segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Um autocarro chamado sorte

Benfica – 1; Marítimo – 1 (1ª jornada). Homem do jogo: Fábio Coentrão.

O “autocarro” do Marítimo estacionou em frente à baliza de Peçanha e o Benfica não foi capaz de aproveitar as inúmeras oportunidades criadas.

Esta é a síntese possível do jogo da 1ª jornada da Liga, na Luz, que voltou a estar colorida de vermelho da cabeça aos pés.

Os resultados de FC Porto e Sporting, ambos empates a uma bola, mais euforia trouxeram aos benfiquistas.

A equipa entrou estranhamente adormecida e abúlica e Jorge Jesus depressa tirou a gravata vermelha e despiu o casaco.

Percebia-se que faltavam algo para entrar na muralha madeirense. Uma das lacunas da equipa era dejá vu: a falta de laterais que levem a bola à linha de fundo.

Por isso, defendi aqui, no post anterior, que Jesus devia ter utilizado César Peixoto na esquerda. Não o fez, mas penso que o vai fazer na quinta-feira, na Liga Europa, contra o Voltava.

Para além disso, algo estava diferente dos jogos da pré-época. Do que vi, o que estava diferente foi a ausência de circulação de bola ao primeiro toque, entre Aimar, Di Maria, Saviola e Cardozo. Esta falta travou o jogo de ataque da equipa.

Mesmo assim, Cardozo falhou um penálti e as oportunidades perdidas fizeram lembrar um célebre jogo com o Boavista, na Luz, no tempo de Fernando Santos. Apesar do empate, não é tempo para lançar dúvidas, mas para apoiar mais e mais. Há uns anos atrás, um famoso filme intitulava-se "um eléctrico chamado desejo". Na Luz, o filme intitulou-se "um autocarro chamado sorte".

Foto: REUTERS/Hugo Correia (PORTUGAL SPORT SOCCER)

domingo, 16 de agosto de 2009

Quem nas laterais contra o Marítimo?

A poucas horas do arranque do Benfica na Liga 2009/2010, é já um dado adquirido que a Luz vai esgotar. Avançamos assim com uma pergunta: quem vão ser os laterais que vão iniciar o desafio com o Marítimo na jornada inaugural? A nossa previsão é: David Luiz à direita e César Peixoto à esquerda. Esperamos mais opiniões, nas horas que restam...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A "versão Bettencourt" da falta de militância

José Eduardo Bettencourt quis mudar a filosofia de liderança do Sporting, encarnada na célebre frase de Soares Franco: “o sporting não tem militância”. O novo líder leonino quis ser mais populista, apareceu no relvado com os reforços, deu nome de baliza a antigo nº 1, lançou uma campanha de novos sócios.

Findo este curto ciclo, pensou-se que Bettencourt ia fazer um balanço entusiástico da sua liderança e proclamar aos quatro ventos que já existia militância em Alvalade. Afinal, o presidente do sporting teve, como Soares Franco, um assomo de realismo e pragmatismo.

Elogiou os milhares que enchem a Luz e reconheceu que o sporting não tem pedal para acompanhar a militância do Benfica. Corajoso, pediu desculpa por isso aos sportinguistas. Foi a “versão Bettencourt” da falta de militância no Sporting.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Jesus desconhecido

Jorge Jesus vai ter de mostrar por estes dias no Benfica uma faceta até agora desconhecida. Toda a gente conhece o treinador “mestre da táctica”; o homem que respira futebol 24 horas por dia; o estudioso que cataloga todos os treinos e os organiza em dossiers, desde há 20 anos; o treinador que conhece como ninguém o futebol português. Este é o Jorge Jesus que o país inteiro conhece.

Mas o Benfica vai precisar, também, do Jorge Jesus mais desconhecido. O homem que ralha com os jogadores mas que também é capaz de os ouvir, de os apoiar, de os elogiar; o treinador que é capaz de criticar um jogador, mas que nunca o fará em público; o líder que será sempre solidário com os seus atletas; o treinador que colocará sempre nos ombros dos jogadores o sucesso e no seu o insucesso; o treinador que terá sempre palavras de ânimo para os jogadores e terá tempo e paciência para ter conversas personalizadas com cada um deles.

Este Jorge Jesus existe, é real, e define-o como um treinador e um homem completo. Este Jorge Jesus vai estar à prova na escolha do titular da baliza do Benfica – pelo que se viu na Luz no sábado, com Quim, Jesus está a provar, mais uma vez, a sua competência.

