sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Desculpas & Prendas

Costuma dizer-se que as desculpas não se pedem, evitam-se. Mas, no caso de Quique Flores e de Rui Costa, o pedido de desculpas pela goleada (5-1) frente ao Olympiacos, para a Taça UEFA, foi mais que uma acto de contrição, uma forma de estar na vida e no futebol que deve merecer os elogios de todos.
Por mim, estão desculpados. Mas exijo uma grande alegria na segunda-feira. Contra o V. Setúbal o “fantasma” de Atenas tem de estar resolvido, longe do subconsciente dos jogadores. O que faltava era agora deitar tudo a perder só porque aconteceu uma noite má. E uma noite má todos tiveram e todos têm.
Prepare-se é já uma cartinha ao Pai Natal (Rui Costa). Eu sei que a crise aperta, que o consumo diminui a olhos vistos, que este Natal não vai ser farto nem generoso, mas é preciso colocar no sapatinho encarnado as verbas necessárias para ir ao mercado.
Ir ao mercado significa contratar jogadores. Dos bons. E o sector da equipa a necessitar de urgente remodelação é a defesa. É necessário um central da dimensão de Luisão, que dê voz de comando a uma defesa que quando não está o gigante brasileiro é ainda muito tenrinha. E, claro, atenção aos laterais: Maxi e Jorge Ribeiro (mais Léo), é pouco, muito pouco. É preciso urgentemente reforçar estes sectores, com critério, bom senso, mas com jogadores que não enganem nem venham à experiência.
Já agora, gostaria de pedir mais uma prenda. Um nº 10, que possa substituir Pablo Aimar, quando ele se encontrar, como muitas vezes acontece, inferiorizado fisicamente. Ok Pai Natal?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Esperança

Olympiacos – 5; Benfica – 1 (Taça UEFA). Quique não deitou as mãos à cabeça como Queiroz. O semblante sereno não escondeu os olhos perscrutadores, afiados como facas, lançando lume em direcção ao relvado onde os seus viviam momentos difíceis.
O general não se levantou do banco, nem se agitou como é costume acontecer nestas alturas, para disfarçar a vergonha. Há neste comportamento de Quique uma nobreza de toureiro. A altivez, a serenidade, a honra e a dignidade, mesmo ferida, obriga-o a manter a compostura.
De que vale a pena dizer que devia jogar este e não aquele. De que vale escrever que errou este, mais aquele. De que vale especular sobre se aquele devia ter entrado mais cedo, e este nem sequer se devia ter equipado.
Há naquele olhar de Quique, enquanto algo desaba à sua frente, uma centelha de luminosidade. Como se tivesse regressado à inocência perdida, numa infância atribulada. E, por isso, encontro a esperança naquele olhar, encontro um caminho e um rumo, desbravado por entre ervas daninhas e sinuosos atalhos. Ele há-de encontrar aqueles que querem ir para a selva com ele e connosco. E todos juntos, unidos, havemos de encontrar, no fundo do túnel, a Luz.
Foto: Thanassis Stravakis (AP Photo)

Acreditamos

O jogo de hoje no “Inferno do Pireu” contra o Olympiacos é uma prova de fogo para Quique Flores e sus muchachos. Está em disputa a continuação na Taça UEFA, prestígio e dinheiro. A equipa grega, que lidera o campeonato da Grécia, não é um adversário qualquer. Aliás, basta ver que o Panatinaikos, que acaba de vencer o Inter de José Mourinho, em Milão, para a Liga dos Campeões vem atrás do Olympiacos.
Não é, por isso, um jogo fácil, perante uma equipa, como a do Benfica, de Liga dos Campeões, num estádio onde sobressai o fanatismo dos adeptos gregos. A talhe de foice, deve-se dizer que o modelo da Liga dos Campeões deve ser alterado, aliás como pretende Michel Platini. Não é possível que equipas sem nenhum currículo, como o Bate Barisov, da Bielorússia, ou o Basileia, da Suiça, ou mesmo o Shaktar, da Ucrânia, possam ocupar o lugar de equipas como o Olympiacos ou o Galatasaray.
Não se está aqui a relevar o currículo em detrimento dos resultados, mas há que haver algum bom senso, sob pena de na Liga dos Campeões haver grupos bem mais fracos do que na Taça UEFA, como acontece este ano.
Regressando à Grécia, estamos em crer que o Benfica vai dar boa conta do recado, apesar de desfalcado de Luisão e de Pablo Aimar. Ao contrário do que se vem especulando na imprensa, com a colocação de David Luiz no lugar deixado vago por Luisão, acho que seria preferível apostar numa dupla de centrais com Sidnei e Katsouranis, deixando David Luiz outra vez na esquerda. Suicídio? Talvez não.
Deixo aqui a minha proposta de equipa, mas graças a Deus não sou Quique e posso dar-me a estes devaneios. Aqui vai: Quim; Maxi, Sidnei, Katsouranis e David Luiz; Yebda, Bynia, Carlos Martins e Reyes; Nuno Gomes e Suazo.
Força Benfica, vamos à vitória rapazes!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Uma "ideia" de Benfica

