sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Inferiores, claro

“O Sporting lançou uma ambiciosa campanha para angariação de sócios. Na curta apresentação de Filipe Soares Franco, citada no site do clube, as palavras “Benfica” e “benfiquistas” aparecem sete vezes; “sportinguistas”, apenas uma. A rivalidade é salutar, mas, em vésperas de derby, tudo isto soa a demasiado complexo de inferioridade”.

in “SEXTA”, jornal gratuito distribuído com os jornais “A Bola” e “PÚBLICO”, na secção”Notas de 20 a 0”, onde Filipe Soares Franco recebe a nota 8.

Festa bonita, discurso duro

No dia em que Valentim Loureiro soube que ia a julgamento no caso Apito Dourado, e que Almeida Ribeiro, nomeado para director da PJ do Porto, afinal já não vai por alegadas ligações ao FC Porto, o Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, lançou um dos mais duros ataques à passividade dos órgãos do dirigismo desportivo e ao próprio Governo.
Classificando de “vergonha para o País” o facto de acusados no âmbito do Apito Dourado continuarem em funções, Vieira apelou à Liga, à Federação e ao Governo para serem”parte da solução e não parte do problema”.
Testemunha privilegiada deste corajoso e dessasombrado discurso (que pode ler na íntegra aqui), realizado na Gala do 104º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, não pude deixar de reparar na reacção de Gilberto Madaíl.
O presidente da Federação chegou tarde ao Casino do Estoril, não sei se na esperança de evitar ouvir Luís Filipe Vieira. O “timing” de entrada na sala, no entanto, correu-lhe mal e teve de esperar de pé junto à porta que Vieira acabasse de falar. Assim exposto, Madaíl não se furtou a bater palmas na parte em que o Presidente do Benfica se referiu ao Apito Dourado, acompanhando a “trovoada” de aplausos que marcou o ponto alto da intervenção do líder benfiquista.
É curiosa esta “dupla” personalidade de Gilberto Madaíl: aplaude uma intervenção em que é instigado a actuar como líder federativo e, depois, comentando-a diz que não pode fazer nada. Engraçado: o Presidente da Federação, sobre os dois casos mais marcantes do futebol português dos últimos dias – a demissão do juíz Herculano Lima, colocando em causa a credibilidade do Conselho de Justiça para julgar em recurso os processos do Apito Dourado; e a intervenção de ontem de Luís Filipe Vieira sobre o mesmo “caso” - diz a mesma coisa: "Não posso fazer nada".
Tirando isso, a festa foi bonita, pá, como diria o Chico Buarque. O problema é que a emoção só toma conta de nós quando vemos e falamos com Carlos Manuel, António Simões, José Augusto, Diamantino, Pietra, Vítor Martins (as melhoras, "Garoupa", e que tudo corra bem na operação), Rui Águas, Shéu, Humberto. Ai que saudades de Bento, e o Rui Costa que se vai.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

28 de Fevereiro de 1904 - um dia Histórico

Nasceu há 104 anos, em 28 de Fevereiro, a maior instituição desportiva portuguesa. Hoje à noite, no Casino do Estoril, a Gala de aniversário é o momento alto da celebração deste acontecimento que marcou milhões e milhões de portugueses e que ajudou a projectar Portugal no Mundo.
O Sport Lisboa e Benfica (primeiro Sport Lisboa, mais Benfica, quatro anos depois) não nasceu em berço de ouro, pelo contrário. Cosme Damião foi fundador e figura grada de um clube que, em poucos anos, se tornou uma referência mundial. As vitórias europeias, que haveriam de marcar a sua história e o seu destino, vieram depressa, premonitórias, exemplo da Taça Latina, em 1950, que correspondia ao que depois se tornou a Taça dos Campeões Europeus e, actualmente, é a Liga dos Campeões.
A bicicleta, símbolo mítico e romântico, e a águia, rainha dos céus, animal real, altaneiro e nobre, o emblema, a cor vermelha, afronta e provocação, pós-1928, a um poder político ditatorial, num país sem liberdade – eis o Benfica, oásis de democracia, de orgulho, de alegria.
Curiosamente, no ano em que o Benfica nasceu, Portugal abria-se ao exterior, com as visitas oficiais do Presidente francês, Èmile Loubet, e da rainha Alexandra, de Inglaterra. O clima político era turbulento, mas a produção intelectual significativa. Lembro, como curiosidade, que é nesse ano que um dos maiores poetas portugueses, Guerra Junqueiro, publica “Oração à Luz” – nem mais.
104 anos de vitórias, muitas alegrias, algumas tristezas. Vitórias internas e externas em todas as modalidades, guindaram o clube ao restrito grupo dos emblemas universais. Atletas de renome mundial envergaram a mítica camisola vermelha do Glorioso. Milhões de adeptos em todo o Mundo, transformaram o Sport Lisboa e Benfica numa marca global e inultrapassável.
Hoje à noite celebra-se este passado, mas também um futuro que vai propiciar mais vitórias, internas e externas, cumprindo assim um destino único e grandioso, e respeitando uma História de sucesso.
Eusébio e Rui Costa, Chalana e João Alves, Shéu e Toni, Rui Águas e Pietra, Humberto e Coluna, José Augusto e Simões, entre tantas e tantas glórias, vão fazer a ponte entre o passado, o presente e o futuro. E também sentir saudade de Bento, de José Águas, entre outros nomes míticos desaparecidos e/ou ausentes, como Torres.
Uma festa, presidida por Luís Filipe Vieira, que tem de marcar o futuro da “Instituição”, prepará-la para os novos tempos e os novos paradigmas. Sem perder a sua matriz identitária, a sua indelével marca de vitória, não a qualquer preço, mas sempre com uma “chama imensa”. Viva o Benfica!

O INFERNO nos Jornais

in jornal "O JOGO", de 27 de Fevereiro de 2008

O INFERNO nos Jornais

in "Jornal de Notícias", de 27 de Fevereiro de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Um passo para o Jamor

Os adeptos ao lado da equipa. Foto: www.slbenfica.pt

Benfica - 2; Moreirense - 0 (quartos de final da Taça de Portugal) - 70 minutos para marcar um golo ao AC Milan, perdão, ao Moreirense, é obra. Camacho fez poupanças, não se sabe se para Alvalade, se para o Getafe. Seja como for, fez mal. Deixar de fora Rui Costa para fazer descansar o Maestro, foi um erro, como se viu. Ou melhor, como não se viu, porque o jogo não foi televisionado, e, se calhar, ainda bem. Por isso, esta é uma crónica de ouvido colado à rádio. “Ver” com os ouvidos permite-nos dar asas à imaginação e acreditar que pode ser, pode ser, o AC Milan, que está a jogar na Luz.
Após um desgaste nervoso, dos jogadores, da equipa técnica e dos adeptos, de mais de uma hora, Camacho resolveu fazer aquilo que devia ter feito de início, lançar Rui Costa, Makukula e Mantorras. O resultado não se fez esperar: golos do Maestro e de Makukula.
Se começasse de início com a “carne toda no assador”, o previsível seria arrumar logo o jogo e, depois, fazer descansar jogadores e adeptos. Camacho entendeu ao contrário. Ok, ele é que sabe. E o que conta é que estamos nas meias-finais da Taça de Portugal. Agora que venha…..!!!!!

Descansa em paz Mike

Morreu Mike Plowden, um histórico do SLB

Mike Plowden faleceu esta noite no Pavilhão do Pinhalnovense, aos 49 anos. O antigo basquetebolista caiu ao chão quando orientava um treino do Quintajense, da CNB2, quarta divisão da modalidade. Rafael Plowden, filho, integra o plantel do clube.Apesar de ter nascido nos EUA, foi uma das maiores referências do basquetebol português das décadas de 80 e 90. Representou sucessivamente o Barreirense, Benfica e Atlético e, após ter garantido a naturalização, passou a envergar a camisola da selecção nacional, tinha então 29 anos.Mike era uma pessoa extremamente afável, um modelo para os mais jovens e muito popular junto dos adeptos. Como basquetebolista, distinguia-se pelas suas qualidades de grande defensor e ressaltador, um magnífico "power forward".
In Record Online
Este é um post muito desagradável de colocar mas achei por bem fazê-lo para homenagear um dos históricos da célebre equipa de basquetebol do Glorioso que ganhou não sei quantos campeonatos nacionais seguidos para além de muitas outras taças e também brilhou intensamente na Europa brindando-nos a todos nós benfiquistas com exibições e vitórias europeias que ficaram na nossa memória. Mike Plowden foi sempre um jogador e um homem correcto na sua vida, aqui deixamos as mais sentidas condolências á sua família e aos seus colegas de então. Aqui fica um vídeo com duas jogadas do Mike que ficam na história do Benfica e dos benfiquistas que apreciavam esta equipa de basquetebol Gloriosa. Que descanse em Paz o grande Mike Plowden.
retirado, com a devida vénia, do blogue "COLUNA D´ÁGUIAS GLORIOSAS", in http://colunadaguiasgloriosas.blogspot.com

Assim, sim!

José António Camacho aprimorou o discurso. O homem do “hay que salir a ganar” e do "não ganhamos porque a bola não entrou”, lançou uma mensagem de motivação para dentro e de mobilização para fora.
Hoje, contra o Moreirense, os jogadores devem comportar-se “como se jogassem contra Kaká e Pirlo”. Nem mais. O Moreirense como o AC Milan. Todos os jogos, num futebol nivelado e competitivo, são de grau de dificuldade superior. O passado recente obriga a concentração máxima – que o diga o FC Porto contra o Atlético ou o Sporting contra o Fátima ou mesmo o Benfica contra o Gondomar.
Em causa, uma questão de atitude. Camacho diz que não há nada a apontar aos jogadores. Ainda bem. Mas é da natureza humana, algum menor empenhamento contra equipas teoricamente acessíveis. É isso que, com este discurso, o treinador espanhol quer evitar. Ainda bem.
Aliás, é bom recordar que Camacho não tem boas recordações do Moreirense. Em dois jogos para a Liga, em 2003 e 2004, o Benfica de Camacho sofreu dois empates. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
A estratégia, por isso, deve ser, como defendi, apostar tudo na Taça de Portugal. Isso passa, também, por “colocar toda a carne no assador” contra o Moreirense, mesmo que obrigue a poupar alguns jogadores contra o Sporting, domingo, em Alvalade. Heresia? Claro que não. Qualquer que seja o resultado em Alvalade, o Benfica continuará em segundo, e é preciso não esquecer que na quarta-feira seguinte há que jogar os oitavos de final da Taça UEFA contra o Getafe – outra competição de aposta máxima. Além de que, mesmo com poupança de alguns jogadores, só muito dificilmente o Benfica perderá contra este Sporting, uma equipa sem rumo.
Na mobilização para fora, estimulando um apoio esmagador na Luz, hoje à noite, Camacho também foi, por uma vez, certeiro. “Conheci muitos adeptos, de muitas equipas, e os adeptos do Benfica são os melhores”, disse Camacho. Olé! Foto: AP

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Cartas do Diabo (10)

"Parabéns pelo seu blog. Desde que o "conheci" passou a ser de visita diária. Tenho 63 anos e o Benfica-Nuremberga dos 6 a 0 foi o meu 1º jogo para a Taça dos Campeões visto ao vivo. Tem em mim um admirador. Escreve bem e à Benfica".

