sábado, 14 de março de 2009

Orlando Sá: "Sonho com o Benfica"

Num dos meus últimos “posts” disse que ia começar a falar de jogadores portugueses que deviam merecer a atenção do Benfica, como base de uma estratégia de reconquistar a liderança do mercado interno.

O primeiro nome desta lista é o de um avançado (agora que o Benfica está interessado no avançado brasileiro Afonso Alves): Orlando Sá.

Esteve com pé e meio no Chelsea, mas a transferência gorou-se à última hora. Carlos Queiroz chamou-o à Selecção A, tendo-se estreado no jogo particular entre Portugal e a Finlândia, em Fevereiro.

Com 20 anos, Orlando Sá saltou para a ribalta ao apontar três golos à Selecção da Espanha, num particular em Novembro com a camisola da Selecção nacional de sub-21.

O “O INFERNO DA LUZ” sabe que o jovem avançado português ao serviço do Sporting de Braga tem referido em roda de amigos que “sonho com o Benfica”. À atenção de Rui Costa…

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sporting Clube de Alvalade

As ondas de choque do naufrágio sportinguista em Munique, naquela que foi a pior prestação de sempre de equipas portuguesas em provas da UEFA (um resultado que a “A Bola” sintetizou magnificamente), estão longe do fim.

Eduardo Barroso, o médico-cirurgião/comentador da TVI, ilustre sportinguista, exprimia assim o seu “luto”: “O Sporting deixou de ser considerado um dos grandes do futebol português”. A lucidez e a racionalidade de Eduardo Barroso obriga a reflectir.

O Sporting, na verdade, já deixou há muito de ser considerado um grande e só não caminha a passos largos para a sua belenensização porque ainda há da parte de alguma comunicação social (principalmente o Record) a ideia de que o clube do bairro de Alvalade representa mais do que uma engraçada minoria de Lisboa.

O Sporting é o Bloco de Esquerda do futebol português. São poucos, são patuscos, mas julgam-se muitos e até comem caviar e bebem champanhe.

O que se passou em Munique, naquele massacre futebolístico imposto pelo Bayern, é a imagem do Sporting actual: sem liderança directiva nem técnica, sem alma, sem identidade, sem estratégia.

A bipolarização do futebol português entre Benfica e FC Porto atirou o Sporting para um canto, de onde não vislumbra saída.

O Sporting não conta. Nos grandes fóruns de debate nas TV´s e nas rádios, destinam-lhe residuais minutos.

Filipe Soares Franco é a negação de um líder. Embora, naquele jeito desengonçado, tenha agitado consciências. O Sporting não tem militância, disse Soares Franco, e depois anunciou que se ia embora.

Paulo Bento afinou pelo mesmo diapasão. O técnico leonino queixou-se de que a equipa não tinha o mesmo apoio dos adeptos que tinha o Benfica.

Verdades duras como punhais. A questão, no entanto, é mais funda e mais grave. Falta um desígnio ao Sporting e, hoje, ser sportinguista é quase visto como característica que suscita alguma curiosidade e muitos sorrisos.

Nos últimos anos, o Sporting tem tido lideranças fracas e sem carisma, que não estimulam nem motivam a massa associativa e os adeptos. José Roquete, Dias da Cunha e Soares Franco, não despertaram nem despertam paixões, falta-lhes alma, mística.

Quando o Sporting se alheia dos principais combates que neste momento agitam o futebol português, principalmente aquele que é apelidado de Apito Dourado e Apito Final, está a remeter-se para um papel secundário, irrelevante (deve-se, neste caso, sublinhar a liderança pela verdade desportiva de Dias da Cunha, o que não foi prosseguido por Soares Franco).

Quando o Sporting se deixa envolver numa aliança espúria com o FC Porto, fazendo o papel de idiota útil, está a envergonhar mais os sportinguistas que, se calhar, os 7-1 de Munique, mas é também por isso que o clube hoje não tem rumo.

