Académica - 0; Benfica - 2 (9ª Jornada da Liga) - A vitória do Benfica em Coimbra, um campo tradicionalmente difícil onde joga uma Académica que já não perdia em casa há mais de um ano, revelou mais uma vez a excelência do trabalho de Quique Flores.
O treinador espanhol surpreendeu outra vez na formação e na arrumação da equipa. Na prática, jogou com 3 defesas, todos eles centrais de raiz – Luisão, Sidnei, David Luiz. O que, à partida podia ser um risco demasiado face à rapidez dos atacantes da Briosa, revelou-se um esquema táctico brilhante e eficaz.
Domingos Paciência, o treinador da Académica, levou uma lição bem à maneira das realizadas na Universidade de Coimbra, ali bem perto. Na sua formação de treinador, Domingos teve do outro lado um treinador de cátedra. Esperemos que tenha aprendido bem a lição.
Com a utilização de apenas três defesas, Quique povoou e reforçou o meio-campo, com a integração de Maxi, no lugar para onde foi inicialmente contratado, o de médio direito, e com a colocação de um duplo pivot defensivo, Yebda e Bynia, deixando todo o equilíbrio deste sector a Ruben Amorim, e com Reyes, como um verdadeiro vagabundo – quase sempre no lado esquerdo mas vindo também ao meio buscar jogo.
Como consequência, o Benfica teve sempre mais bola em seu poder, com uma percentagem de posse de bola de atingiu os 60% nos primeiros 45 minutos. Tendo entrado em força e com um pressing total, o Benfica tomou conta do jogo e só não chegou ao golo mais cedo muito por culpa de alguma ineficácia de Cardozo na frente de ataque.
O golo chegou ainda antes da meia-hora, num trabalho notável de Nuno Gomes e numa desmarcação primorosa de Ruben Amorim, que iniciou a jogada e a concluiu. O ex-belenenses fez um jogo excelente e pode ter agarrado a titularidade quinta-feira, na Grécia, frente ao Olimpiacos.
Uma nota ainda para as excelentes exibições de Bynia, de Nuno Gomes e de David Luiz, regressado à competição da Liga e a lateral-esquerdo, um lugar que não é o seu mas que ocupou de maneira brilhante. E para a genialidade de Reyes, que à sua conta sofreu faltas em série. É bom que os árbitros portugueses percebam da necessidade de defender os fora-de-série. É certo que o futebol português não está habituado a ter jogadores da dimensão de Reyes, mas os árbitros têm de perceber que o público vai aos estádios para ver jogadores desta dimensão e não para os ver sistematicamente carregados em falta.
Cardozo, um dos que está prestes a ser substituído, foi mantido por Quique na segunda parte, como que adivinhando que seria o paraguaio a marcar o segundo golo de grande penalidade, ele que é um especialista na matéria. Saiu sob uma chuva de aplausos.
Uma última palavra para Domingos Paciência, um treinador que espera um dia vir a entrar outra vez no FC Porto. É preciso dizer a Domingos que um líder tem de se portar como tal. A sua reacção a um lance com Bynia é de uma estupidez confrangedora. Todos sabemos que Bynia tem sido perseguido injustamente, e o Benfica precisa de o defender, o que tem feito. Agora, Domingos tentar pressionar o árbitro contra Bynia quando os seus jogadores entravam a matar sobre Reyes, por exemplo, é algo inadmissível e que não pode passar sem censura. Domingos é um mau exemplo para os seus jogadores.
Foto em www.slbenfica.ptFicha do jogo
9ª Jornada da Liga
Académica - 0; Benfica - 2
Estádio Cidade de Coimbra
Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa)
Benfica: Quim; Luisão, Sidnei e David Luiz; Maxi, Yebda, Bynia, Ruben Amorim e Reyes; Nuno Gomes e Cardozo.
Golos: Ruben Amorim e Cardozo