Augusto Rodrigues
Ovar

enviado por email

Nunca caminharás sozinho

When you walk through a storm
(Quando caminhas por entre uma tempestade)

hold your head up high
(levanta bem a cabeça)

And don't be afraid of the dark.
(E não tenhas medo do escuro).

At the end of a storm is a golden sky
(No fim da tempestade há um céu dourado)

And the sweet silver song of a lark.
(E o doce chilrear de uma cotovia).

Walk on through the wind,
(Caminha por entre o vento),

Walk on through the rain,
(Caminha por entre a chuva),

Tho' your dreams be tossed and blown.
(Que os teus sonhos sejam lançados e espalhados)

Walk on, walk on with hope in your heart
(Caminha, caminha com esperança no coração)

And you'll never walk alone,
(E nunca caminharás sozinho)

You'll never, ever walk alone.
(Nunca, nunca mais, caminharás sozinho).

Walk on, walk on with hope in your heart
(Caminha, caminha com esperança no coração)

And you'll never walk alone,
(E nunca caminharás sozinho),

You'll never, ever walk alone
(Nunca, nunca mais, caminharás sozinho)

Humberto diz que o Benfica cria poucas oportunidades e sente saudades do “Inferno da Luz”. O grande capitão dos anos 70 e 80 sabe do que fala, mas parece discordar de Camacho, que não se cansa de sublinhar as inúmeras jogadas para golo da equipa. Quem tem razão? Seguramente, Humberto.
Na véspera do jogo da Taça de Portugal, contra o Moreirense, o síndrome da Luz não pode tomar conta de equipa. É no nosso estádio que estamos melhor acompanhados e os jogadores não podem acusar essa pressão-extra.
O que é preciso é não deixar que forças exteriores condicionem o ambiente interno e a rotina diária. A campanha mediática em torno do lançamento lateral de Binya é um exemplo forte de que o Benfica incomoda e mete medo a muita gente.
Não contentes com o prejuízo pontual que o Benfica tem sofrido à conta de arbitragens “incompetentes”, alguns aerópagos do “sistema” querem que o nosso clube fique arredado da entrada directa na Liga dos Campeões. E ninguém deve estranhar que torçam vibrantemente pela vitória do Sporting no “derby eterno”.
O Benfica tem de contar só consigo. E chega bem. Desde que haja, como diz o Presidente, Luís Filipe Vieira, “profissionalismo e benfiquismo”. O que não pode acontecer é deixar-se desenrolar uma campanha diária contra Binya e o seu lançamento (que significa, contra o Benfica) e não haver ninguém que trave essa escalada.
Resultado: jogador condicionado, como se viu contra o Braga, Benfica prejudicado. Também é de evitar que seja público que Binya treina os lançamentos, dado que passa para o exterior a mensagem de que eram efectuados irregularmente. O que não é verdade, como se provou.
Os “media” querem uma campanha honesta e pedagógica? Falem das cargas sistemáticas que Cardozo sofre pelas costas dos defesas centrais adversários, sem que tal seja devidamente sancionado. Pelo contrário, o rídiculo das arbitragens é tal que o senhor Jorge Sousa, da AF Porto, conseguiu, contra o Braga, assinalar sempre falta do atacante, mesmo quando, como aconteceu com o central bracarense Paulo Jorge, o adversário “sobe” pelas costas de Cardozo, com este imóvel.
Agora há que ter concentração máxima para o jogo com o Moreirense, que dá acesso à meia-final da Taça. A Luz deve ser, de novo, o Inferno da Luz. Os jogadores do Benfica devem perceber que na Catedral, “nunca caminharão sozinhos”. O Benfica nunca caminhará sozinho.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"Red devil´s best player ever"

George Best, Cristiano Ronaldo, Vítor Baptista ou Eric Cantona? Quem foi o melhor jogador de sempre do Manchester United?
A minha opinião, aqui, no blogue Mestres do Futebol
http://mestresdofutebol.blogspot.com/2008/02/crnica-do-peo-george-best-e-vtor.html

Rui Santos agredido às portas da SIC



Há coisas que nunca mudam no futebol português. Há métodos que são tão eternos como o "sistema". Ontem, de madrugada, às portas da SIC, em Lisboa, o tempo recuou 10, 15, 20 anos. Algo que se pensava banido, erradicado, desactualizado, voltou em força para demonstrar que tudo continua como dantes. Enquanto o poder político continuar a assobiar para o lado, mudam apenas algumas moscas, para que tudo fique igual.
Rui Santos, jornalista e comentador, juntou-se a um rol de outros jornalistas que sentiram na pele o que é ter opinião no futebol português. Antes dele, agredidos por delito de opinião foram, entre outros, Carlos Pinhão, Marinho Neves, José Saraiva.
Face a este ataque ignóbil e pidesco, estamos à espera de ver o que dizem Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, Hermínio Loureiro, presidente da Liga de Clubes, e Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Quem cala, consente... e estimula.

Em tempo de guerra não se limpam armas

Nesta altura, frases enigmáticas são dispensáveis.

Com a Liga posta em sossego, a semana que passou animou-se com um “happening” televisivo em horário nobre. No “plateau”, perante o nortenho Rodrigues Guedes de Carvalho e a sulista Clara de Sousa, o dirigente desportivo há mais tempo em funções, foi igual a ele mesmo: a Norte, nada de novo.
Garantiu, pelo menos, a liderança das audiências à SIC e a capa do dia seguinte do jornal do regime. Talvez porque a “espuma dos dias” continua a comandar os alinhamentos televisivos, passou razoavelmente despercebida a frase-chave da semana: “Prefiro problemas desportivos a problemas judiciais”. O seu autor, o Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, comentou, assim, após muita insistência, o relambório do dia anterior.
Contem bem: 6 palavras, e todo um programa. Vieira arrumou, de uma penada, a questão. Problemas desportivos, todos têm. É certo que uns mais que outros e os de Vieira não são pequenos. Problemas judiciais, só tem quem quer e, que eu saiba, ainda não é nos estúdios de televisão que se resolvem.
Transformado de adversário em inimigo, Vieira precisa, mais que nunca, de um exército ganhador. No relvado, primeiro, e depois fora dele. A partir de agora, qualquer deslize é fatal.
Esvaziar todo o interesse em volta da Liga deve ser a estratégia a seguir. Colocar toda a artilharia pesada em torno da Taça de Portugal e da Taça UEFA deve passar a ser o mote. É, por isso, decisivo que todos os discursos privilegiem os jogos da Taça de Portugal e da Taça UEFA. Mobilizar os adeptos para estas provas é a palavra de ordem.
Como lembrou, e bem, o conhecido adepto portista Juca Magalhães, em artigo de opinião recentemente publicado, “se o Benfica ganhar a Taça UEFA, o País vai ignorar que ganhamos a Liga”. Tens razão, meu caro Juca, mais a mais com um Europeu de futebol logo a seguir.
É, por isso, inconcebível, neste contexto, a frase de Camacho, no final do Benfica – Braga: “O Porto é o Porto e nós somos nós”. Para além da verdade la palissiana, esta afirmação sujeita-se às mais variadas interpretações, dado o seu enigmatismo.
Não por acaso, o jornal “O Jogo” coloriu toda a sua primeira página com o, chamemos-lhe assim, desabafo. Tudo o que não é preciso, neste momento, são frases enigmáticas. Se a “guerra” está aberta, então que seja um general a falar.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Esgotou-se e esgotou-nos

Benfica – 1; SC Braga – 1 (20ª Jornada da Liga) - Um ponto ganho na luta pelo segundo lugar. Alargou-se a vantagem para o Sporting, que está agora a 5 pontos, antes da visita a Alvalade. Mais uma vez, uma exibição paupérrima, sem fio de jogo e sem classe.
Não serve de desculpa o esforço dispendido na 5ª feira, em Nuremberga. O melhor mais uma vez foi Rui Costa, que aos 35 anos corre mais do que a maior parte dos seus companheiros. A petição que corre na Net para pedir mais um ano de jogador ao maestro só pode ter como resultado o recuo de Rui Costa na decisão de acabar a carreira no final da temporada.
Mais um ano de Rui Costa exige-se. E exige-se um novo treinador. Camacho esgotou o estado de graça, esgotou-se e esgotou-nos. Petit é uma sombra do jogador que foi; continua a teimosia do único avançado; desta vez, jogou com um ala, Di Maria, e outro, Nuno Assis, que, sabe-se, não vai à linha de fundo, antes gosta de flectir para dentro; mais um homem no ataque só a 10 minutos do fim, contra uma equipa do meio da tabela do campeonato português, e a jogar na Luz.
Nota positiva, apenas para a troca de Luís Filipe por Nélson; alguns bons raides de Nuno Assis; a entrada, embora tardia, de Mantorras, e uns fogachos de bom futebol. O resto foi triste e mau. Nem sequer o tão apregoado, por Camacho, volume de ataque e as inúmeras oportunidades de golo apareceram. Só o deserto, de ideias, de motivação, de rendimento.
Espera-se que 4ª feira contra o Moreirense, para a Taça de Portugal, essas ideias, essa motivação e esse rendimento apareçam. Assim como contra o Getafe, para os oitavos de final da Taça UEFA.
Vamos ver se terminamos a época com dignidade. A vitória na Taça de Portugal e na Taça UEFA está ainda no nosso horizonte, e nos nossos sonhos. A Liga dos Campeões, para o ano, deve ser um objectivo máximo, como o campeonato. Começar a preparar tudo com tempo e horas é o que se exige. Já!
Foto: Marcos Borga (Reuters) - Luisão, autor do golo, festeja com Di Maria e Katsouranis.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Na idade dos "porquês"

E este senhor Camacho, também é um Benfica da década de 60?