O Sporting de Munique foi apenas a face cómica e ridícula de um clube que já foi de Peyroteo, de Yazade, de João Rocha, mas que não passa da caricatura grotesca do aristocrata falido, cujas pratas se transformaram em pechisbeque.

terça-feira, 10 de março de 2009

Futebol e Justiça: mistura explosiva

Nos últimos dias, o que se tem visto à porta do Tribunal de Gaia, onde decorre o julgamento do presidente do FC Porto, por causa do chamado "caso do envelope", pode ter acabado de vez com as ilusões de vivermos num país decente.
Não é que já não fosse evidente para todos que "isto" tinha batido no fundo, mas, repito, os últimos dias colocaram um ponto final irreversível na nossa esperança de que era capaz de haver luz ao fundo do túnel. Não há.
Um juiz de nome Mortágua, testemunha de defesa do presidente do FC Porto, diz que desde há muito que sabe da corrupção no futebol. Árbitros corruptos? Claro, alguns. 2.500 euros (a suposta quantia entregue pelo presidente do FC Porto num envelope ao árbitro Augusto Duarte)? Só se foi para o aquecimento. Depois destas respostas, Mortágua passou a vedeta nacional.
Chega Carolina Salgado. Tumultos à chegada. A testemunha de acusação entra, desprotegiada no tribunal, com um chorrilho de insultos à perna. À saída, é agredida por uma mulher, destrambelhada, que a polícia não consegue deter. No carro, a filha bébé da agressora chora compulsivamente.
A cena repete-se ontem. Com mais picante e mais adrenalina. A mulher corre atrás do carro de Carolina Salgado, com a bébé nos braços em pranto. "Isto" é o futebol e a justiça portuguesa numa simbiose perfeita, de drama, tragédia, comédia, riso, burlesco, basfond, vigarice, escumalha, gangsterismo parolo. E ainda acham que há salvação?
Post-Scriptum: O Juiz Adriano Afonso foi ontem a enterrar. O Benfica esteve representado ao mais alto nível, com a presença do seu Presidente. Fez bem, Adriano Afonso era uma personalidade de grande nível no dirigismo desportivo português. Faz falta e deixa saudades. Que saudades!

domingo, 8 de março de 2009

Não havia necessidade

Naval – 1; Benfica – 2 (21ª Jornada). Dá vontade de dizer: não havia necessidade. Depois do golo de Aimar, o seu primeiro na Liga portuguesa, aos 3 minutos de jogo e quando ainda se encontravam milhares de pessoas fora do estádio – naquela que foi a maior enchente de sempre em casa da Naval – a equipa do Benfica sofreu um enorme apagão.

Até ao intervalo, o Benfica foi uma caricatura de si próprio, e só as camisolas vermelhas identificavam que ali estava um dos mais poderosos clubes do Mundo. Foi mau de mais para ser verdade.

A equipa não conseguiu controlar o jogo e a Naval jogou como quis, embora sem qualquer oportunidade de golo. Do nosso lado, o chuto para a frente era a única forma de fazer chegar a bola junto à área da Naval.

Após o intervalo, as coisas pareciam continuar na mesma, pelo que era bem melhor o resultado que a exibição. A Naval também não preocupava. Tinha mais bola, mas oportunidades de golo: zero.

Previam-se 90 minutos de mau futebol. Até que a Naval chega ao golo do empate, num lance fortuito (só podia ser), que Marcelinho aproveita depois de deficiente alívio de Luisão. Agora podemos afirmá-lo; ainda bem que este golo apareceu.

A partir daí, o Benfica transfigurou-se, agarrou o jogo, controlou o jogo e empurrou a Naval lá para trás. Em poucos minutos, duas oportunidades flagrantes de golo: uma por Di Maria, cujo remate acabou na trave; e uma por Cardozo, com um trabalho perfeito na área e um remate a sair rente ao poste.

Até ao final, só deu Benfica. E pergunta-se: porquê estes hiatos, estes apagões, este descansar sobre os resultados? Responda quem trabalha com os jogadores todos os dias.

