mercado de inverno.
Ora, Éder Luís abriu o marcador (é certo que já antes Di Maria tinha marcado, mas incrivelmente, o fiscal de linha assinalou fora-de-jogo, num erro grosseiro), e Airton, antes de ser substituído, fez quase esquecer Javi, o que só atesta a sua qualidade.
O Benfica tem, assim, um plantel à altura de todas as responsabilidades, e um treinador que o sabe gerir como ninguém. Agora, a 9 jornadas do fim, o tempo é de cerrar fileiras e apoiar sempre a equipa, como os milhares de benfiquistas do Norte mostraram, em força e número, ontem, no estádio do Mar, apesar de toda a intempérie. Foto: Paulo Duarte (AP Photo)

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