domingo, 11 de janeiro de 2009

Os papagaios

Com a derrota na Trofa, apareceram os papagaios. Nem a desastrosa época do ano anterior, com um 4º lugar, lhes aguçou tanto o apetite. Então, porquê agora? A derrota e a exibição da equipa fora miserável com o Trofense, convenhamos. Mas uma tão concertada orquestra de críticas por parte de alguns ditos notáveis era coisa que já não se via há alguns anos.
Por detrás desta vozearia está uma, e só uma, justificação: 2009 é ano de eleições. Lá para finais de Outubro o Benfica escolhe o seu Presidente. E nos clubes de futebol, os resultados desportivos são um argumento não negligenciável.
Jaime Antunes, Gaspar Ramos, Fernando Seara, Bagão Félix. A ordem é arbitrária, ou talvez não. O economista, candidato esmagadoramente derrotado por Luís Filipe Vieira, nas eleições de 2003, não desaproveitou a hora má da equipa para aparecer à boca de cena.
Antunes, que não se congratulou com as vitórias sobre o Nápoles ou sobre o Sporting, “leu”na derrota da Trofa o descalabro do clube, sem liderança, sem rumo, sem futuro. Não lhe ocorreu pensar que um clube dividido é um clube mais fraco?; que quando fala mal do Benfica está a prestar um bom serviço aos nossos adversários?; que os benfiquistas já lhe mostraram quanto vale?
Gaspar Ramos é o crítico de plantão da comunicação social quando é preciso dizer mal do Benfica. O antigo chefe de departamento de futebol tem vindo, nos últimos anos, a desrespeitar o seu passado e a dar de si uma triste imagem. É pena.
Gostava de continuar a recordar-me do Gaspar Ramos, figura controversa do futebol português nos anos 80, a primeira a confrontar Pinto da Costa e o FC Porto. Numa altura em que Pinto da Costa e o FC Porto começavam a montar o seu célebre “sistema”, responsável por muitos e decisivos êxitos desportivos, Gaspar Ramos foi o único que se lhes opôs. Admirei-lhe sempre a coragem. Sozinho, muitas vezes mesmo no seio do seu clube de sempre, o antigo chefe do departamento de futebol percebeu a armadilha e, em defesa dos superiores interesses do Benfica, tentou desmontá-la. Ficou isolado e imolado.
Talvez porque nunca lhe tenham feito justiça, agora demonstre o seu ressabiamento. Talvez porque lide mal com o afastamento de cena, agora nunca perca uma oportunidade para aproveitar os holofotes. O certo é que Gaspar Ramos não é uma consciência crítica do Benfica, nem uma reserva moral, nem uma eminência parda. Não se deu ao respeito e perdeu o respeito dos benfiquistas. E é pena.




Fernando Seara não é propriamente um crítico. Nem podia sê-lo. Mandatário de Luís Filipe Vieira nas eleições de 2006, Seara tem uma imagem desgastada junto dos benfiquistas. O seu estilo no programa “O Dia Seguinte”, na SIC Notícias, é pouco consensual. Mas não passa de um estilo, embora ineficaz, é certo.
Não comungo da sua opinião sobre o jogo da Trofa, nem me pareceu apropriado o ataque a Quique Flores, mas foi apenas uma opinião e Seara tem direito a tê-la. Grave foi quando defendeu o sumaríssimo a Luisão, após o jogo com o FC Porto.
O presidente da Câmara de Sintra já deve ter perdido todas as ambições de ser Presidente do Benfica. O clube permite-lhe a ocupação de um espaço público, que Seara não aproveita da melhor forma. A página n´”A Bola”, que, segundo ouvi da boca de um dos seus mais próximos, não é escrita por ele, é um longo e inócuo bocejo. Neste contexto, Seara é irrelevante.