A 9 jornadas do fim, e depois desta vitória num campo tradicionalmente difícil e onde o FC Porto perdeu, pede-se atitude, concentração, pressing, durante os 90 minutos e não só quando se corre atrás do prejuízo. É que às vezes, já pode ser tarde. Não havia necessidade.

Ficha do jogo

Naval – 1; Benfica – 2

Estádio José Bento Pessoa

Árbitro: João Ferreira (AF Setúbal)

Benfica: Moreira; Maxi, Luisão, Miguel Vítor e David Luiz; Katsouranis, Yebda, Reyes(Urreta) e Di Maria (Jorge Ribeiro); Aimar e Cardozo (Nuno Gomes).

Golos: Aimar e Katsouranis

sábado, 7 de março de 2009

Um jogo de amigos

As boas relações de vizinhança são sempre algo de aplaudir e de estimular. Quando elas se baseiam numa sã convivência e têm a aprovação da comunidade.

Agora quando subjaz a esse entendimento situações menos claras, cumplicidades espúrias e interesses de ocasião, há que denunciar os arranjinhos e os pactos.

O Leixões – FC Porto de hoje à noite (1 - 4) tinha tudo para ser um dos jogos mais competitivos deste último terço do campeonato. Os de Matosinhos estão a fazer um campeonato exemplar, bem demonstrado na classificação que ocupam, o 4º lugar.

Para além disso, a equipa de José Mota fez a vida negra aos 3 grandes: ganhou ao FC Porto e ao Sporting, em casa destes, e empatou com o Benfica no Mar. O Leixões, e os seus jogadores, eram uma equipa respeitada e admirada, pela classe, pelo talento, pela garra.

O FC Porto, por seu lado, vinha de um jogo pouco conseguido contra o Sporting, estava desfalcado de alguns jogadores e, o jogo com o Atlético de Madrid da próxima terça-feira, da segunda-mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, podia pesar no sub-consciente dos jogadores.

Consciente disto tudo, a máquina organizativa do FC Porto, uma espécie de Regisconta de alta tecnologia, começou a preparar bem cedo a ida ao Mar, crucial para o resto de temporada.

A poucos dias do jogo, ficou a saber-se que os jogadores do Leixões têm salários em atraso. Coincidência.

Depois, o jogo. O primeiro golo portista resultou de uma mão (?) de um jogador do Leixões dentro da área, tão esquisita, tão infantil, tão desnecessária. O árbitro não teve as dúvidas que todos, incluindo os insuspeitos comentadores da RTP tiveram e não hesitou em apontar a marca de grande penalidade. Coincidência.

Mais tarde, para que as coisas ficassem rapidamente resolvidas, um defesa do Leixões resolve no meio campo atrasar a bola de cabeça para o seu guarda-redes. O que resulta é uma primorosa assistência para Hulk fazer o segundo golo, completamente isolado, com Beto (sim, esse, o que se diz que vai para o FC Porto e é tido como o melhor guarda-redes do campeonato) estático. Coincidência.

Mais. O quarto golo do FC Porto resulta de um cabeceamento de Farias, que na pequena área recua um passo, quase não salta e, sem ninguém por perto, atira para o golo. Beto fica novamente estático. Coincidência.

A comédia não seria digna de um Óscar se não tivesse um momento burlesco. O golo do Leixões foi uma simpatia solidária de Helton para Beto, não vá alguém achar estranho o comportamento do guarda-redes do Leixões.

Rui Costa (raio de nome para um árbitro!) também estava compenetrado do seu papel, Não é que amarelou Hulk e Fernando, limpando-lhes a folha disciplinar quando o próximo adversário no Dragão é a Naval, e fez vista grossa a uma entrada a matar de Cissoko sobre Zé Manel? Isto é que é ter a lição bem estudada.

Por fim, cabe registar que o FC Porto fez 4 golos, a maior goleada do Leixões esta época, cuja defesa era a segunda menos batida do campeonato – não vá ser preciso recorrer ao goal-average para decidir o título. Não é tão bom ter amigos assim?

Post-Scriptum: Claro que os adeptos do Leixões não são tidos nem achados neste filme. Os leixonenses foram mais uma vez aguerridos, inconformados, transparentes. Mereciam mais e melhor de alguns dos seus ídolos.

