quinta-feira, 3 de maio de 2012

Fica e fica bem...

A entrevista de Jorge Jesus hoje ao jornal "A Bola" tem a validade de uma renovação do contrato. É certo que ele tem mais um ano, mas quem diz o que ele disse - e disse-o muito bem - só pode ficar - e fica muito bem.
No futebol, como um dia disse Pimenta Machado, o que hoje é verdade amanhã é mentira. Contudo, uma coisa é certa: em Portugal, Jorge Jesus fechou todas as portas, apenas o Benfica será a sua casa. Estrangeiro? Pode ser, mas não acredito.
JJ não tem o perfil de emigrante, além do mais, como ele diz e bem, chegou ao topo e tem um ordenado que lhe permite viver desafogado até ao fim dos seus dias. Posto isto assim, a entrevista colocou um ponto final nas especulações e vem na altura certa. O mundo muda muito depressa e a volatibilidade das coisas é o nosso dia-a-dia, mas Jorge Jesus está para ficar. Ainda bem.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tributo aos "heróis" 2011/2012

Os meus parabéns ao Fidélis – não se esqueçam da faixa para ele – e ao Benquerença. Um grande bem-haja ao Hugo Viana e ao Paulo Batista – eles merecem por são dignos intérpretes do futebol fantasia.

Um abraço do tamanho do mundo (não confundir com o abraço de urso) para o Ricardo Santos, essa anónima personalidade que um dia a justiça irá lembrar para a posteridade e elevar ao Olimpo do deuses. Não se sabe ainda se a justiça civil, a justiça dos homens ou a justiça divina, mas para o caso tanto faz.

Ah, e não esquecer de agraciar esses eloquentes símbolos da seriedade e da competência, que dão pelo nome de Carlos Xistra e Hugo Miguel. Tudo sem aspas, se faz favor, que o cinismo não é para aqui chamado, quanto mais a ironia.

E, por último, não esquecer esse bravo entre bravos, o senhor Vítor Pereira, não esse, o outro, a quem o país tanto deve e certamente surgirá em breve num qualquer púlpito a dizer de sua justiça. Obrigado a todos por honrarem um país que já a perdeu há muito – a honra.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A minha opinião, no link

Publiquei (ver link) http://www.noticias-do-futebol.com/content/jorge-jesus-porque-sim este texto no sítio "Notícias do Futebol". JJ ainda é parte da solução. Mas a sua margem de erro, a partir de agora, não é curta, é zero. Amanhã pode ser um bom dia para começar a preparar o futuro.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Parte da solução ou do problema?

A derrota de ontem à noite culminou um período de 2/3 meses da mais desastrosa gestão desportiva de que tenho memória no Benfica. E numa altura em que se entregou de mão beijada ao fcporto, a não ser que aconteça um golpe de teatro, um campeonato que tivemos seguro, uma questão deve ser já colocada: Jorge Jesus é parte da solução ou parte do problema?

A resposta não é fácil, não é pacífica, nem pode ser definitiva. Ela depende de muitos factores, desportivos e não só, mas é nela que deve ser encontrado o caminho do futuro sucesso desportivo do Benfica.

Os prós e contras da continuidade ou não de Jesus são equivalentes. A contabilização de um lado e do outro da balança terá de ser feita por quem está lá dentro, próximo da esfera restrita do treinador, e o voto de qualidade pertencerá por direito a Luís Filipe Vieira.

A braços com dossiers estruturais para resolver e onde se jogará o futuro a médio/longo prazo do Benfica, como o dos direitos televisivos, Vieira vê-se confrontado com a necessidade de desfocar as suas atenções para resolver um problema imediato: a questão JJ.

Ir pelo lado mais fácil pode ser sedutor para quem tem também de gerir uma próxima época desportiva cujo início colide com a realização de eleições no Sport Lisboa e Benfica. Mas o Presidente do Benfica sabe por experiência própria que o problema nem sempre está onde parece mais evidente.

A época não terminou. A Taça da Liga e a entrada directa na Champions são objectivos que devem ser atingidos. Os recursos humanos que foram colocados à disposição de Jesus, através de uma política de investimento desportivo ambiciosa e certeira, não podem ser desbaratados.

Jesus terá de fazer um mea culpa interno para voltar a ganhar a confiança de todos. Nem tudo está perdido quando se assumir onde se falhou. É esse “relatório e contas” de que Luís Filipe Vieira está à espera. Na sua elaboração, JJ joga o seu futuro. Espero que seja tão sagaz a escrevê-lo como o é tantas vezes no banco.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Do fundamentalismo