No passado dia 17 de Novembro, no meu habitual texto semanal no blogue “Novo Benfica”, prometi escrever aqui um post sobre uma polémica “ad hominem” que tem dominado o citado blogue. Porquê aqui, n´“O INFERNO DA LUZ”? Porque este é o meu espaço exclusivo, pelo que aqui estou livre dos condicionalismos a que me impus no “Novo Benfica”.
A polémica tem um nome: Bruno Carvalho, o ideólogo do “Novo Benfica”, a quem devo o convite honroso de colaborar naquele que é o mais lido e comentado blogue da blogosfera benfiquista, e director do Porto Canal, a quem também devo a suprema honra de comentar, todas as segundas-feiras, as incidências da jornada, no programa “A Bola É Redonda”.
Ponto prévio: este duplo convite não me impede, nunca me impediu, de formular as opiniões que já tornei públicas sobre o Bruno Carvalho, nem aquilo que vou escrever agora. Ou seja, não estou condicionado, nem sou condicionável.
O que subjaz a esta polémica tem como pano de fundo, na minha opinião, uma “ideia” de Benfica. É tema que não vou aqui aprofundar. Guardá-lo-ei para posterior momento. Para o Bruno, essa “ideia” resume-se a um facto: o Benfica é um clube de futebol, pelo que são as vitórias do futebol a sua única e exclusiva razão de ser. Eu sei que esta minha abordagem é demasiado simplista, mas, para o actual efeito, basta dizer isto.
Discordando eu desta “ideia”, reconheço contudo no seu autor uma coragem invulgar. Pelo simples facto de que o Benfica não tem ganho muita coisa nos últimos 15/20 anos, mas não só. Pelo facto principal de reduzindo o Benfica a um clube de futebol, e a um clube de futebol onde se exigem vitórias, involuntariamente, digo eu, deitar borda fora a “ideia” de um Benfica para além do futebol. Sendo assim, pergunto: onde está o Benfica?
A discussão à volta desta “ideia”, que extravasou o “Novo Benfica” e é já assunto dominante em muitos fóruns e blogues benfiquistas. Quero deixar bem claro que considero o Bruno Carvalho tão benfiquista como eu. Mas discordo da sua tese.
Embora seja uma tese que importa discutir e debater. Uma tese que é uma “ideia” de Benfica. Contudo, errada. Este não é, porém, nenhum lado da barricada. Entre os benfiquistas não há barricadas, apenas opiniões divergentes. E uma coisa é certa, na nossa barricada são bem-vindos benfiquistas como o Bruno Carvalho, corajosos e empreendedores. Sempre ficamos mais fortes.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Preparado para o safari

Vai ficar célebre a frase de Carlos Queiroz: “Já sei quem não vai para a selva comigo”. Lembrei-me logo da sua última passagem pela Selecção: “É preciso varrer toda a porcaria da Federação”. Afinal, o Professor também é especialista em “soundbytes”.
Espero que tenha aprendido a lição e agora não peque pela omissão de há 15 anos atrás. Não disse a que porcaria se estava a referir e estamos ainda sem saber qual a quantidade de porcaria que ainda lá se encontra.
Pacientemente espero a lista dos voluntários a juntarem-se na expedição de Carlos Queiroz à selva. Oh, Professor, não me desiluda… Em jeito de contribuição para o safari que se avizinha, deixo aqui um excelente companheiro de caçadas, firme e determinado em ir para a selva de peito feito. Assim o comandante Queiroz perceba a sua utilidade.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A lição de Coimbra