Chamam-lhe a “idade dos porquês”. Situam-na na infância, quando se começa a andar, a olhar à volta, a perceber sons, ruídos, imagens, conversas. Porquê?, porquê?, porquê? A curiosidade cresce, as dúvidas acumulam-se, as respostas tardam, mas é preciso insistir.
É assim que os adeptos do Benfica estão. Na idade dos porquês. Olham e não percebem, ficam estupefactos, ouvem conversas, altercações, mensagens desencontradas, discursos básicos. Porquê?
E depois há a equipa, as tácticas, as substituições, as peripécias que nascem como cogumelos. Porquê? Em Nuremberga, mais episódios para esta saga. Porquê um avançado contra uma equipa menor da Europa, quando um golo “matava” a eliminatória? Porquê tanto tempo para mexer na equipa quando ela se afundava a olhos vistos? Porquê Maxi tanto tempo em jogo, quando toda a gente via que era menos um? Porquê dois trincos, mesmo a perder por 2-0? Porquê a ausência de flanqueadores, quando Makukula e Cardozo são “torres” que necessitam de jogo pelos flancos e centros para a área?
Não sei quem pode dar respostas correctas a estas perguntas. Mas é bom que se reflicta nisto. A eliminação ontem, que esteve prestes a acontecer seria uma catástrofe, financeira, desportiva, de imagem. Se tivesse acontecido, nem sei qual seria o aspecto do Estádio da Luz, domingo contra o SC Braga.
É preciso parar para pensar e verificar que este sistema de jogo não leva a lado nenhum. O Benfica tem de jogar com dois avançados e duas alas. E tem jogadores para isso. Ontem, no final do jogo contra o Nuremberga, resolvi ver a RTP Memória. Em má hora o fiz. Estavam a transmitir o Bayer Leverkusen – Benfica, de 1994, memorável jogo que acabou 4-4, com a passagem do Benfica.
Que jogo, que jogadores, que equipa, que exibição. O Lverkusen, com Schuster e Kirsten, foi positivamente massacrado em casa. O Benfica, com Neno, Abel Xavier, Hélder, William, Schwartz, Paneira, Rui Costa, Kulkov e João Pinto, Isaías e Iuran, marcou mais uma grande noite europeia.
Camacho disse que este não é o Benfica dos anos 60. Pois não senhor, não é. Infelizmente, nem é o Benfica dos anos 90.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Um dia a casa vem abaixo

FC Nuremberga – 2; Benfica – 2 (2ª mão dos 1/16 avos da Taça UEFA).
Mais uma vez não se conseguiu ganhar em solo alemão. No seu 290º jogo europeu, o Benfica deu uma pálida ideia de si. Curiosamente, fez melhor do que em 62, quando perdeu por 3-1, mas a exibição foi de envergonhar. Apurados para os oitavos de final, a disputar contra a equipa espanhola do Getafe, mas o sonho começa a esmorecer.
Que diferença para a equipa que na década de 80 foi a Leverkusen fazer um jogo memorável e empatar 4-4, depois de estar a perder 2-0. Hoje, também estivemos a perder 2-0, conseguimos chegar, com felicidade, ao empate, mas esquecer a lástima exibicional é não ser responsável.
E depois há Camacho. O que vai na cabeça do espanhol quando olha para o relvado e vê a equipa afundar-se sem mexer um dedo? Como se pode permitir que um homem que jogou 20 anos ao mais alto nível europeu e mundial, que liderou a selecção espanhola em mundiais, fique transido de medo no banco de suplentes sem saber o que fazer?
Luís Filipe é um jogador medíocre, impróprio para consumo. Colocá-lo a jogar e, pior, “obrigá-lo” a estar 90 minutos no relvado é desumano para o próprio jogador. Não acredito que Luís Filipe seja assim tão mau, mas, uma coisa é certa, o rapaz está arrasado psicologicamente e aquela camisola pesa-lhe toneladas.
Maxi Pereira foi um peso morto, obrigando o Benfica a jogar com 10 até 15 minutos do fim. Makukula sozinho na frente não dá, como se sabe e se viu. O Benfica tem de jogar com dois pontas de lança. A teimosia de Camacho já ultrapassa o admissível e só se espera que um dia a casa não venha abaixo. Foto: Alex Grimm/Reuters

Inspirem-se

Benfica - 6; Nuremberga - 0

A noite em que a Luz foi Infernal. Alguém se cansa da perfeição?
Veja e delicie-se aqui http://www.belacena.iol.pt/videos/view/7821

Força rapazes e boa sorte!



O Benfica vive hoje uma noite europeia atípica. Atípica porque está na Taça UEFA, sendo que o seu “habitat” natural é a Liga dos Campeões; atípica ainda porque o que conseguir hoje à noite só pode acrescentar desprestígio – nada tendo a ganhar; atípica porque, apesar disso, é quase uma época que está em jogo, e a preservação de uma memória gloriosa.
Em 62, quando foi Campeão Europeu, batendo na final o Real Madrid, o Benfica despachou nos quartos de final o FC Nuremberga, na Luz, por uns valentes 6-0, uma goleada mesmo para a época.
É curioso o destaque que no seu “site” o FC Nuremberga dá a esse longínquo jogo com o Benfica, elevando a vitória na primeira mão, por 3-1, a feito histórico de um clube com quase 110 anos. E é curiosa ainda a justificação que dão para a goleada sofrida na Luz: “A segunda mão na Luz foi demais para a jovem equipa do Nuremberga. Os jogadores estavam impressionados com a multidão de mais de 70 mil pessoas que esgotava a Luz. Nada conseguiram contra as vedetas bem pagas do Benfica, acima das quais a estrela mundial, Eusébio, que receberam 50 marcos cada um pela vitória caseira. A pequena consolação para o FC Nuremberga foi que o Benfica acabou por chegar á final e sagrar-se campeão europeu”, relata o “site” do clube alemão.
Hoje o Benfica vai jogar contra um clube menor da Bundesliga. Basta atentar nas classificações dos últimos anos para perceber que será um escândalo não passar a eliminatória: 2001/02 – 15º lugar; 02/03 – 17º lugar (descida de divisão); 03/04 – 1º lugar (2ª Divisão e subida à 1ª); 04/05 – 14º lugar; 05/06 – 8º lugar; 06/07 – 6º lugar; 07/08 – 16º lugar, com menos 27 pontos que o 1º, o Bayern de Munique, e menos 24 pontos que o Werder Bremen, que hoje à noite defronta o SC Braga.
Ou seja, é preciso que os jogadores tenham consciência da responsabilidade que têm sobre os ombros – não conseguirão nenhum feito especial para entrar na História gloriosa do Benfica, mas poderão ficar ligados a uma página negra.
Seja como for, atenção a 4 jogadores do FC Nuremberga: o grego Charisteas, que já marcou 22 golos na Bundesliga, quatro dos quais pelo FC Nuremberga; o checo Koller, com 60 golos na Bundesliga e 1 no Nuremberga; Mintal, com 30 golos na Bundesliga, todos pelo Nuremberga; e, por fim, Vittek, com 25 golos na Bundesliga, também todos pelo Nuremberga.
Às 20 horas estaremos todos a torcer por vós. Nuremberga será apenas um apeadeiro, como o foi em 1962. O fim da viagem é em Manchester, no "City of Manchester Stadium", onde se vai jogar a final da UEFA. Força rapazes, e boa sorte!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Agora, ... que venham mais títulos

in "Diário Económico", de 20 de Fevereiro de 2008

Eu sei que “isto” (ver quadro) pode não ser atraente para a maioria dos sócios, adeptos, simpatizantes do Benfica. Sei também que a esmagadora maioria ou é indiferente ou acha o assunto irrelevante.
O que interessa é o golo, o “core business” do clube. Claro que sim, completamente de acordo. Mas para se poder ter uma equipa competitiva, que ganhe campeonatos, jogos, marque golos e não os sofra, é preciso manter e/ou adquirir jogadores de classe-extra. Tal só se consegue com capacidade financeira. É por isso que “isto” é importante.
O que é “isto”? O "Diário Económico" de hoje, na sua página 27, intitula: “Grupo Benfica com melhor resultado de sempre; Clube contribuiu com 10,8 milhões de euros para os resultados líquidos do grupo na época de 2006/2007”.
O texto do artigo é sintomático. Transcrevo excertos: “Pela primeira vez desde a sua criação em 2000, o grupo empresarial Benfica apresentou resultados líquidos consolidados positivos”; “Estes resultados são consequência directa dos resultados atingidos no Clube e nas principais empresas do grupo, nomeadamente a Benfica SAD e a Benfica Estádio, explica Domingos Soares Oliveira, administrador da SAD encarnada, ao Diário Económico”; “Estes números representam uma “vitória” para o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. “”Há quatro anos, o presidente iniciou uma política de desenvolvimento do grupo tendo como objectivo o equilíbrio económico e estes resultados reflectem que encetámos o caminho correcto, refere o administrador”; “O reforço da notoriedade do Benfica no contexto do futebol europeu, face à presença na principal competição de clubes a nível europeu, e a entrada em funcionamento pleno do Caixa Futebol Campus, influenciaram as contas”.
Eu sei que “isto” é um bocado árido, mas numa altura de crise económica, de passivos gigantescos com que os clubes de futebol se debatem, muitos deles a caminho da insolvência, vale a pena ter orgulho em ser benfiquista.
Mas não chega apresentar resultados “macro” positivos. Agora, é preciso reforçar a sério a equipa de futebol, preparar a época com tempo, com conta, peso e medida. É preciso que a Luz volte a ser um Inferno, o que tem de passar por uma política de ingressos que privilegie os sócios e, mais, os sócios mais longe de Lisboa, as Casas do Benfica, as escolas. Mais gente, com preços mais convidativos e melhores benefícios.
É preciso um forte investimento na “marca Benfica”, uma marca global ao nível da Coca-Cola ou da MacDonalds, mais e melhor merchandising. É preciso uma forte estrutura à volta de todos os escalões de futebol do clube (que sei está a ser criada). É preciso retirar todos os proveitos do facto do Benfica ser a “galinha dos ovos de ouro” dos canais televisivos. O que o Benfica recebe pelas transmissões dos seus jogos, que permitem encaixes de milhões em publicidade e “shares” liderantes, não chega para mandar “tocar um cego”. “Isto” é muito bom, mas é preciso mais… Voltaremos ao assunto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cartas do Diabo (8)