Foto: Paulo Duarte (AP/Photo)

quinta-feira, 5 de março de 2009

O mercado interno



Já aqui tenho defendido que o Sport Lisboa e Benfica devia apostar na recuperação da liderança do mercado interno de contratações. No passado, os jogadores que se destacavam noutros clubes tinham como prioridade vestir a camisola do Benfica.
Foi assim com os míticos Jaime Graça, Vítor Batista (que vieram do V. Setúbal), ou dos casos mais recentes de Diamantino, Chalana, Carlos Manuel, Bento, o chamado grupo do Barreiro, porque pontificavam no histórico Barreirense, ou ainda nos casos de Folha (Boavista), João Alves (Boavista, Salamanca), ou mais recente ainda, com João Vieira Pinto e Nuno Gomes (Boavista), ou Vítor Paneira (Vizela), etc.
Para só falar nos portugueses, porque com os estrangeiros, principalmente brasileiros, acontecia o mesmo, como são exemplos paradigmáticos os casos de Isaías (Boavista) e Ademir (V. Guimarães).
Ou seja, o Benfica dominava o mercado interno. Não havia jogador que pontificasse que não fizesse do Benfica a sua primeira escolha. Isso foi-se perdendo, por culpa do clube, mas também porque, deve-se dizê-lo, o futebol hoje tem outras regras, outras leis.
Mas tenho como incontornável que um retorno à liderança do mercado interno será meio caminho andado para a hegemonia do futebol português. Comecei a acreditar que estávamos neste rumo quando Luís Filipe Vieira contratou Fábio Coentrão ao Rio Ave quando o extremo era dado como certo no Sporting, e Makukula ao Marítimo, depois do avançado começar a ser cobiçado após ter-se estreado na Selecção Nacional.
Porém, não houve continuidade nesta política. Não sei o que falta, nem o que falha. Será a rede de olheiros que é fraca e/ou negligente? Será que não se dá a devida importância ao que se passa cá dentro, mesmo em divisões inferiores?
A aposta, que parece clara, na formação, é um bom princípio e um bom sinal. Mas não chega. Vítor Paneira é um exemplo de que nas divisões menos mediáticas há jogadores com classe para envergaram a camisola do Benfica. E jogadores que podem cumprir aquilo que Luís Filipe Vieira defendeu no seu discurso na Gala dos 105 anos: “Para vestir esta camisola é preciso merecê-la. É preciso saber senti-la!”.
Nos próximos “posts” vou voltar a este assunto, nomeadamente falando de jogadores que acho que merecem uma melhor atenção do Benfica. Jogadores portugueses, claro!

terça-feira, 3 de março de 2009

Adivinha quem vem jantar

Silvestre Varela vai ser jogador do FC Porto. O avançado do Estrela da Amadora é hoje a estrela de capa do jornal "O Jogo". Não se estranha esta contratação. Varela é uma estrela do clube amadorense, que não paga há mais de 5 meses salários aos seus briosos jogadores.
O Estrela, comandado por António Oliveira, um senhor que merece ser afastado do dirigismo desportivo, foi na passada semana compreensivo com o FC Porto: adiou o jogo com os dragões para a Taça de Portugal para que os homens de azul e branco melhor pudessem preparar a recepção ao Atlético de Madrid. Amor com amor se paga.
O que já é estranho é como é que estas notícias aparecem à luz do dia antes de jogos entre as duas equipas, com a importância de uma meia-final da Taça de Portugal. O Estrela, cuja direcção já perdeu todo o respeito junto dos jogadores, acaba de se ridicularizar ao ajoelhar-se perante o FC Porto, perdendo também o respeito dos seus sócios e adeptos.
Mais uma chico-espertice dos "dragões", a juntar à notícia sobre a eventual contratação de Beto, o guarda-redes do Leixões, com quem o FC Porto joga este fim-de-semana para a Liga. E assim vai o futebol português, enquanto a Liga se mantém muda e queda...
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