terça-feira, 29 de abril de 2008

3 opiniões, um denominador comum: o Benfica

António-Pedro Vasconcelos e as reflexões sobre o Benfica do futuro.

Miguel Esteves Cardoso: matar e morrer pelo Benfica.

Emídio Rangel e as saudades dos golos de Eusébio ouvidos na savana africana.

Nos últimos dias, mão amiga de sócio do Benfica, fez-me chegar alguns artigos de opinião sobre o Benfica, melhor sobre o Presidente do Benfica. Os seus autores merecem que tenha dado uma segunda leitura a estes escritos. Não são nomes quaisquer: Emídio Rangel, Miguel Esteves Cardoso, António-Pedro Vasconcelos.
De comum, o facto de serem benfiquistas e de concluírem que o Benfica está mal e que o “mal” está no Chefe. A minha consideração intelectual pelos três, a que junto a estima e amizade que tenho por António-Pedro Vasconcelos (A-PV), uma personalidade lúcida e de rara inteligência, não me impede – oh, heresia – de deles discordar.
Rangel, em artigo no “Correio da Manhã”, fala num “Benfica moribundo”, fala das saudades de Angola, da infância feliz, das camisolas vermelhas, dos golos de Eusébio na voz de Artur Agostinho, ouvidos na savana africana.
Como eu o compreendo Emídio Rangel. Também eu sinto saudades do Benfica à Benfica, campeão, sempre campeão. Mas quero recordar-lhe que o “mal” deste declínio tem de ser procurado bem mais atrás, logo após a segunda metade da década de 80. É Luís Filipe Vieira culpado de que não goste das camisolas rosa-bébé? Também eu não gosto, como, de certeza, os adeptos do Real Madrid não gostam das camisolas pretas ou roxas ou amarelas, e os do Arsenal não gostam delas azuis, e os do Barcelona delas laranja. São os ditames do marketing, que quanto a mim são imbecis, mas se todos os problemas fossem esses…
Miguel Esteves Cardoso, no seu estilo, acha que, basicamente, foi um erro Vieira ter dito qualquer coisa como “ninguém morre se o Benfica não for à Liga dos Campeões”. Eu também acho que foi um erro, como aliás já aqui escrevi. Mas percebo a ideia e não tento ver as coisas só pelo lado negativo. Perguntem a Soares Franco se morre alguém se o Sporting não for à Liga dos Campeões? Provavelmente ele dirá que não senhor, não morre ninguém mas o Sporting terá de fechar as portas. O que, como todos compreenderão, é um epílogo bem menos funesto.
Por fim, A-PV. No PÚBLICO, escreveu dois textos excelentes, de conteúdo, de escrita, de bom senso. Curioso verificar que são as análises mais profundas e menos críticas para Vieira. Porquê? Porque está lá tudo: a crítica mas também o elogio; o falhanço mas também a boa decisão; o desperdício mas também a gestão rigorosa.
Diz A-PV, em síntese, que Luís Filipe Vieira fez o mais difícil, que foi levantar um clube caído na lama e que, no que ao futebol diz respeito, não soube consolidar o que de bom foi construído. E deixa, no final, um esboço de programa de recandidatura.
Concordo com A-PV, mas acrescento que, como dizia o filósofo espanhol Ortega Y Gasset, o homem é “o homem e as suas circunstâncias”. Temos de ver as decisões de Vieira à luz do seu contexto. Por exemplo, Veiga. Sabe com certeza A-PV que foi Vieira quem se opôs à ida de Simão para o Liverpool, quando Veiga já o tinha praticamente despachado… E os “barretes” que Veiga enfiou no Benfica? A-PV não precisa que se lhe faça a lista… E a traição de Veiga (?), quem já traiu, meu caro A-PV, nunca pode ser de confiança.

2 comentários:

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  2. APV é um homem de grande lucidez, é dificil ser comentador no meio daquele trio. è um homem de grande postura , por vezes pode discurdar-se de APV, mas ontem teve uma classe porque disse se o presidente do meu clube tivesse processos em tribunal seria o primeiro a pedir aqui a sua demissão. Isto só é possível num homem com o passado e a dignidade de Benfiquista, desculpem o fanatismo, tirando Dias da Cunha do Sporting não vejo mais ninguém de outros clubes com esta categoria obrigado pedro

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