Isto é um pequeno exemplo do país futebolistico que temos (ver post "O futebol português no seu melhor"). O problema é que isto começa logo na base. Um amigo meu foi com o presidente e treinador de uma equipa dos distritais inscrever a equipa para a nova época na respectiva federação distrital. A meio da inscrição, pergunta o funcionário que a fazia: " Então, vocês têm boa equipa?". Resposta: "Mais ou menos". De novo o funcionário: "É que para este ano a equipa X já os tem (os árbitros) todos controlados". Ora, um árbitro corrupto no distrital quando chega, se chegar, ao topo vai ser honesto?
Para além disso, o futebol português é suportado por um grupo de pessoas que já cá anda há muito tempo, demasiado até, e criaram entre eles, como acontece em qualquer actividade quando se convive muito tempo com as mesmas pessoas, laços e cumplicidades que lhes permite dominar o futebol. Os que cá andam há mais tempo, tipo PC e outros, são os que mais dominam pois, como diz o ditado, "quem merendas come merendas deve". Estes homens são credores de muitas merendas!
Por isso eu defendo que o nosso GLORIOSO tem que ter uma equipa que possa vencer jogando sempre contra 14. Isto é, se o árbitro anula um golo limpo, marca-se outro, se o árbitro não marca o penalty escandaloso, na jogada seguinte fazemos golo. Com uma equipa de futebol que jogue à bola de forma empolgante basta os dirigentes conseguirem ficar calados que nós sócios e adeptos fazemos o resto. Já imaginou o que seria para as equipas, de arbitragem incluidas, jogarem na LUZ sempre com lotação esgotada? A pressão que sentiriam? Nos jogos fora é a mesma coisa pois o BENFICA só joga fora em Alvalade e no Dragão. Nem seria necessário recorrer a esquemas, a pressão seria suficiente para impedir estes desmandos.

Saudações Gloriosas,

enviada por email por Vitor Esteves

Uma foto vale mais que mil palavras (2)

Qual entrada a “matar” de Lisandro Lopez sobre Mossoró; qual expulsão de Djalma; qual agressão de Quaresma. O que foi relevante na jornada que passou, e que dá mais que falar do que todos os golos marcados pelo FC Porto de forma ilegal nesta Liga, é saber se Bynia estava ou não com os dois pés assentes no chão na altura do lançamento lateral que deu o primeiro golo ao Benfica contra a Naval, na Figueira da Foz.
Falaram os paineleiros de serviço e escreveram os colunistas encartados. Asneiras e mais asneiras. Tanto barulho por coisa nenhuma. Volto a perguntar: sabem o que é o “sistema”?
Para elucidar as mentes mais perversas, aqui deixo dois documentos. 1 – Foto publicada no jornal “A Bola”; 2 – Transcrição das regras do jogo, publicada no jornal “Record”.

1 - Lei 15: “No momento do lançamento lateral, o executante deve: b) ter, pelo menos parcialmente, os dois pés sobre s linha lateral ou sobre a faixa de terreno exterior a essa linha”.

2 - Foto publicada no jornal "A Bola", de 18 de Fevereiro de 2008. Bynia já não tem a bola nas mãos, e agora olhem para os pés... Cada um que tire as suas ilações.

Cavaco e o Benfica

O Presidente da República, Cavaco Silva, na Jordânia, com o Rei Abdallah.
Um dia, quando lhe perguntaram de que clube era, respondeu: “Sou do Olhanense”. A resposta não surpreendeu ninguém, vinda de um homem austero nas palavras. Já muita coisa se disse e se escreveu sobre as diferenças entre o “Cavaco – Primeiro Ministro” e o “Cavaco – Presidente”. Poucos dias depois de ter sido igual a ele mesmo, ao colocar em sentido o presidente da FPF, Gilberto Madaíl, pondo bom senso na “ideia” de organizar o Mundial de 2018, em Portugal, Cavaco voltou a ser confrontado com o fenómeno futebolístico.
Em Petra, na Jordânia, onde está em visita oficial, o guia da comitiva presidencial, Farajat, director do Parque Arqueológico de Petra, virou-se para o PR e disse-lhe que conhecia o estádio do Benfica.
“Então já conhece uma das maravilhas de Portugal”, reagiu Cavaco Silva, citado pelo “Diário de Notícias”. Não sabemos se Cavaco continua a ser do Olhanense, o que sabemos é que seis milhões de votos, são muitos votos. Foto Manuel de Almeida (Agência LUSA)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Conta-me como foi...



Alfredo Di Stéfano foi homenageado pela UEFA. Uma estátua e o título de “Presidente UEFA” lhe deram por mais de 20 anos a maravilhar os amantes do futebol e quase 900 golos. Foi pouco mas foi boa a intenção do actual líder uefeiro, Michel Platini.
Di Stefano, Don Alfredo, é a “Pantera branca” do Real Madrid, como Eusébio é a nossa “Pantera Negra”. La saeta rubia, como lhe chamavam, teve com ele os maiores de sempre. Uma festa “só para os grandes”, garantiu Platini.
E, porque assim foi, Eusébio foi convidado especial, por ser quem é, mas mais, por ser o “irmão gémeo” de Di Stéfano, como o “meu” Benfica é “irmão gémeo” do Real Madrid. Os quatro, Di Stéfano e Eusébio, Real Madrid e Benfica – grandes entre os grandes.
Por isso, este “post” é ilustrado pelo programa oficial da final da Taça dos Campeões Europeus entre Real Madrid e Benfica, que o Glorioso venceu, pondo fim a um domínio absoluto dos “merengues” em relvados europeus.

Obs: O Benfica teve Eusébio a representá-lo na festa de Di Stéfano. O Sporting, que Don Alfredo representou por alguns dias, teve um funcionário menor da estrutura da SAD. E isso faz toda a diferença…

O futebol português no seu melhor

O jornal “A Bola”, na sua edição de 16 de Fevereiro de 2008, revela um “documento explosivo” sobre como funcionam as instâncias juridiscionais do futebol em Portugal. Segundo o documento, a Comissão Disciplinar (CD) da Liga sancionou Valentim Loureiro com 6 meses de suspensão por ofensas aos juízes Pedro Mourão e Francisco Cebola, em exercício na CD da Liga.
O então presidente da Liga viu, porém, a pena, que o inibiria de exercer quaisquer cargos no desporto, ser reduzida pelo Conselho de Justiça (CJ) da FPF para 100 dias, o que permite ao major continuar no activo.
O presidente do CJ da FPF que decidiu pela redução da pena a Valentim Loureiro chama-se António Gonçalves Pereira e é vereador na Câmara Municipal de Gondonar, cujo presidente se chama, adivinharam!!!, Valentim Loureiro.
O anterior presidente do CJ da FPF, o juiz jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, Herculano Lima, votou contra esta redução de pena e fez uma declaração de voto arrasadora, que a edição referida de “A Bola” transcreve na íntegra. Resumindo, diz que a decisão de redução da pena a Valentim Loureiro para 100 dias “sofre de dois pecados capitais: erro de julgamento e violação da lei”.
Pergunta a “A Bola” se (..) “sabendo-se que será o CJ da FPF a deliberar os recursos do Apito Dourado (…) tem este CJ de facto credibilidade para julgar tão candente matéria”? Confusos?
A única resposta corajosa e decente a este trabalho de investigação de “A Bola”, assinado pelo jornalista José Manuel Delgado, veio do Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira: “Não só estou muitíssimo preocupado como lamento profundamente a demissão de Herculano Lima, um ínsigne magistrado que tinha afirmado, numa reunião solicitada pelo Benfica, que tinha já a certeza de que havia corrupção no futebol português”. E ironizou, Vieira: “Se calhar, um dia destes ainda mudam o CJ para Gondomar… ou lá perto, para se transformar numa Aldeia da Roupa Branca”.
Em tom e postura claramente diferente, o presidente da FPF, Gilberto Madaíl diz: “Nada posso fazer em relação a essa matéria”. Ora aqui está um “homem do futebol” como deve ser. Afinal, ninguém lhe perguntou sobre Mundiais, Jogos Olímpicos, Europeus e quejandos, que, isso sim, eram matérias a que ele dava, com todo o gosto, a sua abalizada opinião. E os outros, não dizem nada????
Obs: Se querem saber quem é o homem (António Gonçalves Pereira, actual presidente do CJ) e mais sobre a trama, então leiam isto

O regresso de Bynia

E os extremos, senõr Camacho? Foto em www.slbenfica.pt

Naval – 0; Benfica – 2 (19ª Jornada da Liga) - Finalista da CAN, Bynia regressou e foi o homem do jogo contra a Naval, na Figueira da Foz. Dispensado por Fernando Santos e recuperado por Camacho, o camaronês não se deixou abater pela sanção uefeira, de 6 jogos de penalização pela entrada dura ao jogador do Celtic, na fase de grupos da “Champions”.
Se calhar, agora com a visibilidade que teve na CAN, Bynia vai merecer outra deferência dos juízes da UEFA, sempre complacentes para com as grandes vedetas. Voltemos ao Naval – Benfica. Depois de Bynia, aplausos para Sepsi, o lateral-esquerdo romeno de 21 anos, que mal entrou em jogo, por lesão de Adu, mostrou o porquê da sua contratação.
Uma última palavra para os 5 minutos em campo de Rui Costa, a ser poupado para Nuremberga: a jogar assim, quem tem coragem de o dispensar no ano que vem?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Uma exibição "aburrida"

E os extremos, señor Camacho? Foto em www.slbenfica.pt

Benfica - 1; Nuremberga - 0 (16 avos de final da Taça UEFA) - Um autêntico deserto de ideias. Sinto-me quase impotente para traduzir por palavras o quanto foi “aburrida” a exibição do Benfica contra o Nuremberga. Começando com as duas “torres”, como estava previsto, os encarnados não colocaram em campo um sistema de jogo que retirasse todas as potencialidades de ter na área Cardozo e Makukula.
Como é que isso era possível se não havia extremos capazes de ir à linha de fundo e centrar para os pontas-de-lança? Lembram-se de Magnusson e de Maniche (o alto e louro, está bem de ver)? Sempre servidos nas alas por Chalana e Paneira ou José Luís, ou mesmo Chiquinho.
Contra o Nuremberga, quando se pedia Di Maria e/ou Freddy Adu para servir Cardozo e Makukula, estavam em campo Rodriguez e Nuno Assis. Conta-se pelos dedos de uma mão, e sobram, os centros para a área desde a linha de fundo. Claro, o golo só podia sair de uma jogada pelo meio do terreno, através do “maestro” Rui Costa. E que justifica, mais uma vez, a interrogação: será que Rui Costa não podia jogar mais um ano?
A noite foi ganha pelo resultado e pelo golo de Makukula. Cardozo saiu, chateado, para entrar Di Maria, e Adu só jogou 5 minutos. Explicar isto é difícil, até para um treinador de bancada.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Que a História se repita