Académica - 0; Benfica - 2 (9ª Jornada da Liga) - A vitória do Benfica em Coimbra, um campo tradicionalmente difícil onde joga uma Académica que já não perdia em casa há mais de um ano, revelou mais uma vez a excelência do trabalho de Quique Flores.
O treinador espanhol surpreendeu outra vez na formação e na arrumação da equipa. Na prática, jogou com 3 defesas, todos eles centrais de raiz – Luisão, Sidnei, David Luiz. O que, à partida podia ser um risco demasiado face à rapidez dos atacantes da Briosa, revelou-se um esquema táctico brilhante e eficaz.
Domingos Paciência, o treinador da Académica, levou uma lição bem à maneira das realizadas na Universidade de Coimbra, ali bem perto. Na sua formação de treinador, Domingos teve do outro lado um treinador de cátedra. Esperemos que tenha aprendido bem a lição.
Com a utilização de apenas três defesas, Quique povoou e reforçou o meio-campo, com a integração de Maxi, no lugar para onde foi inicialmente contratado, o de médio direito, e com a colocação de um duplo pivot defensivo, Yebda e Bynia, deixando todo o equilíbrio deste sector a Ruben Amorim, e com Reyes, como um verdadeiro vagabundo – quase sempre no lado esquerdo mas vindo também ao meio buscar jogo.
Como consequência, o Benfica teve sempre mais bola em seu poder, com uma percentagem de posse de bola de atingiu os 60% nos primeiros 45 minutos. Tendo entrado em força e com um pressing total, o Benfica tomou conta do jogo e só não chegou ao golo mais cedo muito por culpa de alguma ineficácia de Cardozo na frente de ataque.
O golo chegou ainda antes da meia-hora, num trabalho notável de Nuno Gomes e numa desmarcação primorosa de Ruben Amorim, que iniciou a jogada e a concluiu. O ex-belenenses fez um jogo excelente e pode ter agarrado a titularidade quinta-feira, na Grécia, frente ao Olimpiacos.
Uma nota ainda para as excelentes exibições de Bynia, de Nuno Gomes e de David Luiz, regressado à competição da Liga e a lateral-esquerdo, um lugar que não é o seu mas que ocupou de maneira brilhante. E para a genialidade de Reyes, que à sua conta sofreu faltas em série. É bom que os árbitros portugueses percebam da necessidade de defender os fora-de-série. É certo que o futebol português não está habituado a ter jogadores da dimensão de Reyes, mas os árbitros têm de perceber que o público vai aos estádios para ver jogadores desta dimensão e não para os ver sistematicamente carregados em falta.
Cardozo, um dos que está prestes a ser substituído, foi mantido por Quique na segunda parte, como que adivinhando que seria o paraguaio a marcar o segundo golo de grande penalidade, ele que é um especialista na matéria. Saiu sob uma chuva de aplausos.
Uma última palavra para Domingos Paciência, um treinador que espera um dia vir a entrar outra vez no FC Porto. É preciso dizer a Domingos que um líder tem de se portar como tal. A sua reacção a um lance com Bynia é de uma estupidez confrangedora. Todos sabemos que Bynia tem sido perseguido injustamente, e o Benfica precisa de o defender, o que tem feito. Agora, Domingos tentar pressionar o árbitro contra Bynia quando os seus jogadores entravam a matar sobre Reyes, por exemplo, é algo inadmissível e que não pode passar sem censura. Domingos é um mau exemplo para os seus jogadores. Foto em www.slbenfica.pt
Ficha do jogo
9ª Jornada da Liga
Académica - 0; Benfica - 2
Estádio Cidade de Coimbra
Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa)
Benfica: Quim; Luisão, Sidnei e David Luiz; Maxi, Yebda, Bynia, Ruben Amorim e Reyes; Nuno Gomes e Cardozo.
Golos: Ruben Amorim e Cardozo

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pôxa cara...

Cristiano Ronaldo não ficou com saudades do jogo em terras de Vera Cruz. Nem os brasileiros ficaram com saudades do CR7. Thiago Silva, o "zagueiro" do Fluminense e da Selecção do Brasil, aqui em disputa com Ronaldo, disse que este era "maldoso". E a comunicação social brasileira, que nunca morreu de amores pelos portugueses, não poupou o jogador do Manchester United. A título de exemplo, descubra aqui o que o Globo Esporte escreveu em legenda a esta foto. Se depender dos brasileiros, a Bola de Ouro já tem dono: Káká. Foto: Agência EFE
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