Portugal é um país estranho. Belo, sem grande conflitualidade social, de clima ameno. Um grande país para se viver. O problema, já dizia o outro, são as pessoas. Não que os portugueses sejam cidadãos de segunda, mas porque a nossa congénita inveja (ai os Lusíadas) faz de nós um povo assaltado por sentimentos mesquinhos.
Gostamos da intriga, da hipocrisia, de morder pela calada. Temos receio de dar a cara, de emitir opiniões, preferimos a ambiguidade. Convivemos mal com a frontalidade e a transparência, preferimos a dissimulação e a palmadinha nas costas.
Indignamo-nos com pouco e encolhemos os ombros face às maiores aleivosias. Há dias, devíamos todos ter corado de vergonha pelos ataques soezes que sofreu uma professora da Ericeira que brincou com os seus alunos, juntando a uma cançoneta infantil a expressão "Viva o Benfica". A escola foi apelidada de madrassa pelo erudito site do fc porto e a professora catalogada de taliban.
Há dias, um conhecido comentador desportivo, João Gobern, foi "apanhado" a festejar o 2º golo do Benfica durante o programa em que participa na RTP com Bruno Prata, enquanto este usava da palavra. Daí até aos insultos na blogosfera e no facebook foi um ápice.
Vivemos tempos conturbados, mas é por isso que pessoas como Joel Neto, um sportinguista que ironizou com brilhantismo sobre a "madrassa" da Ericeira escrevendo n´O Jogo que também educadoras do Sporting e do FC Porto podiam e deviam adicionar slognas clubísticos a outras cantigas, e como João Gobern, um benfiquista que não conheço pessoalmente mas ouço com regularidade no, provavelmente, melhor programa da rádio em Portugal, o Hotel Babilónia, me fazem continuar a ter esperança na natureza humana.
E claro, um grande bem-haja para a professora da Ericeira, cujo suposto "fundamentalismo" não meteu medo às suas crianças. Medo tenho eu dos fundamentalistas e talibans sem rosto, sem nome e sem opinião.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mais cedo ou mais tarde, chegamos lá...

Ser pragmático é pensar que o Benfica pode ir a Londres vencer o Chelsea e ser apurado para as meias-finais da Liga dos Campeões. Ser realista é pensar que o Benfica não é inferior a este Chelsea e que a eliminatória ainda está em aberto.
Estas são as minhas opiniões. Mas elas não me fazem ignorar que o Benfica ainda tem um longo caminho a percorrer até recuperar o seu lugar no topo do futebol europeu. Os anos de Vale e Azevedo que quase destruíram o Benfica e os anos anteriores de direcções fracas, erráticas, desastrosas, com o epicentro máximo no mandato Manuel Damásio, deixaram sequelas graves e profundas, que demoram a curar.
O Benfica esteve muitos anos longe da ribalta europeia. Como esteve o Ajax e o Liverpool, para só citar dois dos casos mais flagrantes. E isso paga-se. Paga-se, como se viu ontem, de duas maneiras: inexperiência e falta de "peso político", ou seja, falta de força ao mais alto nível para obrigar os árbitros a terem respeito pelo clube.
A falta de experiência viu-se a olho nu no lance de golo do Chelsea. A falta de "peso político" na alta esfera do futebol europeu viu-se na não marcação de um penálti evidente por mão de Terry na grande área do Chelsea.
Temos, ainda, de ser objectivos: Emerson não pode ter lugar num equipa que tenha sustentadas intenções de atingir uma meia-final da Liga dos Campeões; e a Jardel faltam ainda alguns anos ao mais alto nível; como faltam a Gaitán, a Witsel ou a Nolito. E Rodrigo? Deixou de saber jogar à bola?
Dir-me-ão: é fácil agora dizer isto. Não é verdade. Isto são evidências de toda a gente. O Benfica tem condições, ainda, para eliminar o Chelsea, mas tem de continuar a ganhar músculo a este nível durante muitos anos seguidos. 
É por isso que estar na Champions de forma frequente e sustentada é decisivo. O Benfica vai chegar lá. Não tenho dúvidas. O Benfica pode estar a um pequeno passo (2/3 anos) de voltar a ganhar uma Liga dos Campeões.
Para isso, a actual direcção do Benfica, liderada por Luís Filipe Vieira, não se pode desviar um milímetro do caminho traçado pelo Presidente do Benfica, e que passa, em primeira mão, por dois vectores fundamentais: assegurar a continuidade de jogadores-chave, com a renovação dos contratos de Aimar, Luisão, Maxi, Cardozo (é claro que quem bater as cláusulas de rescisão pode sempre assegurar o jogador); garantir a entrada na equipa principal de cada vez mais jogadores portugueses oriundos da formação, de que são exemplos maiores Nélson Oliveira, Luís Martins e Mika.
A estratégia está montada e bem montada. O Benfica vai chegar lá. E, com um pouco de sorte (como teve o Chelsea, ontem na Luz), até pode já dar um passo decisivo nesta caminhada na actual edição da Champions. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Tempo perdido

Acabo de assistir ao Dia Seguinte, na SIC Notícias. Não consigo perceber o alinhamento daquele programa. Na véspera do Benfica - Chelsea para os quartos-de-final da Liga dos Campeões (que já é hoje), mais de 80% do programa foi para escalpelizar os erros arbitrais dos jogos Olhanense - Benfica e Paços de Ferreira - fc porto.
Porra, o Benfica jogou na sexta-feira, há 3 dias, portanto, e toda a gente viu, toda a gente sabe, que o Benfica foi prejudicado - penálti sobre Cardozo, penálti sobre Javi, Aimar expulso mas não Maurício, nem Toy. Toda a gente viu, toda a gente sabe que o fc porto foi beneficiado em Paços de Ferreira.
Rui Gomes da Silva tem de responder às perguntas e esteve à altura, mas devia ter dito: "alto e pára o baile, vamos falar do jogo da Champions onde está o Benfica e não está o fc porto nem o sporting".
Os benfiquistas gostavam de ter ouvido Rui Gomes da Silva falar desse grande jogo, e gostavam de ver as caras de dor de corno de José Guilherme Aguiar e de Dias Ferreira. Assim, perdeu-se tempo com coisas já gastas e perdeu-se uma boa ocasião para promover mais o jogo de logo à noite. Um jogo em que o Benfica tem tudo para fazer uma grande noite europeia. E era bem mais bonito e eficaz ter falado disso não era Rui?
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