EM 1961/62, A ÁGUIA AFASTOU O NUREMBERGA GANHANDO POR 6-0
Eusébio liderou revolta na Luz

SÉRGIO ANDRÉ

Foi o ajuste de contas que todos desejavam num ano histórico para as águias. O Benfica conquistava, com muito mérito, o acesso às meias-finais da Taça dos Campeões na temporada de 1961/62. E quem era o adversário? O Nuremberga. Efectivamente, os então comandados do húngaro Béla Guttman tinham perdido na Alemanha por 1-3. Poucos acreditavam na reviravolta, pois o Nuremberga era considerado na altura uma das melhores equipas do mundo. Eusébio, que não tinha participado no primeiro jogo devido a lesão, afina a pontaria, e... o resultado não poderia ser melhor: 6-0, com o "Pantera Negra" e José Augusto a bisarem. O Benfica, que viria a ser campeão europeu batendo, na final, o Real Madrid por 5-3, dava um passo de gigante na prova. "Em Lisboa, foi uma noite inesquecível, ninguém estava à espera. Aos 4', já estávamos a ganhar por 2-0", recorda agora Eusébio, antes do embarque em Bruxelas, onde presenciou a abertura da exposição sobre a vida do clube.
O triunfo frente ao emblema germânico deu alento aos encarnados, que aceleraram rumo à final de Amesterdão. "Realmente, foi um jogo fantástico, quase perfeito. Jogámos muito bem e ganhámos com naturalidade. O prémio desse jogo foi de oito contos, e a final valeu 40. Foi muito bom", explicou, a O JOGO, José Augusto, outro dos protagonistas da partida.
A viagem ao passado durou pouco. Eusébio quis também lançar o embate de hoje. "Seria bom que fosse uma noite inesquecível. Não tivemos a sorte de continuar na Champions, mas agora estamos na Taça UEFA. Não espero que a equipa ganhe por 6-0, mas por dois ou três a zero... [risos]. Espero que o Benfica vá longe e chegue à final."

Um trabalho jornalístico notável, in jornal "O JOGO" de 14 de Fevereiro de 2008

Importa-se de repetir...!?

"Espero que o árbitro não compense o FC Porto"
Alegados erros num dérbi insular em 2004/05 e no recente Nacional-FC Porto justificam o aumento da apreensão verde-rubra

EDMAR FERNANDES

Carlos Pereira, presidente do Marítimo, não esconde a sua "preocupação" em relação à nomeação do árbitro Pedro Henriques para o jogo de amanhã, que opõe os insulares ao líder FC Porto. Apreensão que o líder dos madeirenses sustenta com vários factores, desde a atitude do referido juiz ao "expulsar injustamente" o então maritimista Alan, no dérbi com o Nacional, disputado na época 2004/2005, que acabou empatado 1-1, até aos acontecimentos recentes que envolveram a deslocação dos portistas à Choupana.
"É natural que esteja preocupado com a arbitragem deste jogo. Preocupação acrescida pelo que ocorrido no último jogo que Pedro Henriques arbitrou na Madeira, no Nacional-FC Porto, em que houve muitas queixas de Jesualdo Ferreira [técnico dos portistas]. Por isso, pergunto se ele (Pedro Henriques) não será tentado a levar a carta a Garcia, ou seja, se não cairá na tentação de compensar as reclamações do FC Porto", disse a O JOGO.
Por via das dúvidas, o dirigente garante que estará atento às movimentações do juiz. "Se for preciso, irei colocar alguém à porta, desde a sua chegada (aeroporto) até à sua saída, de forma a perceber se podemos estar tranquilos em relação à arbitragem portuguesa", avisou.
in jornal "O JOGO" de 14 de Fevereiro de 2008

O "Senhor Futebol" vai treinar a Irlanda

Foi o último treinador a ser campeão pelo Benfica. É um dos mais carismáticos e prestigiados treinadores de futebol de sempre. Com um currículo que lhe permite dizer que já ganhou tudo o que havia para ganhar. No mítico S. Siro, em Milão, o seu nome faz parte da história do colosso italiano, o mais galardoado clube do Mundo, o AC Milan, como tive ocasião de testemunhar no filme exibido no auditório do museu milanista. Chama-se Giovanni Trapattoni e, com quase 70 anos, acaba de juntar mais uma fita ao seu impressionante palmarés: foi hoje escolhido para seleccionador da emblemática selecção da Irlanda. Felicidades e foi uma honra ter-te connosco, Trap.

Passeio da Fama na Luz


A exposição dos 100 anos de glória do Benfica no Parlamento Europeu, para além do sucesso da iniciativa, consubstanciada nas 500 pessoas que estiveram na abertura e nas mais de 50 mil previstas até ao seu encerramento, foi uma bela e histórica ideia.
Bela porque fundada na própria matriz genética do Benfica, instituição universalista e de dimensão planetária. Histórica porque, para além do Real Madrid, mais nenhum clube do Mundo teve a sua história patente na sede do Parlamento Europeu, centro do poder da União Europeia.
Estão, por isso, de parabéns os eurodeputados portugueses José Ribeiro e Castro e Manuel dos Santos, curiosamente dois políticos de cores diferentes mas oriundos da mesma região – o Norte.
Institucionalmente, o Benfica fez-se representar ao mais alto nível, através do seu Presidente, Luís Filipe Vieira, e do seu maior embaixador, Eusébio da Silva Ferreira, a quem é dedicada parte substancial da exposição.
Este evento é também um marco significativo na liderança de Luís Filipe Vieira e é a prova do sucesso do caminho percorrido até aqui. Não sei se tal seria possível há 4 anos atrás. Eu sei que os resultados desportivos, sem dúvida o “core business” do clube, têm sido menos entusiasmantes do que o desejável. Mas deixem que lhes diga o seguinte: qual é o clube que hoje se pode orgulhar de possuir entre os seus atletas, nomes de dimensão mundial como Nélson Évora, agora detentor da melhor marca mundial do triplo salto, Vanessa Fernandes, provavelmente a atleta mais completa do Mundo, ou Telma Monteiro, uma judoca de dimensão internacional?
Dito isto, deixo aqui uma proposta à consideração da Direcção do Benfica: porque não criar no Estádio da Luz, por exemplo no perímetro do estádio, uma espécie de Passeio da Fama (um “Hall of Fame” à Hollywood), onde ficassem registados os nomes das nossas maiores glórias. Uma estrela, a mão ou o pé do atleta, e o seu nome inscrito para a posteridade.
Para além da atracção que um espaço desses constituiria, seria uma forma do Benfica homenagear de forma sugestiva os seus atletas mais representativos, em todas as modalidades, ao longo dos quase 104 anos de História.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O Mundial de 2018

Estranhamente, ou talvez não, até as mentes mais brilhantes entram em delírios argumentativos. Como não podia deixar de ser, a “ideia” de Gilberto Madaíl de realizar a meias com a Espanha o Mundial de Futebol de 2018 foi o tema forte da emissão do Trio D´Ataque, de ontem, na RTP.
Vi, ouvi e pasmei. O que faz homens inteligentes e, quase sempre, sensatos, como António-Pedro Vasconcelos, Rui Moreira e Rui Oliveira e Costa subscreverem a “boutade” de Madaíl? Cada um de nós responda como souber. Eu passo, e vou ao essencial.
Mais preocupado fiquei quando ouvi, e não queria acreditar, o argumento de que “já que temos as infraestruturas (isto é, os estádios), e como estão sempre vazios, é uma boa oportunidade para os rentabilizar”. E não contentes com isto, ainda chamaram à “ideia” uma boa medida de gestão.
Vamos lá ver se nos entendemos. Portugal organizou um Euro 2004. Precisava apenas de 6 estádios, resolveu construir 7 e remodelar 3. Dizem que foi para não dar hipóteses à Espanha, a concorrência mais forte. 1. Apostaram que o Euro ia colocar Portugal no primeiro lugar dos roteiros turísticos mundiais; 2. Que o impacto internacional desta “grande” jogada de marketing ia fazer disparar as nossas exportações; 3. Que iamos ser catapultados para o pelotão da frente, o que quer que isso signifique.
1. Portugal continua como sempre, aliás pior. Nem mais um turista granjeou. É confrangedor percorrer os aeroportos portugueses e em vez de campanhas a divulgar as belezas nacionais, apanhamos com imagens paradisíacas dos outros; 2. Com a captação de investimento estrangeiro estagnada (pelo contrário, o que mais se ouve é a saída de investimento estrangeiro), a grande jogada de marketing foi um flop. Aliás, o rídiculo é tanto que acabaram com o ICEP, fazem uma campanha sobre a imagem de Portugal para inglês receber, e nem sequer têm um míseros milhares de euros para promover o Vinho do Porto lá fora, um dos nossos produtos-símbolo; 3. Está-se mesmo a ver que estamos no pelotão da frente.
E depois há esta característica bem portuguesa de arrancar com projectos que custam x e concluí-los com vários zeros à direita do cifrão. Chamam a isto "derrapagens". Já nem me dou ao trabalho de perguntar quais é que foram os custos do Euro, se é que eles foram tornados públicos.
Ou seja, o que estes senhores pretendem é criar mais um problema para resolver um problema. E já nem vou falar de um aeroporto do Porto sumptuoso para receber meia dúzia de aviões; um metro do Porto sumptuoso para estar às moscas a maior parte do dia, etc.,etc.etc.
É claro que para quem pensa que o Mundial de 2018 em Portugal será o nosso nirvana, é irrelevante lembrar que países “pobres” como a Bélgica, a Holanda, a Áustria e a Suiça tiveram de se juntar para organizar europeus.
Nem sequer vale a pena recordar que o país organizador do Mundial de 2010 será a África do Sul, um gigante e 2º em rendimento per capita no continente africano. Claro, em 2014 será o Brasil, mas esse não tem outras prioridades…