Bagão Félix. Confesso que o ex-ministro das Finanças me surpreendeu pela negativa. Não estava a vê-lo envolvido nesta mera intriga palaciana. Félix é um ilustre e respeitado benfiquista, cujos recentes elogios à gestão financeira de Luís Filipe Vieira, o tornavam numa forte hipótese para candidato à Presidência da Assembleia Geral nas listas do actual Presidente do Benfica.
Momentos maus todos têm, até a equipa de futebol. O que é incompreensível é que num homem da honorabilidade de Bagão Félix, respeitável e respeitado, ilustre e notável, se lhe tolde a clarividência e desate a criticar os jogadores, um por um.
Bagão Félix, Jaime Antunes, Gaspar Ramos, Fernando Seara, prestaram um mau serviço ao Benfica. De Jaime Antunes e de Gaspar Ramos já nada mais se espera do que o destilar de veneno quando as coisas correrem mal. Nada de positivo dali se pode esperar.
De Fernando Seara espera-se que arranje algum suplemento de alma para defender mais eficazmente o seu clube do coração. Porque será que para criticar Seara é bem mais acutilante do que para aplaudir?
Estamos convencidos que Bagão Félix já se deve encontrar arrependido das declarações que fez. Acreditamos que se vai redimir e que tudo não tenha passado de um equívoco. A equipa vai dar-lhe ainda grandes alegrias.

Post-Scriptum: Carlos Quaresma, que se auto-intitula empresário português radicado na Suécia, é um homem sempre muito procurado por alguma comunicação social para falar sobre o Benfica. Em 2003, tentou ser candidato à Presidência, mas os processos irregulares perseguem-no. As últimas entrevistas que deu só podem ter um resultado: ser expulso de sócio (se o for…).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Enfim, felizes!

V. Guimarães – 0; Benfica – 2 (Taça da Liga). A manchete da “A Bola” de hoje diz tudo: “Enfim, felizes”. Como um suspiro de alívio, a vitória de ontem em Guimarães, para a Taça da Liga, foi um bálsamo para a alma. Enfim, felizes. Depois de uma noite de pesadelo, domingo. De um acordar pesado, segunda. De uma conversa de homens para homens. De um agitar de consciências e uma assumpção de responsabilidades. Enfim, felizes.
Esta felicidade não pode ser esporádica. Tem de ser duradoura. A mensagem dura mas leal, porque carregada de razão e dita olhos nos olhos, foi interiorizada pelos jogadores. Os homens têm carácter. Demonstraram-no no relvado do D. Afonso Henriques. Unidos, solidários, dignos do manto sagrado que envergavam. Finalmente, dignos. E nós, enfim, felizes.
Que a lição tenha sido aprendida, por uma vez. Que tudo não tenha passado de um sonho mau. Porque ninguém respeita quem não se dá ao respeito. Porque a Direcção, que lhes paga bem e a tempo e horas, não merece. Porque o director desportivo que os acompanha de perto, todos os dias, e que os estima, não merece. Mas, principalmente porque os adeptos que os apoiam ao frio, à chuva, onde quer que seja, nos momentos bons e menos bons, não merecem.
Carlos Martins disse o que precisava de ser dito – esta vitória é dedicada aos adeptos. Tudo está bem? Não. Mas até domingo, enfim, felizes. E domingo ao final da tarde, na Luz, contra o Sporting de Braga, queremos ver mais carácter, mais união. E sempre o respeito pelos adeptos. Vamos encher a Luz! Legenda da Foto: Katsouranis, o homem do jogo (João Relvas/LUSA)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A culpa não pode ser sempre do electricista

Hoje à noite, em Guimarães, o Benfica disputa um jogo mais crucial do que o facto de estar integrado na fase de grupos da Taça da Liga faria prever. A derrota na Trofa ainda agita os corredores da Luz. E a pergunta que se coloca neste momento é: e se a coisa der para o torto, como, na normal imprevisibilidade do futebol, pode acontecer?
Uma coisa é certa. Se o murro na mesa de segunda-feira, durante a conversa de balneário mais pública de que há memória, tiver sido entendido por todos e tiver tido um efeito mais pedagógico do que castigador, então teremos Benfica.
Se os jogadores demonstrarem que a qualificação de “falta de carácter” lhes assenta que nem uma luva, então é preciso procurar a Luz ao fundo do túnel. E, meus amigos benfiquistas, a culpa não pode ser sempre do electricista…