Mas também na escolha dos laterais, Jesus vai ter de ser mais do que um “mestre da táctica”, um “mestre da psicologia”. Se tudo continuar a correr bem, como está com a baliza, Jesus vai ganhar também aqui.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Os laterais


Os laterais estão na ordem do dia. Não surpreende. Não é de agora. Desde que Veloso, Pietra e Álvaro se reformaram, o Benfica nunca mais teve laterais à altura. (Curiosamente, Álvaro foi o adjunto de Trapattoni no último título e Pietra é agora o adjunto de Jorge Jesus – um bom prenúncio).
Mas estava a falar de laterais. Ao longo dos anos, estes lugares foram sendo desvalorizados aquando da formação dos plantéis na Luz. Erro crasso e que nos pode ter valido a perda de alguns campeonatos.
A coisa estava a entrar nos eixos, depois de à falta de melhor, Camacho (sim, Camacho) ter desviado Maxi para lateral-direito. O uruguaio pegou de estaca e era, hoje por hoje, uma das pedras basilares da equipa.
A sua lesão fez regressar tudo ao ponto zero. Jesus sabe-o como ninguém e, por isso, tentou um reforço de última hora, depois de ter torcido o nariz a Patric e a Shaffer (que não foram contratações suas).
Fizeram-lhe a vontade quanto à lateral-esquerda, com a contratação de César Peixoto – bem vista. Mas, a lateral-direita vai ficar à espera de Maxi. À falta do reforço, Jesus recuperou Luís Filipe, e só o técnico é que poderá dar a volta ao seu passado de ineficácia.
Esperemos que esta lacuna não nos venha a custar caro, como no passado.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Jesus não é ingénuo

O futebol português tem características muito peculiares. Pormenores aparentemente irrelevantes ou despercebidos, são determinantes, muitas vezes, para a classificação do campeonato.

Esta realidade é ignorada pela maioria, para não dizer totalidade, dos treinadores estrangeiros que têm vindo treinar o Benfica. Muito por culpa de uma estrutura pouco profissional, distraída ou ignorante.

Trapattoni foi dos poucos que percebeu em que país do futebol tinha caído. Bastou para ser campeão. Outros, ou não perceberam ou ignoraram ou, pior, não deram qualquer importância.

Uma das qualidade que têm sido reconhecidas a Jorge Jesus é a do profundo conhecimento do futebol português. O seu “bas-fond”, os seus truques, as suas manhas, os seus alçapões. Para se ser campeão em Portugal, nada disto pode ser deixado ao acaso.

É claro que há quem conheça por dentro e ao pormenor este sistema. São os que, directa ou indirectamente, o construíram, o mantiveram, e o alimentam, ainda, hoje em dia. Jesus conhece bem estes “tunéis”.

Um exemplo. Alguém já reflectiu sobre o facto do FC Porto ter ligações intímas e fortes a 3 treinadores de clubes da Primeira Liga? A saber: Jorge Costa, no Olhanense; Domingos Paciência, no Sporting de Braga, e Carlos Azenha, no Vitória de Setúbal. E acham que isto não tem qualquer importância? Ingénuos. Coisa que Jorge Jesus não é. Graças a Deus…

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Que venha o AC Milan

As ilações a tirar do Torneio de Guimarães, que o Benfica venceu, derrotando o Portsmouth (4-0) e o Vitória de Guimarães (2-0) são várias. A primeira é que o plantel dá consistência para uma época sem altos e baixos, consoantes as lesões, os castigos e a baixa de forma. A segunda é que os adversários não se vão poupar a esforços para travar os nossos jogadores, quase sempre com entradas à margem das leis do jogo. A terceira é que os árbitros já sabem ao que vêm e, na dúvida (e mesmo sem ser na dúvida), vão prejudicar o Benfica. A quarta e última, e mais importante, é que a Nação benfiquista está com a equipa e não regateia apoio.
O que se viu nas bancadas do D. Afonso Henriques, ontem à noite, não foi uma manifestação de fé. Foi a expressão visível de um amor ao Benfica que é algo de invulgar em qualquer clube do Mundo.
Foi, aliás, bonito ver a equipa e a equipa técnica, com Jorge Jesus a comandar, vir agradecer junto dos adeptos o apoio demonstrado, fazendo a saudação normal de baixar a cabeça. Foi um momento único de empatia entre o relvado e as bancadas. Espero que este ritual continue a realizar-se, independentemente do resultado do jogo.
Quanto ao jogo propriamente dito, apenas há a referir o seguinte: com uma “segunda” equipa, o Benfica dominou completamente a primeira parte, com uma impressionante segurança defensiva, um meio-campo trabalhador e um ataque rápido e letal.
Há a destacar David Luiz, Carlos Martins e Fábio Coentrão. Na segunda parte, com os habituais titulares, o controlo de jogo manteve mas aumentou a qualidade técnica. O Guimarães continuou a não ameaçar a baliza de Moreira, mas foi lamentável assistir à passividade do senhor árbitro Jorge Sousa com as entradas a matar dos jogadores vimaranenses, às pernas de Aimar, Saviola ou Cardozo.
Nesta fantástica noite, apenas um senão: a menor produtividade dos laterais, Patric e Shaffer. Vamos esperar por novas avaliações. Foto em www.maisfutebol.iol.pt
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...