Benfica é Portugal

"O Benfica é Portugal", lembrou Vieira no Parlamento Europeu
ALEXANDRA CARREIRA, em Bruxelas
Eusébio deixou reparo: "Gostava de ver aqui a bola de ouro que recebi"

Não é todos os dias que se ouve Luís Filipe Vieira falar de política europeia. O dia foi "histórico", nas palavras do presidente do Sport Lisboa e Benfica, que inaugurou ontem uma exposição sobre o centenário do clube no Parlamento Europeu, em Bruxelas. Eusébio também esteve na cerimónia de abertura, em representação da história e do passado do clube. Telma Monteiro, campeã europeia de judo, veio em ilustração do futuro e das camadas jovens da águia. "O Benfica contribuiu muito para o futebol europeu", disse Vieira, que tentou estabelecer um paralelismo entre os feitos do clube da águia e os grandes acontecimentos da construção da União Europeia. "Até no lema da UE, Unidos na Diversidade, somos iguais, só a cor das bandeiras é diferente", referiu o presidente do Benfica.O mais alto dirigente da Luz fez referência forte à capacidade de mobilização do Benfica no estrangeiro, "junto das comunidades portuguesas" e rematou que o nome do clube "significa Portugal". Os principais troféus estão agora expostos no edifício que simboliza a democracia europeia, mas Eusébio acabou por criticar uma ausência de destaque: "O que eu gostava de ver aqui era a bola de ouro que eu recebi e não a bota. Eu recebi duas botas de ouro, deviam estar aqui as duas e não só uma, mas não faz mal, eu estou muito orgulhoso." As fotografias dos momentos-chave nas várias modalidades do Benfica pintam ainda a cronologia dos cem anos do "Glorioso". A iniciativa partiu de José Ribeiro e Castro, eurodeputado do Partido Popular, benfiquista claro está, que recordou que se ouve dizer que a "última presidência portuguesa foi um sucesso", mas importante mesmo é lembrar que "a primeira presidência portuguesa na Europa aconteceu quando o Benfica ganhou a Taça dos Campeões em 1961". (…). O clube com mais sócios em todo o mundo fica em exposição em Bruxelas, no edifício do Parlamento Europeu, até quinta-feira.
retirado, com a devida vénia, do "Diário de Notícias" de 13 de Fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Mais contras que prós



O programa da RTP “Prós e Contras” ganhou um estatuto de referência no panorama audiovisual português. Por mérito e por demérito da concorrência. O formato, à semelhança de “Crossfire”, apostou no debate de temas quentes da actualidade, em registo de longa duração, e conseguiu reunir alguns bons painéis. Como em tudo, há altos e baixos.
Ontem, dia de início do julgamento do processo “Apito Dourado”, o “Prós e Contras”, mais uma vez, não desperdiçou a oportunidade de marcar a diferença num meio audiovisual onde os debates sérios sobre temas importantes são… zero.
Se bem o pensou, pior o executou. Das duas uma: o programa era para debater o “Apito Dourado”, um processo intimamente ligado ao futebol, ou para debater o problema da corrupção em Portugal?
É que não foi uma coisa nem outra. Os dois painéis eram constituídos por juristas e as intervenções resumiam-se a prazos, recursos, anulações, inquirições, investigações, arquivamentos, manobras dilatórias, falhas processuais, etc., etc., etc., Um consultório jurídico em dose gigante.
Do “Apito Dourado”, encontrou-se um vago vestígio na presença na plateia de Ricardo Bexiga, ex-vereador da CM Gondomar, agredido à noite no Porto por desconhecidos (?). Um “caso” que o livro de Carolina Salgado mediatizou.
Sejamos benévolos: Fátima Campos Ferreira, uma profissional competente e, às vezes, bem preparada, viu recusados os convites que fez a Valentim Loureiro, Pinto de Sousa, Pinto da Costa, Jacinto Paixão, António Araújo, Lourenço Pinto, Carolina Salgado, José Luís Oliveira.
Mas, se assim foi, cedo desistiu da empreitada. Deixo-lhe aqui um conselho: se quer fazer um debate sério e a sério sobre o que foram os últimos 20 anos do futebol português tem muito por onde escolher. Sugiro-lhe alguns nomes: António Garrido, Dias da Cunha, Francisco Silva (ex-árbitro acusado de corrupção), Carlos Calheiros, Martins dos Santos, Gilberto Madaíl, Pimenta Machado, Manuel João (ex-presidente do Portimonense), os jornalistas Rui Santos e Marinho Neves, o ex-jornalista Eládio Paramés, o empresário Fernando Barata (ex-presidente do Farense e do Imortal), Gaspar Ramos, o guarda Abel, Luciano D`Onofrio, Delane Vieira, José Veiga, Octávio Machado, Adriano Afonso, Pedro Santana Lopes. Sabes o que é o “sistema”, não sabes Fátima?

Més que un club

Apesar de se saber que no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira, uma máxima de autor (Pimenta Machado), o certo é que notícias assim são surpreendentes. O Barcelona, que os adeptos costumam apelidar de "més que un club" (mais que um clube), não vive os seus melhores dias desportivos, estando embora na 2ª posição na Liga espanhola e apurado para os oitavos da Liga dos Campeões.
Não obstante, o treinador Franck Rijkaard vê o seu lugar no banco de Camp Nou em perigo. O que se fala na Catalunha é tudo menos normal num clube de futebol e os ecos já chegaram à rival Madrid, e, pior, aos jornais de Madrid, de que a Marca é um símbolo incontornável. Joan Laporta, presidente azul-grená, não parece estar com meias medidas, nem com espírito altruísta, apesar do Barça ser patrocinado pela Unicef.
E o que quer fazer Laporta? Nada mais nada menos que mandar embora a equipa inteira do Barcelona. Com ou sem Rijkaard, ainda não se sabe, mas Mourinho que comece a ver os catálogos e os vídeos com novos jogadores.
A Marca, tido com o órgão oficioso do Real Madrid, é que começa a fazer gáudio deste estado de espírito do presidente do Barcelona. Se não acredita, veja aqui http://msn.lancenet.com.br/noticias/08-02-12/236272.stm?jornal-diz-que-barca-dispensara-time-inteiro

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A "ideia" de Madaíl


Gilberto Madaíl não tem emenda. Agora, se calhar para lançar uma cortina de fumo sobre a desastrosa exibição da Selecção portuguesa contra a Itália, lançou mais uma ideia “brilhante”. A candidatura de Portugal, em parceria com a Espanha, ao Mundial de 2018.
2018, leram bem? Daqui a 10 anos. Ora, ou Madaíl acredita na sua longevidade como presidente da Federação Portuguesa de Futebol, cruzes, credo!!!, ou está a meter a foice em seara que já não será sua.
Seja como for, a ideia até nem é original. Volta e meia, em Portugal, gosta-se de atirar com uns projectos megalómanos à cara dos tugas, a ver se pega. E o que é engraçado, a mais das vezes, … pega.
Por agora, a ideia está a fazer o seu curso, dentro do que é vulgar em Portugal. Madaíl já teve os minutos de televisão e de rádio da praxe, mais um forum da TSF, e certamente umas valentes páginas de jornais.
A ajudar à festa, o homólogo espanhol de Madaíl nem se pôs totalmente de fora, se calhar surpreendido com esta ousadia lusitana. O que não estava no programa eram as palavras de Cavaco. O Presidente da República, que não vai em futebóis, disse esta coisa simples e singela: “Portugal tem outras prioridades”. Ao senhor Madaíl escapou esta realidade.
Já agora um conselho ao líder federativo: preocupe-se em gastar os neurónios a encontrar soluções para alguns estádios do Euro 2004 que estão às moscas, como o do Algarve, o de Aveiro, o de Leiria, quase sempre o de Coimbra e o do Bessa.
E já que tem grandes e boas ideias, que tal ajudar o presidente da Liga, Hermínio Loureiro, a encontrar soluções para voltar a encher os estádios portugueses, que, salvo a Luz, o Dragão, e, às vezes, Alvalade, têm assistência inferiores a 5 mil pessoas. Vai ver que é tempo melhor gasto, é mais barato e não custa milhões. Vale, meu caro Gilberto Madaíl?

Uma foto vale mais que mil palavras

in jornal "A Bola", de 11 de Fevereiro de 2008

Christian Rodriguez, tocado no pé, dentro da área do Paços de Ferreira. Penálti claro e bem assinalado. Uma fotografia, que não precisa de mais palavras. Certo?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Quatro vedetas e um palhaço


1º espanto: 15 mil pessoas na Luz num jogo que dava acesso aos quartos de final da Taça (é certo que, ontem em Alvalade não chegaram a 10 mil); 2º espanto: Toy e Roberto Leal juntos e ao vivo a ver o Benfica; 3º espanto: Makukula sozinho na frente de ataque, com Cardozo no banco, na Luz contra um dos últimos da Liga; 4º espanto: o golo do Paços de Ferreira a abrir o jogo perante um Benfica parado; 5º espanto: a exibição paupérrima dos encarnados; 6º espanto: Camacho lê bem o jogo e à meia-hora da primeira parte tira Edcarlos, recua Katsouranis e faz entrar Cardozo; 7º espanto: Cardozo à matador, com um pé esquerdo fantástico e que não perdoa; 8º espanto: a exibição espantosa de Rui Costa, a “pedir” mais um ano como jogador; 9º espanto: contra 10, Camacho faz entrar Di Maria a cinco minutos do fim; 10º espanto: Rui Costa sai sob uma chuva de aplausos e não cumprimenta Camacho, como o fez Makukula; 11º espanto: o palhaço do José Mota, treinador do Paços de Ferreira, esqueceu-se que o Carnaval já acabou e no ano passado a sua equipa ganhou em Alvalade com um golo metido com a mão por Ronny. José Mota já tentou outros voos, fora de Paços de Ferreira, mas regressou à base – porque será? Resumindo: 4 vedetas (Óscar Cardozo, Rui Costa, Toy e Roberto Leal) e 1 palhaço (José Mota).