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A importância do adjunto

Quique Flores conferencia sempre com Pako Ayesteran, adjunto e preparador físico, antes de fazer qualquer substituição. A situação é conhecida. As imagens do banco de suplentes do Benfica durante os jogos revelam-nos essa proximidade funcional e dialéctica.
Até aqui, nada de mais. Há treinadores para todos os gostos e feitios. Há-os mais ou menos interventivos; mais ou menos inseguros; mais ou menos individualistas. Há os que gostam de andar permanentemente ao longo da linha lateral, de cá para lá, como Jorge Jesus; os que preferem estar de pé encostados ao banco, como Paulo Bento; os que se penduravam no banco, como Camacho; os que olham o jogo de braços cruzados, de pé, com uma das mãos na cara, como Jesualdo Ferreira. Quique fala com Pako e este faz desenhos para mostrar, no papel, a nova configuração do sistema de jogo (julguei que as suas aptidões e méritos se situassem unicamente no campo da preparação física).
O problema começa quando este diálogo emperra a tomada de decisões que devem ser imediatas. No futebol moderno, as vitórias decidem-se, a maior parte das vezes, em fracções de segundo – o tempo que demora uma decisão.
Na segunda jornada da Liga, na Luz, contra o FC Porto, a entrada de Sidnei para equilibrar a equipa depois da expulsão de Katsouranis, demorou 6 minutos. Uma eternidade. Na altura, a máquina ainda perra do futebol portista não soube aproveitar esta e outras debilidades.
Na Trofa, domingo à noite, a conferência prolongou-se por tempo demais e, enquanto o diabo esfrega um olho, Bynia (o substituído) viu o segundo amarelo e correspondente vermelho. O Benfica ficou a jogar com 10 ainda com 30 minutos de jogo pela frente.
Não me interessa aqui abordar os métodos ou o estilo de Quique Flores no banco. Nem se faz bem ou mal em se aconselhar previamente com Pako antes de tomar decisões (diz o povo que duas cabeças pensam melhor do que uma).
Esta metodologia, chamemos-lhe assim, leva-me a reflectir sobre o papel do(s) adjunto(s) numa equipa de futebol. Parece-me instituída no futebol português a fórmula que permite ao treinador principal escolher os seus adjuntos, que, na maioria dos casos, o acompanham ao longo da carreira – os seus homens de confiança.
Lembro-me que foi por causa de um adjunto que José Mourinho não ficou no Benfica, quando rejeitou a imposição de Jesualdo Ferreira pelo clube. No FC Porto, a regra é que não há regra: Jesualdo já teve Carlos Azenha e agora tem José Gomes.
Quando chegou a Chelsea, Mourinho, que tinha impostos os seus adjuntos no FC Porto, aceitou como braço direito um homem da casa, Steve Clark. E agora no Inter, privilegia outro “nacional”, Guiseppe Baresi.
Voltemos ao Benfica. Quique tem Pako, mas também tem Diamantino e Fernando Chalana, em lugares bem discretos (e Fran Escrivá). E a pergunta que se põe é a seguinte: deve o Benfica continuar a aceitar que o treinador principal traga consigo os seus “homens de confiança”, ou deve caber ao clube a responsabilidade de indicar o adjunto (inevitavelmente, português)?
Voltemos a recuar no tempo e a lembrar quem era o adjunto de Giovanni Trappatoni, no último título de campeão, em 2004/05 – Álvaro Magalhães, esse mesmo. E, porque não, Diamantino?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Farto de desculpas

Pode um erro monumental do árbitro Jorge Sousa (sempre um artista) desculpar uma derrota, pior do que uma derrota, uma exibição deplorável, indesculpável, vergonhosa? Resposta: não pode.
O que se passou ontem à noite no estádio do Trofense está longe de não ter explicação, tem muitas explicações. A primeira e mais grave, displicência. Displicência quer dizer desinteresse, falta de profissionalismo, alheamento.
Quique chamou-lhe falta de carácter. Pois eu discordo. Não é falta de carácter, é “sem” carácter. A falta pode ser sempre suprida, mais cedo ou mais tarde. Eu acho que há jogadores do Benfica que não têm qualquer carácter.
Pausa e vou beber um copo de água. E se o cabeceamento de Suazo, logo no primeiro minuto tem entrado? E se Aimar não tem falhado escandalosamente a abertura do marcador? E se Jorge Sousa (esse grande palhaço, sem menosprezo para os palhaços) tem visto o fora-de-jogo de quilómetros do jogador do Trofense, que dá o 1º golo?
Pois, se, se, se… Se Quique tem colocado mais cedo Cardozo junto de Suazo, ou se Di Maria fizesse jus ao interesse do Real Madrid? Tudo suposições. Os factos são os seguintes: derrota por 2-0 frente ao último classificado e perda do primeiro lugar.
E o que resta perguntar é: que consequências é que esta derrota encerra para o futuro? É que já não há mais margem de manobra para desculpas… Foto: Paulo Duarte (AP Photo)