Foto em www.slbenfica.pt

Descascando uma Cebola

Christian Rodriguez, vulgo o “Cebola”, era um obscuro jogador uruguaio a jogar numa liga pouco competitiva, a francesa, e num clube que já viveu melhores dias, o PSG. Veio para o Benfica pela mão de Camacho, juntamente com outro compatriota, Maxi Pereira.
Pegou de estaca na primeira equipa da Luz, através de um futebol esforçado, de raça, de nunca virar a cara a luta. Ganhou a simpatia do Terceiro Anel e retribuiu com profissionalismo.
Rodriguez parecia ser um daqueles jogadores “à antiga” do Benfica, jogando com amor à camisola e lutando por cada lance como se disso dependesse a própria vida. Os adeptos gostavam do Cebola. Era por isso impensável a saída do jogador no final da época e a Direcção do Benfica começou a tratar da renovação do contrato.
Sem que nada o fizesse prever, Christian Rodriguez regressou a Lisboa, depois de ter jogado pela selecção do seu país, com um discurso no minímo surpreendente. Diz que não acredita que fique na Luz e que todas as possibilidades estão em aberto, até a de representar um outro clube em Portugal.
Ora, não se tendo conhecimento de qualquer desentendimento entre as partes no processo de renovação do contrato de Rodriguez, nada disto faz sentido. Pelo meio deste estranho episódio, vai-se sabendo que o empresário de Rodriguez pede quantias astronómicas pela renovação do contrato, quando antes tinha aceite as condições do Benfica, e que há já alguns dias que não atende os telefonemas de dirigentes encarnados.
Esperando que tudo isto não passe de um grande equívoco, não podemos deixar de assinalar o seguinte: 1 – uma típica posição de chantagem do empresário do jogador a que o Benfica não pode ceder; 2 – um jogador mal aconselhado e que faz afirmações impróprias de um profissional com carácter (compare-se com a atitude de Léo); 3 – Rodriguez é um bom jogador, não é um fora de série, e devia ter mais respeito por um clube que o foi arrancar ao anonimato; 4 – às vezes, é em pequenas questões como esta que se revela o carácter das pessoas, é como que descascando uma cebola.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O "Rei" está vivo

Andam para aí uns revisionistas, talvez influenciados pelo centenário do regicídio, a tentar reescrever a história do futebol português. O episódio não é novo. Iniciou-se quando Figo, agora no Inter de Milão, foi considerado o melhor jogador da Europa. Estava encontrado o novo “rei” do futebol português, dizia-se. Eusébio tinha um sucessor. A tese só não foi mais além porque, infelizmente, a selecção portuguesa ficou-se pelo 4º lugar no Mundial da Alemanha.
Agora, aparece outro candidato ao “trono”, de seu nome Cristiano Ronaldo. E é pena ver jornais com a memória, sim, a memória, de “A Bola”, a embarcarem nestas teorias de trazer por casa. Não estando em causa a categoria de Figo nem de Cristiano Ronaldo, dois enormes jogadores, é tempo de colocar algum bom senso na coisa, até para defesa dos próprios. (Se calhar a exibição de Cristiano contra a Itália já tem algo a ver com o peso que lhe colocaram sobre os ombros).
Resumamos a coisa assim, e ponto final neste assunto: “Rei” só há um – Eusébio da Silva Ferreira. Aliás, nem de propósito, depois desta brincadeira de Carnaval, foi notícia que o Parlamento Europeu vai receber, entre os dias 12 e 14 de Fevereiro, uma exposição alusiva à história do Benfica. Nessa exposição estarão patentes uma das duas botas de ouro conquistadas por Eusébio, uma camisola, um par de botas e uma bola de Cosme Damião, fundador do clube, entre outros troféus conquistados em 104 anos de glória. A exposição, inciativa dos eurodeputados Ribeiro e Castro e Manuel dos Santos, será inaugurada na próxima terça-feira pelo Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, acompanhado por “Rei” Eusébio e pela judoca Telma Monteiro.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dos fracos não reza a história


Muitas críticas têm sido feitas ao plantel do Benfica. Desequilibrado, curto, fraco, sem banco à altura. Esta avaliação dos comentadores contraria a afirmação de Luís Filipe Vieira: “Este é o melhor plantel dos 10 últimos anos”.
Descontando sempre a carga de subjectividade que uma análise deste tipo tem, lançamos a questão: quem tem razão? É o plantel do Benfica assim tão fraco que justifica a época que está a realizar? É verdade que, como diz Vieira, é o “melhor plantel” da década?
Ontem, “noite de selecções”, estiveram em actuação nos quatro cantos do Mundo diversos atletas benfiquistas. Em Zurique, ao serviço de Portugal, o Benfica disponibilizou Quim, Petit e Makukula. Em Dublin, no Irlanda – 0; Brasil – 1, actuou durante os 90 minutos, Luisão. Diz a “A Bola” do central benfiquista: “Luisão brilha nas alturas”; e o “Jogo”: “Luisão magistral no triunfo do Brasil”. Em Nicósia, a Grécia ganhou por 2-1 à Finlândia, com o golo da vitória a ser marcado por Katsouranis. Zoro (Costa do Marfim) foi semi-finalista e Bynia (Camarões) finalistas da CAN - uma palavra de admiração para Bynia, que depois do que passou vê os seus créditos de jogador serem recompensados, atingindo uma final que poucos conseguem. Adu jogou pelos Estados Unidos contra o México. Maxi Pereira e Christian Rodriguez jogaram os 90 m no Uruguai – 2; Colômbia – 2. Óscar Cardozo foi titular do Paraguai contra as Honduras, e Di Maria esteve no banco da selecção olímpica argentina contra a Guatemala. E ainda há Nuno Gomes, que está lesionado. Um plantel fraco ou o melhor da última década?

"A Bola", a Leonor e eu

in "A Bola", de 7 de Janeiro de 2008

Já aqui o escrevi algumas vezes, o jornal "A Bola" será sempre, para mim, a "Bíblia". Continuo a rever-me no seu jornalismo de proximidade, onde têm lugar as mais épicas prestações desportivas como a informação sobre o resultado entre equipas de recônditos lugares. É uma tradição que ali, na Travessa da Queimada, continua a ser o que era e que se funda em nomes como os de Carlos Pinhão, Vítor Santos, Homero Serpa, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Carlos Miranda, entre alguns outros.

Imaginem por isso o meu estado quando, como faço todos os dias, e mais à 5ª feira, olhei para a primeira página d´"A Bola" de hoje. Aqui fica o registo, com um reconhecido e venerado agradecimento. Ao jornal e à Leonor. Melhor publicidade não poderia ter.

Eu sei que, como escreveu Óscar Wilde, em "O Retrato de Dorian Gray", a "pura vaidade" proporciona "uma dessas voluptuosas emoções estéreis que produzem um certo encanto nos fracos". Seja, ... mas sabe bem.

O INFERNO nos Jornais

in "Jornal de Notícias", de 30 de Janeiro de 2008

O INFERNO nos Jornais

in "Jornal de Notícias" de 23 de Janeiro de 2008

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Ídolos com pés de barro

Scolari incrédulo a assistir ao particular entre Portugal e a Itália, em Zurique: "E o burro sou eu?" Foto de Luca Bruno/AP
Portugal - 1; Itália - 3 (Particular), em Zurique - Não levem a mal, mas no jogo da Selecção hoje contra a Itália, só tive olhos para os “nossos”: Petit e Makukula. E quero dar-lhes os parabéns, porque foram dos poucos que honraram a camisola das quinas.
Petit foi o verdadeiro suporte e motor do meio-campo. Depois dele sair, a equipa desfez-se, como se viu em toda a segunda parte. Makukula, sozinho na frente, mostrou que quando tiver extremos a jogar para a equipa e não para si próprios, como foi o caso de Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma, vai dar que falar em toda a Europa.
Foi do novo ponta-de-lança do Benfica a jogada mais perigosa de Portugal na primeira parte, com uma rotação e um disparo de fora da área a rasar o poste. Scolari vai ter um grande problema para resolver: domesticar os egos de alguns jogadores da Selecção, a começar por Cristiano Ronaldo.
Contra uma Itália cínica e muito profissional, como é hábito, Portugal revelou-se uma equipa cheia de vedetas de pés de barro, que julgam que já ganharam tudo e ainda não ganharam nada.
Se Scolari for igual a ele mesmo, os jogadores devem ter ficado com as orelhas a arder no balneário. E depois, há que levantar a questão: serão Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma compatíveis, não só em termos tácticos como em termos de personalidade?
Uma jogada, ainda na primeira parte, em que apareceram três jogadores portugueses para um defesa italiano, foi desperdiçada infantilmente por causa de um passe estúpido de Quaresma para Ronaldo. E aqui, todas as especulações são permitidas.
A Selecção de Portugal, muito apoiada pelos milhares de emigrantes presentes em Zurique, vai ter de arrepiar caminho. Scolari vai ter de repensar bem quem quer levar ao Europeu, a começar pelo ponto de interrogação que é Ricardo, culpado do primeiro golo italiano. O que é preciso é mais fato de macaco e menos smoking.

Quantos eram, quantos eram?


Cada clube tem a sua filosofia. Nas vitórias, nas derrotas, nas crises. Para uns, ganhar é sempre contra alguém. Nas derrotas e nas crises, colocam bombas por debaixo do carro do treinador. Outros agitam lenços brancos no final dos jogos. Outros, ainda, escrevem livros. E há os que aproveitam a onda para aparecerem nos jornais a dizer de sua justiça e a dar a táctica.
No Benfica, calados os “papagaios”, aparecem agora outras aves de arribação, mascaradas de adeptos insatisfeitos com não se sabe o quê: não com os resultados, dado que aplaudem treinador e jogadores. Talvez sejam da mesma fornada dos que, há meses, apareceram numa tumultuosa assembleia geral.
Poucos é certo, mas suficientemente agitados para merecerem primeira página em dois jornais desportivos. O que contestam, afinal? Da pouco perceptível tarja que ostentavam, intui-se uma crítica à SAD (sociedade anónima desportiva). Quererão o seu fim e o regresso ao velho modelo organizacional anterior à criação dos clubes-empresa? Ou o objectivo é atacar o presidente do clube?
A massa associativa e adepta do Benfica não anda satisfeita com a equipa de futebol, o “core business”, como agora se diz, do clube. Mas não é com assobios, nem com lenços brancos, muito menos com agitação inconsequente, que se resolvem os problemas.
Quem tem projectos diferentes, ideias diferentes, opções diferentes tem dois caminhos: apresenta-nos no local próprio, a assembleia geral do clube; ou forma uma equipa e candidata-se às próximas eleições.
Dar trunfos aos nossos adversários, contribuindo para a desestabilização do clube e da equipa de futebol não parece ser a melhor estratégia. Mas, claro que, nos tempos que correm, uns poucos são sempre mais mediáticos que a imensa “maioria silenciosa”.