Ficha do jogo
Trofense – 2; Benfica – 0
Estádio do Trofense
Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

Benfica: Moreira; Maxi, Luisão, Sidnei e Jorge Ribeiro; Bynia, Carlos Martins, Ruben Amorim e Di Maria; Aimar e Suazo.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Quem vê, TV...

O Benfica joga hoje à noite na Trofa. O jogo com o primodivisionário Trofense, no concelho mais jovem de Portugal e, como o clube, em franca expansão e desenvolvimento, encerra dificuldades várias: a pressão de continuar líder, as dimensões mais reduzidas do terreno, a motivação extra dos jogadores do Trofense.
Não será por falta de apoio que o Benfica não irá ganhar, como se espera, como todos esperamos. Com uma lotação estimada em 6 mil lugares, o estádio do Trofense está já completamente esgotado. Destes 6 mil, não é arriscar muito se dissermos que 2/3 serão adeptos do Benfica, até porque o Trofense não chega aos 3 mil associados e, como é público, muitos dos bilhetes para sócios foram vendidos a não-sócios.
Esta não é uma realidade invulgar. O Benfica joga sempre em casa, fora da Luz, exceptuando Dragão e Alvalade (e, neste último, com a falta de militância assumida, a coisa se calhar vai dar ela por ela). A noite histórica que o Trofense vai hoje viver, com a maior assistência de sempre, já a viveram todos os clubes que marcaram presença na I Divisão e os que afortunadamente tiveram o Benfica, em sua casa, para a Taça de Portugal.
João Vieira Pinto, num momento de grande lucidez e felicidade, resumiu isto há uns anos numa célebre conferência de imprensa: “São 6 milhões de benfiquistas”. O que quero realçar é que o Benfica é o “abono de família” de praticamente todos os clubes portugueses, e, por isso, o preço dos bilhetes faz jus a esse “momento histórico”.
Vem isto a propósito de um trecho da entrevista de Luís Filipe Vieira ao jornal “A Bola”, onde o Presidente do Benfica assumia que o clube tinha de ser recompensado proporcionalmente à dimensão de mercado que detém. Estamos a falar, claro, das verbas pagas pelos direitos televisivos.
É que não é só nas bancadas que o Benfica é maioritário. Também no conforto dos sofás, nas mesas de café ou dos restaurantes, ou em qualquer parte onde exista uma “caixinha que mudou o Mundo”, os jogos do Benfica são maioritariamente vistos. E isto, que faz reverter para as operadoras televisivas centenas de milhões de euros, tem de ter um retorno justo e correcto.
Sem rasgar contratos, nem rejeitar compromissos, o que Luís Filipe Vieira deixou bem vincado é que a marca Benfica, que, ainda segundo notícias recentes, vale 25 milhões de euros/ano em merchandising só em Portugal, não pode ser só o “abono de família” das operadoras televisivas mas receber aquilo que a sua dimensão planetária exige.
Não é possível continuar a receber o mesmo que um clube do fundo da tabela recebe na Liga espanhola. 2009 vai ser um ano importante no que a este assunto diz respeito, e no qual a Benfica TV tem um papel decisivo. Muito dos sucessos desportivos na Europa do futebol também passam pelo sucesso desta estratégia.
Para os mais distraídos, aqui fica o ranking das maiores audiências e shares televisivos dos jogos transmitidos pela RTP1(canal aberto) na Liga 2008/2009. Veja e reflicta:

1º Benfica-Naval 18% (Audiência) 47,2% (Share)
2º Leixões-Benfica 17% / 40,8%
3º P.Ferreira-Benfica 16,1% / 36,7%
4º Benfica-V .Setúbal 16% / 37,6%
5º Sp. Braga-Sporting 14,8% / 34,4%
6º Marítimo-Benfica 14,6% / 38,1%

Dá para reflectir, não dá?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Voz de comando

A entrevista que Luís Filipe Vieira deu ao jornal “A Bola” tem muitos significados. O Presidente do Benfica reservou o primeiro dia “oficial” de 2009 para enviar um sinal claro aos benfiquistas e ao futebol português: podem contar com ele para todos os combates em defesa dos mais altos interesses do Sport Lisboa e Benfica.
Quando se avizinham jogos importantes e decisivos para a definição da Liga, Vieira não poupou nas palavras: “Espero que nos deixem ganhar a Liga dentro do campo”. O “timing” para este aviso à navegação não podia ter sido mais oportuno.
A última arbitragem de 2008, o já tristemente célebre desempenho de Pedro Henriques no Benfica – Nacional, foi a gota que entornou um copo já cheio das más arbitragens que têm prejudicado o clube.
Face a este panorama, que mete Olegários, Xistras e Lucílios, Vieira coloca a responsabilidade nas mãos de Vítor Pereira, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, ao referir que “quer continuar a manter a confiança nele”. Cabe agora a Vítor Pereira saber merecer essa confiança.
Paladino da luta pela verdade desportiva, com Dias da Cunha, Luís Filipe Vieira tem a autoridade moral para exigir mais respeito e critérios mais transparentes na arbitragem dos jogos do Benfica. A dimensão do eco destas palavras, só o tempo a mostrará.
A menor exposição mediática no segundo semestre de 2008 não significou da parte de Luís Filipe Vieira um menor acompanhamento dos assuntos do Benfica. Pelo contrário, o recuo conjuntural e estratégico permitiu um maior envolvimento em áreas muito sensíveis, como ainda e sempre a consolidação financeira, e o lançamento de projectos pioneiros e emblemáticos, de que a Benfica TV é o expoente máximo.
2009 será assim decisivo no retorno a que o Benfica tem direito por ser uma espécie de “galinha dos ovos de ouro” do panorama televisivo português. Principal marca nacional e líder absoluto de audiências, o Benfica exige receber a justa contrapartida pelos milhões que faz entrar em muitos outros bolsos.
Sem o desgaste da gestão quotidiana do futebol profissional, Vieira continua a pautar o dia-a-dia do clube. O momento das modalidades amadoras, cuja imposição de rigor financeiro não impede desempenhos vitoriosos, como são exemplo o basquetebol, o andebol e o futsal; as renovações com jogadores, como Reyes e Suazo; e, claro, o papel de Rui Costa – mereceu uma análise lúcida e rigorosa.
O fervilhar do coração benfiquista obrigou-o a garantir que “quer dar a maior satisfação aos benfiquistas: o título em 2009”, mas isso não o faz enveredar pelo facilitismo, pela demagogia, pelas vãs ilusões.
À pergunta sobre se vai recandidatar-se, responde sem subterfúgios: “Só os benfiquistas são insubstituíveis”. Mas o sonho que o anima de um Benfica cada vez maior e de continuação de um projecto que nunca se completa (a Fundação, o Museu, a nova sede social) não permitem duas leituras.
A cereja em cima do bolo é a revelação do acordo com a Sagres, outra marca nacional de dimensão mundial, “sponsor” também da Selecção Nacional. Ao anúncio do abandono do BES do patrocínio dos principais clubes portugueses (Benfica, Sporting e FC Porto), Vieira não perdeu tempo e foi o primeiro a reagir – fecha acordo fantástico com a Centralcer (que produz a Sagres). Os próximos dias vão revelar a dimensão histórica do acordo para o mercado nacional.
Enquanto Sporting e FC Porto ainda não sabem como resolver a desistência do BES, o Benfica vai à frente mais uma vez. São “golos” assim que fazem acreditar num Benfica mais forte e ganhador.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...