Foto de Marcos Borga/Reuters

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

António Simões falou. E os outros?

António Simões, o primeiro a contar da direita, em baixo, numa das mais míticas equipas do Benfica.
António Simões, antiga glória do Benfica, campeão europeu, acaba de proferir o mais “assassino” ataque a José António Camacho. Diz ele ao jornal “Público”, de hoje, que os treinos de Camacho têm “défice de qualidade”.
Que credibilidade se deve dar a estas palavras, vindas de quem trabalhou com Camacho, na sua primeira passagem pelo Benfica, um ano e meio? Que razões estão por detrás destas afirmações, vindas de quem foi treinado por nomes míticos como Bella Gutmann, Otto Glória ou Fernando Riera?
Simões não pode ser acusado de “papagaio”. O dedo na ferida aí está e só se espera a resposta de Camacho. Quem cala consente. E o que têm a dizer a isto Fernando Chalana, o treinador-adjunto, Shéu Han, secretário técnico e que acompanha o dia-a-dia da equipa, Rui Águas, hoje um dos homens-forte do futebol, e Rui Costa, tido como o futuro director desportivo?
Depois destas afirmações, estes homens, que, cada um com a sua forma de estar, transportam a mística benfiquista, não podem ficar calados. Sob pena de serem cúmplices de algo muito grave. (ler as declarações de António Simões aqui).

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O apito que não apita...

Não sou adepto das teorias da conspiração, mas não posso deixar de chamar a atenção para este ponto, quando estamos quase a entrar no último terço do campeonato: será que os árbitros das associações de Braga, Castelo Branco, Madeira e Viana do Castelo estão proibidos de arbitrar jogos do Benfica?
Vítor Pereira, ex-árbitro internacional, e cuja eleição para presidente da Comissão de Arbitragem da Liga foi vista como uma lufada de ar fresco num organismo que tem sido um dos maiores "cancros" do apodrecimento do futebol português, tem de responder a esta questão.
Como já aqui ficou demonstrado através de fontes insuspeitas, o Sport Lisboa e Benfica tem sido claramente prejudicado pelas arbitragens. Ainda ontem, na Luz, contra o Nacional, o árbitro Olegário Benquerença, que se tivesse um pingo de vergonha nunca mais entrava na Luz, teve uma arbitragem chamada "habilidosa". Bastava que cumprisse as leis do jogo e tivesse expulso o defesa do Nacional, Cardozo, depois daquela patada em Katsouranis e tudo seria diferente. Isso não invalida, é claro, que a equipa do Benfica, com as suas más exibições, tem "ajudado" a branquear estes casos.
Voltemos a Vítor Pereira. Como explica o senhor presidente da Comissão de Arbitragem da Liga que em 18 jornadas, o Benfica tenha sido arbitrado quase esmagadoramente por árbitros de 4 associações: Porto, Leiria, Lisboa e Setúbal. Só da Associação de Futebol do Porto, foram 6 vezes, mais de 33%; de Setúbal, 5 vezes, de Lisboa, 3, e de Leiria, 2 vezes.
Quanto a nomes, os únicos árbitros que já repetiram o Benfica são bem conhecidos: Olegário Benquerença, de Leiria (2); Paulo Costa, do Porto (2); Paulo Paraty, do Porto (2); Bruno Paixão, de Setúbal (2); João Ferreira, de Setúbal (2).
Não há dúvidas que no que às nomeações de árbitros diz respeito, o nome do Benfica faz reduzir o leque de escolhas. Será porque os outros ainda estão em fase de formação para apreenderem todas as virtuosidades do "sistema"?

Ainda há esperança

Enquanto que o processo do "Apito Dourado" parece ter caído dentro de uma gaveta funda e profunda de uma qualquer secção judicial, resta-nos o livre espaço da blogosfera, contra todas as iniquidades de que a nossa sociedade está cheia.
Vem isto a propósito de um blogue (http://www.footballdependent.blogspot.com/), que merece ser visto e lido, revisto e relido, e mais este "post", que agradeço e me envaidece. Para ser lido e reflectido aqui.

O "sistema" não facilita

O Tribunal de O JOGO

Primeiro golo é irregular?

Sem dúvidas. É esta a conclusão que se tira da análise dos entendidos na matéria sobre o lance que mais polémica suscitou: o primeiro golo do FC Porto. Todos consideram que Farías estava em posição irregular quando fez o desvio do remate desferido por Bosingwa. De resto, Paulo Baptista ajuizou correctamente os restantes lances. A excepção é uma alegada grande penalidade de Paulo Assunção sobre Marcelinho, uma opinião apenas defendida por Jorge Coroado. Os restantes juristas acham que não, que não havia qualquer motivo para ser assinalado castigo máximo a favor dos leirienses.

in "O Jogo" de 3 de Fevereiro de 2008, análise ao trabalho do árbitro, Paulo Baptista, ao FC do Porto - 4; União de Leiria - 0

Obs: é assim que, também, se constroem caminhadas para o título.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pior era impossível


18ª Jornada - Benfica - 0; Nacional - 0, em 2 de Fevereiro de 2008.

Pior era impossível. O Benfica que jogou hoje à noite contra o Nacional foi uma equipa sem atitude, sem determinação, sem classe, sem nada. A continuar assim, podem esquecer Taça de Portugal e Taça UEFA, é que o campeonato já foi... e cuidado com o Sporting.
Camacho voltou a ver lenços brancos. Não um, mas vários. A situação parece estar a tornar-se insustentável para o treinador espanhol e, pergunto-me mesmo que deve continuar até ao final da época. Digo isto porque o que se passou esta noite foi surreal. Como é possível ter mantido três médios defensivos até ao fim: Maxi, Petit e Katso?. Como é possível que nos livres junto à área e em posição frontal (um deles a poucos minutos do fim), nenhum tenha sido marcado por Cardozo, que em Guimarães fez um golo soberbo... de livre? Nós, os sócios, os adeptos e simpatizantes, exigimos resposta a estas questões. Nós, os adeptos, os sócios e simpatizantes dizemos, claramente: "Adiós, Camacho".
Uma primeira parte confrangedora, com a equipa a sentir a falta de Rui Costa. Sem um autêntico nº 10, o Benfica jogou aos repelões, sem dinâmica e quase sempre mal a defender e a atacar. A defender, os espaços dados aos jogadores do Nacional só não deram mau resultado por mero acaso; a atacar, apesar de jogar com dois homens na frente, Cardozo e Nuno Gomes, a equipa só conseguiu uma verdadeira ocasião de golo aos 40 minutos. Não se compreende que contra uma equipa do meio da tabela para baixo, o Benfica jogue na Luz com três médios defensivos: Maxi, Petit e Katsouranis. É certo que, curiosamente, a equipa começou a jogar melhor quando Nuno Gomes teve de sair, por lesão, entrando para o seu lugar Christian Rodriguez. E nem de desculpa serve o facto de nos primeiros 10 minutos, Olegário Benquerença, sim esse mesmo que roubou um golo ao Benfica há uns anos atrás no célebre remate de Petit que Baía largou para dentro da baliza, ter feito das suas: aos 3 minutos, patada de Cardozo (defesa do Nacional) a Katsouranis - nem falta nem amarelo; aos 6 minutos, entrada por detrás de Patacas a Di Maria - sem amarelo; aos 8 minutos, entrada por detrás de Ricardo Fernandes a Cardozo - sem amarelo. Um segundo tempo um pouco melhor, também pior era impossível, mas triste e sem garra... Foi triste, e há que tomar medidas urgentes.

Foto de Marcos Borga/Reuters

1 ou 2? 2, claro...

A contratação de Makukula lançou mais um motivo de discussão sobre a disposição táctica que o Benfica deve adoptar daqui em diante. Isso acontece porque o internacional A português, ex-Marítimo, é um daqueles reforços para entrar de início, como pedia Camacho. Mas será que vai ser assim?
Independentemente da fórmula táctica – e sabemos que Camacho tem tendência para o 4-3-3 -, o Benfica passa a ter mais opções de ataque. Cardozo é, neste momento, indiscutível, pela série de golos que tem marcado, mas é notório que o paraguaio se sente melhor com alguém ao lado. Será Makukula? Estará Camacho tentado a apostar decisivamente no 4-4-2?
Uma coisa é certa: são “dores de cabeça” benignas para o treinador espanhol. Como somos todos um pouco treinadores de bancada, arrisco-me, também a meter a minha colherada sobre este assunto.
Sendo assim, no lugar de Camacho, não hesitava e punha os dois – Cardozo e Makukula – a jogar de início até ao fim do campeonato. No Dragão e em Alvalade? Claro, porque não?
O Benfica tem de recomeçar a ser temido em qualquer campo, massacrar os adversários em qualquer terreno, entrar dominante em qualquer relvado contra qualquer equipa. Até porque, se existem dois alas com potencialidades, como Dí Maria e Freddy Adu, a sua ainda juventude traz uma inconstância ao seu jogo que nesta altura do campeonato não é benéfica. O Benfica, neste momento, não tem tempo a perder.
Os quatro do meio-campo são evidentes: Christian Rodriguez, Petit, Katsouranis e Rui Costa: E cá atrás, poucas dúvidas também: Quim, Nélson, Luisão, David Luiz e Léo. O que significava, também, um banco de suplentes reforçado, com Di Maria, Adu, Nuno Gomes, Mantorras, Nuno Assis, Bynia, Edcarlos, com soluções para todas as cambiantes do jogo.
Makukula, para além da esxcelente contratação que foi, introduz ainda uma série de equações que podem catapultar o Benfica para uma segunda parte da época em grande estilo. Assim todos percebam o “tesouro” que têm ao dispor.

Obs: Hoje, contra o Nacional, a opção que defendo não é possível, dado que Makukula não foi inscrito a tempo. Continuo a apostar, porém, em dois avançados, que, neste caso, seriam Cardozo e Nuno Gomes.

Foto em http://dn.sapo.pt

O INFERNO nos Jornais

(...) "Viram como eu consegui escrever uma crónica sem falar de arbitragens. Eu sou de uma geração que cresceu a ver o Donato Ramos, o José Guímaro, os irmãos Calheiros, o Martins dos Santos e o António Costa, e para me impressionar já não é fácil. Isto já lá não vai com três ou quatro erros graves por jogo. Vejam a este respeito o blogue lampião "O Inferno da Luz"".

Sílvio Cervan, vice-presidente do Benfica e director da revista "Mística", in "A Bola", de 1 de Fevereiro de 2008
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